Depois de pegar Sílvio Braga na cama com outra mulher, Clarinda Prado finalmente aceitou a verdade: entre ela e Sílvio, nunca haveria futuro. O golpe final veio de sua própria família, que, achando que ela estava insistindo inutilmente em Sílvio, a expulsou de casa em meio a gritos e tapas no rosto. Em uma noite de neve intensa, sozinha e desamparada, Clarinda vagava pelas ruas, pensando que o mundo inteiro havia lhe virado as costas. Nesse momento, Carlos Reis, o homem que a vida toda parecia ser seu rival frio e intocável, apareceu diante dela. Ele a protegeu do frio e, com uma voz baixa e firme, declarou: “Não tenha medo, vou te levar para casa.” Após começar a morar com Carlos, Clarinda acidentalmente encontrou o diário dele. Cada página estava preenchida com seu nome e memórias sobre ela. Foi então que ela descobriu que aquele homem, sempre tão distante e reservado, na verdade a amava em segredo há muitos anos. “Case-se comigo.” Carlos ajoelhou-se diante dela, sua voz carregada de emoção. “Eu quero te dar O Favor Mais Absoluto do Mundo.” Depois do casamento, começaram os rumores: Sílvio e Carlos, tio e sobrinho, romperam por causa dela. Sílvio, cheio de arrependimento, tentou reconquistá-la, mas Carlos a puxou para junto de si, abraçando-a com toda a posse e ternura do mundo: “Ela é minha esposa e nada vai mudar isso.” Carlos então sussurrou ao ouvido dela, com os olhos brilhando de paixão e determinação: “Amor, vamos ter um filho. Quero te dar tudo que você sempre sonhou e muito mais.” E assim, a vida de Clarinda foi transformada por completo. Os dias escuros ficaram no passado, pois agora ela era cercada pela dedicação e pelo amor incondicional daquele que estava disposto a tudo por ela.

Capítulo 1【tio não é o protagonista masculino!! Os protagonistas são absolutamente puros!! Por favor, dê uma chance à história!】Clarinda Prado presenciou pessoalmente uma mulher estranha, nua da cintura para baixo, aparecer na casa de solteiro do tio.Na noite anterior, Sílvio Braga teve uma febre baixa, e Norah Prado pediu logo cedo para ela levar uma canja de galinha.Clarinda não ousou perder tempo; pegou a garrafa térmica e digitou rapidamente e com destreza a senha da porta principal.Assim que abriu a porta, uma mulher desconhecida desceu as escadas, rebolando de forma provocante.A mulher vestia apenas uma camiseta masculina larga, o tecido mal cobria o corpo, e seu olhar era carregado de hostilidade."Quem é você? Como sabe a senha do apartamento do Sílvio?" O comprimento da camiseta só cobria até o quadril e, ao caminhar, o vento levantava um pouco a barra.Totalmente nua por baixo.Não usava absolutamente nada.O coração de Clarinda sentiu como se tivesse sido perfurado por uma agulha, doendo tanto que ela ficou sem ar por um instante!O tio... estava namorando alguém?A mulher a analisou de cima a baixo, o tom cada vez menos amigável: "Estou perguntando, quem é você afinal?""Sou... sobrinha do Sílvio." A garrafa quase escapou das mãos de Clarinda, e sua voz saiu rouca sem querer."Ele tem uma sobrinha tão jovem assim?" A mulher continuou desconfiada. "Você não é, na verdade, alguma amante dele que ele mantém por aí?"Clarinda evitou responder, apertando com força a tampa da garrafa térmica: "Onde está meu tio?"A mulher olhou em direção ao andar de cima, um sorriso malicioso surgindo em seu rosto."Deixei ele exausto a noite toda, só agora conseguiu dormir."Eles... passaram a noite juntos?Por um momento, Clarinda sentiu o sangue congelar nas veias, um frio denso se infiltrando até os ossos.Agora tudo fazia sentido.Norah, que sempre quis manter distância entre ela e Sílvio, de repente tinha pedido para ela trazer a canja!Foi tudo de propósito para ela presenciar aquela cena.No fundo, Clarinda já suspeitava: um homem da idade de Sílvio, certamente teria mulheres ao seu redor.Mas ver com os próprios olhos era diferente de apenas imaginar.O impacto de ver era muito mais doloroso e difícil de suportar do que ela pensou que seria.A mulher, vendo que Clarinda permanecia estática, tomou a garrafa térmica de suas mãos: "Já trouxe, então pode ir embora. Sílvio está exausto, não venha atrapalhar o descanso dele!"Clarinda mal conseguiu se virar, quando passos firmes soaram no andar de cima."Clarinda?"A voz profunda e aveludada soou atrás dela.Clarinda sempre amou ouvir a voz do tio; sentia-se segura, como se nada pudesse abalar seu mundo enquanto ele estivesse presente.Mas, naquele momento, sua mente involuntariamente imaginou Sílvio e a mulher juntos, na cama, em momentos de paixão na noite anterior.Será que ele também murmurou e gemeu com aquela voz rouca ao ouvido daquela mulher...?Só de pensar, o coração dela parecia se despedaçar.Clarinda se virou, forçando um sorriso desajeitado."Tio, minha mãe soube que você estava com febre e pediu para eu trazer canja de galinha. Lembre-se de tomar enquanto está quente."Sílvio desceu as escadas usando um pijama preto e cinza.Era alto, com traços faciais marcantes, e sua postura era imponente, resultado dos anos que passou no exército — parecia uma tempestade de inverno."Por que não me avisou antes de vir?""Fiquei com medo de você estar dormindo por causa da febre e não quis incomodar."Sílvio raramente tirava férias do exército; ela queria que ele descansasse bem.Além disso, ela tinha a senha do apartamento dele, então podia entrar direto — só não esperava testemunhar uma cena que fez seu sangue gelar.Sílvio pegou as chaves do carro, sua voz levemente rouca pela gripe: "Está frio lá fora, vou te levar de volta."Ao ver Sílvio descer, a mulher, antes arrogante, mudou completamente de atitude."