Capítulo 1No clube mais sofisticado da Cidade Capital, o ar estava impregnado com o aroma do dinheiro — ali era conhecido como o verdadeiro antro das extravagâncias.Naquele momento, uma mão delicada e alva repousava sobre a maçaneta da porta, prestes a entrar, quando de repente uma voz familiar ecoou do interior.— Você está falando da Melina Barbosa? Já cansei dela faz tempo — disse Mateus Domingos, acendendo um cigarro e soltando a fumaça devagar, com uma leveza debochada na voz.Os outros presentes no camarote logo começaram a zombar:— Também, né? Até a mulher mais linda do mundo enjoa uma hora.— Mas, Mateus, você realmente vai deixar pra lá? Foram três anos, você correu atrás dela tanto tempo.— É verdade, e a Melina Barbosa é lindíssima, tem um corpo melhor que muita celebridade.— Por que eu não deixaria? Mulher tem que ser delicada, como a Manuela. Ela é tão doce, me deixa completamente entregue ao seu carinho. Esses anos de idas e vindas com a Melina Barbosa já perderam a graça — Mateus Domingos soltou uma risada sarcástica, seus olhos encantadores brilhando, avermelhados pelo álcool, um pouco desolados.— Rapaz, então já está com a Manuela Barbosa? Mas ela não é meia-irmã da Melina? Você está pegando as duas?— Hahaha, a Manuela é um encanto, tão inocente e meiga, quando me chama de irmão, fico derretido — disse Mateus Domingos, apertando os lábios, claramente satisfeito.— Não é à toa que te chamam de Sr. Mateus, exemplo pra todos nós. Afinal, mulher é tudo igual, não?— Mas ela, afinal, é......Risadas e brincadeiras enchiam o camarote, enquanto Melina Barbosa permanecia parada à porta, sua mão apertando com força a maçaneta, ouvindo cada palavra que vinha de dentro.As palavras de Mateus Domingos soaram como lâminas geladas, cravando-se fundo no coração de Melina Barbosa.Nem coelho come a grama ao redor do próprio ninho, não é? Quem diria que Mateus Domingos já estava envolvido com Manuela Barbosa.Ela respirou fundo, depois empurrou a porta sem hesitação.O ambiente antes animado silenciou imediatamente.Os presentes trocaram olhares, incertos se Melina Barbosa teria escutado tudo.Felipe Martins, sempre perspicaz e irmão de Mateus Domingos, tentou aliviar a tensão ao vê-la:— Melina, que bom que chegou. Senta aqui, toma uma taça conosco.Sem lhe dar atenção, Melina Barbosa caminhou até Mateus Domingos e disse friamente:— Mateus Domingos, acabou. Vamos terminar.Em seguida, pegou uma taça de vinho tinto da mesa e despejou no rosto de Mateus Domingos, virando-se para ir embora.Com o rosto molhado, Mateus Domingos ficou furioso e resmungou:— Melina Barbosa, se você sair por essa porta hoje, entre nós não vai restar mais nada.Ele falava com plena confiança — afinal, durante todo o relacionamento, sempre tivera o controle.Nesses três anos, saiu com celebridades, universitárias e até funcionárias de sua empresa, e Melina Barbosa sempre fingiu não ver.Entre idas e vindas, era sempre Melina Barbosa quem cedia primeiro.Por isso, Mateus Domingos tinha certeza de que ela só falava da boca pra fora.Quando Melina Barbosa hesitou por um instante, Mateus Domingos pensou que ela recuaria, sentindo-se vitorioso.Mas, sem vacilar, Melina Barbosa saiu do camarote.O rosto de Mateus Domingos congelou.Um dos amigos sugeriu, preocupado:— Mateus, acho que dessa vez a Melina Barbosa ficou realmente brava. Vai atrás dela.— Hmpf! Ir atrás? Vocês estão enganados. Daqui a duas horas ela volta toda boazinha, como sempre. Preciso nem me mexer — disse, como se Melina Barbosa fosse apenas um animal de estimação seu.Os amigos não insistiram — realmente, nas separações anteriores, Melina Barbosa sempre voltava em menos de uma hora.Acreditavam que agora não seria diferente.Ao sair do camarote, Melina Barbosa trombou de frente com alguém.O aroma intenso e masculino preencheu seus sentidos, e ela sentiu um calor súbito.O homem à sua frente vestia uma camisa preta com o primeiro botão aberto, revelando uma clavícula marcante e sensual. A calça social preta realçava suas linhas elegantes, emanando um ar de sofisticação e maturidade.A luz suave da luminária desenhava as feições profundas do homem. Ele mantinha um semblante indiferente, frio e distante, exalando uma aura de autodomínio irresistível.O homem franziu levemente as sobrancelhas, prestes a se retirar.De repente, os dedos finos e alvos de Melina Barbosa agarraram com força a manga da camisa dele, como se estivesse segurando sua última esperança.O coração de Melina Barbosa batia acelerado; o aroma singular do homem a deixava atordoada.Ao se lembrar do que acabara de acontecer no camarote, entregou-se ao pensamento: se Mateus Domingos pôde, por que ela não poderia?— Solte! — O corpo do homem emanava uma frieza que parecia atravessar séculos.