Florinda passou toda a sua vida tentando agradar a Família Barbosa, mas nunca recebeu um pingo de afeição em troca. No fim, foi traída pelas pessoas que mais amava, seu pai e seu irmão, os quais não hesitaram em tirar sua vida depois de explorarem até a última gota de seu valor. E, como se não bastasse, Carlos Lopes, o namorado com quem ela manteve um relacionamento por anos acreditando em seu amor, usou-a sem remorso. Para salvar a própria irmã, ele a tratou como um banco de sangue vivo, e mais tarde, para beneficiar outra mulher, chegou ao ponto de roubar seu rim. Ao renascer, Florinda tomou uma decisão radical: romper completamente com a Família Barbosa. E dessa vez, ela encontrou forças no pai biológico, Ignácio Pires, um magnata implacável e temido no mundo dos negócios. Sua chegada mudou não apenas o rumo de sua própria vida, mas também transformou completamente a Família Pires. O frio e distante Ignácio logo se tornou um pai completamente dedicado, praticamente obcecado em dar à filha tudo o que ela nunca teve; o excêntrico e imprevisível tio, antes conhecido por ser insensível e mão de vaca, começou a mandar quantias exorbitantes de dinheiro diariamente; até mesmo o irmão preguiçoso e inútil finalmente encontrou motivação, transformando-se em um estudante brilhante e exemplar. Com Florinda na família, a Família Pires crescia constantemente, acumulando vitórias, poder e prestígio. Florinda, antes indefesa e submissa, renasceu como uma mulher forte e determinada, e sua nova vida estava banhada em amor, luxo e respeito. Enquanto isso, a Família Barbosa e Carlos começaram a ser consumidos pelo arrependimento. Eles desejavam desesperadamente consertar os erros do passado e se reconectar com Florinda, mas tudo era em vão. Ela agora era inalcançável, uma estrela de brilho inigualável. No ápice de um importante evento social, Carlos finalmente tentou se aproximar, mas parou, paralisado, ao ver um homem elegante ao lado de Florinda. O desconhecido lançou-lhe um olhar frio e provocador, antes de puxar Florinda para perto, segurando-a pela nuca e selando seus lábios num beijo profundo e possessivo, na frente de todos. Aquela cena foi a última gota de humilhação para Carlos. Para ele e a Família Barbosa, estava claro: jamais poderiam recuperar o lugar na vida de Florinda. O passado havia sido deixado para trás, e agora, ela brilhava em um mundo onde eles não tinham mais espaço.

Capítulo 1Florinda pensou mais de uma vez que, se pudesse voltar aos seus três anos, certamente não chamaria Fábio Barbosa de pai.Ela não só pensou em devolver essa vida a Fábio, como nunca imaginou que realmente o faria.Florinda realmente morreu, aos vinte e oito anos, no auge de sua juventude.Quando recuperou a consciência, não esperava que tivesse voltado aos seus dezessete anos.Naquela época, fazia apenas meio ano que havia retornado ao Brasil.Hospital Salvador.A garota vestia um casaco preto já desbotado de tanto lavar, junto com uma calça jeans, e estava sozinha, ajoelhada ao lado da cama. Seu rostinho teimoso estava tão pálido que não havia sinal de sangue algum.Somente os punhos cerrados denunciavam a tempestade que agitava seu coração."Florinda Barbosa, peça desculpas." Fábio ordenou com o rosto frio e voz dura.Ainda há pouco, Florinda havia discutido com Quitéria Barbosa. Quitéria caiu da escada, e as câmeras de segurança mostraram que ela fora empurrada por Florinda.Ninguém acreditou nela."Não fui eu." Florinda levantou a cabeça devagar, repetindo as mesmas palavras de sua vida passada.Ao encarar o pai, de quem estivera afastada por tanto tempo, não demonstrou qualquer afeto. Sua voz era indiferente, como se falasse com um desconhecido."Pá!" Assim que terminou a frase, um tapa forte estalou em seu rosto.A cabeça de Florinda virou com o impacto, e sangue vivo escorreu do canto de sua boca.O tapa foi dado com toda força."Só sabe mentir, ainda tem coragem de negar! Como é que eu, Fábio, posso ter uma filha como você?"Florinda olhou para ele, enxergando claramente a decepção e o desprezo nos olhos de Fábio.Se Fábio fosse delegado, ela com certeza receberia pena de morte.De repente, ela riu, soltando um leve escárnio: "Ainda bem que não sou sua filha de sangue, senão eu já teria acabado com sua reputação.""O