É verdade, esfriou bastante hoje, Clarinda, deixa seu tio te levar!"Clarinda rapidamente recusou, dizendo que tinha compromissos na universidade e precisava ir.Antes de sair, ainda ouviu a mulher dizer de forma carinhosa para Sílvio:"Ela é mesmo sua sobrinha? Que menina linda e delicada. Até achei que fosse alguma amante sua."Sílvio soltou uma risada baixa e abafada do peito.Tão agradável que fazia cócegas nos ouvidos."Meu amorzinho, não é você?"……Clarinda sentiu uma dor lancinante no coração.Aos sete anos, Norah levou-a consigo quando se casou com o segundo maior clã de Cidade dos Gansos — a Família Braga.O filho mais velho da Família Braga, Zaqueu Braga, também estava em seu segundo casamento, tendo tido uma filha, Vitória Braga, de sua união anterior.Toda a família tratava Vitória como se fosse uma joia preciosa, enquanto ninguém jamais olhou para Clarinda com respeito.Para Norah e Clarinda, que haviam ascendido socialmente, essa situação era previsível; deveriam estar satisfeitas.Mas as pessoas sempre são interesseiras. Como Clarinda não era querida, as babás e empregadas também não a tratavam bem, aproveitando-se de sua pouca idade para a maltratar de várias maneiras.Até que Sílvio entrou em sua vida.Flagrou um episódio de abuso injustificado.Demitiu a babá imediatamente e levou Clarinda para sua própria casa.Naqueles anos, Sílvio construiu para ela um mundo de conto de fadas, como se fosse um castelo de princesa.Até que, em seu aniversário de dezoito anos, no exato momento em que Sílvio lhe entregou um bolo e lhe desejou felicidades pela maioridade, ela percebeu, de repente, que estava apaixonada por Sílvio!O mundo inteiro tornou-se um campo de espinhos.Ao sair do apartamento, Clarinda foi direto para o laboratório da faculdade, mas não conseguia tirar da cabeça aquelas duas pernas alvas e a voz grave de Sílvio.Desconcertada, cometeu o mesmo erro em uma série de dados quatro ou cinco vezes, sendo severamente repreendida pelo orientador, conhecido por seu temperamento explosivo.Irmão Hélder, ao perceber seu semblante abatido, sugeriu que ela fosse descansar mais cedo.Clarinda esfregou os olhos avermelhados e, sem insistir, pediu licença e foi embora.Já era tarde, ela não queria voltar para casa, tampouco para o dormitório.O Bar da Baleia estava repleto de luzes vermelhas e verdes, música alta e dança frenética.Sentada no balcão, Clarinda pediu o coquetel mais forte do cardápio.Depois de anos sendo obediente e reprimida, queria se permitir um momento de libertação.Estava prestes a virar o copo de bebida forte, quando alguém de repente lhe tocou o ombro."Bebendo sozinha escondida no bar? Clarinda, está tentando afogar as mágoas?"Clarinda virou-se e viu justamente o sorriso sarcástico de Vitória."Pelo visto, você já deve saber que o tio está sendo pressionado a noivar, não?"Desde pequenas, Vitória e ela eram como água e óleo; Vitória sabia exatamente onde estavam as fraquezas de Clarinda e como machucá-la."Noivar?"Clarinda ergueu a cabeça de repente, surpresa nos olhos."O tio já tem trinta anos, vovô e vovó querem muito que ele se case e tenha filhos. O noivado deve sair até o fim do ano, não? Logo logo, teremos uma nova tia!"Aquela dor familiar voltou a latejar!Hoje mesmo ela soubera que Sílvio tinha uma mulher; tão rápido teria que aceitar a notícia do noivado?"Parece que você não ficou muito feliz, hein? Será que você ainda gosta do tio…""Não!" Clarinda negou imediatamente.Vitória agarrou seu braço: "Se não gosta, então ótimo. Vamos subir pra curtir um pouco!"Clarinda hesitou, mas Vitória não a deixou escapar, empurrando-a diretamente para uma sala reservada.Assim que a porta se abriu—"Não estou vendo errado, né? Até a Clarinda apareceu?""Faz dois anos que não vejo ela, achei que nem estava mais em Cidade dos Gansos!""Você não sabe de nada, depois do escândalo que ela aprontou, foi logo…"A sala estava cheia de jovens da segunda geração de Cidade dos Gansos.Todas aquelas conversas chegaram aos ouvidos de Clarinda, que, inconscientemente, apertou a palma da mão. Tentou sair, mas Vitória bloqueou a porta, deixando-a exposta ao olhar de todos.A Srta. Cardoso, amiga próxima de Vitória, foi a primeira a se manifestar, zombando em voz alta:"Olha só, Clarinda, teve coragem de voltar? Depois do que fez com seu tio…""Cale a boca."Uma voz fria e límpida soou de repente, como