— Não solto! — A voz dela soou doce, quase como um sussurro de um gato manhoso, provocando um leve arrepio.Ele baixou os olhos para Melina Barbosa, os lábios esboçando um sorriso sutil.— Não solta? Você tem ideia do que pode acontecer agora? — O tom dele carregava um misto de perigo e sedução.— Tem interesse em casar comigo? — Os olhos de Melina Barbosa estavam levemente avermelhados; reuniu toda a coragem para falar.Na verdade, Melina Barbosa sentia-se um pouco insana.Mas ela só queria encontrar alguém para se casar. Não era um impulso irracional, era uma decisão séria.Sua avó já estava idosa e sonhava em vê-la casada. Antes, ela quase noivou com Mateus Domingos, mas do jeito que as coisas estavam, entre eles não havia mais volta.Melina Barbosa não queria preocupar a avó. Menos ainda desejava ter a chance de olhar para trás.Qualquer homem seria melhor do que aquele canalha do Mateus Domingos.O homem à sua frente não usava aliança; provavelmente era solteiro.Valia a pena tentar, não valia?Além disso, aquele perfume limpo e agradável não a desagradava.Naquele instante, Melina Barbosa estava absolutamente lúcida.A voz dele soou fria; no segundo seguinte, seus dedos seguraram suavemente o queixo dela, levantando-o levemente. Ela viu, de perto, um rosto delicado e fora do comum, olhos límpidos e brilhantes, uma mistura de doçura e sedução, difícil de resistir. Era o tipo de beleza que quase incitava ao pecado.Era ela!— Tem certeza? Sabe quem eu sou? — A voz do homem era grave, envolvente, com uma estranha força magnética.Ao ouvir isso, Melina Barbosa ergueu a cabeça num sobressalto.Gustavo Ferreira!Como podia ser Gustavo Ferreira?Quem era Gustavo Ferreira?Ele era nada menos que o famoso herdeiro de Cidade Capital, sempre envolto em mistério. Aos quinze anos, já dominava o mercado financeiro; um simples gesto seu fazia toda Cidade Capital tremer.Gustavo Ferreira era notoriamente belo. Ninguém sabia quantas jovens da alta sociedade sonhavam em se casar com ele. Talentoso, implacável, quem ousava desafiá-lo raramente saía ileso.Em resumo, não era alguém com quem se deveria brincar.Melina Barbosa olhou para o rosto inexpressivo do homem, os longos cílios tremendo levemente. Sentiu um impulso de fugir dali.Na verdade, já tinha visto Gustavo Ferreira duas vezes.Uma vez, enquanto negociava, foi humilhada e ele interveio para ajudá-la.Depois, numa festa à qual Mateus Domingos a levou, Melina Barbosa soube que o homem que a socorrera fora Gustavo Ferreira. A presença dele era sombria, quase gelada.Qualquer pessoa sensata evitaria provocá-lo.Melina Barbosa sentiu um calafrio percorrer as costas, começando a se arrepender.Será que ele a reconhecera?Mas, ao lembrar de tudo que Mateus Domingos lhe fizera, Melina Barbosa endireitou as costas e respondeu com firmeza:— Tenho certeza!Ainda que estivesse entrando numa toca de lobos, não tinha mais medo.Ela só queria que Mateus Domingos visse que não precisava dele para ser feliz.Temendo que ele duvidasse, Melina Barbosa lançou-lhe um olhar rápido e, reunindo coragem, continuou:— Estou falando sério, não é brincadeira.— Por quê? Você não tem namorado? Ou está me usando como estepe? — Ele se recordava de tê-la visto acompanhada de um homem na festa.Ao ouvir aquilo, Melina Barbosa arregalou os olhos, surpresa, e logo tratou de se explicar, nervosa.— Não, não é isso, nunca pensei dessa forma. É verdade que meu relacionamento com Mateus Domingos está com problemas. Minha avó já está idosa e sempre sonhou em me ver casada logo, então pensei em encontrar alguém para me casar.Arranjar Gustavo Ferreira como estepe?Nem louca.Gustavo Ferreira permaneceu com uma expressão serena, impossível decifrar o que sentia.— Você tem coragem de deixar aquele homem?— Um homem viciado em traição, o que tem de especial para que eu sinta falta? — Os olhos de Melina Barbosa revelaram um toque de desprezo.Ainda há pouco, no salão, depois de levar aquela bronca, ela finalmente havia recobrado a razão.Depois de ouvir as palavras de Mateus Domingos, ela desistira de vez.Gustavo Ferreira arqueou levemente as sobrancelhas, um brilho intenso circulando discretamente no fundo dos olhos.Com os olhos semicerrados e o queixo erguido, ele falou com voz rouca e contida:— Tem certeza do que está fazendo?Os olhos de Melina Barbosa se encheram de umidade, mas sua voz era firme:— Tenho certeza. Quero me livrar desse lixo.De repente, Gustavo Ferreira puxou Melina Barbosa para seus braços. Ele se inclinou até o ouvido dela, seu hálito quente tocando a pele sensível, e sussurrou:— Foi você quem me provocou primeiro. Não venha se arrepender depois.O rosto de Melina Barbosa ficou rubro, o coração disparado. Por um momento, ela manteve os cílios trêmulos, levantou os olhos para encarar o homem e respondeu:— Não vou me arrepender.Toda a sua razão já havia desaparecido.