Em uma noite embriagada, Valentina Morais toma a iniciativa de se aproximar de Augusto Faria — um homem frio, calculista e de olhar cortante. Ele a previne: “Não me provoque, você não aguentaria o jogo.” Mas o jogo, já em movimento, vai muito além da sedução. Após ser rejeitada e expulsa de casa, Valentina encontra um porto improvável ao lado de Augusto. Eles se casam, mas ela logo percebe que, além de ser a madrasta de um filho que não é seu, ela ocupa o lugar de um fantasma — alguém que ela apenas se parece. Pensando em se libertar dessa farsa, Valentina pede o divórcio. Contudo, Augusto a envolve com um abraço inesperado e uma voz rouca de suplicante: “Não vá. Fique.” Ela sorri com ironia e responde, com a mesma ousadia de quando tudo começou: “Sr. Augusto, o senhor é quem não sabe brincar, não é mesmo?” Um romance ardente, onde o amor e o passado colidem em um jogo perigoso de posse, mágoas e redenção.

Capítulo 1Valentina Morais gostava de Rafael Castro, isso todo mundo sabia.O que ninguém sabia era que, mesmo após cinco anos de noivado, ele nunca havia sequer tocado nela.— Rafael, hoje faz cinco anos do nosso noivado. Quando é que você vai vir?No salão reservado no último andar do hotel, balões decoravam o ambiente, as luzes de rosas se espalhavam pelas paredes. O telefone só foi atendido depois que Valentina Morais, pontual às sete, já esperava há mais de duas horas. Passava das nove.— Estou ocupado.— Ocupado com o quê? — Mal terminou de perguntar, uma voz suave soou do outro lado da linha.— Rafael, estou sentindo muita dor.O coração de Valentina Morais apertou. Arriscou:— Você está com a Cecília Serra?— Ela teve um problema.— E por que você tem que ser o responsável por isso? — A voz de Valentina Morais vacilava, trêmula. — Ou será que, pra você, ela é mais importante do que eu?— Vai querer discutir logo agora?!Naquele instante, algo pareceu explodir na cabeça de Valentina Morais. Seus olhos se avermelharam, o coração afundou como se puxado para o fundo do mar, um frio percorreu todo seu corpo.Tentou falar, mas só conseguiu dizer depois de um tempo:— Nesse caso, vamos terminar o noivado.Achou que ele, ao menos, tentaria acalmá-la.Mas, ao contrário, desligou o telefone sem hesitar.Valentina Morais soltou um riso irônico, os olhos úmidos. O que, afinal, ela ainda esperava?Pegou a garrafa de vinho tinto já aberta e bebeu direto da boca....Ao sair do salão, já passava das onze da noite.Entrou no elevador e, ao se virar, viu um homem parado do lado de fora.Terno preto impecável, postura altiva, traços marcantes e olhar contido, que só realçava ainda mais sua presença imponente.O homem também a observava:O vestido azul escuro tradicional, o rosto levemente corado como uma flor em pleno verão, olhos amendoados e sobrancelhas finas, a cintura delicada. A fenda do vestido subia até o meio da coxa; a cada movimento dela, as pernas longas e alvas chamavam atenção.Entre delicadeza e sensualidade, concentrava todo o encanto do momento.Mas o cheiro de álcool era forte. O olhar dele ficou mais sério. Não entrou no elevador, mas ela, de repente, deu dois passos para frente.Estendeu a mão e puxou a gravata dele.O puxou para dentro do elevador.No instante seguinte,Seu corpo quente caiu nos braços dele, a surpresa fez todos os músculos do homem se retesarem, ficando imóvel por um momento.Nesse breve segundo de hesitação, ela já se apoiava em suas pontas dos pés, beijando-o.Seus lábios, quentes e suaves.Mas seu corpo oscilava, incapaz de se manter de pé. Quando quase escorregou dos braços dele,Ele a segurou pela cintura.Com o corpo colado ao dele, Valentina Morais sentiu um arrepio percorrer seu corpo.Quando recobrou a consciência, já estava prensada contra a parede do elevador; o frio do metal às costas, e, à frente, o homem incendiava seu corpo, beijando-a com ardor, dominador e intenso.Entre o calor e o frio, ela não conseguia resistir. Só conseguia murmurar baixinho, como um filhote manhoso.O som, suave e provocante, só aumentava o desejo.O elevador descia lentamente, e Valentina sentia como se fosse arrastada para um abismo de desejo junto com ele.