um pedaço de gelo jogado em água fervente.Clarinda ergueu os olhos.No centro da sala, um homem de traços marcantes abaixava o olhar, com a ponta dos dedos tocando um vinho tinto.A forte sensação de distanciamento fazia dele como uma fumaça solitária em pleno inverno, pairando sob o sol gelado, isolado do mundo.O coração de Clarinda deu um salto. Seu olhar encontrou o do homem.Era Carlos Reis.Seu… nominalmente…Carlos era, entre a segunda geração dos círculos de Cidade dos Gansos, reconhecido como aquele com a melhor origem familiar e as habilidades pessoais mais notáveis.Em casa, o Velho Senhor era um Comandante aposentado, o pai era o chefe da região de defesa e a mãe, por sua vez, era a única filha adorada daquela geração da Família Braga.Só por esses títulos, já era o suficiente para que ele andasse de cabeça erguida por toda Cidade dos Gansos.No entanto, ele não seguiu o caminho militar ou político conforme o planejado por sua família. No terceiro ano da faculdade, ele começou a empreender e fundou sozinho o Grupo Odemar, que hoje já era o maior grupo nacional de eletrônicos, especialmente em chips."O que está esperando aí parada?"Carlos ergueu os olhos e olhou para a garota confusa na porta, dizendo em tom grave: "Venha, sente-se."Clarinda estava prestes a se sentar no canto mais afastado.O homem imediatamente acrescentou:"Sente-se ao meu lado."Só então Clarinda, de maneira hesitante, foi se sentar ao lado dele.Para ser sincera,Ela sempre teve um certo receio dele.Na época em que Sílvio passou a cuidar dela, Carlos frequentemente ia à casa deles como visitante.Ele era o único sobrinho de sangue de Sílvio, três anos mais velho que Clarinda. Em teoria, os dois deveriam se dar bem, mas ele sempre mantinha uma expressão fria e distante, silencioso e pouco comunicativo.Clarinda sentia que aquele olhar era como se alguém lhe devesse milhões, por isso não gostava muito de brincar com ele.Além do mais, toda vez que Carlos vinha, trazia um tabuleiro de xadrez e pedia expressamente que Clarinda jogasse com ele.Clarinda não entendia nada de xadrez.Sempre acabava sendo derrotada de todas as formas possíveis no tabuleiro.Ela já tinha tentado treinar em segredo, querendo reverter a situação, mas, por mais que se esforçasse, sempre acabava sendo derrotada por Carlos. Lembra que uma vez, ela chegou até a chorar por causa disso.Sílvio, ao chegar do trabalho, achou que tinha acontecido algo grave.Carlos, impassível, recolheu cada peça do tabuleiro."Tonhão, ela não caiu nem se machucou. Só não conseguiu ganhar de mim — chorou porque perdeu mesmo.""Você... você..."Não bastava derrotar uma criança; ainda zombava dela!Clarinda ficou ainda mais magoada, não ousou desafiar o "rosto de gelo" e só conseguiu soltar um soluço, chorando ainda mais alto!Desde então, sempre que Carlos aparecia, ela se escondia como podia.Esse hábito persistiu até que todos cresceram.Álvaro Pires, ao lado, aproximou-se com interesse: "Clarinda, você está cada vez mais bonita, hein. Aliás, acho que ainda não trocamos contato, né? Vamos, me passa o seu?"Carlos lançou-lhe um olhar frio: "Ela é minha irmã. Tenta qualquer coisa para ver o que acontece.""Tô brincando! Sua irmã de sangue já foi estudar fora! Quitéria é o quê, irmã de consideração? Ou será... irmã por afinidade?"Irmã por afinidade...Clarinda tremeu ao ouvir aquela expressão, sentindo-se um pouco enjoada.Álvaro semicerrava os olhos, "Mas falando sério, Quitéria, você mudou muito nos últimos anos, está cada vez mais boni..."O olhar de Carlos ficou sombrio e Vitória se levantou, bloqueando o campo de visão do outro.Ele falou friamente: "Você já passou por muitas, não faltaram meninas bonitas na sua vida, né? Não venha com essas cantadas de sempre."Álvaro ergueu as mãos em protesto: "Clarinda, acredita em mim, não no Carlos. Eu não sou esse tipo de cara, só quero te conhecer, de verdade—"Ele tentou se aproximar de novo, mas foi impedido por um par de longas pernas à sua frente.Carlos se irritou de verdade: "O canalha nunca admite que é canalha."Álvaro: "?"Clarinda quase riu, sentindo que o peso em seu peito se dissipou um pouco.Álvaro percebeu que Carlos exalava uma frieza de cima a baixo.Ficou surpreso por dentro.Carlos estava mesmo tão protetor assim?Nem com Vitória ele era desse jeito.De repente, Álvaro se lembrou de que, alguns anos atrás, tinha visto uma foto de uma garota na carteira de Carlos. Na época, não sabia quem era, mas agora, pensando bem...Capítulo 2【tio não é o protagonista masculino!! Os protagonistas são absolutamente puros!! Por favor, dê uma chance à história!】Clarinda Prado presenciou pessoalmente uma mulher estranha, nua da cintura para baixo, aparecer na casa de solteiro do tio.Na noite anterior, Sílvio Braga teve uma febre baixa, e Norah Prado pediu logo cedo para ela levar uma canja de galinha.Clarinda não ousou perder tempo; pegou a garrafa térmica e digitou rapidamente e com destreza a senha da porta principal.Assim que abriu a porta, uma mulher