Capítulo 1As portas frias de ferro da prisão em São Paulo abriram-se lentamente.A luz do sol incidiu no rosto pálido e amarelado de Selena Alves.As roupas que vestira ao ser presa agora pendiam frouxamente em seu corpo.Ela passara cinco anos sombrios sem ver a luz do dia lá dentro e, hoje, finalmente cumprira sua pena.Selena arrastou as pernas, mancando pesadamente ao sair da prisão.Andava devagar, não por falta de vontade de apressar-se, mas porque simplesmente não conseguia.Um Bentley preto estava estacionado à beira da estrada, e a janela foi abaixada, revelando o rosto profundo e sombrio de um homem.O olhar do homem desceu até suas pernas e ele soltou um riso frio, sem esconder o sarcasmo em seus olhos."Cinco anos de prisão, e você ainda gosta de fingir a ser inocente."O coração de Selena doeu de surpresa, e seus olhos inexplicavelmente ficaram úmidos.Lucas Alves.Seu irmão mais velho.Desde que fora levada de volta ao lar da Família Alves aos quinze anos, saindo do orfanato, ela sempre se esforçara para agradá-lo.Mas ele, por sua irmã adotiva, sem laços de sangue, fez um falso testemunho que a condenou por tentativa de homicídio.Cinco anos se passaram, e ele ainda era tão cruel com as palavras e a desprezava como sempre.Selena sufocou a amargura, fingindo não ver Lucas, mancando, continuou a seguir em frente.O rosto de Lucas endureceu.Ele havia sido ignorado.Na sua memória, Selena sempre se aproximava dele, tentando agradá-lo de todas as formas.Quando ele chegava em casa, ela lhe entregava chinelos.Quando ele estava cansado, ela massageava seus ombros.Quando ele sofria de insônia, ela preparava chás calmantes para ele todas as noites.Quando ele estava muito ocupado no trabalho para voltar para casa para jantar, ela esperava por ele em frente ao prédio da empresa com uma marmita térmica, faça chuva ou sol.Nos três anos em que ela esteve em casa, sua antiga gastrite melhorou; mas desde que ela foi presa, ele frequentemente acordava à noite com dores no estômago.Hoje, ao saber que ela sairia da prisão, ele estava, de fato, um pouco contente e até adiara uma reunião internacional para buscá-la na prisão.Ele pensou que, ao vê-lo, ela ficaria radiante de alegria e estava preparado para ouvir seus lamentos sobre os sofrimentos desses anos.Jamais esperou, no entanto, ser confrontado por sua indiferença e frieza.A admiração que ela tinha em seus olhos havia desaparecido, restando apenas distância.Aquela sensação desconhecida e vazia em seu coração o deixou irritado, e ele apertou o volante com força, os músculos de sua mão tensos.Com uma voz carregada de impaciência, disse: "Entre no carro."Após falar, Lucas se arrependeu um pouco, franzindo a testa com irritação, suavizando um pouco o tom: "Os pais sabem que você saiu hoje, prepararam uma festa de boas-vindas para você."Pais?Palavras tão familiares e ao mesmo tempo estranhas.No orfanato, ela sonhava que, se tivesse pais, certamente seria uma princesa querida e mimada.Ela esperou dia e noite, durante quinze anos.Quinze anos depois, seu desejo finalmente se realizou.Ela tinha um pai e uma mãe e um irmão mais velho, um belo executivo.Mas a princesa querida e mimada não era ela, e sim a falsa herdeira que eles criaram desde pequena, Isabela Alves.Aquele casal não eram seus pais.Eram os pais de Lucas e Isabela.Selena sorriu amargamente para si mesma.Nos três anos em que esteve naquela casa, sofreu humilhações e olhares de desprezo, sabendo que não era benquista. Por que voltar para buscar mais desdém?Selena continuou a andar, lentamente, mas sem parar.Sua atitude fria e o perfil obstinado feriram os olhos de Lucas, despertando uma raiva sem nome em seu coração.Ele abriu a porta do carro, e com passos largos, rapidamente a alcançou, agarrando seu pulso com força e puxando-a bruscamente, "Você ainda não cansou de fazer cena?"Selena perdeu o equilíbrio e caiu pesadamente no chão, sentindo uma dor lancinante em sua perna machucada, enquanto seu rosto ficava pálido, sem cor.Lucas estava furioso, "Viciada em fingir fraqueza, não é?""Não se esqueça, cinco anos atrás, você empurrou Laura da escada, deixando-a em coma, e ainda tentou incriminar Isabela. Mesmo após cinco anos de prisão, você não mostra arrependimento. Parece que sua reabilitação não foi completa!"Lucas disse isso, sem compaixão, puxando Selena do chão com desdém, "Não pense que cinco anos de prisão expiam seus pecados. Enquanto Laura não acordar, sua dívida não estará quitada.""Além disso, você ainda deve um pedido de desculpas à Isabela.""Entre no carro, não me faça