— Ding... — O elevador chegou ao térreo.A intimidade cessou imediatamente.Os dedos de Valentina Morais ainda prendiam a gravata dele. Ela murmurou:— Me leva com você.A mulher à sua frente, corpo mole, se apoiava nele; o hálito dela atingia todo o seu rosto.Era provocação, era tentação.O olhar do homem escureceu ainda mais, e sua garganta se moveu discretamente.Entre adultos, certas coisas não precisam ser ditas. Um olhar basta para que tudo se entenda — ainda mais diante de tamanha iniciativa.Ao entrar no quarto do hotel, o homem a encostou contra a parede. O fecho metálico do cinto pressionou seu abdômen, o frio do contato percorreu seu corpo com um arrepio cortante. Ele falou com a voz rouca, a respiração quente roçando sua orelha:— Me ajuda.O quarto estava às escuras. As mãos de Valentina Morais tremiam quando ela tocou suavemente o fecho do cinto.Porém, sem experiência e com o efeito do álcool tornando sua mente turva, seus movimentos eram desajeitados; por mais que tentasse, não conseguia abrir o cinto.Ergueu o rosto, pedindo ajuda:— Não consigo abrir.Sua voz, levemente manhosa, soava como um pedido mimado, provocando arrepios.O homem apenas riu baixo.— Eu te ensino.Com essas palavras, o clima ficou ainda mais carregado de expectativa.Ele estendeu a mão, cobrindo com a palma o dorso da mão dela, mas parou de repente.— Hum? O que foi? — Ela ergueu o rosto, as bochechas coradas.Ele segurou a mão dela, acariciando devagar. Notou o anel de diamante no dedo anelar direito dela. Franziu levemente a testa e perguntou:— Você está noiva?— Sim.— E veio se divertir? — Ele arqueou as sobrancelhas, fitando-a intensamente.— Por que, não posso? — Valentina Morais riu, com um ar de indiferença.Rafael Castro podia traí-la, se envolvendo com Cecília Serra.Por que ela deveria ser fiel a ele?O olhar do homem ficou cortante, mantendo-a contra a parede. Seu respirar já não era mais quente e urgente como antes, agora exalava indiferença, um frio que gelava a espinha.— Já tem noivo, então não me provoque. Não quero brincar com fogo e você não aguentar depois.— Como pode saber se não tentar? — O sorriso dela era atrevido, quase desafiador.Era como se perguntasse: “E se for você que não aguenta?”Se fosse só um caso, uma noite desenfreada não era nada demais.Mas...Ele não se envolvia com mulheres comprometidas.Dava trabalho demais.Mas então, “clique” — o fecho do cinto finalmente se abriu. Os dedos dela seguravam o cinto, os olhos úmidos e provocantes grudados nos dele.Era uma provocação, um convite.Ele nunca foi de se privar do que queria; pegou-a nos braços e a deitou na cama.O beijo dela era quente, mas inexperiente.Valentina Morais, mesmo embriagada e ousada, estava claramente nervosa e perdida. Seus dedos se agarravam com força ao colarinho da camisa dele, os lábios presos entre os dentes, o corpo inteiro tremendo.Com um gesto suave, ele a tranquilizou, murmurando com voz rouca:— Não segure, pode gemer.O resto aconteceu como um incêndio: impossível de conter.O quarto permanecia na penumbra, a luz da lua filtrando-se pela janela, acompanhando a cadência das respirações dos dois....Depois, o homem se levantou, cuidou dela, limpando seu corpo com delicadeza. Ao olhar de canto de olho para o lençol, viu uma mancha avermelhada. Franziu as sobrancelhas.Ele não se envolvia com mulheres comprometidas. Nem com inexperientes.Detestava encrenca.Mas naquela noite, quebrou ambas as regras.À luz da lua, acendeu um cigarro, mas seu olhar permaneceu na mulher adormecida sobre a cama.Ela tinha um rosto delicado, expressão inocente, olhos amendoados levemente embriagados. Vestia o traje tradicional, a cintura fina delineando curvas hipnotizantes.Era o tipo dele.Quebrar a regra uma vez, de vez em quando, não era o fim do mundo.**Na manhã seguinteValentina Morais acordou sentindo o corpo dolorido, mole, a cabeça latejando. As lembranças da noite anterior vieram como uma onda, junto ao rosto desconhecido e contido do homem.Ela realmente havia dormido com um estranho!Como médica, sentia no próprio corpo a intensidade da noite — não precisava de mais provas.O traje tradicional rasgado atestava a loucura vivida, e o homem da noite anterior havia sumido sem deixar vestígios. Depois de toda aquela intensidade, ele desapareceu sem hesitar.Valentina respirou fundo e, ao lado da cama, encontrou roupas novas, lingerie e...Um cheque de um milhão.E uma caixa de anticoncepcional.Valentina Morais tomou um banho rápido, vestiu roupas novas, engoliu o anticoncepcional e, sem hesitar, guardou o cheque no bolso após lançar-lhe um olhar breve.No caminho de volta para casa, ligou para a chefe do departamento pedindo licença e não foi ao hospital trabalhar.Quando chegou em casa, mal abriu a porta e, antes que pudesse reagir, tudo ficou turvo diante dos olhos.