Pâmela Campos amou Wilson Casimiro há quatro anos. Foi somente quando ela morreu, tendo seu coração arrancado, que ela percebeu que era a melhor doadora para o amor de infância de seu namorado! Para investigar a sua morte e buscar justiça para ela, os quatro irmãos mais novos da família Campos também foram brutalmente assassinados pelo canalha. Em sua nova vida, Pâmela se transformou em uma mulher forte e implacável. Lutava contra o canalha e fazia-o pagar com sangue. Protejava sua família e liderava a família Campos para se tornar uma família famosa! Depois de mandar com sucesso o canalha para a cadeia, Pâmela só queria encontrar um homem com alto QI, alta educação e boa aparência para se livrar dele e ficar com o filho. Ela colocou os olhos no tio do ex-namorado, o magnata dos negócios Marlon Damasceno. Quem imaginaria que a outra parte também havia renascido e passado por uma operação de esterilização há muito tempo! O que ainda podia jogar? Fugir! O homem colocou um certificado de propriedade nos braços de Pâmela e disse: "Eu te proponho todos os meus bens como presente de noivado." "Eu juro que, enquanto eu estiver vivo, você será a mulher mais feliz da Celestina do Sol. Depois que eu morrer, você será a mulher mais rica da Celestina do Sol." Mais tarde, ela se tornou herdeira da propriedade, mãe das crianças e dona da família Damasceno.

Capítulo 1"Pâmela Campos, eu preciso do seu coração para prolongar a vida da Berta."Durante quatro anos de relacionamento, somente quando seus braços e pernas foram amarrados à maca cirúrgica no porão, Pâmela enxergou o verdadeiro rosto de seu namorado, Wilson Casimiro.Ele a cortejou, mimou e fez declarações apaixonadas publicamente, tudo apenas para conseguir o coração dela e salvar a vida de sua amiga de infância, Berta Vargas."Você me odeia?"Enquanto limpava as lágrimas do canto dos olhos de Pâmela, Wilson zombou: "Se for para culpar alguém, culpe a si mesma, por nunca ter recebido carinho do seu pai ou amor da sua mãe, e ainda ser tola o suficiente para romper completamente com a família Campos.""Você parece um cãozinho vira-lata, que se emociona por muito tempo com qualquer migalha que recebe.""Dar sua vida pela Berta já é uma morte com algum significado."Nesse momento, uma mulher delicada, vestindo roupa de paciente, aproximou-se de Wilson.Aparentando ser ingênua e inofensiva, a mulher sorriu para Pâmela e disse: "Pâmela, obrigada por cuidar tão bem do seu coração para mim. Você é uma grande benfeitora. Wilson e eu seremos gratos a você por toda a vida.""Berta, não precisa perder tempo falando tanto com ela."Wilson inclinou-se e beijou a testa de Berta, dizendo docemente: "Querida, deite-se na cama. Quando acordar, terá uma nova vida."Pâmela, forçada a assistir aquele casal desprezível se beijando diante de seus olhos, deixou escorrer lágrimas de arrependimento, mas suas pálpebras se fecharam, pesadas.Ela partiu sem poder descansar em paz!...No dia seguinte, uma reportagem chamou a atenção de milhares de internautas—[Ontem, um helicóptero caiu acidentalmente no Vale das Mangabeiras. O piloto e uma passageira do sexo feminino foram confirmados mortos. Segundo informações, a passageira era noiva do CEO do Grupo Casimiro, Wilson—Pâmela...]Abaixo da matéria, havia uma foto tirada por paparazzi.Na imagem, Wilson estava de joelhos no local do acidente, chorando desesperadamente enquanto segurava os restos mortais da noiva.Essa foto chegou a ser eleita a imagem mais comovente do ano.Depois disso, Wilson tornou-se um verdadeiro workaholic, recusando a aproximação de qualquer mulher.Toda a cidade elogiava Wilson por ser um homem fiel e apaixonado.Todos acreditavam que a morte de Pâmela tinha sido um acidente, mas o mais jovem gênio da medicina, Kevin Campos, desconfiava que havia muitos pontos suspeitos na morte da irmã mais velha.Pâmela sofria de fobia de altura, então por qual motivo teria ela, de repente, decidido embarcar sozinha em um passeio de helicóptero panorâmico?Os irmãos Campos, unidos, investigaram juntos a verdade por trás da morte da irmã mais velha, mas acabaram morrendo um a um em acidentes misteriosos...Quatro anos depois, incentivados por familiares e amigos, Wilson e Berta, colegas do ensino médio, casaram-se.Após o casamento, os dois mantiveram uma relação respeitosa e cordial.Logo, nasceu uma menina, que recebeu o nome Paola Casimiro.Paola era o nome da ex-noiva de Wilson.O casal escolheu este nome para a filha em homenagem à falecida Sra. Pâmela Campos.A notícia se espalhou e todos passaram a elogiar Berta por sua generosidade e Wilson por sua lealdade e sensibilidade....Talvez por conta de sua obsessão, após a morte, Pâmela transformou-se em uma alma errante, vagando durante anos a até cinco metros de distância de Wilson.Ela teve que assistir, impotente, enquanto Wilson e Berta pisavam em sua memória para alcançar o auge da vida, tornando-se o casal modelo da sociedade.Pâmela arrependia-se profundamente de suas escolhas."Deus, por favor, me dê mais uma chance!"Se pudesse recomeçar,Ela jurava que faria Wilson e Berta pagarem com sangue, e protegeria sua família a qualquer custo!