— Ótimo. Amanhã vamos registrar o casamento. — Gustavo Ferreira não lhe deu chance de desistir.Melina Barbosa ficou atônita:— Tão rápido assim?— Por quê? Tem algum problema?— Nenhum. Pode me levar para casa? — Ela precisava pegar seus documentos.Logo Gustavo Ferreira deixou Melina Barbosa em casa.Atualmente, Melina morava com a avó.Depois que seu pai, Roberto Barbosa, abandonou ela e a mãe para ficar com a amante, Simone Oliva, a vida mudara drasticamente.A filha de Simone Oliva inclusive havia adotado o sobrenome Barbosa, tornando-se Manuela Barbosa.A mãe de Melina, Flávia Rocha, ficou profundamente abalada e acabou, em um momento de desorientação, sofrendo um acidente de carro que tirou sua vida.Essa era a maior dor de Melina Barbosa; cada lembrança era como uma faca cravada no peito.Por isso, ela odiava Roberto Barbosa. Foi por culpa dele que sua mãe morreu.Melina sabia que jamais o perdoaria.Manuela Barbosa era três anos mais nova que Melina, recém-formada na universidade, e, coincidentemente, também trabalhava na empresa F&W de Mateus Domingos.Recentemente, durante a festa anual da empresa, Manuela Barbosa fez uma apresentação solo que impressionou a todos. Provavelmente foi ali que Mateus Domingos e Manuela começaram a se envolver.A F&W era uma joalheria que, nos últimos anos, vinha ganhando muito destaque no mercado, tornando-se uma estrela em ascensão no setor.Talvez tenha sido por isso que Manuela Barbosa foi trabalhar lá.Embora Melina também trabalhasse na F&W, sua função era totalmente voltada ao design.Ela quase não encontrava Mateus Domingos no dia a dia e, menos ainda, se envolvia em decisões de contratação.Por isso, só soube da entrada de Manuela Barbosa na empresa no dia da festa.No entanto, Melina não comentou nada. Afinal, ela já havia deixado claro que não fazia mais parte da família Barbosa.Só não imaginava que Mateus Domingos seria capaz de se envolver com alguém tão próximo.Para conquistar a aprovação da família Domingos, Melina sempre se esforçou muito mais do que qualquer um, mas no fim, tudo foi em vão.Ela sempre teve talento para o design; chegou a conquistar uma medalha de ouro em um concurso nacional de joias.Junto de Mateus Domingos, fundaram a F&W.O nome da empresa fora escolhido com carinho pelos dois. Agora, pensando nisso, tudo parecia uma grande ironia.— Chegamos. Já está tarde, não vou incomodar sua avó. Em outra ocasião, faço questão de visitá-la — disse Gustavo Ferreira, com sua voz grave e envolvente.Melina despertou do devaneio, assentiu rapidamente:— Está bem.— Descanse cedo. Amanhã cedo mando alguém te buscar para irmos ao cartório — continuou Gustavo Ferreira.— Está certo — respondeu Melina, docemente.Só quando viu o carro de luxo de Gustavo Ferreira sumir na rua, Melina entrou em casa, ainda sentindo como se tudo aquilo fosse um sonho.Ela entrou de mansinho; a avó já dormia.Ao checar o celular, viu várias chamadas não atendidas.Algumas de Mateus Domingos, outras de sua melhor amiga, Sofia Palmeira.Elas haviam sido colegas de faculdade, dividiram quarto e se tornaram confidentes inseparáveis.Sofia Palmeira era quem melhor conhecia Melina Barbosa.Atualmente, Sofia era gerente de vendas em uma empresa, conhecida por seu espírito incansável.Capítulo 2No clube mais sofisticado da Cidade Capital, o ar estava impregnado com o aroma do dinheiro — ali era conhecido como o verdadeiro antro das extravagâncias.Naquele momento, uma mão delicada e alva repousava sobre a maçaneta da porta, prestes a entrar, quando de repente uma voz familiar ecoou do interior.— Você está falando da Melina Barbosa? Já cansei dela faz tempo — disse Mateus Domingos, acendendo um cigarro e soltando a fumaça devagar, com uma leveza debochada na voz.Os outros presentes no camarote logo começaram a zombar:— Também, né? Até a mulher mais linda do mundo enjoa uma hora.— Mas, Mateus, você realmente vai deixar pra lá? Foram três anos, você correu atrás dela tanto tempo.— É verdade, e a Melina Barbosa é lindíssima, tem um corpo melhor que muita celebridade.— Por que eu não deixaria? Mulher tem que ser delicada, como a Manuela. Ela é tão doce, me deixa completamente entregue ao seu carinho. Esses anos de idas e vindas com a Melina Barbosa já perderam a graça — Mateus Domingos soltou uma risada sarcástica, seus olhos encantadores brilhando, avermelhados pelo álcool, um pouco desolados.— Rapaz, então já está com a Manuela Barbosa? Mas ela não é meia-irmã da Melina? Você está pegando as duas?— Hahaha, a Manuela é um encanto, tão inocente e meiga, quando me chama de irmão, fico derretido — disse Mateus Domingos, apertando os lábios, claramente satisfeito.— Não é à toa que te chamam de Sr. Mateus, exemplo pra todos nós. Afinal, mulher é tudo igual, não?