repetir."Ao ouvir essas palavras, Selena sentiu apenas ironia.Ela já havia explicado: não foi ela quem empurrou Laura Costa, foi Isabela.Mas ninguém acreditou nela; todos escolheram ficar do lado da Isabela.Claramente, ela era a verdadeira herdeira legítima da Família Alves, mas toda a família só acreditava na versão de Isabela.Ela realmente tinha culpa!Culpa por ter voltado para casa, por ter desejado um afeto que não lhe pertencia.Ela entendeu seu erro.Ela mudaria!Iria embora para bem longe, nunca mais disputaria o amor de seus pais e irmãos com Isabela, nunca mais apareceria diante deles para ser um incômodo.Mas Lucas não parecia satisfeito com isso.Ela, discretamente, soltou a mão dele, dando um passo atrás, aumentando a distância entre eles.Seu afastamento deliberado deixou Lucas com o coração apertado, a mente cheia das lembranças de Selena, que costumava segui-lo como uma sombra, tentando agradá-lo humildemente.Ele se esforçou para suprimir a raiva, tentando suavizar sua voz, "Volte para casa comigo."Selena, com o olhar baixo, manteve uma expressão indiferente, como se não quisesse mais olhar para ele.Essa atitude apática fez com que a raiva de Lucas ficasse incontrolável.Cinco anos de prisão, e ela não havia aprendido outra coisa, além de endurecer seu temperamento.Ele estava prestes a perder a paciência quando uma voz suave e serena soou em seus ouvidos."Selena."O corpo de Selena congelou, e seu coração, até então calmo, apertou-se instantaneamente.Mesmo após cinco anos sem ouvir aquela voz, ela imediatamente reconheceu o dono: seu amigo de infância, Carlos Lima.Ela viu um par de sapatos brilhantes aparecer em seu campo de visão, e a voz grave e magnética do homem veio de cima."Selena, parabéns por recuperar sua liberdade."Se essas palavras tivessem vindo de outra pessoa, ela teria respondido educadamente com um "obrigada".Mas, vindo de Carlos, soavam tão ofensivas.Seu amigo de infância mais confiável, Carlos Lima, Advogado Carlos, o primeiro caso que ele lidou após se formar foi justamente como advogado de defesa de Isabela, condenando-a no tribunal.Antes do julgamento, ele disse a ela: "Selena, Isabela nunca passou por dificuldades, ela não aguentaria a vida na prisão, você poderia assumir a culpa por ela?"Isabela não aguentaria, mas ela sim?Só porque estava acostumada a sofrer, ela deveria carregar a culpa de um crime que não cometeu, certo?Foi ele quem enviou a verdadeira herdeira da Família Alves para a prisão, ganhando notoriedade em Salvador com esse feito.Cinco anos atrás, recém-formado, ele ainda parecia inexperiente.Cinco anos depois, ele já era um renomado advogado em Salvador, exibindo uma aura de excelência da cabeça aos pés.Eles cresceram juntos no orfanato, não eram irmãos de sangue, mas eram como se fossem.Quando outros meninos a intimidavam, ele a defendia com vigor, prometendo solenemente: "Com o irmão Carlos por perto, ninguém fará Selena sofrer."Ele também prometeu que, ao se tornar advogado, colocaria na prisão quem a ferisse.Mas, mais tarde, Isabela a fez sofrer inúmeras vezes, e seu irmão Carlos simplesmente a dispensou com um "Selena, você é muito sensível, Isabela não é assim."Foi ele quem protegeu quem a machucou e a enviou pessoalmente para a prisão.......O silêncio pairou no ar.O sorriso no rosto de Carlos ficou progressivamente mais tenso, mas ele ainda forçou um sorriso e estendeu a mão para Selena, "Selena, eu vim buscá-la..."Antes que pudesse terminar, Selena de repente virou-se para Lucas."Não era para voltar para casa? Vamos."Ela sabia que não podia mais escapar.Carlos já foi a pessoa em quem ela mais confiava e a quem era mais próxima, mas agora, ele era quem ela mais detestava e não queria enfrentar.Em vez de encarar Carlos, ela preferia escolher ir com Lucas.Pelo menos, Lucas sempre a desprezou desde o início.No primeiro dia em que entrou para a Família Alves, Lucas a avisou: "Mesmo que tenhamos laços de sangue, para mim, minha única irmã sempre será Isabela. É melhor você se comportar direitinho. Se eu descobrir que você está intimidando a Isabela, não vou perdoar você."Ele nunca lhe deu esperança, então ela não se sentia tão desapontada. Na presença de Lucas, os danos psicológicos que ela sofria eram minimizados.Era melhor do que ser dilacerada pela traição de alguém que ela amava.A prisão lhe ensinou uma lição.Quando você está sem poder, sem recursos e sem apoio, a única forma de sobreviver é encontrar maneiras de minimizar os danos.Por isso, quando as colegas de cela a provocavam, obrigando-a a escolher entre