*"Senhora? Acorde, preciso retirar o soro para você."Pâmela foi despertada pela jovem enfermeira, sentindo-se como se tivesse vivido outra vida.A enfermeira pressionou cuidadosamente um algodão embebido em antisséptico sobre o dorso da mão de Pâmela, e aconselhou gentilmente: "Senhora, a senhora tem hipoglicemia. Por favor, nunca faça corrida matinal em jejum.""Você não faz ideia, mas naquele parque estadual onde você costuma correr, ocorreu um caso de abuso seguido de homicídio recentemente. Você teve sorte de encontrar o Sr. Damasceno, senão..."Enquanto ouvia o falatório da jovem, Pâmela aproveitou para observar o quarto de hospital ao seu redor, só então percebendo que realmente havia renascido!Reencarnou um ano atrás.Naquela época, ela se encontrava fisicamente debilitada, com a imunidade baixa, e Wilson havia elaborado para ela um plano de exercícios.Ela, ingênua, ainda pensava que Wilson realmente a amava e desejava que ela tivesse um corpo saudável.Na verdade, o que Wilson amava era apenas o coração saudável e vigoroso dentro dela.Afinal, aquele era o artefato que prolongaria a vida de seu tesouro mais precioso.Pâmela retornou de seus pensamentos e perguntou à jovem enfermeira: "Quem é o Sr. Damasceno?"Na vida passada, Pâmela também havia desmaiado, mas ao acordar, só se preocupara em ligar para Wilson para tranquilizá-lo, deixando toda a resolução do ocorrido sob os cuidados dele.Por isso, ela jamais conhecera aquele bondoso Sr. Damasceno.A enfermeira, com respeito, respondeu: "É o Sr. Marlon Damasceno."Marlon?O tio materno de Wilson, que sofria de uma doença terminal, falecera jovem na vida passada, mas era absurdamente rico?Após agradecer à enfermeira, Pâmela não avisou ninguém e saiu sozinha do hospital.Enquanto esperava pelo carro, um Land Rover branco saiu da garagem subterrânea e parou tranquilamente à sua frente.Um homem de meia-idade se inclinou para fora do banco do passageiro e, com preocupação, perguntou-lhe: "Sra. Campos, a senhora está de alta? Por que não permanece mais um dia no hospital para observação?"Ao reconhecer o rosto familiar, Pâmela mostrou-se surpresa. "Osmar?"Osmar chamava-se Osmar Toledo e era o guarda-costas pessoal de Marlon. Ex-integrante de forças especiais, ele arriscara a vida por Marlon diversas vezes, gozando de máxima confiança do patrão.Se o carro de Osmar estava ali, Marlon também devia estar presente?Sem coragem para bater na janela de trás, Pâmela se curvou e perguntou a Osmar: "Osmar, o Sr. Damasceno está bem de saúde ultimamente?"Osmar jamais revelava informações sobre o estado de saúde de seu empregador a terceiros, e respondeu de forma protocolar: "Continua igual.""Ouvi da enfermeira que, hoje de manhã, após eu desmaiar, foi o Sr. Damasceno quem me trouxe ao hospital e ainda arcou com todas as despesas do tratamento."Pâmela perguntou a Osmar: "Sabe me dizer quando o Sr. Damasceno descansa? Gostaria de agradecê-lo pessoalmente em sua casa."Instintivamente, Osmar lançou um olhar ao homem sentado no banco traseiro, que repousava de olhos fechados, e já pensava em inventar uma desculpa para recusar Pâmela, quando ouviu o som do vidro sendo baixado."Pâmela Campos." A voz de Marlon soou clara e fria, como a geada nas manhãs de inverno, gélida e pura.Embora fosse namorada de Wilson, Pâmela só encontrara Marlon algumas poucas vezes, e mal haviam conversado.Ao ouvir seu nome completo sair dos lábios dele, Pâmela ficou um pouco atônita.Ao se deparar com o olhar frio e sereno de Marlon, Pâmela sentiu um calafrio na nuca."Tio." Pâmela sempre se referia a ele assim, seguindo o costume de Wilson.O olhar de Marlon passou rapidamente pelo peito de Pâmela e, de repente, ele perguntou: "Wilson sabe que você tem esse problema de hipoglicemia?"Ele sabia.Mas Pâmela respondeu: "Não me lembro se já contei a ele.""Então conte."Marlon era um cavalheiro de grande educação. Ao vê-la sozinha, disse: "É difícil conseguir transporte por aqui. Quer que Osmar providencie alguém para levá-la em casa?"Pâmela recusou prontamente: "Não precisa se incomodar, já solicitei um carro e ele deve chegar em breve. De qualquer forma, agradeço ao senhor pelo que fez esta manhã, tio."A voz de Marlon permaneceu impassível: "Não foi nada, não se preocupe."Mesmo depois do carro partir, Pâmela continuou parada à beira da rua, sem conseguir retomar o controle de si.Todas as vezes em que Marlon a encontrara, ele sempre mantivera a postura reservada e digna de um parente mais velho, mas agora ela percebia que ele também sabia demonstrar preocupação.Sendo justa, Marlon realmente era um bom homem.Família, aparência, competência — nada lhe faltava.Com tais qualidades, que tipo de esposa não poderia encontrar?Filhos, poderia ter quantos quisesse.No entanto, Marlon jamais se casou, permaneceu sozinho até a morte e, depois, deixou