— Mas ela, afinal, é......Risadas e brincadeiras enchiam o camarote, enquanto Melina Barbosa permanecia parada à porta, sua mão apertando com força a maçaneta, ouvindo cada palavra que vinha de dentro.As palavras de Mateus Domingos soaram como lâminas geladas, cravando-se fundo no coração de Melina Barbosa.Nem coelho come a grama ao redor do próprio ninho, não é? Quem diria que Mateus Domingos já estava envolvido com Manuela Barbosa.Ela respirou fundo, depois empurrou a porta sem hesitação.O ambiente antes animado silenciou imediatamente.Os presentes trocaram olhares, incertos se Melina Barbosa teria escutado tudo.Felipe Martins, sempre perspicaz e irmão de Mateus Domingos, tentou aliviar a tensão ao vê-la:— Melina, que bom que chegou. Senta aqui, toma uma taça conosco.Sem lhe dar atenção, Melina Barbosa caminhou até Mateus Domingos e disse friamente:— Mateus Domingos, acabou. Vamos terminar.Em seguida, pegou uma taça de vinho tinto da mesa e despejou no rosto de Mateus Domingos, virando-se para ir embora.Com o rosto molhado, Mateus Domingos ficou furioso e resmungou:— Melina Barbosa, se você sair por essa porta hoje, entre nós não vai restar mais nada.Ele falava com plena confiança — afinal, durante todo o relacionamento, sempre tivera o controle.Nesses três anos, saiu com celebridades, universitárias e até funcionárias de sua empresa, e Melina Barbosa sempre fingiu não ver.Entre idas e vindas, era sempre Melina Barbosa quem cedia primeiro.Por isso, Mateus Domingos tinha certeza de que ela só falava da boca pra fora.Quando Melina Barbosa hesitou por um instante, Mateus Domingos pensou que ela recuaria, sentindo-se vitorioso.Mas, sem vacilar, Melina Barbosa saiu do camarote.O rosto de Mateus Domingos congelou.Um dos amigos sugeriu, preocupado:— Mateus, acho que dessa vez a Melina Barbosa ficou realmente brava. Vai atrás dela.— Hmpf! Ir atrás? Vocês estão enganados. Daqui a duas horas ela volta toda boazinha, como sempre. Preciso nem me mexer — disse, como se Melina Barbosa fosse apenas um animal de estimação seu.Os amigos não insistiram — realmente, nas separações anteriores, Melina Barbosa sempre voltava em menos de uma hora.Acreditavam que agora não seria diferente.Ao sair do camarote, Melina Barbosa trombou de frente com alguém.O aroma intenso e masculino preencheu seus sentidos, e ela sentiu um calor súbito.O homem à sua frente vestia uma camisa preta com o primeiro botão aberto, revelando uma clavícula marcante e sensual. A calça social preta realçava suas linhas elegantes, emanando um ar de sofisticação e maturidade.A luz suave da luminária desenhava as feições profundas do homem. Ele mantinha um semblante indiferente, frio e distante, exalando uma aura de autodomínio irresistível.O homem franziu levemente as sobrancelhas, prestes a se retirar.De repente, os dedos finos e alvos de Melina Barbosa agarraram com força a manga da camisa dele, como se estivesse segurando sua última esperança.O coração de Melina Barbosa batia acelerado; o aroma singular do homem a deixava atordoada.Ao se lembrar do que acabara de acontecer no camarote, entregou-se ao pensamento: se Mateus Domingos pôde, por que ela não poderia?— Solte! — O corpo do homem emanava uma frieza que parecia atravessar séculos.— Não solto! — A voz dela soou doce, quase como um sussurro de um gato manhoso, provocando um leve arrepio.Ele baixou os olhos para Melina Barbosa, os lábios esboçando um sorriso sutil.— Não solta? Você tem ideia do que pode acontecer agora? — O tom dele carregava um misto de perigo e sedução.— Tem interesse em casar comigo? — Os olhos de Melina Barbosa estavam levemente avermelhados; reuniu toda a coragem para falar.Na verdade, Melina Barbosa sentia-se um pouco insana.Mas ela só queria encontrar alguém para se casar. Não era um impulso irracional, era uma decisão séria.Sua avó já estava idosa e sonhava em vê-la casada. Antes, ela quase noivou com Mateus Domingos, mas do jeito que as coisas estavam, entre eles não havia mais volta.Melina Barbosa não queria preocupar a avó. Menos ainda desejava ter a chance de olhar para trás.Qualquer homem seria melhor do que aquele canalha do Mateus Domingos.O homem à sua frente não usava aliança; provavelmente era solteiro.Valia a pena tentar, não valia?Além disso, aquele perfume limpo e agradável não a desagradava.Naquele instante, Melina Barbosa estava absolutamente lúcida.A voz dele soou fria; no segundo seguinte, seus dedos seguraram suavemente o queixo dela, levantando-o levemente. Ela viu, de perto, um rosto delicado e fora do comum, olhos límpidos e brilhantes, uma mistura de doçura e sedução, difícil de resistir. Era o tipo de beleza que quase incitava ao pecado.Era ela!