desfigurar o rosto ou levar um tapa, ela escolhia o tapa.Entre apanhar ou se ajoelhar, ela escolhia se ajoelhar.Entre beber água do vaso sanitário ou imitar um cachorro, ela escolhia imitar um cachorro.Ela já tentou resistir desesperadamente, mas quanto mais resistia, pior era a surra. Para sobreviver, ela abandonou seu orgulho e se deixou ser manipulada.Veja só, mesmo sendo jogada em meio a criminosos perigosos, ela conseguiu sobreviver usando sua habilidade de "evitar danos".Selena caminhou em direção ao Bentley preto de Lucas.Ao passar por Carlos, ela manteve uma expressão impassível, sem lhe dar sequer um olhar.A camiseta larga roçou nas pontas dos dedos de Carlos, aquela sensação de vazio não parecia a de alguém vestindo a peça, mas como se estivesse pendurada em um cabide.A mão de Carlos ficou suspensa no ar, e por um instante, ele sentiu o ambiente ao seu redor congelar, restando apenas aquela sensação fria e vazia na ponta dos dedos.Nos olhos dele, havia um lampejo de dor e desilusão; seu coração parecia apertado por uma mão invisível, cada batida acompanhada de uma dor surda.Ela costumava olhá-lo com confiança e dependência.Eles cresceram juntos no orfanato, apoiando-se mutuamente. Sempre que ele chamava Selena, ela respondia com um sorriso, "irmão Carlos, estou aqui."Com o passar do tempo, agora ela o tratava como se ele fosse invisível, sem sequer um olhar de reconhecimento.Os lábios de Carlos tremeram levemente, ele queria falar, mas percebeu que sua garganta estava bloqueada, sem conseguir emitir um som sequer.Selena entrou no carro e sentou-se no banco de trás, onde tudo ao redor trazia a marca de outra mulher.O assento do passageiro tinha uma capa de pelúcia cor-de-rosa, no painel havia uma fileira de ursinhos de pelúcia, e o espelho retrovisor tinha um pingente que mostrava uma mulher mais madura e encantadora do que cinco anos atrás.Ela sorria radiante, claramente sendo uma filha de família rica cuidada com todo o carinho.Aquela expressão de felicidade parecia zombar de Selena, como se ela fosse a verdadeira impostora.Ela pensou que poderia enfrentar tudo isso com indiferença, mas ver com seus próprios olhos a injustiça a fazia sentir tristeza.Selena desviou o olhar, mas seus olhos caíram involuntariamente na bolsa ao seu lado.Dentro havia um vestido branco impecável, e mesmo sem ver o vestido por inteiro, as penas que adornavam a peça sugeriam que era uma roupa magnífica.Seus dedos inconscientemente acariciaram a textura áspera do jeans.Cada detalhe no carro a lembrava de que ela não pertencia àquele lugar.Da cabeça aos pés, ela não valia o preço da bolsa com o vestido.Ela olhou pela janela, vendo a paisagem passar rapidamente.Lucas, dirigindo, não deixou de avisá-la: "Os pais sempre sentiram sua falta nesses cinco anos, chorando por você até os cabelos ficarem brancos. Quando voltar, guarde seu temperamento de Senhorita. Não quero ver você competindo com Isabela ou causando problemas para os pais. Se você se comportar, a Família Alves não vai te deixar na mão."Capítulo 2As portas frias de ferro da prisão em São Paulo abriram-se lentamente.A luz do sol incidiu no rosto pálido e amarelado de Selena Alves.As roupas que vestira ao ser presa agora pendiam frouxamente em seu corpo.Ela passara cinco anos sombrios sem ver a luz do dia lá dentro e, hoje, finalmente cumprira sua pena.Selena arrastou as pernas, mancando pesadamente ao sair da prisão.Andava devagar, não por falta de vontade de apressar-se, mas porque simplesmente não conseguia.Um Bentley preto estava estacionado à beira da estrada, e a janela foi abaixada, revelando o rosto profundo e sombrio de um homem.O olhar do homem desceu até suas pernas e ele soltou um riso frio, sem esconder o sarcasmo em seus olhos."Cinco anos de prisão, e você ainda gosta de fingir a ser inocente."O coração de Selena doeu de surpresa, e seus olhos inexplicavelmente ficaram úmidos.Lucas Alves.Seu irmão mais velho.Desde que fora levada de volta ao lar da Família Alves aos quinze anos, saindo do orfanato, ela sempre se esforçara para agradá-lo.Mas ele, por sua irmã adotiva, sem laços de sangue, fez um falso testemunho que a condenou por tentativa de homicídio.Cinco anos se passaram, e ele ainda era tão cruel com as palavras e a desprezava como sempre.Selena sufocou a amargura, fingindo não ver Lucas, mancando, continuou a seguir em frente.O rosto de Lucas endureceu.Ele havia sido ignorado.Na sua memória, Selena sempre se aproximava dele, tentando agradá-lo de todas as formas.Quando ele chegava em casa, ela lhe entregava