— Pá! — Sua bochecha esquerda sentiu o impacto de um tapa.— Sebastião, por que está batendo nela? — Luciana Silva se apressou para intervir.Sebastião Morais soltou um riso frio:— Nossa família criou essa menina por mais de vinte anos. Ela ficou noiva do Rafael Castro porque quis. Agora, sem nem pedir minha permissão, quer romper o noivado? Acho que está se achando dona do próprio nariz!— Tio, eu não quero mais me casar com ele. — Valentina Morais ergueu os olhos, sustentando o olhar dele.— Se não fosse por nós, depois que seus pais morreram, você acha que teria a vida que tem hoje? Vá já procurar o Rafael e peça desculpas. Se ele não te perdoar, nem volte pra cá!Depois de falar isso, Sebastião Morais virou as costas e saiu.Valentina Morais tinha a pele clara e delicada; com aquele tapa, seu rosto já estava vermelho e inchado.— Tina, seu tio não fez por mal. Ele só está muito nervoso. — Luciana Silva envolveu um saco de gelo em uma toalha e o colocou no rosto dela.— Ele ligou hoje cedo, disse que, se o noivado fosse desfeito, tiraria o investimento da empresa. Você sabe, nesses últimos anos as coisas não andam bem, e só conseguimos sobreviver por causa da ajuda dele.— Ouça a sua tia, vá falar com o Rafael, peça desculpas, tudo bem?Sebastião Morais nunca a tratou bem, mas Luciana Silva sempre foi muito carinhosa com ela.Diante do apelo da tia, Valentina Morais não resistiu e concordou com um aceno.**Valentina Morais foi atrás de Rafael Castro, não para se humilhar, mas para que ambos pudessem terminar de maneira civilizada.Ligou para ele, mas ninguém atendeu.Acabou vendo no Instagram uma foto marcando ele: “Encontro inesperado com Sr. Rafael e Srta. Serra, um casal perfeito.”Localização: Aldeia Lago Azul.Quando Valentina Morais encontrou Rafael Castro, ele estava no haras, segurando as rédeas de um cavalo para uma garota.A garota era delicada e charmosa; ao vê-la, nem deu atenção, exibindo um ar altivo. Aquela era Cecília Serra, a filha mais velha da família Serra, de Cidade Capital.O sorriso no rosto de Rafael Castro era algo que Valentina nunca tinha visto antes.Era pleno verão. O sol forte doía nos olhos, de tão intenso.Ao vê-la, Rafael Castro correu até ela, o rosto fechado:— O que você está fazendo aqui?— Quero conversar com você.— Não está vendo que estou ocupado?— Ocupado segurando o cavalo para outra pessoa?— Seja o que for, falamos depois. Não venha causar confusão aqui, estou avisando.Nesse momento, um homem a cavalo retornou de longe.Com uma mão firme segurando as rédeas, ele conduziu o animal com frieza e elegância. Vestido com traje de equitação preto, transmitia imponência e controle. Quando olhou em direção a Valentina Morais, ela ficou paralisada de surpresa.Não podia ser…Ele desmontou com leveza. Cecília Serra desceu rapidamente e correu até ele, sorrindo de forma a agradá-lo:— Tio!Ele respondeu com um breve aceno, indiferente. Valentina Morais sentiu como se tivesse levado um choque.Era ele, o diretor da S&S—Augusto Serra?Fora dali, todos o chamavam Sr. Augusto.Era famoso, temido por todos.Ele tirou as luvas, lançou um olhar superficial a Valentina Morais, altivo e frio:— E esta, quem é?— É uma amiga minha. — Rafael Castro se apressou em responder.Com uma única frase, Valentina Morais sentiu o coração afundar.Para agradar a família Serra, ele sequer teve coragem de dizer quem ela era de verdade.— Sendo amiga, troque de roupa e venha se juntar a nós. — Augusto Serra falou em tom calmo.Autoritário, Rafael Castro não ousou recusar e pediu que Valentina Morais fosse se trocar.