— Tem certeza? Sabe quem eu sou? — A voz do homem era grave, envolvente, com uma estranha força magnética.Ao ouvir isso, Melina Barbosa ergueu a cabeça num sobressalto.Gustavo Ferreira!Como podia ser Gustavo Ferreira?Quem era Gustavo Ferreira?Ele era nada menos que o famoso herdeiro de Cidade Capital, sempre envolto em mistério. Aos quinze anos, já dominava o mercado financeiro; um simples gesto seu fazia toda Cidade Capital tremer.Gustavo Ferreira era notoriamente belo. Ninguém sabia quantas jovens da alta sociedade sonhavam em se casar com ele. Talentoso, implacável, quem ousava desafiá-lo raramente saía ileso.Em resumo, não era alguém com quem se deveria brincar.Melina Barbosa olhou para o rosto inexpressivo do homem, os longos cílios tremendo levemente. Sentiu um impulso de fugir dali.Na verdade, já tinha visto Gustavo Ferreira duas vezes.Uma vez, enquanto negociava, foi humilhada e ele interveio para ajudá-la.Depois, numa festa à qual Mateus Domingos a levou, Melina Barbosa soube que o homem que a socorrera fora Gustavo Ferreira. A presença dele era sombria, quase gelada.Qualquer pessoa sensata evitaria provocá-lo.Melina Barbosa sentiu um calafrio percorrer as costas, começando a se arrepender.Será que ele a reconhecera?Mas, ao lembrar de tudo que Mateus Domingos lhe fizera, Melina Barbosa endireitou as costas e respondeu com firmeza:— Tenho certeza!Ainda que estivesse entrando numa toca de lobos, não tinha mais medo.Ela só queria que Mateus Domingos visse que não precisava dele para ser feliz.Temendo que ele duvidasse, Melina Barbosa lançou-lhe um olhar rápido e, reunindo coragem, continuou:— Estou falando sério, não é brincadeira.— Por quê? Você não tem namorado? Ou está me usando como estepe? — Ele se recordava de tê-la visto acompanhada de um homem na festa.Ao ouvir aquilo, Melina Barbosa arregalou os olhos, surpresa, e logo tratou de se explicar, nervosa.— Não, não é isso, nunca pensei dessa forma. É verdade que meu relacionamento com Mateus Domingos está com problemas. Minha avó já está idosa e sempre sonhou em me ver casada logo, então pensei em encontrar alguém para me casar.Arranjar Gustavo Ferreira como estepe?Nem louca.Gustavo Ferreira permaneceu com uma expressão serena, impossível decifrar o que sentia.— Você tem coragem de deixar aquele homem?— Um homem viciado em traição, o que tem de especial para que eu sinta falta? — Os olhos de Melina Barbosa revelaram um toque de desprezo.Ainda há pouco, no salão, depois de levar aquela bronca, ela finalmente havia recobrado a razão.Depois de ouvir as palavras de Mateus Domingos, ela desistira de vez.Gustavo Ferreira arqueou levemente as sobrancelhas, um brilho intenso circulando discretamente no fundo dos olhos.Com os olhos semicerrados e o queixo erguido, ele falou com voz rouca e contida:— Tem certeza do que está fazendo?Os olhos de Melina Barbosa se encheram de umidade, mas sua voz era firme:— Tenho certeza. Quero me livrar desse lixo.De repente, Gustavo Ferreira puxou Melina Barbosa para seus braços. Ele se inclinou até o ouvido dela, seu hálito quente tocando a pele sensível, e sussurrou:— Foi você quem me provocou primeiro. Não venha se arrepender depois.O rosto de Melina Barbosa ficou rubro, o coração disparado. Por um momento, ela manteve os cílios trêmulos, levantou os olhos para encarar o homem e respondeu:— Não vou me arrepender.Toda a sua razão já havia desaparecido.— Ótimo. Amanhã vamos registrar o casamento. — Gustavo Ferreira não lhe deu chance de desistir.Melina Barbosa ficou atônita:— Tão rápido assim?— Por quê? Tem algum problema?— Nenhum. Pode me levar para casa? — Ela precisava pegar seus documentos.Logo Gustavo Ferreira deixou Melina Barbosa em casa.Atualmente, Melina morava com a avó.Depois que seu pai, Roberto Barbosa, abandonou ela e a mãe para ficar com a amante, Simone Oliva, a vida mudara drasticamente.A filha de Simone Oliva inclusive havia adotado o sobrenome Barbosa, tornando-se Manuela Barbosa.A mãe de Melina, Flávia Rocha, ficou profundamente abalada e acabou, em um momento de desorientação, sofrendo um acidente de carro que tirou sua vida.Essa era a maior dor de Melina Barbosa; cada lembrança era como uma faca cravada no peito.Por isso, ela odiava Roberto Barbosa. Foi por culpa dele que sua mãe morreu.Melina sabia que jamais o perdoaria.Manuela Barbosa era três anos mais nova que Melina, recém-formada na universidade, e, coincidentemente, também trabalhava na empresa F&W de Mateus Domingos.Recentemente, durante a festa anual da empresa, Manuela Barbosa fez uma apresentação solo que impressionou a todos. Provavelmente foi ali que Mateus Domingos e Manuela começaram a se envolver.A F&W era uma joalheria que, nos últimos anos, vinha ganhando muito destaque no mercado, tornando-se uma estrela em ascensão no setor.Talvez tenha sido por isso que Manuela Barbosa foi trabalhar lá.Embora Melina também trabalhasse na F&W, sua função era totalmente voltada ao design.Ela quase não encontrava Mateus Domingos no dia a dia e, menos ainda, se envolvia em decisões de contratação.Por isso, só soube da entrada de Manuela Barbosa na empresa no dia da festa.No entanto, Melina não comentou nada. Afinal, ela já havia deixado claro que não fazia mais parte da família Barbosa.Só não imaginava que Mateus Domingos seria capaz de se envolver com alguém tão próximo.Para conquistar a aprovação da família Domingos, Melina sempre se esforçou muito mais do que qualquer um, mas no fim, tudo foi em vão.Ela sempre teve talento para o design; chegou a conquistar uma medalha de ouro em um concurso nacional de joias.Junto de Mateus Domingos, fundaram a F&W.O nome da empresa fora escolhido com carinho pelos dois. Agora, pensando nisso, tudo parecia uma grande ironia.