desconhecida desceu as escadas, rebolando de forma provocante.A mulher vestia apenas uma camiseta masculina larga, o tecido mal cobria o corpo, e seu olhar era carregado de hostilidade."Quem é você? Como sabe a senha do apartamento do Sílvio?" O comprimento da camiseta só cobria até o quadril e, ao caminhar, o vento levantava um pouco a barra.Totalmente nua por baixo.Não usava absolutamente nada.O coração de Clarinda sentiu como se tivesse sido perfurado por uma agulha, doendo tanto que ela ficou sem ar por um instante!O tio... estava namorando alguém?A mulher a analisou de cima a baixo, o tom cada vez menos amigável: "Estou perguntando, quem é você afinal?""Sou... sobrinha do Sílvio." A garrafa quase escapou das mãos de Clarinda, e sua voz saiu rouca sem querer."Ele tem uma sobrinha tão jovem assim?" A mulher continuou desconfiada. "Você não é, na verdade, alguma amante dele que ele mantém por aí?"Clarinda evitou responder, apertando com força a tampa da garrafa térmica: "Onde está meu tio?"A mulher olhou em direção ao andar de cima, um sorriso malicioso surgindo em seu rosto."Deixei ele exausto a noite toda, só agora conseguiu dormir."Eles... passaram a noite juntos?Por um momento, Clarinda sentiu o sangue congelar nas veias, um frio denso se infiltrando até os ossos.Agora tudo fazia sentido.Norah, que sempre quis manter distância entre ela e Sílvio, de repente tinha pedido para ela trazer a canja!Foi tudo de propósito para ela presenciar aquela cena.No fundo, Clarinda já suspeitava: um homem da idade de Sílvio, certamente teria mulheres ao seu redor.Mas ver com os próprios olhos era diferente de apenas imaginar.O impacto de ver era muito mais doloroso e difícil de suportar do que ela pensou que seria.A mulher, vendo que Clarinda permanecia estática, tomou a garrafa térmica de suas mãos: "Já trouxe, então pode ir embora. Sílvio está exausto, não venha atrapalhar o descanso dele!"Clarinda mal conseguiu se virar, quando passos firmes soaram no andar de cima."Clarinda?"A voz profunda e aveludada soou atrás dela.Clarinda sempre amou ouvir a voz do tio; sentia-se segura, como se nada pudesse abalar seu mundo enquanto ele estivesse presente.Mas, naquele momento, sua mente involuntariamente imaginou Sílvio e a mulher juntos, na cama, em momentos de paixão na noite anterior.Será que ele também murmurou e gemeu com aquela voz rouca ao ouvido daquela mulher...?Só de pensar, o coração dela parecia se despedaçar.Clarinda se virou, forçando um sorriso desajeitado."Tio, minha mãe soube que você estava com febre e pediu para eu trazer canja de galinha. Lembre-se de tomar enquanto está quente."Sílvio desceu as escadas usando um pijama preto e cinza.Era alto, com traços faciais marcantes, e sua postura era imponente, resultado dos anos que passou no exército — parecia uma tempestade de inverno."Por que não me avisou antes de vir?""Fiquei com medo de você estar dormindo por causa da febre e não quis incomodar."Sílvio raramente tirava férias do exército; ela queria que ele descansasse bem.Além disso, ela tinha a senha do apartamento dele, então podia entrar direto — só não esperava testemunhar uma cena que fez seu sangue gelar.Sílvio pegou as chaves do carro, sua voz levemente rouca pela gripe: "Está frio lá fora, vou te levar de volta."Ao ver Sílvio descer, a mulher, antes arrogante, mudou completamente de atitude."É verdade, esfriou bastante hoje, Clarinda, deixa seu tio te levar!"Clarinda rapidamente recusou, dizendo que tinha compromissos na universidade e precisava ir.Antes de sair, ainda ouviu a mulher dizer de forma carinhosa para Sílvio:"Ela é mesmo sua sobrinha? Que menina linda e delicada. Até achei que fosse alguma amante sua."Sílvio soltou uma risada baixa e abafada do peito.Tão agradável que fazia cócegas nos ouvidos."Meu amorzinho, não é você?"……Clarinda sentiu uma dor lancinante no coração.Aos sete anos, Norah levou-a consigo quando se casou com o segundo maior clã de Cidade dos Gansos — a Família Braga.O filho mais velho da Família Braga, Zaqueu Braga, também estava em seu segundo casamento, tendo tido uma filha, Vitória Braga, de sua união anterior.Toda a família tratava Vitória como se fosse uma joia preciosa, enquanto ninguém jamais olhou para Clarinda com respeito.Para Norah e Clarinda, que haviam ascendido socialmente, essa situação era previsível; deveriam estar satisfeitas.Mas as pessoas sempre são interesseiras. Como Clarinda não era querida, as babás e empregadas também não a tratavam bem, aproveitando-se de sua pouca idade para a maltratar de várias maneiras.Até que Sílvio entrou em sua vida.Flagrou um episódio de abuso injustificado.Demitiu a babá imediatamente e levou Clarinda para sua própria casa.Naqueles anos, Sílvio construiu para ela um mundo de conto de fadas, como se fosse um castelo de princesa.Até que, em seu aniversário de dezoito anos, no exato momento em que Sílvio lhe entregou um bolo e lhe desejou felicidades pela maioridade, ela percebeu, de repente, que estava