chinelos.Quando ele estava cansado, ela massageava seus ombros.Quando ele sofria de insônia, ela preparava chás calmantes para ele todas as noites.Quando ele estava muito ocupado no trabalho para voltar para casa para jantar, ela esperava por ele em frente ao prédio da empresa com uma marmita térmica, faça chuva ou sol.Nos três anos em que ela esteve em casa, sua antiga gastrite melhorou; mas desde que ela foi presa, ele frequentemente acordava à noite com dores no estômago.Hoje, ao saber que ela sairia da prisão, ele estava, de fato, um pouco contente e até adiara uma reunião internacional para buscá-la na prisão.Ele pensou que, ao vê-lo, ela ficaria radiante de alegria e estava preparado para ouvir seus lamentos sobre os sofrimentos desses anos.Jamais esperou, no entanto, ser confrontado por sua indiferença e frieza.A admiração que ela tinha em seus olhos havia desaparecido, restando apenas distância.Aquela sensação desconhecida e vazia em seu coração o deixou irritado, e ele apertou o volante com força, os músculos de sua mão tensos.Com uma voz carregada de impaciência, disse: "Entre no carro."Após falar, Lucas se arrependeu um pouco, franzindo a testa com irritação, suavizando um pouco o tom: "Os pais sabem que você saiu hoje, prepararam uma festa de boas-vindas para você."Pais?Palavras tão familiares e ao mesmo tempo estranhas.No orfanato, ela sonhava que, se tivesse pais, certamente seria uma princesa querida e mimada.Ela esperou dia e noite, durante quinze anos.Quinze anos depois, seu desejo finalmente se realizou.Ela tinha um pai e uma mãe e um irmão mais velho, um belo executivo.Mas a princesa querida e mimada não era ela, e sim a falsa herdeira que eles criaram desde pequena, Isabela Alves.Aquele casal não eram seus pais.Eram os pais de Lucas e Isabela.Selena sorriu amargamente para si mesma.Nos três anos em que esteve naquela casa, sofreu humilhações e olhares de desprezo, sabendo que não era benquista. Por que voltar para buscar mais desdém?Selena continuou a andar, lentamente, mas sem parar.Sua atitude fria e o perfil obstinado feriram os olhos de Lucas, despertando uma raiva sem nome em seu coração.Ele abriu a porta do carro, e com passos largos, rapidamente a alcançou, agarrando seu pulso com força e puxando-a bruscamente, "Você ainda não cansou de fazer cena?"Selena perdeu o equilíbrio e caiu pesadamente no chão, sentindo uma dor lancinante em sua perna machucada, enquanto seu rosto ficava pálido, sem cor.Lucas estava furioso, "Viciada em fingir fraqueza, não é?""Não se esqueça, cinco anos atrás, você empurrou Laura da escada, deixando-a em coma, e ainda tentou incriminar Isabela. Mesmo após cinco anos de prisão, você não mostra arrependimento. Parece que sua reabilitação não foi completa!"Lucas disse isso, sem compaixão, puxando Selena do chão com desdém, "Não pense que cinco anos de prisão expiam seus pecados. Enquanto Laura não acordar, sua dívida não estará quitada.""Além disso, você ainda deve um pedido de desculpas à Isabela.""Entre no carro, não me faça repetir."Ao ouvir essas palavras, Selena sentiu apenas ironia.Ela já havia explicado: não foi ela quem empurrou Laura Costa, foi Isabela.Mas ninguém acreditou nela; todos escolheram ficar do lado da Isabela.Claramente, ela era a verdadeira herdeira legítima da Família Alves, mas toda a família só acreditava na versão de Isabela.Ela realmente tinha culpa!Culpa por ter voltado para casa, por ter desejado um afeto que não lhe pertencia.Ela entendeu seu erro.Ela mudaria!Iria embora para bem longe, nunca mais disputaria o amor de seus pais e irmãos com Isabela, nunca mais apareceria diante deles para ser um incômodo.Mas Lucas não parecia satisfeito com isso.Ela, discretamente, soltou a mão dele, dando um passo atrás, aumentando a distância entre eles.Seu afastamento deliberado deixou Lucas com o coração apertado, a mente cheia das lembranças de Selena, que costumava segui-lo como uma sombra, tentando agradá-lo humildemente.Ele se esforçou para suprimir a raiva, tentando suavizar sua voz, "Volte para casa comigo."Selena, com o olhar baixo, manteve uma expressão indiferente, como se não quisesse mais olhar para ele.Essa atitude apática fez com que a raiva de Lucas ficasse incontrolável.Cinco anos de prisão, e ela não havia aprendido outra coisa, além de endurecer seu temperamento.Ele estava prestes a perder a paciência quando uma voz suave e serena soou em seus ouvidos."Selena."O corpo de Selena congelou, e seu coração, até então calmo, apertou-se instantaneamente.Mesmo após cinco anos sem ouvir