— Chegamos. Já está tarde, não vou incomodar sua avó. Em outra ocasião, faço questão de visitá-la — disse Gustavo Ferreira, com sua voz grave e envolvente.Melina despertou do devaneio, assentiu rapidamente:— Está bem.— Descanse cedo. Amanhã cedo mando alguém te buscar para irmos ao cartório — continuou Gustavo Ferreira.— Está certo — respondeu Melina, docemente.Só quando viu o carro de luxo de Gustavo Ferreira sumir na rua, Melina entrou em casa, ainda sentindo como se tudo aquilo fosse um sonho.Ela entrou de mansinho; a avó já dormia.Ao checar o celular, viu várias chamadas não atendidas.Algumas de Mateus Domingos, outras de sua melhor amiga, Sofia Palmeira.Elas haviam sido colegas de faculdade, dividiram quarto e se tornaram confidentes inseparáveis.Sofia Palmeira era quem melhor conhecia Melina Barbosa.Atualmente, Sofia era gerente de vendas em uma empresa, conhecida por seu espírito incansável.Capítulo 3No clube mais sofisticado da Cidade Capital, o ar estava impregnado com o aroma do dinheiro — ali era conhecido como o verdadeiro antro das extravagâncias.Naquele momento, uma mão delicada e alva repousava sobre a maçaneta da porta, prestes a entrar, quando de repente uma voz familiar ecoou do interior.— Você está falando da Melina Barbosa? Já cansei dela faz tempo — disse Mateus Domingos, acendendo um cigarro e soltando a fumaça devagar, com uma leveza debochada na voz.Os outros presentes no camarote logo começaram a zombar:— Também, né? Até a mulher mais linda do mundo enjoa uma hora.— Mas, Mateus, você realmente vai deixar pra lá? Foram três anos, você correu atrás dela tanto tempo.— É verdade, e a Melina Barbosa é lindíssima, tem um corpo melhor que muita celebridade.— Por que eu não deixaria? Mulher tem que ser delicada, como a Manuela. Ela é tão doce, me deixa completamente entregue ao seu carinho. Esses anos de idas e vindas com a Melina Barbosa já perderam a graça — Mateus Domingos soltou uma risada sarcástica, seus olhos encantadores brilhando, avermelhados pelo álcool, um pouco desolados.— Rapaz, então já está com a Manuela Barbosa? Mas ela não é meia-irmã da Melina? Você está pegando as duas?— Hahaha, a Manuela é um encanto, tão inocente e meiga, quando me chama de irmão, fico derretido — disse Mateus Domingos, apertando os lábios, claramente satisfeito.— Não é à toa que te chamam de Sr. Mateus, exemplo pra todos nós. Afinal, mulher é tudo igual, não?— Mas ela, afinal, é......Risadas e brincadeiras enchiam o camarote, enquanto Melina Barbosa permanecia parada à porta, sua mão apertando com força a maçaneta, ouvindo cada palavra que vinha de dentro.As palavras de Mateus Domingos soaram como lâminas geladas, cravando-se fundo no coração de Melina Barbosa.Nem coelho come a grama ao redor do próprio ninho, não é? Quem diria que Mateus Domingos já estava envolvido com Manuela Barbosa.Ela respirou fundo, depois empurrou a porta sem hesitação.O ambiente antes animado silenciou imediatamente.Os presentes trocaram olhares, incertos se Melina Barbosa teria escutado tudo.Felipe Martins, sempre perspicaz e irmão de Mateus Domingos, tentou aliviar a tensão ao vê-la:— Melina, que bom que chegou. Senta aqui, toma uma taça conosco.Sem lhe dar atenção, Melina Barbosa caminhou até Mateus Domingos e disse friamente:— Mateus Domingos, acabou. Vamos terminar.Em seguida, pegou uma taça de vinho tinto da mesa e despejou no rosto de Mateus Domingos, virando-se para ir embora.Com o rosto molhado, Mateus Domingos ficou furioso e resmungou:— Melina Barbosa, se você sair por essa porta hoje, entre nós não vai restar mais nada.Ele falava com plena confiança — afinal, durante todo o relacionamento, sempre tivera o controle.Nesses três anos, saiu com celebridades, universitárias e até funcionárias de sua empresa, e Melina Barbosa sempre fingiu não ver.Entre idas e vindas, era sempre Melina Barbosa quem cedia primeiro.Por isso, Mateus Domingos tinha certeza de que ela só falava da boca pra fora.Quando Melina Barbosa hesitou por um instante, Mateus Domingos pensou que ela recuaria, sentindo-se vitorioso.Mas, sem vacilar, Melina Barbosa saiu do camarote.O rosto de Mateus Domingos congelou.Um dos amigos sugeriu, preocupado:— Mateus, acho que dessa vez a Melina Barbosa ficou realmente brava. Vai atrás dela.