**Do lado de fora do vestiárioValentina Morais saiu já vestida com as roupas apropriadas, tirou o anel e estendeu a mão para remover o colar do pescoço.Era proibido usar acessórios durante a cavalgada, para evitar acidentes.Mas não conseguia abrir o fecho do colar, o que a deixou ansiosa. Nesse instante, ouviu passos atrás de si. Antes que pudesse reagir, sentiu uma mão tocar sua nuca.Instintivamente, quis virar-se, mas foi impedida:— Não se mexa.Era Augusto Serra.Capítulo 2Valentina Morais gostava de Rafael Castro, isso todo mundo sabia.O que ninguém sabia era que, mesmo após cinco anos de noivado, ele nunca havia sequer tocado nela.— Rafael, hoje faz cinco anos do nosso noivado. Quando é que você vai vir?No salão reservado no último andar do hotel, balões decoravam o ambiente, as luzes de rosas se espalhavam pelas paredes. O telefone só foi atendido depois que Valentina Morais, pontual às sete, já esperava há mais de duas horas. Passava das nove.— Estou ocupado.— Ocupado com o quê? — Mal terminou de perguntar, uma voz suave soou do outro lado da linha.— Rafael, estou sentindo muita dor.O coração de Valentina Morais apertou. Arriscou:— Você está com a Cecília Serra?— Ela teve um problema.— E por que você tem que ser o responsável por isso? — A voz de Valentina Morais vacilava, trêmula. — Ou será que, pra você, ela é mais importante do que eu?— Vai querer discutir logo agora?!Naquele instante, algo pareceu explodir na cabeça de Valentina Morais. Seus olhos se avermelharam, o coração afundou como se puxado para o fundo do mar, um frio percorreu todo seu corpo.Tentou falar, mas só conseguiu dizer depois de um tempo:— Nesse caso, vamos terminar o noivado.Achou que ele, ao menos, tentaria acalmá-la.Mas, ao contrário, desligou o telefone sem hesitar.Valentina Morais soltou um riso irônico, os olhos úmidos. O que, afinal, ela ainda esperava?Pegou a garrafa de vinho tinto já aberta e bebeu direto da boca....Ao sair do salão, já passava das onze da noite.Entrou no elevador e, ao se virar, viu um homem parado do lado de fora.Terno preto impecável, postura altiva, traços marcantes e olhar contido, que só realçava ainda mais sua presença imponente.O homem também a observava:O vestido azul escuro tradicional, o rosto levemente corado como uma flor em pleno verão, olhos amendoados e sobrancelhas finas, a cintura delicada. A fenda do vestido subia até o meio da coxa; a cada movimento dela, as pernas longas e alvas chamavam atenção.Entre delicadeza e sensualidade, concentrava todo o encanto do momento.Mas o cheiro de álcool era forte. O olhar dele ficou mais sério. Não entrou no elevador, mas ela, de repente, deu dois passos para frente.Estendeu a mão e puxou a gravata dele.O puxou para dentro do elevador.No instante seguinte,Seu corpo quente caiu nos braços dele, a surpresa fez todos os músculos do homem se retesarem, ficando imóvel por um momento.Nesse breve segundo de hesitação, ela já se apoiava em suas pontas dos pés, beijando-o.Seus lábios, quentes e suaves.Mas seu corpo oscilava, incapaz de se manter de pé. Quando quase escorregou dos braços dele,Ele a segurou pela cintura.Com o corpo colado ao dele, Valentina Morais sentiu um arrepio percorrer seu corpo.Quando recobrou a consciência, já estava prensada contra a parede do elevador; o frio do metal às costas, e, à frente, o homem incendiava seu corpo, beijando-a com ardor, dominador e intenso.Entre o calor e o frio, ela não conseguia resistir. Só conseguia murmurar baixinho, como um filhote manhoso.O som, suave e provocante, só aumentava o desejo.O elevador descia lentamente, e Valentina sentia como se fosse arrastada para um abismo de desejo junto com ele.— Ding... — O elevador chegou ao térreo.A intimidade cessou imediatamente.Os dedos de Valentina Morais ainda prendiam a gravata dele. Ela murmurou:— Me leva com você.A mulher à sua frente, corpo mole, se apoiava nele; o hálito dela atingia todo o seu rosto.Era provocação, era tentação.O olhar do homem escureceu ainda mais, e sua garganta se moveu discretamente.Entre adultos, certas coisas não precisam ser ditas. Um olhar basta para que tudo se entenda — ainda mais diante de tamanha iniciativa.Ao entrar no quarto do hotel, o homem a encostou contra a parede. O fecho metálico do cinto pressionou seu abdômen, o frio do contato percorreu seu corpo com um arrepio cortante. Ele falou com a voz rouca, a respiração quente roçando sua orelha:— Me ajuda.O quarto estava às escuras. As mãos de Valentina Morais tremiam quando ela tocou suavemente o fecho do cinto.Porém, sem experiência e com o efeito do álcool tornando sua mente turva, seus movimentos eram desajeitados; por mais que tentasse, não conseguia abrir o cinto.Ergueu o rosto, pedindo ajuda:— Não consigo abrir.Sua voz, levemente manhosa, soava como um pedido mimado, provocando arrepios.O homem apenas riu baixo.