apaixonada por Sílvio!O mundo inteiro tornou-se um campo de espinhos.Ao sair do apartamento, Clarinda foi direto para o laboratório da faculdade, mas não conseguia tirar da cabeça aquelas duas pernas alvas e a voz grave de Sílvio.Desconcertada, cometeu o mesmo erro em uma série de dados quatro ou cinco vezes, sendo severamente repreendida pelo orientador, conhecido por seu temperamento explosivo.Irmão Hélder, ao perceber seu semblante abatido, sugeriu que ela fosse descansar mais cedo.Clarinda esfregou os olhos avermelhados e, sem insistir, pediu licença e foi embora.Já era tarde, ela não queria voltar para casa, tampouco para o dormitório.O Bar da Baleia estava repleto de luzes vermelhas e verdes, música alta e dança frenética.Sentada no balcão, Clarinda pediu o coquetel mais forte do cardápio.Depois de anos sendo obediente e reprimida, queria se permitir um momento de libertação.Estava prestes a virar o copo de bebida forte, quando alguém de repente lhe tocou o ombro."Bebendo sozinha escondida no bar? Clarinda, está tentando afogar as mágoas?"Clarinda virou-se e viu justamente o sorriso sarcástico de Vitória."Pelo visto, você já deve saber que o tio está sendo pressionado a noivar, não?"Desde pequenas, Vitória e ela eram como água e óleo; Vitória sabia exatamente onde estavam as fraquezas de Clarinda e como machucá-la."Noivar?"Clarinda ergueu a cabeça de repente, surpresa nos olhos."O tio já tem trinta anos, vovô e vovó querem muito que ele se case e tenha filhos. O noivado deve sair até o fim do ano, não? Logo logo, teremos uma nova tia!"Aquela dor familiar voltou a latejar!Hoje mesmo ela soubera que Sílvio tinha uma mulher; tão rápido teria que aceitar a notícia do noivado?"Parece que você não ficou muito feliz, hein? Será que você ainda gosta do tio…""Não!" Clarinda negou imediatamente.Vitória agarrou seu braço: "Se não gosta, então ótimo. Vamos subir pra curtir um pouco!"Clarinda hesitou, mas Vitória não a deixou escapar, empurrando-a diretamente para uma sala reservada.Assim que a porta se abriu—"Não estou vendo errado, né? Até a Clarinda apareceu?""Faz dois anos que não vejo ela, achei que nem estava mais em Cidade dos Gansos!""Você não sabe de nada, depois do escândalo que ela aprontou, foi logo…"A sala estava cheia de jovens da segunda geração de Cidade dos Gansos.Todas aquelas conversas chegaram aos ouvidos de Clarinda, que, inconscientemente, apertou a palma da mão. Tentou sair, mas Vitória bloqueou a porta, deixando-a exposta ao olhar de todos.A Srta. Cardoso, amiga próxima de Vitória, foi a primeira a se manifestar, zombando em voz alta:"Olha só, Clarinda, teve coragem de voltar? Depois do que fez com seu tio…""Cale a boca."Uma voz fria e límpida soou de repente, como um pedaço de gelo jogado em água fervente.Clarinda ergueu os olhos.No centro da sala, um homem de traços marcantes abaixava o olhar, com a ponta dos dedos tocando um vinho tinto.A forte sensação de distanciamento fazia dele como uma fumaça solitária em pleno inverno, pairando sob o sol gelado, isolado do mundo.O coração de Clarinda deu um salto. Seu olhar encontrou o do homem.Era Carlos Reis.Seu… nominalmente…Carlos era, entre a segunda geração dos círculos de Cidade dos Gansos, reconhecido como aquele com a melhor origem familiar e as habilidades pessoais mais notáveis.Em casa, o Velho Senhor era um Comandante aposentado, o pai era o chefe da região de defesa e a mãe, por sua vez, era a única filha adorada daquela geração da Família Braga.Só por esses títulos, já era o suficiente para que ele andasse de cabeça erguida por toda Cidade dos Gansos.No entanto, ele não seguiu o caminho militar ou político conforme o planejado por sua família. No terceiro ano da faculdade, ele começou a empreender e fundou sozinho o Grupo Odemar, que hoje já era o maior grupo nacional de eletrônicos, especialmente em chips."O que está esperando aí parada?"Carlos ergueu os olhos e olhou para a garota confusa na porta, dizendo em tom grave: "Venha, sente-se."Clarinda estava prestes a se sentar no canto mais afastado.O homem imediatamente acrescentou:"Sente-se ao meu lado."Só então Clarinda, de maneira hesitante, foi se sentar ao lado dele.Para ser sincera,Ela sempre teve um certo receio dele.Na época em que Sílvio passou a cuidar dela, Carlos frequentemente ia à casa deles como visitante.Ele era o único sobrinho de sangue de Sílvio, três anos mais velho que Clarinda. Em teoria, os dois deveriam se dar bem, mas ele sempre mantinha uma expressão fria e distante, silencioso e pouco comunicativo.Clarinda sentia que aquele olhar era como se alguém lhe devesse milhões, por isso não gostava muito de brincar com ele.Além do mais, toda vez que Carlos vinha, trazia um tabuleiro de xadrez e pedia expressamente que Clarinda jogasse com ele.Clarinda não entendia nada de xadrez.Sempre acabava sendo derrotada de todas as formas possíveis no tabuleiro.Ela já tinha tentado treinar em segredo, querendo reverter a situação, mas, por mais que se esforçasse, sempre acabava sendo derrotada por Carlos. Lembra que uma vez, ela chegou até a chorar por causa disso.Sílvio, ao chegar do trabalho, achou que tinha acontecido algo grave.Carlos, impassível, recolheu cada peça do tabuleiro."Tonhão, ela não caiu nem se machucou. Só não conseguiu ganhar de mim — chorou porque perdeu mesmo.""Você... você..."Não bastava derrotar uma criança; ainda zombava dela!Clarinda ficou ainda mais magoada, não ousou desafiar o "rosto de gelo" e só conseguiu soltar um soluço, chorando ainda mais alto!Desde então, sempre que Carlos aparecia, ela se escondia como podia.Esse hábito persistiu até que todos cresceram.