toda a sua fortuna para Wilson, aquele sobrinho ingrato.De fato, bons homens morrem cedo, enquanto os canalhas permanecem por gerações.Pâmela pegou o carro para voltar e, assim que chegou embaixo do prédio, o telefone tocou.O identificador de chamadas mostrava que era sua avó.Ao ver o nome da avó, Pâmela ficou momentaneamente atordoada.Pâmela havia sido criada por sua avó; as duas dependiam uma da outra e tinham a relação mais próxima possível.No entanto, naquele verão, a avó, que morava sozinha no interior, acabara escorregando e caindo em um lago. Quando Pâmela saiu do trabalho e foi verificar as câmeras da antiga casa, a senhora já estava boiando na água.Wilson acompanhou-a durante todo o processo de cuidar dos assuntos do funeral, proporcionando um enterro digno e honroso à idosa, o que consolidou definitivamente a decisão de Pâmela de se casar com ele.Pâmela atendeu o telefone com todo cuidado.Antes mesmo que ela dissesse qualquer coisa, ouviu-se ao seu ouvido a voz alta da avó: "Lela, já almoçou?"Lela era o apelido de Pâmela, e só Adriana a chamava assim.Ouvir novamente a voz familiar da senhora deixou Pâmela profundamente emocionada e, ao falar, ela já chorava: "Vovó."Ao ouvir a neta com a voz embargada, Adriana permaneceu em silêncio por dois segundos e, então, perguntou com carinho: "Me conte, minha querida, foram seus pais que te magoaram ou foi aquele rapaz da família Casimiro que te fez algum mal?""É só saudade da senhora, vovó." Pâmela entrou no apartamento, tirou os sapatos e deslizou devagar até o chão, apoiando-se na parede.Ela se agachou no canto da parede e disse baixinho: "Vovó, estou com vontade de comer aquele peixe que a senhora faz. Amanhã mesmo vou para o interior te visitar, pode ser?""Você precisa trabalhar, melhor eu ir até a cidade te ver! O bambuzal aqui atrás de casa já está com brotos, posso levar alguns para você. Com essas chuvas dos últimos dias, também já apareceram cogumelos pequenos na serra..."Ouvindo as palavras carinhosas da avó, Pâmela mordeu o braço, chorando em silêncio.Segurando o choro, Pâmela respondeu: "Tá bom, amanhã vou te buscar na estação.""Não precisa, eu mesma pego o metrô para sua casa, já sei o caminho..." A avó estava apressada para ir ao quintal pegar brotos de bambu e, depois de poucas palavras, desligou o telefone.Ela precisava pensar em um jeito de convencer a avó a morar com ela, para evitar que a tragédia da vida passada se repetisse.Apesar de já ter 78 anos, a avó sempre manteve uma saúde robusta. Se conseguisse evitar aquele acidente, poderia viver mais dez anos sem problemas.*Após o banho, Pâmela preparou um miojo para si mesma. Enquanto comia, recebeu uma ligação de Heitor Campos.Sem sequer uma saudação, Heitor já foi dando ordens: "Pâmela, hoje à noite é aniversário da sua avó, não falte. Veja se o Wilson pode vir também e venham juntos."Era o aniversário da velha senhora da família Campos.A matriarca da família Campos, de sobrenome Salazar, era Luciana Salazar. Ela fora uma herdeira rica que o avô, Norberto Campos, conseguiu conquistar com muito esforço e artimanhas, depois de abandonar a primeira esposa para ascender socialmente.Luciana não era a responsável por destruir o casamento da avó.Mas Heitor, para agradar a madrasta rica, sempre ignorava a própria mãe, sendo igual ao pai em seus valores.Pâmela jamais esqueceria que, depois que sua avó morreu afogada, seu pai, Heitor, foi tão cruel a ponto de nem sequer comparecer ao funeral.Coitada da avó, que nem mesmo teve alguém para segurar o caixão em seu velório.Após a morte da avó, Pâmela cortou unilateralmente os laços com a família Campos.Pâmela sugou os fios de macarrão, com um tom indiferente: "Minha avó está colhendo cogumelos no interior.""Pâmela, você está querendo me tirar do sério, não é?"Heitor, com a voz severa, advertiu: "Hoje é aniversário da sua avó, os filhos do seu senhor estarão todos presentes. Se você não vier, vai me deixar em uma situação constrangedora."Pâmela continuou comendo o macarrão e respondeu em tom vago: "Acabei de sair do hospital, estou me sentindo fraca..."Heitor, impaciente, interrompeu: "Você é forte como um touro, se quiser me enganar, pelo menos arrume uma desculpa plausível."Capítulo 2"Pâmela Campos, eu preciso do seu coração para prolongar a vida da Berta."Durante quatro anos de relacionamento, somente quando seus braços e pernas foram amarrados à maca cirúrgica no porão, Pâmela enxergou o verdadeiro rosto de seu namorado, Wilson Casimiro.Ele a cortejou, mimou e fez declarações apaixonadas publicamente, tudo apenas para conseguir o coração dela e salvar a vida de sua amiga de infância, Berta Vargas."Você me odeia?"Enquanto limpava as lágrimas do canto dos olhos de Pâmela, Wilson zombou: "Se for para culpar alguém, culpe a si mesma, por nunca ter recebido carinho do seu pai ou amor da sua mãe, e ainda ser tola o suficiente para romper completamente com a família Campos.""Você parece um cãozinho vira-lata, que se emociona por