— Hmpf! Ir atrás? Vocês estão enganados. Daqui a duas horas ela volta toda boazinha, como sempre. Preciso nem me mexer — disse, como se Melina Barbosa fosse apenas um animal de estimação seu.Os amigos não insistiram — realmente, nas separações anteriores, Melina Barbosa sempre voltava em menos de uma hora.Acreditavam que agora não seria diferente.Ao sair do camarote, Melina Barbosa trombou de frente com alguém.O aroma intenso e masculino preencheu seus sentidos, e ela sentiu um calor súbito.O homem à sua frente vestia uma camisa preta com o primeiro botão aberto, revelando uma clavícula marcante e sensual. A calça social preta realçava suas linhas elegantes, emanando um ar de sofisticação e maturidade.A luz suave da luminária desenhava as feições profundas do homem. Ele mantinha um semblante indiferente, frio e distante, exalando uma aura de autodomínio irresistível.O homem franziu levemente as sobrancelhas, prestes a se retirar.De repente, os dedos finos e alvos de Melina Barbosa agarraram com força a manga da camisa dele, como se estivesse segurando sua última esperança.O coração de Melina Barbosa batia acelerado; o aroma singular do homem a deixava atordoada.Ao se lembrar do que acabara de acontecer no camarote, entregou-se ao pensamento: se Mateus Domingos pôde, por que ela não poderia?— Solte! — O corpo do homem emanava uma frieza que parecia atravessar séculos.— Não solto! — A voz dela soou doce, quase como um sussurro de um gato manhoso, provocando um leve arrepio.Ele baixou os olhos para Melina Barbosa, os lábios esboçando um sorriso sutil.— Não solta? Você tem ideia do que pode acontecer agora? — O tom dele carregava um misto de perigo e sedução.— Tem interesse em casar comigo? — Os olhos de Melina Barbosa estavam levemente avermelhados; reuniu toda a coragem para falar.Na verdade, Melina Barbosa sentia-se um pouco insana.Mas ela só queria encontrar alguém para se casar. Não era um impulso irracional, era uma decisão séria.Sua avó já estava idosa e sonhava em vê-la casada. Antes, ela quase noivou com Mateus Domingos, mas do jeito que as coisas estavam, entre eles não havia mais volta.Melina Barbosa não queria preocupar a avó. Menos ainda desejava ter a chance de olhar para trás.Qualquer homem seria melhor do que aquele canalha do Mateus Domingos.O homem à sua frente não usava aliança; provavelmente era solteiro.Valia a pena tentar, não valia?Além disso, aquele perfume limpo e agradável não a desagradava.Naquele instante, Melina Barbosa estava absolutamente lúcida.A voz dele soou fria; no segundo seguinte, seus dedos seguraram suavemente o queixo dela, levantando-o levemente. Ela viu, de perto, um rosto delicado e fora do comum, olhos límpidos e brilhantes, uma mistura de doçura e sedução, difícil de resistir. Era o tipo de beleza que quase incitava ao pecado.Era ela!— Tem certeza? Sabe quem eu sou? — A voz do homem era grave, envolvente, com uma estranha força magnética.Ao ouvir isso, Melina Barbosa ergueu a cabeça num sobressalto.Gustavo Ferreira!Como podia ser Gustavo Ferreira?Quem era Gustavo Ferreira?Ele era nada menos que o famoso herdeiro de Cidade Capital, sempre envolto em mistério. Aos quinze anos, já dominava o mercado financeiro; um simples gesto seu fazia toda Cidade Capital tremer.Gustavo Ferreira era notoriamente belo. Ninguém sabia quantas jovens da alta sociedade sonhavam em se casar com ele. Talentoso, implacável, quem ousava desafiá-lo raramente saía ileso.Em resumo, não era alguém com quem se deveria brincar.Melina Barbosa olhou para o rosto inexpressivo do homem, os longos cílios tremendo levemente. Sentiu um impulso de fugir dali.Na verdade, já tinha visto Gustavo Ferreira duas vezes.Uma vez, enquanto negociava, foi humilhada e ele interveio para ajudá-la.Depois, numa festa à qual Mateus Domingos a levou, Melina Barbosa soube que o homem que a socorrera fora Gustavo Ferreira. A presença dele era sombria, quase gelada.Qualquer pessoa sensata evitaria provocá-lo.Melina Barbosa sentiu um calafrio percorrer as costas, começando a se arrepender.Será que ele a reconhecera?Mas, ao lembrar de tudo que Mateus Domingos lhe fizera, Melina Barbosa endireitou as costas e respondeu com firmeza:— Tenho certeza!Ainda que estivesse entrando numa toca de lobos, não tinha mais medo.Ela só queria que Mateus Domingos visse que não precisava dele para ser feliz.Temendo que ele duvidasse, Melina Barbosa lançou-lhe um olhar rápido e, reunindo coragem, continuou:— Estou falando sério, não é brincadeira.— Por quê? Você não tem namorado? Ou está me usando como estepe? — Ele se recordava de tê-la visto acompanhada de um homem na festa.Ao ouvir aquilo, Melina Barbosa arregalou os olhos, surpresa, e logo tratou de se explicar, nervosa.