Álvaro Pires, ao lado, aproximou-se com interesse: "Clarinda, você está cada vez mais bonita, hein. Aliás, acho que ainda não trocamos contato, né? Vamos, me passa o seu?"Carlos lançou-lhe um olhar frio: "Ela é minha irmã. Tenta qualquer coisa para ver o que acontece.""Tô brincando! Sua irmã de sangue já foi estudar fora! Quitéria é o quê, irmã de consideração? Ou será... irmã por afinidade?"Irmã por afinidade...Clarinda tremeu ao ouvir aquela expressão, sentindo-se um pouco enjoada.Álvaro semicerrava os olhos, "Mas falando sério, Quitéria, você mudou muito nos últimos anos, está cada vez mais boni..."O olhar de Carlos ficou sombrio e Vitória se levantou, bloqueando o campo de visão do outro.Ele falou friamente: "Você já passou por muitas, não faltaram meninas bonitas na sua vida, né? Não venha com essas cantadas de sempre."Álvaro ergueu as mãos em protesto: "Clarinda, acredita em mim, não no Carlos. Eu não sou esse tipo de cara, só quero te conhecer, de verdade—"Ele tentou se aproximar de novo, mas foi impedido por um par de longas pernas à sua frente.Carlos se irritou de verdade: "O canalha nunca admite que é canalha."Álvaro: "?"Clarinda quase riu, sentindo que o peso em seu peito se dissipou um pouco.Álvaro percebeu que Carlos exalava uma frieza de cima a baixo.Ficou surpreso por dentro.Carlos estava mesmo tão protetor assim?Nem com Vitória ele era desse jeito.De repente, Álvaro se lembrou de que, alguns anos atrás, tinha visto uma foto de uma garota na carteira de Carlos. Na época, não sabia quem era, mas agora, pensando bem...Capítulo 3【tio não é o protagonista masculino!! Os protagonistas são absolutamente puros!! Por favor, dê uma chance à história!】Clarinda Prado presenciou pessoalmente uma mulher estranha, nua da cintura para baixo, aparecer na casa de solteiro do tio.Na noite anterior, Sílvio Braga teve uma febre baixa, e Norah Prado pediu logo cedo para ela levar uma canja de galinha.Clarinda não ousou perder tempo; pegou a garrafa térmica e digitou rapidamente e com destreza a senha da porta principal.Assim que abriu a porta, uma mulher desconhecida desceu as escadas, rebolando de forma provocante.A mulher vestia apenas uma camiseta masculina larga, o tecido mal cobria o corpo, e seu olhar era carregado de hostilidade."Quem é você? Como sabe a senha do apartamento do Sílvio?" O comprimento da camiseta só cobria até o quadril e, ao caminhar, o vento levantava um pouco a barra.Totalmente nua por baixo.Não usava absolutamente nada.O coração de Clarinda sentiu como se tivesse sido perfurado por uma agulha, doendo tanto que ela ficou sem ar por um instante!O tio... estava namorando alguém?A mulher a analisou de cima a baixo, o tom cada vez menos amigável: "Estou perguntando, quem é você afinal?""Sou... sobrinha do Sílvio." A garrafa quase escapou das mãos de Clarinda, e sua voz saiu rouca sem querer."Ele tem uma sobrinha tão jovem assim?" A mulher continuou desconfiada. "Você não é, na verdade, alguma amante dele que ele mantém por aí?"Clarinda evitou responder, apertando com força a tampa da garrafa térmica: "Onde está meu tio?"A mulher olhou em direção ao andar de cima, um sorriso malicioso surgindo em seu rosto."Deixei ele exausto a noite toda, só agora conseguiu dormir."Eles... passaram a noite juntos?Por um momento, Clarinda sentiu o sangue congelar nas veias, um frio denso se infiltrando até os ossos.Agora tudo fazia sentido.Norah, que sempre quis manter distância entre ela e Sílvio, de repente tinha pedido para ela trazer a canja!Foi tudo de propósito para ela presenciar aquela cena.No fundo, Clarinda já suspeitava: um homem da idade de Sílvio, certamente teria mulheres ao seu redor.Mas ver com os próprios olhos era diferente de apenas imaginar.O impacto de ver era muito mais doloroso e difícil de suportar do que ela pensou que seria.A mulher, vendo que Clarinda permanecia estática, tomou a garrafa térmica de suas mãos: "Já trouxe, então pode ir embora. Sílvio está exausto, não venha atrapalhar o descanso dele!"Clarinda mal conseguiu se virar, quando passos firmes soaram no andar de cima."Clarinda?"A voz profunda e aveludada soou atrás dela.Clarinda sempre amou ouvir a voz do tio; sentia-se segura, como se nada pudesse abalar seu mundo enquanto ele estivesse presente.Mas, naquele momento, sua mente involuntariamente imaginou Sílvio e a mulher