muito tempo com qualquer migalha que recebe.""Dar sua vida pela Berta já é uma morte com algum significado."Nesse momento, uma mulher delicada, vestindo roupa de paciente, aproximou-se de Wilson.Aparentando ser ingênua e inofensiva, a mulher sorriu para Pâmela e disse: "Pâmela, obrigada por cuidar tão bem do seu coração para mim. Você é uma grande benfeitora. Wilson e eu seremos gratos a você por toda a vida.""Berta, não precisa perder tempo falando tanto com ela."Wilson inclinou-se e beijou a testa de Berta, dizendo docemente: "Querida, deite-se na cama. Quando acordar, terá uma nova vida."Pâmela, forçada a assistir aquele casal desprezível se beijando diante de seus olhos, deixou escorrer lágrimas de arrependimento, mas suas pálpebras se fecharam, pesadas.Ela partiu sem poder descansar em paz!...No dia seguinte, uma reportagem chamou a atenção de milhares de internautas—[Ontem, um helicóptero caiu acidentalmente no Vale das Mangabeiras. O piloto e uma passageira do sexo feminino foram confirmados mortos. Segundo informações, a passageira era noiva do CEO do Grupo Casimiro, Wilson—Pâmela...]Abaixo da matéria, havia uma foto tirada por paparazzi.Na imagem, Wilson estava de joelhos no local do acidente, chorando desesperadamente enquanto segurava os restos mortais da noiva.Essa foto chegou a ser eleita a imagem mais comovente do ano.Depois disso, Wilson tornou-se um verdadeiro workaholic, recusando a aproximação de qualquer mulher.Toda a cidade elogiava Wilson por ser um homem fiel e apaixonado.Todos acreditavam que a morte de Pâmela tinha sido um acidente, mas o mais jovem gênio da medicina, Kevin Campos, desconfiava que havia muitos pontos suspeitos na morte da irmã mais velha.Pâmela sofria de fobia de altura, então por qual motivo teria ela, de repente, decidido embarcar sozinha em um passeio de helicóptero panorâmico?Os irmãos Campos, unidos, investigaram juntos a verdade por trás da morte da irmã mais velha, mas acabaram morrendo um a um em acidentes misteriosos...Quatro anos depois, incentivados por familiares e amigos, Wilson e Berta, colegas do ensino médio, casaram-se.Após o casamento, os dois mantiveram uma relação respeitosa e cordial.Logo, nasceu uma menina, que recebeu o nome Paola Casimiro.Paola era o nome da ex-noiva de Wilson.O casal escolheu este nome para a filha em homenagem à falecida Sra. Pâmela Campos.A notícia se espalhou e todos passaram a elogiar Berta por sua generosidade e Wilson por sua lealdade e sensibilidade....Talvez por conta de sua obsessão, após a morte, Pâmela transformou-se em uma alma errante, vagando durante anos a até cinco metros de distância de Wilson.Ela teve que assistir, impotente, enquanto Wilson e Berta pisavam em sua memória para alcançar o auge da vida, tornando-se o casal modelo da sociedade.Pâmela arrependia-se profundamente de suas escolhas."Deus, por favor, me dê mais uma chance!"Se pudesse recomeçar,Ela jurava que faria Wilson e Berta pagarem com sangue, e protegeria sua família a qualquer custo!*"Senhora? Acorde, preciso retirar o soro para você."Pâmela foi despertada pela jovem enfermeira, sentindo-se como se tivesse vivido outra vida.A enfermeira pressionou cuidadosamente um algodão embebido em antisséptico sobre o dorso da mão de Pâmela, e aconselhou gentilmente: "Senhora, a senhora tem hipoglicemia. Por favor, nunca faça corrida matinal em jejum.""Você não faz ideia, mas naquele parque estadual onde você costuma correr, ocorreu um caso de abuso seguido de homicídio recentemente. Você teve sorte de encontrar o Sr. Damasceno, senão..."Enquanto ouvia o falatório da jovem, Pâmela aproveitou para observar o quarto de hospital ao seu redor, só então percebendo que realmente havia renascido!Reencarnou um ano atrás.Naquela época, ela se encontrava fisicamente debilitada, com a imunidade baixa, e Wilson havia elaborado para ela um plano de exercícios.Ela, ingênua, ainda pensava que Wilson realmente a amava e desejava que ela tivesse um corpo saudável.Na verdade, o que Wilson amava era apenas o coração saudável e vigoroso dentro dela.Afinal, aquele era o artefato que prolongaria a vida de seu tesouro mais precioso.Pâmela retornou de seus pensamentos e perguntou à jovem enfermeira: "Quem é o Sr. Damasceno?"Na vida passada, Pâmela também havia desmaiado, mas ao acordar, só se preocupara em ligar para Wilson para tranquilizá-lo, deixando toda a resolução do ocorrido sob os cuidados dele.Por isso, ela jamais conhecera aquele bondoso Sr. Damasceno.A enfermeira, com respeito, respondeu: "É o Sr. Marlon Damasceno."Marlon?O tio materno de Wilson, que sofria de uma doença terminal, falecera jovem na vida passada, mas era absurdamente rico?Após agradecer à enfermeira, Pâmela não avisou ninguém e saiu sozinha do hospital.Enquanto esperava pelo carro, um Land Rover branco saiu da garagem subterrânea e parou tranquilamente à sua frente.Um homem de meia-idade se inclinou para fora do banco do passageiro e, com preocupação, perguntou-lhe: "Sra. Campos, a