— Eu te ensino.Com essas palavras, o clima ficou ainda mais carregado de expectativa.Ele estendeu a mão, cobrindo com a palma o dorso da mão dela, mas parou de repente.— Hum? O que foi? — Ela ergueu o rosto, as bochechas coradas.Ele segurou a mão dela, acariciando devagar. Notou o anel de diamante no dedo anelar direito dela. Franziu levemente a testa e perguntou:— Você está noiva?— Sim.— E veio se divertir? — Ele arqueou as sobrancelhas, fitando-a intensamente.— Por que, não posso? — Valentina Morais riu, com um ar de indiferença.Rafael Castro podia traí-la, se envolvendo com Cecília Serra.Por que ela deveria ser fiel a ele?O olhar do homem ficou cortante, mantendo-a contra a parede. Seu respirar já não era mais quente e urgente como antes, agora exalava indiferença, um frio que gelava a espinha.— Já tem noivo, então não me provoque. Não quero brincar com fogo e você não aguentar depois.— Como pode saber se não tentar? — O sorriso dela era atrevido, quase desafiador.Era como se perguntasse: “E se for você que não aguenta?”Se fosse só um caso, uma noite desenfreada não era nada demais.Mas...Ele não se envolvia com mulheres comprometidas.Dava trabalho demais.Mas então, “clique” — o fecho do cinto finalmente se abriu. Os dedos dela seguravam o cinto, os olhos úmidos e provocantes grudados nos dele.Era uma provocação, um convite.Ele nunca foi de se privar do que queria; pegou-a nos braços e a deitou na cama.O beijo dela era quente, mas inexperiente.Valentina Morais, mesmo embriagada e ousada, estava claramente nervosa e perdida. Seus dedos se agarravam com força ao colarinho da camisa dele, os lábios presos entre os dentes, o corpo inteiro tremendo.Com um gesto suave, ele a tranquilizou, murmurando com voz rouca:— Não segure, pode gemer.O resto aconteceu como um incêndio: impossível de conter.O quarto permanecia na penumbra, a luz da lua filtrando-se pela janela, acompanhando a cadência das respirações dos dois....Depois, o homem se levantou, cuidou dela, limpando seu corpo com delicadeza. Ao olhar de canto de olho para o lençol, viu uma mancha avermelhada. Franziu as sobrancelhas.Ele não se envolvia com mulheres comprometidas. Nem com inexperientes.Detestava encrenca.Mas naquela noite, quebrou ambas as regras.À luz da lua, acendeu um cigarro, mas seu olhar permaneceu na mulher adormecida sobre a cama.Ela tinha um rosto delicado, expressão inocente, olhos amendoados levemente embriagados. Vestia o traje tradicional, a cintura fina delineando curvas hipnotizantes.Era o tipo dele.Quebrar a regra uma vez, de vez em quando, não era o fim do mundo.**Na manhã seguinteValentina Morais acordou sentindo o corpo dolorido, mole, a cabeça latejando. As lembranças da noite anterior vieram como uma onda, junto ao rosto desconhecido e contido do homem.Ela realmente havia dormido com um estranho!Como médica, sentia no próprio corpo a intensidade da noite — não precisava de mais provas.O traje tradicional rasgado atestava a loucura vivida, e o homem da noite anterior havia sumido sem deixar vestígios. Depois de toda aquela intensidade, ele desapareceu sem hesitar.Valentina respirou fundo e, ao lado da cama, encontrou roupas novas, lingerie e...Um cheque de um milhão.E uma caixa de anticoncepcional.Valentina Morais tomou um banho rápido, vestiu roupas novas, engoliu o anticoncepcional e, sem hesitar, guardou o cheque no bolso após lançar-lhe um olhar breve.No caminho de volta para casa, ligou para a chefe do departamento pedindo licença e não foi ao hospital trabalhar.Quando chegou em casa, mal abriu a porta e, antes que pudesse reagir, tudo ficou turvo diante dos olhos.— Pá! — Sua bochecha esquerda sentiu o impacto de um tapa.