juntos, na cama, em momentos de paixão na noite anterior.Será que ele também murmurou e gemeu com aquela voz rouca ao ouvido daquela mulher...?Só de pensar, o coração dela parecia se despedaçar.Clarinda se virou, forçando um sorriso desajeitado."Tio, minha mãe soube que você estava com febre e pediu para eu trazer canja de galinha. Lembre-se de tomar enquanto está quente."Sílvio desceu as escadas usando um pijama preto e cinza.Era alto, com traços faciais marcantes, e sua postura era imponente, resultado dos anos que passou no exército — parecia uma tempestade de inverno."Por que não me avisou antes de vir?""Fiquei com medo de você estar dormindo por causa da febre e não quis incomodar."Sílvio raramente tirava férias do exército; ela queria que ele descansasse bem.Além disso, ela tinha a senha do apartamento dele, então podia entrar direto — só não esperava testemunhar uma cena que fez seu sangue gelar.Sílvio pegou as chaves do carro, sua voz levemente rouca pela gripe: "Está frio lá fora, vou te levar de volta."Ao ver Sílvio descer, a mulher, antes arrogante, mudou completamente de atitude."É verdade, esfriou bastante hoje, Clarinda, deixa seu tio te levar!"Clarinda rapidamente recusou, dizendo que tinha compromissos na universidade e precisava ir.Antes de sair, ainda ouviu a mulher dizer de forma carinhosa para Sílvio:"Ela é mesmo sua sobrinha? Que menina linda e delicada. Até achei que fosse alguma amante sua."Sílvio soltou uma risada baixa e abafada do peito.Tão agradável que fazia cócegas nos ouvidos."Meu amorzinho, não é você?"……Clarinda sentiu uma dor lancinante no coração.Aos sete anos, Norah levou-a consigo quando se casou com o segundo maior clã de Cidade dos Gansos — a Família Braga.O filho mais velho da Família Braga, Zaqueu Braga, também estava em seu segundo casamento, tendo tido uma filha, Vitória Braga, de sua união anterior.Toda a família tratava Vitória como se fosse uma joia preciosa, enquanto ninguém jamais olhou para Clarinda com respeito.Para Norah e Clarinda, que haviam ascendido socialmente, essa situação era previsível; deveriam estar satisfeitas.Mas as pessoas sempre são interesseiras. Como Clarinda não era querida, as babás e empregadas também não a tratavam bem, aproveitando-se de sua pouca idade para a maltratar de várias maneiras.Até que Sílvio entrou em sua vida.Flagrou um episódio de abuso injustificado.Demitiu a babá imediatamente e levou Clarinda para sua própria casa.Naqueles anos, Sílvio construiu para ela um mundo de conto de fadas, como se fosse um castelo de princesa.Até que, em seu aniversário de dezoito anos, no exato momento em que Sílvio lhe entregou um bolo e lhe desejou felicidades pela maioridade, ela percebeu, de repente, que estava apaixonada por Sílvio!O mundo inteiro tornou-se um campo de espinhos.Ao sair do apartamento, Clarinda foi direto para o laboratório da faculdade, mas não conseguia tirar da cabeça aquelas duas pernas alvas e a voz grave de Sílvio.Desconcertada, cometeu o mesmo erro em uma série de dados quatro ou cinco vezes, sendo severamente repreendida pelo orientador, conhecido por seu temperamento explosivo.Irmão Hélder, ao perceber seu semblante abatido, sugeriu que ela fosse descansar mais cedo.Clarinda esfregou os olhos avermelhados e, sem insistir, pediu licença e foi embora.Já era tarde, ela não queria voltar para casa, tampouco para o dormitório.O Bar da Baleia estava repleto de luzes vermelhas e verdes, música alta e dança frenética.Sentada no balcão, Clarinda pediu o coquetel mais forte do cardápio.Depois de anos sendo obediente e reprimida, queria se permitir um momento de libertação.Estava prestes a virar o copo de bebida forte, quando alguém de repente lhe tocou o ombro."Bebendo sozinha escondida no bar? Clarinda, está tentando afogar as mágoas?"Clarinda virou-se e viu justamente o sorriso sarcástico de Vitória."Pelo visto, você já deve saber que o tio está sendo pressionado a noivar, não?"Desde pequenas, Vitória e ela eram como água e óleo; Vitória sabia exatamente onde estavam as fraquezas de Clarinda e como machucá-la."Noivar?"Clarinda ergueu a cabeça de repente, surpresa nos olhos."O tio já tem trinta anos, vovô e vovó querem muito que ele se case e tenha filhos. O noivado deve sair até o fim do ano, não? Logo logo, teremos uma nova tia!"Aquela dor familiar voltou a latejar!Hoje mesmo ela soubera que Sílvio tinha uma mulher; tão rápido teria que aceitar a notícia do noivado?"Parece que você não ficou muito feliz, hein? Será que você ainda gosta do tio…""Não!" Clarinda negou imediatamente.Vitória agarrou seu braço: "Se não gosta, então ótimo. Vamos subir pra curtir um pouco!"Clarinda hesitou, mas Vitória não a deixou escapar, empurrando-a diretamente para uma sala reservada.Assim que a porta se abriu—"Não estou vendo errado, né? Até a Clarinda apareceu?""Faz dois anos que não vejo ela, achei que nem estava mais em Cidade dos Gansos!""Você não sabe de nada, depois do escândalo que ela aprontou, foi logo…"A sala