senhora está de alta? Por que não permanece mais um dia no hospital para observação?"Ao reconhecer o rosto familiar, Pâmela mostrou-se surpresa. "Osmar?"Osmar chamava-se Osmar Toledo e era o guarda-costas pessoal de Marlon. Ex-integrante de forças especiais, ele arriscara a vida por Marlon diversas vezes, gozando de máxima confiança do patrão.Se o carro de Osmar estava ali, Marlon também devia estar presente?Sem coragem para bater na janela de trás, Pâmela se curvou e perguntou a Osmar: "Osmar, o Sr. Damasceno está bem de saúde ultimamente?"Osmar jamais revelava informações sobre o estado de saúde de seu empregador a terceiros, e respondeu de forma protocolar: "Continua igual.""Ouvi da enfermeira que, hoje de manhã, após eu desmaiar, foi o Sr. Damasceno quem me trouxe ao hospital e ainda arcou com todas as despesas do tratamento."Pâmela perguntou a Osmar: "Sabe me dizer quando o Sr. Damasceno descansa? Gostaria de agradecê-lo pessoalmente em sua casa."Instintivamente, Osmar lançou um olhar ao homem sentado no banco traseiro, que repousava de olhos fechados, e já pensava em inventar uma desculpa para recusar Pâmela, quando ouviu o som do vidro sendo baixado."Pâmela Campos." A voz de Marlon soou clara e fria, como a geada nas manhãs de inverno, gélida e pura.Embora fosse namorada de Wilson, Pâmela só encontrara Marlon algumas poucas vezes, e mal haviam conversado.Ao ouvir seu nome completo sair dos lábios dele, Pâmela ficou um pouco atônita.Ao se deparar com o olhar frio e sereno de Marlon, Pâmela sentiu um calafrio na nuca."Tio." Pâmela sempre se referia a ele assim, seguindo o costume de Wilson.O olhar de Marlon passou rapidamente pelo peito de Pâmela e, de repente, ele perguntou: "Wilson sabe que você tem esse problema de hipoglicemia?"Ele sabia.Mas Pâmela respondeu: "Não me lembro se já contei a ele.""Então conte."Marlon era um cavalheiro de grande educação. Ao vê-la sozinha, disse: "É difícil conseguir transporte por aqui. Quer que Osmar providencie alguém para levá-la em casa?"Pâmela recusou prontamente: "Não precisa se incomodar, já solicitei um carro e ele deve chegar em breve. De qualquer forma, agradeço ao senhor pelo que fez esta manhã, tio."A voz de Marlon permaneceu impassível: "Não foi nada, não se preocupe."Mesmo depois do carro partir, Pâmela continuou parada à beira da rua, sem conseguir retomar o controle de si.Todas as vezes em que Marlon a encontrara, ele sempre mantivera a postura reservada e digna de um parente mais velho, mas agora ela percebia que ele também sabia demonstrar preocupação.Sendo justa, Marlon realmente era um bom homem.Família, aparência, competência — nada lhe faltava.Com tais qualidades, que tipo de esposa não poderia encontrar?Filhos, poderia ter quantos quisesse.No entanto, Marlon jamais se casou, permaneceu sozinho até a morte e, depois, deixou toda a sua fortuna para Wilson, aquele sobrinho ingrato.De fato, bons homens morrem cedo, enquanto os canalhas permanecem por gerações.Pâmela pegou o carro para voltar e, assim que chegou embaixo do prédio, o telefone tocou.O identificador de chamadas mostrava que era sua avó.Ao ver o nome da avó, Pâmela ficou momentaneamente atordoada.Pâmela havia sido criada por sua avó; as duas dependiam uma da outra e tinham a relação mais próxima possível.No entanto, naquele verão, a avó, que morava sozinha no interior, acabara escorregando e caindo em um lago. Quando Pâmela saiu do trabalho e foi verificar as câmeras da antiga casa, a senhora já estava boiando na água.Wilson acompanhou-a durante todo o processo de cuidar dos assuntos do funeral, proporcionando um enterro digno e honroso à idosa, o que consolidou definitivamente a decisão de Pâmela de se casar com ele.Pâmela atendeu o telefone com todo cuidado.Antes mesmo que ela dissesse qualquer coisa, ouviu-se ao seu ouvido a voz alta da avó: "Lela, já almoçou?"Lela era o apelido de Pâmela, e só Adriana a chamava assim.Ouvir novamente a voz familiar da senhora deixou Pâmela profundamente emocionada e, ao falar, ela já chorava: "Vovó."Ao ouvir a neta com a voz embargada, Adriana permaneceu em silêncio por dois segundos e, então, perguntou com carinho: "Me conte, minha querida, foram seus pais que te magoaram ou foi aquele rapaz da família Casimiro que te fez algum mal?""É só saudade da senhora, vovó." Pâmela entrou no apartamento, tirou os sapatos e deslizou devagar até o chão, apoiando-se na parede.Ela se agachou no canto da parede e disse baixinho: "Vovó, estou com vontade de comer aquele peixe que a senhora faz. Amanhã mesmo vou para o interior te visitar, pode ser?""Você precisa trabalhar, melhor eu ir até a cidade te ver! O bambuzal aqui atrás de casa já está com brotos, posso levar alguns para você. Com essas chuvas dos últimos dias, também já apareceram cogumelos pequenos na serra..."Ouvindo as palavras carinhosas da avó, Pâmela mordeu o braço, chorando em silêncio.Segurando o choro, Pâmela respondeu: "Tá bom, amanhã vou te buscar na estação.""Não precisa, eu mesma pego o metrô para sua casa, já sei o caminho..." A avó estava apressada para ir ao quintal pegar brotos de bambu e, depois de poucas palavras, desligou o telefone.Ela precisava pensar em um jeito de convencer a avó a morar com ela, para evitar que a tragédia da vida passada se repetisse.Apesar de já ter 78 anos, a avó sempre manteve uma saúde robusta. Se conseguisse evitar aquele acidente, poderia viver mais dez anos sem problemas.