— Sebastião, por que está batendo nela? — Luciana Silva se apressou para intervir.Sebastião Morais soltou um riso frio:— Nossa família criou essa menina por mais de vinte anos. Ela ficou noiva do Rafael Castro porque quis. Agora, sem nem pedir minha permissão, quer romper o noivado? Acho que está se achando dona do próprio nariz!— Tio, eu não quero mais me casar com ele. — Valentina Morais ergueu os olhos, sustentando o olhar dele.— Se não fosse por nós, depois que seus pais morreram, você acha que teria a vida que tem hoje? Vá já procurar o Rafael e peça desculpas. Se ele não te perdoar, nem volte pra cá!Depois de falar isso, Sebastião Morais virou as costas e saiu.Valentina Morais tinha a pele clara e delicada; com aquele tapa, seu rosto já estava vermelho e inchado.— Tina, seu tio não fez por mal. Ele só está muito nervoso. — Luciana Silva envolveu um saco de gelo em uma toalha e o colocou no rosto dela.— Ele ligou hoje cedo, disse que, se o noivado fosse desfeito, tiraria o investimento da empresa. Você sabe, nesses últimos anos as coisas não andam bem, e só conseguimos sobreviver por causa da ajuda dele.— Ouça a sua tia, vá falar com o Rafael, peça desculpas, tudo bem?Sebastião Morais nunca a tratou bem, mas Luciana Silva sempre foi muito carinhosa com ela.Diante do apelo da tia, Valentina Morais não resistiu e concordou com um aceno.**Valentina Morais foi atrás de Rafael Castro, não para se humilhar, mas para que ambos pudessem terminar de maneira civilizada.Ligou para ele, mas ninguém atendeu.Acabou vendo no Instagram uma foto marcando ele: “Encontro inesperado com Sr. Rafael e Srta. Serra, um casal perfeito.”Localização: Aldeia Lago Azul.Quando Valentina Morais encontrou Rafael Castro, ele estava no haras, segurando as rédeas de um cavalo para uma garota.A garota era delicada e charmosa; ao vê-la, nem deu atenção, exibindo um ar altivo. Aquela era Cecília Serra, a filha mais velha da família Serra, de Cidade Capital.O sorriso no rosto de Rafael Castro era algo que Valentina nunca tinha visto antes.Era pleno verão. O sol forte doía nos olhos, de tão intenso.Ao vê-la, Rafael Castro correu até ela, o rosto fechado:— O que você está fazendo aqui?— Quero conversar com você.— Não está vendo que estou ocupado?— Ocupado segurando o cavalo para outra pessoa?— Seja o que for, falamos depois. Não venha causar confusão aqui, estou avisando.Nesse momento, um homem a cavalo retornou de longe.Com uma mão firme segurando as rédeas, ele conduziu o animal com frieza e elegância. Vestido com traje de equitação preto, transmitia imponência e controle. Quando olhou em direção a Valentina Morais, ela ficou paralisada de surpresa.Não podia ser…Ele desmontou com leveza. Cecília Serra desceu rapidamente e correu até ele, sorrindo de forma a agradá-lo:— Tio!Ele respondeu com um breve aceno, indiferente. Valentina Morais sentiu como se tivesse levado um choque.Era ele, o diretor da S&S—Augusto Serra?Fora dali, todos o chamavam Sr. Augusto.Era famoso, temido por todos.Ele tirou as luvas, lançou um olhar superficial a Valentina Morais, altivo e frio:— E esta, quem é?— É uma amiga minha. — Rafael Castro se apressou em responder.Com uma única frase, Valentina Morais sentiu o coração afundar.Para agradar a família Serra, ele sequer teve coragem de dizer quem ela era de verdade.— Sendo amiga, troque de roupa e venha se juntar a nós. — Augusto Serra falou em tom calmo.Autoritário, Rafael Castro não ousou recusar e pediu que Valentina Morais fosse se trocar.**Do lado de fora do vestiárioValentina Morais saiu já vestida com as roupas apropriadas, tirou o anel e estendeu a mão para remover o colar do pescoço.Era proibido usar acessórios durante a cavalgada, para evitar acidentes.Mas não conseguia abrir o fecho do colar, o que a deixou ansiosa. Nesse instante, ouviu passos atrás de si. Antes que pudesse reagir, sentiu uma mão tocar sua nuca.Instintivamente, quis virar-se, mas foi impedida:— Não se mexa.Era Augusto Serra.Capítulo 3Valentina Morais gostava de Rafael Castro, isso todo mundo sabia.O que ninguém sabia era que, mesmo após cinco anos de noivado, ele nunca havia sequer tocado nela.