estava cheia de jovens da segunda geração de Cidade dos Gansos.Todas aquelas conversas chegaram aos ouvidos de Clarinda, que, inconscientemente, apertou a palma da mão. Tentou sair, mas Vitória bloqueou a porta, deixando-a exposta ao olhar de todos.A Srta. Cardoso, amiga próxima de Vitória, foi a primeira a se manifestar, zombando em voz alta:"Olha só, Clarinda, teve coragem de voltar? Depois do que fez com seu tio…""Cale a boca."Uma voz fria e límpida soou de repente, como um pedaço de gelo jogado em água fervente.Clarinda ergueu os olhos.No centro da sala, um homem de traços marcantes abaixava o olhar, com a ponta dos dedos tocando um vinho tinto.A forte sensação de distanciamento fazia dele como uma fumaça solitária em pleno inverno, pairando sob o sol gelado, isolado do mundo.O coração de Clarinda deu um salto. Seu olhar encontrou o do homem.Era Carlos Reis.Seu… nominalmente…Carlos era, entre a segunda geração dos círculos de Cidade dos Gansos, reconhecido como aquele com a melhor origem familiar e as habilidades pessoais mais notáveis.Em casa, o Velho Senhor era um Comandante aposentado, o pai era o chefe da região de defesa e a mãe, por sua vez, era a única filha adorada daquela geração da Família Braga.Só por esses títulos, já era o suficiente para que ele andasse de cabeça erguida por toda Cidade dos Gansos.No entanto, ele não seguiu o caminho militar ou político conforme o planejado por sua família. No terceiro ano da faculdade, ele começou a empreender e fundou sozinho o Grupo Odemar, que hoje já era o maior grupo nacional de eletrônicos, especialmente em chips."O que está esperando aí parada?"Carlos ergueu os olhos e olhou para a garota confusa na porta, dizendo em tom grave: "Venha, sente-se."Clarinda estava prestes a se sentar no canto mais afastado.O homem imediatamente acrescentou:"Sente-se ao meu lado."Só então Clarinda, de maneira hesitante, foi se sentar ao lado dele.Para ser sincera,Ela sempre teve um certo receio dele.Na época em que Sílvio passou a cuidar dela, Carlos frequentemente ia à casa deles como visitante.Ele era o único sobrinho de sangue de Sílvio, três anos mais velho que Clarinda. Em teoria, os dois deveriam se dar bem, mas ele sempre mantinha uma expressão fria e distante, silencioso e pouco comunicativo.Clarinda sentia que aquele olhar era como se alguém lhe devesse milhões, por isso não gostava muito de brincar com ele.Além do mais, toda vez que Carlos vinha, trazia um tabuleiro de xadrez e pedia expressamente que Clarinda jogasse com ele.Clarinda não entendia nada de xadrez.Sempre acabava sendo derrotada de todas as formas possíveis no tabuleiro.Ela já tinha tentado treinar em segredo, querendo reverter a situação, mas, por mais que se esforçasse, sempre acabava sendo derrotada por Carlos. Lembra que uma vez, ela chegou até a chorar por causa disso.Sílvio, ao chegar do trabalho, achou que tinha acontecido algo grave.Carlos, impassível, recolheu cada peça do tabuleiro."Tonhão, ela não caiu nem se machucou. Só não conseguiu ganhar de mim — chorou porque perdeu mesmo.""Você... você..."Não bastava derrotar uma criança; ainda zombava dela!Clarinda ficou ainda mais magoada, não ousou desafiar o "rosto de gelo" e só conseguiu soltar um soluço, chorando ainda mais alto!Desde então, sempre que Carlos aparecia, ela se escondia como podia.Esse hábito persistiu até que todos cresceram.Álvaro Pires, ao lado, aproximou-se com interesse: "Clarinda, você está cada vez mais bonita, hein. Aliás, acho que ainda não trocamos contato, né? Vamos, me passa o seu?"Carlos lançou-lhe um olhar frio: "Ela é minha irmã. Tenta qualquer coisa para ver o que acontece.""Tô brincando! Sua irmã de sangue já foi estudar fora! Quitéria é o quê, irmã de consideração? Ou será... irmã por afinidade?"Irmã por afinidade...Clarinda tremeu ao ouvir aquela expressão, sentindo-se um pouco enjoada.Álvaro semicerrava os olhos, "Mas falando sério, Quitéria, você mudou muito nos últimos anos, está cada vez mais boni..."O olhar de Carlos ficou sombrio e Vitória se levantou, bloqueando o campo de visão do outro.Ele falou friamente: "Você já passou por muitas, não faltaram meninas bonitas na sua vida, né? Não venha com essas cantadas de sempre."Álvaro ergueu as mãos em protesto: "Clarinda, acredita em mim, não no Carlos. Eu não sou esse tipo de cara, só quero te conhecer, de verdade—"Ele tentou se aproximar de novo, mas foi impedido por um par de longas pernas à sua frente.Carlos se irritou de verdade: "O canalha nunca admite que é canalha."Álvaro: "?"Clarinda quase riu, sentindo que o peso em seu peito se dissipou um pouco.Álvaro percebeu que Carlos exalava uma frieza de cima a baixo.Ficou surpreso por dentro.Carlos estava mesmo tão protetor assim?Nem com Vitória ele era desse jeito.De repente, Álvaro se lembrou de que, alguns anos atrás, tinha visto uma foto de uma garota na carteira de Carlos. Na época, não sabia quem era, mas agora, pensando bem...

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