*Após o banho, Pâmela preparou um miojo para si mesma. Enquanto comia, recebeu uma ligação de Heitor Campos.Sem sequer uma saudação, Heitor já foi dando ordens: "Pâmela, hoje à noite é aniversário da sua avó, não falte. Veja se o Wilson pode vir também e venham juntos."Era o aniversário da velha senhora da família Campos.A matriarca da família Campos, de sobrenome Salazar, era Luciana Salazar. Ela fora uma herdeira rica que o avô, Norberto Campos, conseguiu conquistar com muito esforço e artimanhas, depois de abandonar a primeira esposa para ascender socialmente.Luciana não era a responsável por destruir o casamento da avó.Mas Heitor, para agradar a madrasta rica, sempre ignorava a própria mãe, sendo igual ao pai em seus valores.Pâmela jamais esqueceria que, depois que sua avó morreu afogada, seu pai, Heitor, foi tão cruel a ponto de nem sequer comparecer ao funeral.Coitada da avó, que nem mesmo teve alguém para segurar o caixão em seu velório.Após a morte da avó, Pâmela cortou unilateralmente os laços com a família Campos.Pâmela sugou os fios de macarrão, com um tom indiferente: "Minha avó está colhendo cogumelos no interior.""Pâmela, você está querendo me tirar do sério, não é?"Heitor, com a voz severa, advertiu: "Hoje é aniversário da sua avó, os filhos do seu senhor estarão todos presentes. Se você não vier, vai me deixar em uma situação constrangedora."Pâmela continuou comendo o macarrão e respondeu em tom vago: "Acabei de sair do hospital, estou me sentindo fraca..."Heitor, impaciente, interrompeu: "Você é forte como um touro, se quiser me enganar, pelo menos arrume uma desculpa plausível."Capítulo 3"Pâmela Campos, eu preciso do seu coração para prolongar a vida da Berta."Durante quatro anos de relacionamento, somente quando seus braços e pernas foram amarrados à maca cirúrgica no porão, Pâmela enxergou o verdadeiro rosto de seu namorado, Wilson Casimiro.Ele a cortejou, mimou e fez declarações apaixonadas publicamente, tudo apenas para conseguir o coração dela e salvar a vida de sua amiga de infância, Berta Vargas."Você me odeia?"Enquanto limpava as lágrimas do canto dos olhos de Pâmela, Wilson zombou: "Se for para culpar alguém, culpe a si mesma, por nunca ter recebido carinho do seu pai ou amor da sua mãe, e ainda ser tola o suficiente para romper completamente com a família Campos.""Você parece um cãozinho vira-lata, que se emociona por muito tempo com qualquer migalha que recebe.""Dar sua vida pela Berta já é uma morte com algum significado."Nesse momento, uma mulher delicada, vestindo roupa de paciente, aproximou-se de Wilson.Aparentando ser ingênua e inofensiva, a mulher sorriu para Pâmela e disse: "Pâmela, obrigada por cuidar tão bem do seu coração para mim. Você é uma grande benfeitora. Wilson e eu seremos gratos a você por toda a vida.""Berta, não precisa perder tempo falando tanto com ela."Wilson inclinou-se e beijou a testa de Berta, dizendo docemente: "Querida, deite-se na cama. Quando acordar, terá uma nova vida."Pâmela, forçada a assistir aquele casal desprezível se beijando diante de seus olhos, deixou escorrer lágrimas de arrependimento, mas suas pálpebras se fecharam, pesadas.Ela partiu sem poder descansar em paz!...No dia seguinte, uma reportagem chamou a atenção de milhares de internautas—[Ontem, um helicóptero caiu acidentalmente no Vale das Mangabeiras. O piloto e uma passageira do sexo feminino foram confirmados mortos. Segundo informações, a passageira era noiva do CEO do Grupo Casimiro, Wilson—Pâmela...]Abaixo da matéria, havia uma foto tirada por paparazzi.Na imagem, Wilson estava de joelhos no local do acidente, chorando desesperadamente enquanto segurava os restos mortais da noiva.Essa foto chegou a ser eleita a imagem mais comovente do ano.Depois disso, Wilson tornou-se um verdadeiro workaholic, recusando a aproximação de qualquer mulher.Toda a cidade elogiava Wilson por ser um homem fiel e apaixonado.Todos acreditavam que a morte de Pâmela tinha sido um acidente, mas o mais jovem gênio da medicina, Kevin Campos, desconfiava que havia muitos pontos suspeitos na morte da irmã mais velha.Pâmela sofria de fobia de altura, então por qual motivo teria ela, de repente, decidido embarcar sozinha em um passeio de helicóptero panorâmico?Os irmãos Campos, unidos, investigaram juntos a verdade por trás da morte da irmã mais velha, mas acabaram morrendo um a um em acidentes misteriosos...Quatro anos depois, incentivados por familiares e amigos, Wilson e Berta, colegas do ensino médio, casaram-se.Após o casamento, os