aquela voz, ela imediatamente reconheceu o dono: seu amigo de infância, Carlos Lima.Ela viu um par de sapatos brilhantes aparecer em seu campo de visão, e a voz grave e magnética do homem veio de cima."Selena, parabéns por recuperar sua liberdade."Se essas palavras tivessem vindo de outra pessoa, ela teria respondido educadamente com um "obrigada".Mas, vindo de Carlos, soavam tão ofensivas.Seu amigo de infância mais confiável, Carlos Lima, Advogado Carlos, o primeiro caso que ele lidou após se formar foi justamente como advogado de defesa de Isabela, condenando-a no tribunal.Antes do julgamento, ele disse a ela: "Selena, Isabela nunca passou por dificuldades, ela não aguentaria a vida na prisão, você poderia assumir a culpa por ela?"Isabela não aguentaria, mas ela sim?Só porque estava acostumada a sofrer, ela deveria carregar a culpa de um crime que não cometeu, certo?Foi ele quem enviou a verdadeira herdeira da Família Alves para a prisão, ganhando notoriedade em Salvador com esse feito.Cinco anos atrás, recém-formado, ele ainda parecia inexperiente.Cinco anos depois, ele já era um renomado advogado em Salvador, exibindo uma aura de excelência da cabeça aos pés.Eles cresceram juntos no orfanato, não eram irmãos de sangue, mas eram como se fossem.Quando outros meninos a intimidavam, ele a defendia com vigor, prometendo solenemente: "Com o irmão Carlos por perto, ninguém fará Selena sofrer."Ele também prometeu que, ao se tornar advogado, colocaria na prisão quem a ferisse.Mas, mais tarde, Isabela a fez sofrer inúmeras vezes, e seu irmão Carlos simplesmente a dispensou com um "Selena, você é muito sensível, Isabela não é assim."Foi ele quem protegeu quem a machucou e a enviou pessoalmente para a prisão.......O silêncio pairou no ar.O sorriso no rosto de Carlos ficou progressivamente mais tenso, mas ele ainda forçou um sorriso e estendeu a mão para Selena, "Selena, eu vim buscá-la..."Antes que pudesse terminar, Selena de repente virou-se para Lucas."Não era para voltar para casa? Vamos."Ela sabia que não podia mais escapar.Carlos já foi a pessoa em quem ela mais confiava e a quem era mais próxima, mas agora, ele era quem ela mais detestava e não queria enfrentar.Em vez de encarar Carlos, ela preferia escolher ir com Lucas.Pelo menos, Lucas sempre a desprezou desde o início.No primeiro dia em que entrou para a Família Alves, Lucas a avisou: "Mesmo que tenhamos laços de sangue, para mim, minha única irmã sempre será Isabela. É melhor você se comportar direitinho. Se eu descobrir que você está intimidando a Isabela, não vou perdoar você."Ele nunca lhe deu esperança, então ela não se sentia tão desapontada. Na presença de Lucas, os danos psicológicos que ela sofria eram minimizados.Era melhor do que ser dilacerada pela traição de alguém que ela amava.A prisão lhe ensinou uma lição.Quando você está sem poder, sem recursos e sem apoio, a única forma de sobreviver é encontrar maneiras de minimizar os danos.Por isso, quando as colegas de cela a provocavam, obrigando-a a escolher entre desfigurar o rosto ou levar um tapa, ela escolhia o tapa.Entre apanhar ou se ajoelhar, ela escolhia se ajoelhar.Entre beber água do vaso sanitário ou imitar um cachorro, ela escolhia imitar um cachorro.Ela já tentou resistir desesperadamente, mas quanto mais resistia, pior era a surra. Para sobreviver, ela abandonou seu orgulho e se deixou ser manipulada.Veja só, mesmo sendo jogada em meio a criminosos perigosos, ela conseguiu sobreviver usando sua habilidade de "evitar danos".Selena caminhou em direção ao Bentley preto de Lucas.Ao passar por Carlos, ela manteve uma expressão impassível, sem lhe dar sequer um olhar.A camiseta larga roçou nas pontas dos dedos de Carlos, aquela sensação de vazio não parecia a de alguém vestindo a peça, mas como se estivesse pendurada em um cabide.A mão de Carlos ficou suspensa no ar, e por um instante, ele sentiu o ambiente ao seu redor congelar, restando apenas aquela sensação fria e vazia na ponta dos dedos.Nos olhos dele, havia um lampejo de dor e desilusão; seu coração parecia apertado por uma mão invisível, cada batida acompanhada de uma dor surda.Ela costumava olhá-lo com confiança e dependência.Eles cresceram juntos no orfanato, apoiando-se mutuamente. Sempre que ele chamava Selena, ela respondia com um sorriso, "irmão Carlos, estou aqui."Com o passar do tempo, agora ela o tratava como se ele fosse invisível, sem sequer um olhar de reconhecimento.Os lábios de Carlos tremeram levemente, ele queria falar, mas percebeu que sua garganta estava bloqueada, sem