que você disse?" Fábio ergueu a mão mais uma vez, mas desta vez hesitou antes de desferir outro golpe.Florinda o encarou friamente, com total serenidade no olhar: "Não espere que eu peça desculpas. Se insistir, não me importo de assumir a culpa."Na vida passada, seu sentimento pela família Barbosa já havia sido destruído por eles mesmos.Fábio ficou paralisado."Você... Como mudou assim de repente?" Ele olhava para Florinda como se não a reconhecesse."Todos esses anos, te mandei para fora do país e você não aprendeu nada, só ficou mais arrogante e rebelde."Quando criança, essa filha era tão bondosa quanto um anjo. Desde que voltou do exterior, tornou-se completamente diferente.Não só implicava com a irmã e competia pela atenção, como também se tornou amarga e egoísta, como se estivesse coberta de espinhos.Nesses seis meses, Fábio estava cada vez mais decepcionado com essa filha.Florinda encarava o pai que a repreendia e, naquele momento, finalmente entendeu: aquele era o verdadeiro pai de Quitéria.Nunca foi o dela.Em contraste com o clima tenso ao redor de Florinda, o lado da cama da outra garota estava cheio de gente; o ambiente era animado.Quitéria era como uma estrela rodeada por todos, recebendo a atenção e o carinho de todos ao seu redor.Bastava que ela estivesse ali para ser amada por todos.Que ironia.Florinda nunca recebeu esse tipo de amor, nem mesmo em seu leito de morte.Ela se levantou sozinha do lado da cama, franziu a testa e limpou um pó inexistente do joelho."Não vou atrapalhar o teatrinho familiar de vocês. Estou indo." Florinda lançou um olhar frio para todos ao redor e se virou para sair.Na vida passada, ela nunca recebeu o amor dos Barbosas, e, no final, ainda foi morta por eles.A sua vida, na vida passada, já havia sido devolvida à Família Barbosa.Ela não devia mais nada à Família Barbosa."Pare."A voz do homem soou fria, carregada da autoridade de quem está acima dos demais.Florinda olhou para trás, lançando um olhar ao seu antigo irmão querido, Álvaro Barbosa."Cachorro bom não fica no caminho.""É assim que você trata seu irmão?" Álvaro estreitou os olhos friamente, avançando alguns passos e agarrando o pulso de Florinda, como se não acreditasse no que acabara de ouvir.Mesmo que aquela irmã fosse maldosa no passado, nunca havia ousado confrontá-lo dessa forma.Irmão? Ele merecia tal título?Tão hipócrita que chegava a ser repugnante, Florinda deixou transparecer um traço de desprezo no olhar."Saia da minha frente, que nojo." Ela se desvencilhou dele com força, como se tivesse tocado em algo sujo.Álvaro não esperava tanta força dela, quase perdeu o equilíbrio, e imediatamente se enfureceu: "Florinda, o que você está querendo fazer?""Você empurrou Quitéria escada abaixo e quase matou ela, agora só queremos que você admita o erro e nem isso você aceita. Que tipo de irmã é você? Como pode ser tão cruel?"Quase matou Quitéria?Isso era "quase morrer"?Se fosse assim, ela já teria morrido inúmeras vezes.Álvaro continuava o mesmo de sempre, fingindo ser um bom irmão justo, mas no fundo seu coração sempre pendia para o lado de Quitéria.Florinda lançou um olhar para Quitéria, cercada no centro do quarto, deitada na cama, e achou aquilo tudo ridículo: "Você está cego? Em que ela parece uma doente?""Não sei se a atuação dela é boa demais ou se vocês são todos idiotas."Quitéria estava com o rosto corado, rodeada de gente, comendo e bebendo, o pequeno machucado no braço já completamente cicatrizado.Enquanto isso, Florinda estava pálida, sem nenhuma cor no rosto, parecendo ela sim uma pessoa doente.O segundo irmão, Nereu Barbosa, olhava para Florinda com ódio, cerrando os dentes e com as veias da testa saltadas: "Florinda, estou tentando ser paciente, mas como você ousa falar assim da Quitéria?""Se não fosse por você, Quitéria não teria se machucado!"Enquanto falava, Nereu fechou o punho, o olhar ficando ainda mais sombrio: "Ela sempre foi bondosa e nunca te fez mal algum, ao contrário, você é quem sente inveja dela e só a trata com hostilidade."Com aquele olhar, era como se ela fosse uma criminosa imperdoável.Florinda não tinha dúvida: se Quitéria não estivesse ali, Nereu não hesitaria em agredi-la.Esse demônio violento só não queria assustar a sua irmãzinha.Florinda soltou uma risada fria. Mais do que de Álvaro Barbosa, ela sentia repulsa por Nereu: "E você é o quê? E o que são vocês, os Barbosas?""Isso é hostilidade para vocês?"Florinda caminhou diretamente até a cama, e antes que alguém pudesse reagir, deu um tapa forte no rosto de Quitéria.E comentou com escárnio: "Idiota, isso sim é hostilidade."Depois de dar o tapa, sentiu-se bem mais aliviada.