— Rafael, hoje faz cinco anos do nosso noivado. Quando é que você vai vir?No salão reservado no último andar do hotel, balões decoravam o ambiente, as luzes de rosas se espalhavam pelas paredes. O telefone só foi atendido depois que Valentina Morais, pontual às sete, já esperava há mais de duas horas. Passava das nove.— Estou ocupado.— Ocupado com o quê? — Mal terminou de perguntar, uma voz suave soou do outro lado da linha.— Rafael, estou sentindo muita dor.O coração de Valentina Morais apertou. Arriscou:— Você está com a Cecília Serra?— Ela teve um problema.— E por que você tem que ser o responsável por isso? — A voz de Valentina Morais vacilava, trêmula. — Ou será que, pra você, ela é mais importante do que eu?— Vai querer discutir logo agora?!Naquele instante, algo pareceu explodir na cabeça de Valentina Morais. Seus olhos se avermelharam, o coração afundou como se puxado para o fundo do mar, um frio percorreu todo seu corpo.Tentou falar, mas só conseguiu dizer depois de um tempo:— Nesse caso, vamos terminar o noivado.Achou que ele, ao menos, tentaria acalmá-la.Mas, ao contrário, desligou o telefone sem hesitar.Valentina Morais soltou um riso irônico, os olhos úmidos. O que, afinal, ela ainda esperava?Pegou a garrafa de vinho tinto já aberta e bebeu direto da boca....Ao sair do salão, já passava das onze da noite.Entrou no elevador e, ao se virar, viu um homem parado do lado de fora.Terno preto impecável, postura altiva, traços marcantes e olhar contido, que só realçava ainda mais sua presença imponente.O homem também a observava:O vestido azul escuro tradicional, o rosto levemente corado como uma flor em pleno verão, olhos amendoados e sobrancelhas finas, a cintura delicada. A fenda do vestido subia até o meio da coxa; a cada movimento dela, as pernas longas e alvas chamavam atenção.Entre delicadeza e sensualidade, concentrava todo o encanto do momento.Mas o cheiro de álcool era forte. O olhar dele ficou mais sério. Não entrou no elevador, mas ela, de repente, deu dois passos para frente.Estendeu a mão e puxou a gravata dele.O puxou para dentro do elevador.No instante seguinte,Seu corpo quente caiu nos braços dele, a surpresa fez todos os músculos do homem se retesarem, ficando imóvel por um momento.Nesse breve segundo de hesitação, ela já se apoiava em suas pontas dos pés, beijando-o.Seus lábios, quentes e suaves.Mas seu corpo oscilava, incapaz de se manter de pé. Quando quase escorregou dos braços dele,Ele a segurou pela cintura.Com o corpo colado ao dele, Valentina Morais sentiu um arrepio percorrer seu corpo.Quando recobrou a consciência, já estava prensada contra a parede do elevador; o frio do metal às costas, e, à frente, o homem incendiava seu corpo, beijando-a com ardor, dominador e intenso.Entre o calor e o frio, ela não conseguia resistir. Só conseguia murmurar baixinho, como um filhote manhoso.O som, suave e provocante, só aumentava o desejo.O elevador descia lentamente, e Valentina sentia como se fosse arrastada para um abismo de desejo junto com ele.— Ding... — O elevador chegou ao térreo.A intimidade cessou imediatamente.Os dedos de Valentina Morais ainda prendiam a gravata dele. Ela murmurou:— Me leva com você.A mulher à sua frente, corpo mole, se apoiava nele; o hálito dela atingia todo o seu rosto.Era provocação, era tentação.O olhar do homem escureceu ainda mais, e sua garganta se moveu discretamente.Entre adultos, certas coisas não precisam ser ditas. Um olhar basta para que tudo se entenda — ainda mais diante de tamanha iniciativa.Ao entrar no quarto do hotel, o homem a encostou contra a parede. O fecho metálico do cinto pressionou seu abdômen, o frio do contato percorreu seu corpo com um arrepio cortante. Ele falou com a voz rouca, a respiração quente roçando sua orelha:— Me ajuda.O quarto estava às escuras. As mãos de Valentina Morais tremiam quando ela tocou suavemente o fecho do cinto.Porém, sem experiência e com o efeito do álcool tornando sua mente turva, seus movimentos eram desajeitados; por mais que tentasse, não conseguia abrir o cinto.Ergueu o rosto, pedindo ajuda:— Não consigo abrir.Sua voz, levemente manhosa, soava como um pedido mimado, provocando arrepios.O homem apenas riu baixo.— Eu te ensino.Com essas palavras, o clima ficou ainda mais carregado de expectativa.Ele estendeu a mão, cobrindo com a palma o dorso da mão dela, mas parou de repente.