conseguir emitir um som sequer.Selena entrou no carro e sentou-se no banco de trás, onde tudo ao redor trazia a marca de outra mulher.O assento do passageiro tinha uma capa de pelúcia cor-de-rosa, no painel havia uma fileira de ursinhos de pelúcia, e o espelho retrovisor tinha um pingente que mostrava uma mulher mais madura e encantadora do que cinco anos atrás.Ela sorria radiante, claramente sendo uma filha de família rica cuidada com todo o carinho.Aquela expressão de felicidade parecia zombar de Selena, como se ela fosse a verdadeira impostora.Ela pensou que poderia enfrentar tudo isso com indiferença, mas ver com seus próprios olhos a injustiça a fazia sentir tristeza.Selena desviou o olhar, mas seus olhos caíram involuntariamente na bolsa ao seu lado.Dentro havia um vestido branco impecável, e mesmo sem ver o vestido por inteiro, as penas que adornavam a peça sugeriam que era uma roupa magnífica.Seus dedos inconscientemente acariciaram a textura áspera do jeans.Cada detalhe no carro a lembrava de que ela não pertencia àquele lugar.Da cabeça aos pés, ela não valia o preço da bolsa com o vestido.Ela olhou pela janela, vendo a paisagem passar rapidamente.Lucas, dirigindo, não deixou de avisá-la: "Os pais sempre sentiram sua falta nesses cinco anos, chorando por você até os cabelos ficarem brancos. Quando voltar, guarde seu temperamento de Senhorita. Não quero ver você competindo com Isabela ou causando problemas para os pais. Se você se comportar, a Família Alves não vai te deixar na mão."Capítulo 3As portas frias de ferro da prisão em São Paulo abriram-se lentamente.A luz do sol incidiu no rosto pálido e amarelado de Selena Alves.As roupas que vestira ao ser presa agora pendiam frouxamente em seu corpo.Ela passara cinco anos sombrios sem ver a luz do dia lá dentro e, hoje, finalmente cumprira sua pena.Selena arrastou as pernas, mancando pesadamente ao sair da prisão.Andava devagar, não por falta de vontade de apressar-se, mas porque simplesmente não conseguia.Um Bentley preto estava estacionado à beira da estrada, e a janela foi abaixada, revelando o rosto profundo e sombrio de um homem.O olhar do homem desceu até suas pernas e ele soltou um riso frio, sem esconder o sarcasmo em seus olhos."Cinco anos de prisão, e você ainda gosta de fingir a ser inocente."O coração de Selena doeu de surpresa, e seus olhos inexplicavelmente ficaram úmidos.Lucas Alves.Seu irmão mais velho.Desde que fora levada de volta ao lar da Família Alves aos quinze anos, saindo do orfanato, ela sempre se esforçara para agradá-lo.Mas ele, por sua irmã adotiva, sem laços de sangue, fez um falso testemunho que a condenou por tentativa de homicídio.Cinco anos se passaram, e ele ainda era tão cruel com as palavras e a desprezava como sempre.Selena sufocou a amargura, fingindo não ver Lucas, mancando, continuou a seguir em frente.O rosto de Lucas endureceu.Ele havia sido ignorado.Na sua memória, Selena sempre se aproximava dele, tentando agradá-lo de todas as formas.Quando ele chegava em casa, ela lhe entregava chinelos.Quando ele estava cansado, ela massageava seus ombros.Quando ele sofria de insônia, ela preparava chás calmantes para ele todas as noites.Quando ele estava muito ocupado no trabalho para voltar para casa para jantar, ela esperava por ele em frente ao prédio da empresa com uma marmita térmica, faça chuva ou sol.Nos três anos em que ela esteve em casa, sua antiga gastrite melhorou; mas desde que ela foi presa, ele frequentemente acordava à noite com dores no estômago.Hoje, ao saber que ela sairia da prisão, ele estava, de fato, um pouco contente e até adiara uma reunião internacional para buscá-la na prisão.Ele pensou que, ao vê-lo, ela ficaria radiante de alegria e estava preparado para ouvir seus lamentos sobre os sofrimentos desses anos.Jamais esperou, no entanto, ser confrontado por sua indiferença e frieza.A admiração que ela tinha em seus olhos havia desaparecido, restando apenas distância.Aquela sensação desconhecida e vazia em seu coração o deixou irritado, e ele apertou o volante com força, os músculos de sua mão tensos.Com uma voz carregada de impaciência, disse: "Entre no carro."Após falar, Lucas se arrependeu um pouco, franzindo a testa com irritação, suavizando um pouco o tom: "Os pais sabem que você saiu hoje, prepararam uma festa de boas-vindas para você."Pais?Palavras tão familiares e ao mesmo tempo estranhas.No orfanato, ela sonhava que, se tivesse pais, certamente seria uma princesa querida e mimada.Ela esperou dia e noite, durante quinze anos.Quinze anos depois, seu