Álvaro e Nereu foram adotados por Fábio antes da verdadeira filha, Quitéria, voltar. No passado, eles foram os irmãos mais carinhosos com ela, mas depois tornaram-se facas cravadas em seu peito; para ela, não passavam de agressores.Florinda foi rápida, e ninguém conseguiu detê-la a tempo.O rosto de Fábio mudou de expressão e ele se levantou de repente: "Você está louca.""Como você pode levantar a mão para sua irmã?"Ele deu alguns passos à frente e ficou entre a cama e Quitéria, tentando acalmá-la com paciência: "Quitéria, não tenha medo, o papai está aqui, não vou deixar ninguém te machucar.""Isso é loucura." Os dois irmãos da Família Barbosa também se colocaram na frente de Florinda, olhando para ela com desconfiança.Vendo todos eles unidos contra ela, Florinda não pôde deixar de rir de indignação.Será que ela era uma pessoa tão cruel assim? Por que estavam fazendo parecer que ela era uma vilã de novela?Neste enredo, Quitéria sempre fazia o papel da pureza, como um jasmim branco, enquanto os Barbosas atuavam como os eternos guardiões da flor.Florinda arqueou as sobrancelhas, de repente perdeu o interesse e olhou friamente para o grupo da Família Barbosa, dizendo com voz gélida: "Se vocês, Barbosas, continuarem me provocando, não me importo em ser ainda mais louca."Ela realmente estava enlouquecendo, levada à loucura pelos próprios Barbosas.Quitéria, nos braços de Dália, cobria o rosto e se queixava tristemente: "Irmã, eu fiz alguma coisa errada? Por favor, não me odeie.""Não me chame de irmã, eu não tenho pai nem mãe."Florinda lançou um olhar para ela, com evidente desprezo nos olhos."Irmã." Quitéria imediatamente ficou com os olhos vermelhos e, no segundo seguinte, as lágrimas começaram a cair como se não custassem nada, como se tivesse sofrido a maior injustiça do mundo."Tsc, Quitéria, você não se cansa de fingir?" Desde pequena só sabia fazer isso, e justamente esses idiotas da Família Barbosa sempre caíam nesse truque.Sem dar chance para resposta, Florinda continuou: "Se quer que eu saia da Família Barbosa, então fique quieta."Quitéria mordeu os lábios e, no fim, não disse mais nada.O clima no quarto do hospital esfriou completamente.Florinda falou de forma decidida: "Todo o dinheiro que usei da Família Barbosa nesses anos, vou transferir para a conta do Sr. Barbosa.""O que você está querendo fazer?" Fábio ficou surpreso, franzindo levemente as sobrancelhas.Percebendo algo, acrescentou: "Não se esqueça de quem te sustentou todos esses anos, fui eu, Fábio, que fui cego ao criar uma ingrata, e no fim das contas você ainda ousa desafiar minha própria filha."Ele a mimou demais, estragou ela com tanto carinho.Florinda respondeu com ironia: "De fato, eu sou apenas uma filha adotiva, não sua filha de sangue.""Afinal, quem mandaria uma filha biológica, ainda criança, para fora do país por cinco anos sem se importar, deixando-a à própria sorte?" Florinda sentiu uma raiva intensa ao lembrar daqueles anos no exterior.Lá, ela implorou inúmeras vezes para que Fábio fosse buscá-la, mas ele nunca apareceu."Você me odeia?" Fábio percebeu o ódio nos olhos dela, suas pupilas se contraíram subitamente e ele sentiu uma dor amarga no coração.Ele olhou distraidamente para o aparelho auditivo na orelha esquerda de Florinda, mas, ao lembrar do ocorrido daquela época, o pouco de culpa que sentia logo desapareceu."Não se esqueça de que aquilo foi culpa sua, mandar você para o exterior era para o seu próprio bem." A voz de Fábio era fria como gelo, e o olhar carregava um aviso.O rosto de Florinda mudou um pouco, sentindo um frio percorrer todo o seu corpo."Hoje mesmo vou me mudar." Ela rapidamente reprimiu as emoções, pois os Barbosas não valiam a pena."Sr. Barbosa, a relação entre nós como pai e filha termina aqui."Assim que ela disse isso, todos os Barbosas acharam que Florinda havia realmente enlouquecido.A Família Barbosa tinha uma