dois mantiveram uma relação respeitosa e cordial.Logo, nasceu uma menina, que recebeu o nome Paola Casimiro.Paola era o nome da ex-noiva de Wilson.O casal escolheu este nome para a filha em homenagem à falecida Sra. Pâmela Campos.A notícia se espalhou e todos passaram a elogiar Berta por sua generosidade e Wilson por sua lealdade e sensibilidade....Talvez por conta de sua obsessão, após a morte, Pâmela transformou-se em uma alma errante, vagando durante anos a até cinco metros de distância de Wilson.Ela teve que assistir, impotente, enquanto Wilson e Berta pisavam em sua memória para alcançar o auge da vida, tornando-se o casal modelo da sociedade.Pâmela arrependia-se profundamente de suas escolhas."Deus, por favor, me dê mais uma chance!"Se pudesse recomeçar,Ela jurava que faria Wilson e Berta pagarem com sangue, e protegeria sua família a qualquer custo!*"Senhora? Acorde, preciso retirar o soro para você."Pâmela foi despertada pela jovem enfermeira, sentindo-se como se tivesse vivido outra vida.A enfermeira pressionou cuidadosamente um algodão embebido em antisséptico sobre o dorso da mão de Pâmela, e aconselhou gentilmente: "Senhora, a senhora tem hipoglicemia. Por favor, nunca faça corrida matinal em jejum.""Você não faz ideia, mas naquele parque estadual onde você costuma correr, ocorreu um caso de abuso seguido de homicídio recentemente. Você teve sorte de encontrar o Sr. Damasceno, senão..."Enquanto ouvia o falatório da jovem, Pâmela aproveitou para observar o quarto de hospital ao seu redor, só então percebendo que realmente havia renascido!Reencarnou um ano atrás.Naquela época, ela se encontrava fisicamente debilitada, com a imunidade baixa, e Wilson havia elaborado para ela um plano de exercícios.Ela, ingênua, ainda pensava que Wilson realmente a amava e desejava que ela tivesse um corpo saudável.Na verdade, o que Wilson amava era apenas o coração saudável e vigoroso dentro dela.Afinal, aquele era o artefato que prolongaria a vida de seu tesouro mais precioso.Pâmela retornou de seus pensamentos e perguntou à jovem enfermeira: "Quem é o Sr. Damasceno?"Na vida passada, Pâmela também havia desmaiado, mas ao acordar, só se preocupara em ligar para Wilson para tranquilizá-lo, deixando toda a resolução do ocorrido sob os cuidados dele.Por isso, ela jamais conhecera aquele bondoso Sr. Damasceno.A enfermeira, com respeito, respondeu: "É o Sr. Marlon Damasceno."Marlon?O tio materno de Wilson, que sofria de uma doença terminal, falecera jovem na vida passada, mas era absurdamente rico?Após agradecer à enfermeira, Pâmela não avisou ninguém e saiu sozinha do hospital.Enquanto esperava pelo carro, um Land Rover branco saiu da garagem subterrânea e parou tranquilamente à sua frente.Um homem de meia-idade se inclinou para fora do banco do passageiro e, com preocupação, perguntou-lhe: "Sra. Campos, a senhora está de alta? Por que não permanece mais um dia no hospital para observação?"Ao reconhecer o rosto familiar, Pâmela mostrou-se surpresa. "Osmar?"Osmar chamava-se Osmar Toledo e era o guarda-costas pessoal de Marlon. Ex-integrante de forças especiais, ele arriscara a vida por Marlon diversas vezes, gozando de máxima confiança do patrão.Se o carro de Osmar estava ali, Marlon também devia estar presente?Sem coragem para bater na janela de trás, Pâmela se curvou e perguntou a Osmar: "Osmar, o Sr. Damasceno está bem de saúde ultimamente?"Osmar jamais revelava informações sobre o estado de saúde de seu empregador a terceiros, e respondeu de forma protocolar: "Continua igual.""Ouvi da enfermeira que, hoje de manhã, após eu desmaiar, foi o Sr. Damasceno quem me trouxe ao hospital e ainda arcou com todas as despesas do tratamento."Pâmela perguntou a Osmar: "Sabe me dizer quando o Sr. Damasceno descansa? Gostaria de agradecê-lo pessoalmente em sua casa."Instintivamente, Osmar lançou um olhar ao homem sentado no banco traseiro, que repousava de olhos fechados, e já pensava em inventar uma desculpa para recusar Pâmela, quando ouviu o som do vidro sendo baixado."Pâmela Campos." A voz de Marlon soou clara e fria, como a geada nas manhãs de inverno, gélida e pura.Embora fosse namorada de Wilson, Pâmela só encontrara Marlon algumas poucas vezes, e mal haviam conversado.Ao ouvir seu nome completo sair dos lábios dele, Pâmela ficou um pouco atônita.Ao se deparar com o olhar frio e sereno de Marlon, Pâmela sentiu um calafrio na nuca."Tio." Pâmela sempre se referia a ele assim, seguindo o costume de Wilson.O olhar de Marlon passou rapidamente pelo peito de Pâmela e, de repente, ele perguntou: "Wilson sabe que você tem esse problema de hipoglicemia?"Ele sabia.Mas Pâmela respondeu: "Não me lembro se já contei a ele.""Então conte."Marlon era um cavalheiro de grande educação. Ao vê-la sozinha, disse: "É difícil conseguir transporte por aqui. Quer que Osmar providencie alguém para levá-la em casa?"Pâmela recusou prontamente: "Não precisa se incomodar, já solicitei um carro e ele deve chegar em breve. De