— Não, não é isso, nunca pensei dessa forma. É verdade que meu relacionamento com Mateus Domingos está com problemas. Minha avó já está idosa e sempre sonhou em me ver casada logo, então pensei em encontrar alguém para me casar.Arranjar Gustavo Ferreira como estepe?Nem louca.Gustavo Ferreira permaneceu com uma expressão serena, impossível decifrar o que sentia.— Você tem coragem de deixar aquele homem?— Um homem viciado em traição, o que tem de especial para que eu sinta falta? — Os olhos de Melina Barbosa revelaram um toque de desprezo.Ainda há pouco, no salão, depois de levar aquela bronca, ela finalmente havia recobrado a razão.Depois de ouvir as palavras de Mateus Domingos, ela desistira de vez.Gustavo Ferreira arqueou levemente as sobrancelhas, um brilho intenso circulando discretamente no fundo dos olhos.Com os olhos semicerrados e o queixo erguido, ele falou com voz rouca e contida:— Tem certeza do que está fazendo?Os olhos de Melina Barbosa se encheram de umidade, mas sua voz era firme:— Tenho certeza. Quero me livrar desse lixo.De repente, Gustavo Ferreira puxou Melina Barbosa para seus braços. Ele se inclinou até o ouvido dela, seu hálito quente tocando a pele sensível, e sussurrou:— Foi você quem me provocou primeiro. Não venha se arrepender depois.O rosto de Melina Barbosa ficou rubro, o coração disparado. Por um momento, ela manteve os cílios trêmulos, levantou os olhos para encarar o homem e respondeu:— Não vou me arrepender.Toda a sua razão já havia desaparecido.— Ótimo. Amanhã vamos registrar o casamento. — Gustavo Ferreira não lhe deu chance de desistir.Melina Barbosa ficou atônita:— Tão rápido assim?— Por quê? Tem algum problema?— Nenhum. Pode me levar para casa? — Ela precisava pegar seus documentos.Logo Gustavo Ferreira deixou Melina Barbosa em casa.Atualmente, Melina morava com a avó.Depois que seu pai, Roberto Barbosa, abandonou ela e a mãe para ficar com a amante, Simone Oliva, a vida mudara drasticamente.A filha de Simone Oliva inclusive havia adotado o sobrenome Barbosa, tornando-se Manuela Barbosa.A mãe de Melina, Flávia Rocha, ficou profundamente abalada e acabou, em um momento de desorientação, sofrendo um acidente de carro que tirou sua vida.Essa era a maior dor de Melina Barbosa; cada lembrança era como uma faca cravada no peito.Por isso, ela odiava Roberto Barbosa. Foi por culpa dele que sua mãe morreu.Melina sabia que jamais o perdoaria.Manuela Barbosa era três anos mais nova que Melina, recém-formada na universidade, e, coincidentemente, também trabalhava na empresa F&W de Mateus Domingos.Recentemente, durante a festa anual da empresa, Manuela Barbosa fez uma apresentação solo que impressionou a todos. Provavelmente foi ali que Mateus Domingos e Manuela começaram a se envolver.A F&W era uma joalheria que, nos últimos anos, vinha ganhando muito destaque no mercado, tornando-se uma estrela em ascensão no setor.Talvez tenha sido por isso que Manuela Barbosa foi trabalhar lá.Embora Melina também trabalhasse na F&W, sua função era totalmente voltada ao design.Ela quase não encontrava Mateus Domingos no dia a dia e, menos ainda, se envolvia em decisões de contratação.Por isso, só soube da entrada de Manuela Barbosa na empresa no dia da festa.No entanto, Melina não comentou nada. Afinal, ela já havia deixado claro que não fazia mais parte da família Barbosa.Só não imaginava que Mateus Domingos seria capaz de se envolver com alguém tão próximo.Para conquistar a aprovação da família Domingos, Melina sempre se esforçou muito mais do que qualquer um, mas no fim, tudo foi em vão.Ela sempre teve talento para o design; chegou a conquistar uma medalha de ouro em um concurso nacional de joias.Junto de Mateus Domingos, fundaram a F&W.O nome da empresa fora escolhido com carinho pelos dois. Agora, pensando nisso, tudo parecia uma grande ironia.— Chegamos. Já está tarde, não vou incomodar sua avó. Em outra ocasião, faço questão de visitá-la — disse Gustavo Ferreira, com sua voz grave e envolvente.Melina despertou do devaneio, assentiu rapidamente:— Está bem.— Descanse cedo. Amanhã cedo mando alguém te buscar para irmos ao cartório — continuou Gustavo Ferreira.— Está certo — respondeu Melina, docemente.Só quando viu o carro de luxo de Gustavo Ferreira sumir na rua, Melina entrou em casa, ainda sentindo como se tudo aquilo fosse um sonho.Ela entrou de mansinho; a avó já dormia.Ao checar o celular, viu várias chamadas não atendidas.Algumas de Mateus Domingos, outras de sua melhor amiga, Sofia Palmeira.Elas haviam sido colegas de faculdade, dividiram quarto e se tornaram confidentes inseparáveis.Sofia Palmeira era quem melhor conhecia Melina Barbosa.Atualmente, Sofia era gerente de vendas em uma empresa, conhecida por seu espírito incansável.