boa posição em Salvador; mesmo que os Barbosas não fossem longe na vida, no mínimo sempre seriam herdeiros ricos e sem preocupações, algo com que muitos só poderiam sonhar.Capítulo 2Florinda pensou mais de uma vez que, se pudesse voltar aos seus três anos, certamente não chamaria Fábio Barbosa de pai.Ela não só pensou em devolver essa vida a Fábio, como nunca imaginou que realmente o faria.Florinda realmente morreu, aos vinte e oito anos, no auge de sua juventude.Quando recuperou a consciência, não esperava que tivesse voltado aos seus dezessete anos.Naquela época, fazia apenas meio ano que havia retornado ao Brasil.Hospital Salvador.A garota vestia um casaco preto já desbotado de tanto lavar, junto com uma calça jeans, e estava sozinha, ajoelhada ao lado da cama. Seu rostinho teimoso estava tão pálido que não havia sinal de sangue algum.Somente os punhos cerrados denunciavam a tempestade que agitava seu coração."Florinda Barbosa, peça desculpas." Fábio ordenou com o rosto frio e voz dura.Ainda há pouco, Florinda havia discutido com Quitéria Barbosa. Quitéria caiu da escada, e as câmeras de segurança mostraram que ela fora empurrada por Florinda.Ninguém acreditou nela."Não fui eu." Florinda levantou a cabeça devagar, repetindo as mesmas palavras de sua vida passada.Ao encarar o pai, de quem estivera afastada por tanto tempo, não demonstrou qualquer afeto. Sua voz era indiferente, como se falasse com um desconhecido."Pá!" Assim que terminou a frase, um tapa forte estalou em seu rosto.A cabeça de Florinda virou com o impacto, e sangue vivo escorreu do canto de sua boca.O tapa foi dado com toda força."Só sabe mentir, ainda tem coragem de negar! Como é que eu, Fábio, posso ter uma filha como você?"Florinda olhou para ele, enxergando claramente a decepção e o desprezo nos olhos de Fábio.Se Fábio fosse delegado, ela com certeza receberia pena de morte.De repente, ela riu, soltando um leve escárnio: "Ainda bem que não sou sua filha de sangue, senão eu já teria acabado com sua reputação.""O que você disse?" Fábio ergueu a mão mais uma vez, mas desta vez hesitou antes de desferir outro golpe.Florinda o encarou friamente, com total serenidade no olhar: "Não espere que eu peça desculpas. Se insistir, não me importo de assumir a culpa."Na vida passada, seu sentimento pela família Barbosa já havia sido destruído por eles mesmos.Fábio ficou paralisado."Você... Como mudou assim de repente?" Ele olhava para Florinda como se não a reconhecesse."Todos esses anos, te mandei para fora do país e você não aprendeu nada, só ficou mais arrogante e rebelde."Quando criança, essa filha era tão bondosa quanto um anjo. Desde que voltou do exterior, tornou-se completamente diferente.Não só implicava com a irmã e competia pela atenção, como também se tornou amarga e egoísta, como se estivesse coberta de espinhos.Nesses seis meses, Fábio estava cada vez mais decepcionado com essa filha.Florinda encarava o pai que a repreendia e, naquele momento, finalmente entendeu: aquele era o verdadeiro pai de Quitéria.Nunca foi o dela.Em contraste com o clima tenso ao redor de Florinda, o lado da cama da outra garota estava cheio de gente; o ambiente era animado.Quitéria era como uma estrela rodeada por todos, recebendo a atenção e o carinho de todos ao seu redor.Bastava que ela estivesse ali para ser amada por todos.Que ironia.Florinda nunca recebeu esse tipo de amor, nem mesmo em seu leito de morte.Ela se levantou sozinha do lado da cama, franziu a testa e limpou um pó inexistente do joelho."Não vou atrapalhar o teatrinho familiar de vocês. Estou indo." Florinda lançou um olhar frio para todos ao redor e se virou para sair.Na vida passada, ela nunca recebeu o amor dos Barbosas, e, no final, ainda foi morta por eles.A sua vida, na vida passada, já havia sido devolvida à Família Barbosa.Ela não devia mais nada à Família Barbosa."Pare."A voz do homem soou fria, carregada da autoridade de quem está acima dos demais.Florinda olhou para trás, lançando um olhar ao seu antigo irmão querido, Álvaro Barbosa."Cachorro bom não fica no caminho.""