desejo finalmente se realizou.Ela tinha um pai e uma mãe e um irmão mais velho, um belo executivo.Mas a princesa querida e mimada não era ela, e sim a falsa herdeira que eles criaram desde pequena, Isabela Alves.Aquele casal não eram seus pais.Eram os pais de Lucas e Isabela.Selena sorriu amargamente para si mesma.Nos três anos em que esteve naquela casa, sofreu humilhações e olhares de desprezo, sabendo que não era benquista. Por que voltar para buscar mais desdém?Selena continuou a andar, lentamente, mas sem parar.Sua atitude fria e o perfil obstinado feriram os olhos de Lucas, despertando uma raiva sem nome em seu coração.Ele abriu a porta do carro, e com passos largos, rapidamente a alcançou, agarrando seu pulso com força e puxando-a bruscamente, "Você ainda não cansou de fazer cena?"Selena perdeu o equilíbrio e caiu pesadamente no chão, sentindo uma dor lancinante em sua perna machucada, enquanto seu rosto ficava pálido, sem cor.Lucas estava furioso, "Viciada em fingir fraqueza, não é?""Não se esqueça, cinco anos atrás, você empurrou Laura da escada, deixando-a em coma, e ainda tentou incriminar Isabela. Mesmo após cinco anos de prisão, você não mostra arrependimento. Parece que sua reabilitação não foi completa!"Lucas disse isso, sem compaixão, puxando Selena do chão com desdém, "Não pense que cinco anos de prisão expiam seus pecados. Enquanto Laura não acordar, sua dívida não estará quitada.""Além disso, você ainda deve um pedido de desculpas à Isabela.""Entre no carro, não me faça repetir."Ao ouvir essas palavras, Selena sentiu apenas ironia.Ela já havia explicado: não foi ela quem empurrou Laura Costa, foi Isabela.Mas ninguém acreditou nela; todos escolheram ficar do lado da Isabela.Claramente, ela era a verdadeira herdeira legítima da Família Alves, mas toda a família só acreditava na versão de Isabela.Ela realmente tinha culpa!Culpa por ter voltado para casa, por ter desejado um afeto que não lhe pertencia.Ela entendeu seu erro.Ela mudaria!Iria embora para bem longe, nunca mais disputaria o amor de seus pais e irmãos com Isabela, nunca mais apareceria diante deles para ser um incômodo.Mas Lucas não parecia satisfeito com isso.Ela, discretamente, soltou a mão dele, dando um passo atrás, aumentando a distância entre eles.Seu afastamento deliberado deixou Lucas com o coração apertado, a mente cheia das lembranças de Selena, que costumava segui-lo como uma sombra, tentando agradá-lo humildemente.Ele se esforçou para suprimir a raiva, tentando suavizar sua voz, "Volte para casa comigo."Selena, com o olhar baixo, manteve uma expressão indiferente, como se não quisesse mais olhar para ele.Essa atitude apática fez com que a raiva de Lucas ficasse incontrolável.Cinco anos de prisão, e ela não havia aprendido outra coisa, além de endurecer seu temperamento.Ele estava prestes a perder a paciência quando uma voz suave e serena soou em seus ouvidos."Selena."O corpo de Selena congelou, e seu coração, até então calmo, apertou-se instantaneamente.Mesmo após cinco anos sem ouvir aquela voz, ela imediatamente reconheceu o dono: seu amigo de infância, Carlos Lima.Ela viu um par de sapatos brilhantes aparecer em seu campo de visão, e a voz grave e magnética do homem veio de cima."Selena, parabéns por recuperar sua liberdade."Se essas palavras tivessem vindo de outra pessoa, ela teria respondido educadamente com um "obrigada".Mas, vindo de Carlos, soavam tão ofensivas.Seu amigo de infância mais confiável, Carlos Lima, Advogado Carlos, o primeiro caso que ele lidou após se formar foi justamente como advogado de defesa de Isabela, condenando-a no tribunal.Antes do julgamento, ele disse a ela: "Selena, Isabela nunca passou por dificuldades, ela não aguentaria a vida na prisão, você poderia assumir a culpa por ela?"Isabela não aguentaria, mas ela sim?Só porque estava acostumada a sofrer, ela deveria carregar a culpa de um crime que não cometeu, certo?Foi ele quem enviou a verdadeira herdeira da Família Alves para a prisão, ganhando notoriedade em Salvador com esse feito.Cinco anos atrás, recém-formado, ele ainda parecia inexperiente.Cinco anos depois, ele já era um renomado advogado em Salvador, exibindo uma aura de excelência da cabeça aos pés.Eles cresceram juntos no orfanato, não eram irmãos de sangue, mas eram como se fossem.Quando outros meninos a intimidavam, ele a defendia com vigor, prometendo solenemente: "Com o irmão Carlos por perto, ninguém fará Selena sofrer."Ele também prometeu que, ao se tornar advogado, colocaria na prisão quem a ferisse.Mas, mais tarde, Isabela