qualquer forma, agradeço ao senhor pelo que fez esta manhã, tio."A voz de Marlon permaneceu impassível: "Não foi nada, não se preocupe."Mesmo depois do carro partir, Pâmela continuou parada à beira da rua, sem conseguir retomar o controle de si.Todas as vezes em que Marlon a encontrara, ele sempre mantivera a postura reservada e digna de um parente mais velho, mas agora ela percebia que ele também sabia demonstrar preocupação.Sendo justa, Marlon realmente era um bom homem.Família, aparência, competência — nada lhe faltava.Com tais qualidades, que tipo de esposa não poderia encontrar?Filhos, poderia ter quantos quisesse.No entanto, Marlon jamais se casou, permaneceu sozinho até a morte e, depois, deixou toda a sua fortuna para Wilson, aquele sobrinho ingrato.De fato, bons homens morrem cedo, enquanto os canalhas permanecem por gerações.Pâmela pegou o carro para voltar e, assim que chegou embaixo do prédio, o telefone tocou.O identificador de chamadas mostrava que era sua avó.Ao ver o nome da avó, Pâmela ficou momentaneamente atordoada.Pâmela havia sido criada por sua avó; as duas dependiam uma da outra e tinham a relação mais próxima possível.No entanto, naquele verão, a avó, que morava sozinha no interior, acabara escorregando e caindo em um lago. Quando Pâmela saiu do trabalho e foi verificar as câmeras da antiga casa, a senhora já estava boiando na água.Wilson acompanhou-a durante todo o processo de cuidar dos assuntos do funeral, proporcionando um enterro digno e honroso à idosa, o que consolidou definitivamente a decisão de Pâmela de se casar com ele.Pâmela atendeu o telefone com todo cuidado.Antes mesmo que ela dissesse qualquer coisa, ouviu-se ao seu ouvido a voz alta da avó: "Lela, já almoçou?"Lela era o apelido de Pâmela, e só Adriana a chamava assim.Ouvir novamente a voz familiar da senhora deixou Pâmela profundamente emocionada e, ao falar, ela já chorava: "Vovó."Ao ouvir a neta com a voz embargada, Adriana permaneceu em silêncio por dois segundos e, então, perguntou com carinho: "Me conte, minha querida, foram seus pais que te magoaram ou foi aquele rapaz da família Casimiro que te fez algum mal?""É só saudade da senhora, vovó." Pâmela entrou no apartamento, tirou os sapatos e deslizou devagar até o chão, apoiando-se na parede.Ela se agachou no canto da parede e disse baixinho: "Vovó, estou com vontade de comer aquele peixe que a senhora faz. Amanhã mesmo vou para o interior te visitar, pode ser?""Você precisa trabalhar, melhor eu ir até a cidade te ver! O bambuzal aqui atrás de casa já está com brotos, posso levar alguns para você. Com essas chuvas dos últimos dias, também já apareceram cogumelos pequenos na serra..."Ouvindo as palavras carinhosas da avó, Pâmela mordeu o braço, chorando em silêncio.Segurando o choro, Pâmela respondeu: "Tá bom, amanhã vou te buscar na estação.""Não precisa, eu mesma pego o metrô para sua casa, já sei o caminho..." A avó estava apressada para ir ao quintal pegar brotos de bambu e, depois de poucas palavras, desligou o telefone.Ela precisava pensar em um jeito de convencer a avó a morar com ela, para evitar que a tragédia da vida passada se repetisse.Apesar de já ter 78 anos, a avó sempre manteve uma saúde robusta. Se conseguisse evitar aquele acidente, poderia viver mais dez anos sem problemas.*Após o banho, Pâmela preparou um miojo para si mesma. Enquanto comia, recebeu uma ligação de Heitor Campos.Sem sequer uma saudação, Heitor já foi dando ordens: "Pâmela, hoje à noite é aniversário da sua avó, não falte. Veja se o Wilson pode vir também e venham juntos."Era o aniversário da velha senhora da família Campos.A matriarca da família Campos, de sobrenome Salazar, era Luciana Salazar. Ela fora uma herdeira rica que o avô, Norberto Campos, conseguiu conquistar com muito esforço e artimanhas, depois de abandonar a primeira esposa para ascender socialmente.Luciana não era a responsável por destruir o casamento da avó.Mas Heitor, para agradar a madrasta rica, sempre ignorava a própria mãe, sendo igual ao pai em seus valores.Pâmela jamais esqueceria que, depois que sua avó morreu afogada, seu pai, Heitor, foi tão cruel a ponto de nem sequer comparecer ao funeral.Coitada da avó, que nem mesmo teve alguém para segurar o caixão em seu velório.Após a morte da avó, Pâmela cortou unilateralmente os laços com a família Campos.Pâmela sugou os fios de macarrão, com um tom indiferente: "Minha avó está colhendo cogumelos no interior.""Pâmela, você está querendo me tirar do sério, não é?"Heitor, com a voz severa, advertiu: "Hoje é aniversário da sua avó, os filhos do seu senhor estarão todos presentes. Se você não vier, vai me deixar em uma situação constrangedora."Pâmela continuou comendo o macarrão e respondeu em tom vago: "Acabei de sair do hospital, estou me sentindo fraca..."Heitor, impaciente, interrompeu: "Você é forte como um touro, se quiser me enganar, pelo menos arrume uma desculpa plausível."

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