É assim que você trata seu irmão?" Álvaro estreitou os olhos friamente, avançando alguns passos e agarrando o pulso de Florinda, como se não acreditasse no que acabara de ouvir.Mesmo que aquela irmã fosse maldosa no passado, nunca havia ousado confrontá-lo dessa forma.Irmão? Ele merecia tal título?Tão hipócrita que chegava a ser repugnante, Florinda deixou transparecer um traço de desprezo no olhar."Saia da minha frente, que nojo." Ela se desvencilhou dele com força, como se tivesse tocado em algo sujo.Álvaro não esperava tanta força dela, quase perdeu o equilíbrio, e imediatamente se enfureceu: "Florinda, o que você está querendo fazer?""Você empurrou Quitéria escada abaixo e quase matou ela, agora só queremos que você admita o erro e nem isso você aceita. Que tipo de irmã é você? Como pode ser tão cruel?"Quase matou Quitéria?Isso era "quase morrer"?Se fosse assim, ela já teria morrido inúmeras vezes.Álvaro continuava o mesmo de sempre, fingindo ser um bom irmão justo, mas no fundo seu coração sempre pendia para o lado de Quitéria.Florinda lançou um olhar para Quitéria, cercada no centro do quarto, deitada na cama, e achou aquilo tudo ridículo: "Você está cego? Em que ela parece uma doente?""Não sei se a atuação dela é boa demais ou se vocês são todos idiotas."Quitéria estava com o rosto corado, rodeada de gente, comendo e bebendo, o pequeno machucado no braço já completamente cicatrizado.Enquanto isso, Florinda estava pálida, sem nenhuma cor no rosto, parecendo ela sim uma pessoa doente.O segundo irmão, Nereu Barbosa, olhava para Florinda com ódio, cerrando os dentes e com as veias da testa saltadas: "Florinda, estou tentando ser paciente, mas como você ousa falar assim da Quitéria?""Se não fosse por você, Quitéria não teria se machucado!"Enquanto falava, Nereu fechou o punho, o olhar ficando ainda mais sombrio: "Ela sempre foi bondosa e nunca te fez mal algum, ao contrário, você é quem sente inveja dela e só a trata com hostilidade."Com aquele olhar, era como se ela fosse uma criminosa imperdoável.Florinda não tinha dúvida: se Quitéria não estivesse ali, Nereu não hesitaria em agredi-la.Esse demônio violento só não queria assustar a sua irmãzinha.Florinda soltou uma risada fria. Mais do que de Álvaro Barbosa, ela sentia repulsa por Nereu: "E você é o quê? E o que são vocês, os Barbosas?""Isso é hostilidade para vocês?"Florinda caminhou diretamente até a cama, e antes que alguém pudesse reagir, deu um tapa forte no rosto de Quitéria.E comentou com escárnio: "Idiota, isso sim é hostilidade."Depois de dar o tapa, sentiu-se bem mais aliviada.Álvaro e Nereu foram adotados por Fábio antes da verdadeira filha, Quitéria, voltar. No passado, eles foram os irmãos mais carinhosos com ela, mas depois tornaram-se facas cravadas em seu peito; para ela, não passavam de agressores.Florinda foi rápida, e ninguém conseguiu detê-la a tempo.O rosto de Fábio mudou de expressão e ele se levantou de repente: "Você está louca.""Como você pode levantar a mão para sua irmã?"Ele deu alguns passos à frente e ficou entre a cama e Quitéria, tentando acalmá-la com paciência: "Quitéria, não tenha medo, o papai está aqui, não vou deixar ninguém te machucar.""Isso é loucura." Os dois irmãos da Família Barbosa também se colocaram na frente de Florinda, olhando para ela com desconfiança.Vendo todos eles unidos contra ela, Florinda não pôde deixar de rir de indignação.Será que ela era uma pessoa tão cruel assim? Por que estavam fazendo parecer que ela era uma vilã de novela?Neste enredo, Quitéria sempre fazia o papel da pureza, como um jasmim branco, enquanto os Barbosas atuavam como os eternos guardiões da flor.Florinda arqueou as sobrancelhas, de repente perdeu o interesse e olhou friamente para o grupo da Família Barbosa, dizendo com voz gélida: "Se vocês, Barbosas, continuarem me provocando, não me importo em ser ainda mais louca."Ela realmente estava enlouquecendo, levada à loucura pelos próprios Barbosas.Quitéria, nos braços de Dália, cobria o rosto e se queixava tristemente: "Irmã, eu fiz alguma coisa errada? Por favor, não me odeie.""Não me chame de irmã, eu não tenho pai nem mãe."Florinda lançou um olhar para ela, com evidente desprezo nos olhos."Irmã." Quitéria imediatamente ficou com os olhos vermelhos e, no segundo seguinte, as lágrimas começaram a cair como se não custassem nada, como se tivesse sofrido a maior injustiça do mundo."Tsc, Quitéria, você não se cansa de fingir?" Desde pequena só