a fez sofrer inúmeras vezes, e seu irmão Carlos simplesmente a dispensou com um "Selena, você é muito sensível, Isabela não é assim."Foi ele quem protegeu quem a machucou e a enviou pessoalmente para a prisão.......O silêncio pairou no ar.O sorriso no rosto de Carlos ficou progressivamente mais tenso, mas ele ainda forçou um sorriso e estendeu a mão para Selena, "Selena, eu vim buscá-la..."Antes que pudesse terminar, Selena de repente virou-se para Lucas."Não era para voltar para casa? Vamos."Ela sabia que não podia mais escapar.Carlos já foi a pessoa em quem ela mais confiava e a quem era mais próxima, mas agora, ele era quem ela mais detestava e não queria enfrentar.Em vez de encarar Carlos, ela preferia escolher ir com Lucas.Pelo menos, Lucas sempre a desprezou desde o início.No primeiro dia em que entrou para a Família Alves, Lucas a avisou: "Mesmo que tenhamos laços de sangue, para mim, minha única irmã sempre será Isabela. É melhor você se comportar direitinho. Se eu descobrir que você está intimidando a Isabela, não vou perdoar você."Ele nunca lhe deu esperança, então ela não se sentia tão desapontada. Na presença de Lucas, os danos psicológicos que ela sofria eram minimizados.Era melhor do que ser dilacerada pela traição de alguém que ela amava.A prisão lhe ensinou uma lição.Quando você está sem poder, sem recursos e sem apoio, a única forma de sobreviver é encontrar maneiras de minimizar os danos.Por isso, quando as colegas de cela a provocavam, obrigando-a a escolher entre desfigurar o rosto ou levar um tapa, ela escolhia o tapa.Entre apanhar ou se ajoelhar, ela escolhia se ajoelhar.Entre beber água do vaso sanitário ou imitar um cachorro, ela escolhia imitar um cachorro.Ela já tentou resistir desesperadamente, mas quanto mais resistia, pior era a surra. Para sobreviver, ela abandonou seu orgulho e se deixou ser manipulada.Veja só, mesmo sendo jogada em meio a criminosos perigosos, ela conseguiu sobreviver usando sua habilidade de "evitar danos".Selena caminhou em direção ao Bentley preto de Lucas.Ao passar por Carlos, ela manteve uma expressão impassível, sem lhe dar sequer um olhar.A camiseta larga roçou nas pontas dos dedos de Carlos, aquela sensação de vazio não parecia a de alguém vestindo a peça, mas como se estivesse pendurada em um cabide.A mão de Carlos ficou suspensa no ar, e por um instante, ele sentiu o ambiente ao seu redor congelar, restando apenas aquela sensação fria e vazia na ponta dos dedos.Nos olhos dele, havia um lampejo de dor e desilusão; seu coração parecia apertado por uma mão invisível, cada batida acompanhada de uma dor surda.Ela costumava olhá-lo com confiança e dependência.Eles cresceram juntos no orfanato, apoiando-se mutuamente. Sempre que ele chamava Selena, ela respondia com um sorriso, "irmão Carlos, estou aqui."Com o passar do tempo, agora ela o tratava como se ele fosse invisível, sem sequer um olhar de reconhecimento.Os lábios de Carlos tremeram levemente, ele queria falar, mas percebeu que sua garganta estava bloqueada, sem conseguir emitir um som sequer.Selena entrou no carro e sentou-se no banco de trás, onde tudo ao redor trazia a marca de outra mulher.O assento do passageiro tinha uma capa de pelúcia cor-de-rosa, no painel havia uma fileira de ursinhos de pelúcia, e o espelho retrovisor tinha um pingente que mostrava uma mulher mais madura e encantadora do que cinco anos atrás.Ela sorria radiante, claramente sendo uma filha de família rica cuidada com todo o carinho.Aquela expressão de felicidade parecia zombar de Selena, como se ela fosse a verdadeira impostora.Ela pensou que poderia enfrentar tudo isso com indiferença, mas ver com seus próprios olhos a injustiça a fazia sentir tristeza.Selena desviou o olhar, mas seus olhos caíram involuntariamente na bolsa ao seu lado.Dentro havia um vestido branco impecável, e mesmo sem ver o vestido por inteiro, as penas que adornavam a peça sugeriam que era uma roupa magnífica.Seus dedos inconscientemente acariciaram a textura áspera do jeans.Cada detalhe no carro a lembrava de que ela não pertencia àquele lugar.Da cabeça aos pés, ela não valia o preço da bolsa com o vestido.Ela olhou pela janela, vendo a paisagem passar rapidamente.Lucas, dirigindo, não deixou de avisá-la: "Os pais sempre sentiram sua falta nesses cinco anos, chorando por você até os cabelos ficarem brancos. Quando voltar, guarde seu temperamento de Senhorita. Não quero ver você competindo com Isabela ou causando problemas para os pais. Se você se comportar, a Família Alves não vai te deixar na mão."