sabia fazer isso, e justamente esses idiotas da Família Barbosa sempre caíam nesse truque.Sem dar chance para resposta, Florinda continuou: "Se quer que eu saia da Família Barbosa, então fique quieta."Quitéria mordeu os lábios e, no fim, não disse mais nada.O clima no quarto do hospital esfriou completamente.Florinda falou de forma decidida: "Todo o dinheiro que usei da Família Barbosa nesses anos, vou transferir para a conta do Sr. Barbosa.""O que você está querendo fazer?" Fábio ficou surpreso, franzindo levemente as sobrancelhas.Percebendo algo, acrescentou: "Não se esqueça de quem te sustentou todos esses anos, fui eu, Fábio, que fui cego ao criar uma ingrata, e no fim das contas você ainda ousa desafiar minha própria filha."Ele a mimou demais, estragou ela com tanto carinho.Florinda respondeu com ironia: "De fato, eu sou apenas uma filha adotiva, não sua filha de sangue.""Afinal, quem mandaria uma filha biológica, ainda criança, para fora do país por cinco anos sem se importar, deixando-a à própria sorte?" Florinda sentiu uma raiva intensa ao lembrar daqueles anos no exterior.Lá, ela implorou inúmeras vezes para que Fábio fosse buscá-la, mas ele nunca apareceu."Você me odeia?" Fábio percebeu o ódio nos olhos dela, suas pupilas se contraíram subitamente e ele sentiu uma dor amarga no coração.Ele olhou distraidamente para o aparelho auditivo na orelha esquerda de Florinda, mas, ao lembrar do ocorrido daquela época, o pouco de culpa que sentia logo desapareceu."Não se esqueça de que aquilo foi culpa sua, mandar você para o exterior era para o seu próprio bem." A voz de Fábio era fria como gelo, e o olhar carregava um aviso.O rosto de Florinda mudou um pouco, sentindo um frio percorrer todo o seu corpo."Hoje mesmo vou me mudar." Ela rapidamente reprimiu as emoções, pois os Barbosas não valiam a pena."Sr. Barbosa, a relação entre nós como pai e filha termina aqui."Assim que ela disse isso, todos os Barbosas acharam que Florinda havia realmente enlouquecido.A Família Barbosa tinha uma boa posição em Salvador; mesmo que os Barbosas não fossem longe na vida, no mínimo sempre seriam herdeiros ricos e sem preocupações, algo com que muitos só poderiam sonhar.Capítulo 3Florinda pensou mais de uma vez que, se pudesse voltar aos seus três anos, certamente não chamaria Fábio Barbosa de pai.Ela não só pensou em devolver essa vida a Fábio, como nunca imaginou que realmente o faria.Florinda realmente morreu, aos vinte e oito anos, no auge de sua juventude.Quando recuperou a consciência, não esperava que tivesse voltado aos seus dezessete anos.Naquela época, fazia apenas meio ano que havia retornado ao Brasil.Hospital Salvador.A garota vestia um casaco preto já desbotado de tanto lavar, junto com uma calça jeans, e estava sozinha, ajoelhada ao lado da cama. Seu rostinho teimoso estava tão pálido que não havia sinal de sangue algum.Somente os punhos cerrados denunciavam a tempestade que agitava seu coração."Florinda Barbosa, peça desculpas." Fábio ordenou com o rosto frio e voz dura.Ainda há pouco, Florinda havia discutido com Quitéria Barbosa. Quitéria caiu da escada, e as câmeras de segurança mostraram que ela fora empurrada por Florinda.Ninguém acreditou nela."Não fui eu." Florinda levantou a cabeça devagar, repetindo as mesmas palavras de sua vida passada.Ao encarar o pai, de quem estivera afastada por tanto tempo, não demonstrou qualquer afeto. Sua voz era indiferente, como se falasse com um desconhecido."Pá!" Assim que terminou a frase, um tapa forte estalou em seu rosto.A cabeça de Florinda virou com o impacto, e sangue vivo escorreu do canto de sua boca.O tapa foi dado com toda força."Só sabe mentir, ainda tem coragem de negar! Como é que eu, Fábio, posso ter uma filha como você?"Florinda olhou para ele, enxergando claramente a decepção e o desprezo nos olhos de Fábio.Se Fábio fosse delegado, ela com certeza receberia pena de morte.De repente, ela riu, soltando um leve escárnio: "Ainda bem que não sou sua filha de sangue, senão eu já teria acabado com sua reputação.""O que você disse?" Fábio ergueu a mão mais uma vez, mas desta vez hesitou antes de desferir outro golpe.Florinda o encarou friamente, com total serenidade no olhar: "Não espere que eu peça desculpas. Se insistir, não me importo de assumir a culpa."Na vida passada, seu sentimento pela família Barbosa já havia sido destruído por eles mesmos.Fábio ficou paralisado."Você... Como mudou assim de repente?" Ele olhava para Florinda como se não a reconhecesse."Todos esses anos, te mandei para fora do país e você não aprendeu nada, só ficou mais arrogante e rebelde."Quando criança, essa filha era tão bondosa quanto um anjo. Desde que voltou do exterior, tornou-se completamente diferente.Não só implicava com a irmã e competia pela atenção, como também se tornou amarga e egoísta, como se estivesse coberta de espinhos.Nesses seis meses, Fábio estava cada vez mais decepcionado com essa filha.Florinda encarava o pai que a repreendia e, naquele momento, finalmente entendeu: aquele era o verdadeiro pai de Quitéria.Nunca foi o dela.Em contraste com o clima tenso ao redor de Florinda, o lado da cama da outra garota estava cheio de gente; o ambiente era animado.Quitéria era como uma estrela rodeada por todos, recebendo a atenção e o carinho de todos ao seu redor.Bastava que ela estivesse ali para ser amada por todos.Que ironia.Florinda nunca recebeu esse tipo de amor, nem mesmo em seu leito de morte.Ela se levantou sozinha do lado da cama, franziu a testa e limpou um pó inexistente do joelho."Não vou atrapalhar o teatrinho familiar de vocês. Estou indo." Florinda lançou um olhar frio para todos ao redor e se virou para sair.Na vida passada, ela nunca recebeu o amor dos Barbosas, e, no final, ainda foi morta por eles.A sua vida, na vida passada, já havia sido devolvida à Família Barbosa.Ela não devia mais nada à Família Barbosa."Pare."A voz do homem soou fria, carregada da autoridade de quem está acima dos demais.Florinda olhou para trás, lançando um olhar ao seu antigo irmão querido, Álvaro Barbosa."Cachorro bom não fica no caminho.""É assim que você trata seu irmão?" Álvaro estreitou os olhos friamente, avançando alguns passos e agarrando o pulso de Florinda, como se não acreditasse no que acabara de ouvir.Mesmo que aquela irmã fosse maldosa no passado, nunca havia ousado confrontá-lo dessa forma.Irmão? Ele merecia tal título?Tão hipócrita que chegava a ser repugnante, Florinda deixou transparecer um traço de desprezo no olhar."Saia da minha frente, que nojo." Ela se desvencilhou dele com força, como se tivesse tocado em algo sujo.Álvaro não esperava tanta força dela, quase perdeu o equilíbrio, e imediatamente se enfureceu: "Florinda, o que você está querendo fazer?""Você empurrou Quitéria escada abaixo e quase matou ela, agora só queremos que você admita o erro e nem isso você aceita. Que tipo de irmã é você? Como pode ser tão cruel?"Quase matou Quitéria?Isso era "quase morrer"?Se fosse assim, ela já teria morrido inúmeras vezes.Álvaro continuava o mesmo de sempre, fingindo ser um bom irmão justo, mas no fundo seu coração sempre pendia para o lado de Quitéria.Florinda lançou um olhar para Quitéria, cercada no centro do quarto, deitada na cama, e achou aquilo tudo ridículo: "Você está cego? Em que ela parece uma doente?""Não sei se a atuação dela é boa demais ou se vocês são todos idiotas."Quitéria estava com o rosto corado, rodeada de gente, comendo e bebendo, o pequeno machucado no braço já completamente cicatrizado.Enquanto isso, Florinda estava pálida, sem nenhuma cor no rosto, parecendo ela sim uma pessoa doente.O segundo irmão, Nereu Barbosa, olhava para Florinda com ódio, cerrando os dentes e com as veias da testa saltadas: "Florinda, estou tentando ser paciente, mas como você ousa falar assim da Quitéria?""Se não fosse por você, Quitéria não teria se machucado!"Enquanto falava, Nereu fechou o punho, o olhar ficando ainda mais sombrio: "Ela sempre foi bondosa e nunca te fez mal algum, ao contrário, você é quem sente inveja dela e só a trata com hostilidade."Com aquele olhar, era como se ela fosse uma criminosa imperdoável.Florinda não tinha dúvida: se Quitéria não estivesse ali, Nereu não hesitaria em agredi-la.Esse demônio violento só não queria assustar a sua irmãzinha.Florinda soltou uma risada fria. Mais do que de Álvaro Barbosa, ela sentia repulsa por Nereu: "E você é o quê? E o que são vocês, os Barbosas?""Isso é hostilidade para vocês?"Florinda caminhou diretamente até a cama, e antes que alguém pudesse reagir, deu um tapa forte no rosto de Quitéria.E comentou com escárnio: "Idiota, isso sim é hostilidade."Depois de dar o tapa, sentiu-se bem mais aliviada.Álvaro e Nereu foram adotados por Fábio antes da verdadeira filha, Quitéria, voltar. No passado, eles foram os irmãos mais carinhosos com ela, mas depois tornaram-se facas cravadas em seu peito; para ela, não passavam de agressores.Florinda foi rápida, e ninguém conseguiu detê-la a tempo.O rosto de Fábio mudou de expressão e ele se levantou de repente: "Você está louca.""Como você pode levantar a mão para sua irmã?"Ele deu alguns passos à frente e ficou entre a cama e Quitéria, tentando acalmá-la com paciência: "Quitéria, não tenha medo, o papai está aqui, não vou deixar ninguém te machucar.""Isso é loucura." Os dois irmãos da Família Barbosa também se colocaram na frente de Florinda, olhando para ela com desconfiança.Vendo todos eles unidos contra ela, Florinda não pôde deixar de rir de indignação.Será que ela era uma pessoa tão cruel assim? Por que estavam fazendo parecer que ela era uma vilã de novela?Neste enredo, Quitéria sempre fazia o papel da pureza, como um jasmim branco, enquanto os Barbosas atuavam como os eternos guardiões da flor.Florinda arqueou as sobrancelhas, de repente perdeu o interesse e olhou friamente para o grupo da Família Barbosa, dizendo com voz gélida: "Se vocês, Barbosas, continuarem me provocando, não me importo em ser ainda mais louca."Ela realmente estava enlouquecendo, levada à loucura pelos próprios Barbosas.Quitéria, nos braços de Dália, cobria o rosto e se queixava tristemente: "Irmã, eu fiz alguma coisa errada? Por favor, não me odeie.""Não me chame de irmã, eu não tenho pai nem mãe."Florinda lançou um olhar para ela, com evidente desprezo nos olhos."Irmã." Quitéria imediatamente ficou com os olhos vermelhos e, no segundo seguinte, as lágrimas começaram a cair como se não custassem nada, como se tivesse sofrido a maior injustiça do mundo."Tsc, Quitéria, você não se cansa de fingir?" Desde pequena só sabia fazer isso, e justamente esses idiotas da Família Barbosa sempre caíam nesse truque.Sem dar chance para resposta, Florinda continuou: "Se quer que eu saia da Família Barbosa, então fique quieta."Quitéria mordeu os lábios e, no fim, não disse mais nada.O clima no quarto do hospital esfriou completamente.Florinda falou de forma decidida: "Todo o dinheiro que usei da Família Barbosa nesses anos, vou transferir para a conta do Sr. Barbosa.""O que você está querendo fazer?" Fábio ficou surpreso, franzindo levemente as sobrancelhas.Percebendo algo, acrescentou: "Não se esqueça de quem te sustentou todos esses anos, fui eu, Fábio, que fui cego ao criar uma ingrata, e no fim das contas você ainda ousa desafiar minha própria filha."Ele a mimou demais, estragou ela com tanto carinho.Florinda respondeu com ironia: "De fato, eu sou apenas uma filha adotiva, não sua filha de sangue.""Afinal, quem mandaria uma filha biológica, ainda criança, para fora do país por cinco anos sem se importar, deixando-a à própria sorte?" Florinda sentiu uma raiva intensa ao lembrar daqueles anos no exterior.Lá, ela implorou inúmeras vezes para que Fábio fosse buscá-la, mas ele nunca apareceu."Você me odeia?" Fábio percebeu o ódio nos olhos dela, suas pupilas se contraíram subitamente e ele sentiu uma dor amarga no coração.Ele olhou distraidamente para o aparelho auditivo na orelha esquerda de Florinda, mas, ao lembrar do ocorrido daquela época, o pouco de culpa que sentia logo desapareceu."Não se esqueça de que aquilo foi culpa sua, mandar você para o exterior era para o seu próprio bem." A voz de Fábio era fria como gelo, e o olhar carregava um aviso.O rosto de Florinda mudou um pouco, sentindo um frio percorrer todo o seu corpo."Hoje mesmo vou me mudar." Ela rapidamente reprimiu as emoções, pois os Barbosas não valiam a pena."Sr. Barbosa, a relação entre nós como pai e filha termina aqui."Assim que ela disse isso, todos os Barbosas acharam que Florinda havia realmente enlouquecido.A Família Barbosa tinha uma boa posição em Salvador; mesmo que os Barbosas não fossem longe na vida, no mínimo sempre seriam herdeiros ricos e sem preocupações, algo com que muitos só poderiam sonhar.

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