— Hum? O que foi? — Ela ergueu o rosto, as bochechas coradas.Ele segurou a mão dela, acariciando devagar. Notou o anel de diamante no dedo anelar direito dela. Franziu levemente a testa e perguntou:— Você está noiva?— Sim.— E veio se divertir? — Ele arqueou as sobrancelhas, fitando-a intensamente.— Por que, não posso? — Valentina Morais riu, com um ar de indiferença.Rafael Castro podia traí-la, se envolvendo com Cecília Serra.Por que ela deveria ser fiel a ele?O olhar do homem ficou cortante, mantendo-a contra a parede. Seu respirar já não era mais quente e urgente como antes, agora exalava indiferença, um frio que gelava a espinha.— Já tem noivo, então não me provoque. Não quero brincar com fogo e você não aguentar depois.— Como pode saber se não tentar? — O sorriso dela era atrevido, quase desafiador.Era como se perguntasse: “E se for você que não aguenta?”Se fosse só um caso, uma noite desenfreada não era nada demais.Mas...Ele não se envolvia com mulheres comprometidas.Dava trabalho demais.Mas então, “clique” — o fecho do cinto finalmente se abriu. Os dedos dela seguravam o cinto, os olhos úmidos e provocantes grudados nos dele.Era uma provocação, um convite.Ele nunca foi de se privar do que queria; pegou-a nos braços e a deitou na cama.O beijo dela era quente, mas inexperiente.Valentina Morais, mesmo embriagada e ousada, estava claramente nervosa e perdida. Seus dedos se agarravam com força ao colarinho da camisa dele, os lábios presos entre os dentes, o corpo inteiro tremendo.Com um gesto suave, ele a tranquilizou, murmurando com voz rouca:— Não segure, pode gemer.O resto aconteceu como um incêndio: impossível de conter.O quarto permanecia na penumbra, a luz da lua filtrando-se pela janela, acompanhando a cadência das respirações dos dois....Depois, o homem se levantou, cuidou dela, limpando seu corpo com delicadeza. Ao olhar de canto de olho para o lençol, viu uma mancha avermelhada. Franziu as sobrancelhas.Ele não se envolvia com mulheres comprometidas. Nem com inexperientes.Detestava encrenca.Mas naquela noite, quebrou ambas as regras.À luz da lua, acendeu um cigarro, mas seu olhar permaneceu na mulher adormecida sobre a cama.Ela tinha um rosto delicado, expressão inocente, olhos amendoados levemente embriagados. Vestia o traje tradicional, a cintura fina delineando curvas hipnotizantes.Era o tipo dele.Quebrar a regra uma vez, de vez em quando, não era o fim do mundo.**Na manhã seguinteValentina Morais acordou sentindo o corpo dolorido, mole, a cabeça latejando. As lembranças da noite anterior vieram como uma onda, junto ao rosto desconhecido e contido do homem.Ela realmente havia dormido com um estranho!Como médica, sentia no próprio corpo a intensidade da noite — não precisava de mais provas.O traje tradicional rasgado atestava a loucura vivida, e o homem da noite anterior havia sumido sem deixar vestígios. Depois de toda aquela intensidade, ele desapareceu sem hesitar.Valentina respirou fundo e, ao lado da cama, encontrou roupas novas, lingerie e...Um cheque de um milhão.E uma caixa de anticoncepcional.Valentina Morais tomou um banho rápido, vestiu roupas novas, engoliu o anticoncepcional e, sem hesitar, guardou o cheque no bolso após lançar-lhe um olhar breve.No caminho de volta para casa, ligou para a chefe do departamento pedindo licença e não foi ao hospital trabalhar.Quando chegou em casa, mal abriu a porta e, antes que pudesse reagir, tudo ficou turvo diante dos olhos.— Pá! — Sua bochecha esquerda sentiu o impacto de um tapa.— Sebastião, por que está batendo nela? — Luciana Silva se apressou para intervir.Sebastião Morais soltou um riso frio:— Nossa família criou essa menina por mais de vinte anos. Ela ficou noiva do Rafael Castro porque quis. Agora, sem nem pedir minha permissão, quer romper o noivado? Acho que está se achando dona do próprio nariz!— Tio, eu não quero mais me casar com ele. — Valentina Morais ergueu os olhos, sustentando o olhar dele.— Se não fosse por nós, depois que seus pais morreram, você acha que teria a vida que tem hoje? Vá já procurar o Rafael e peça desculpas. Se ele não te perdoar, nem volte pra cá!Depois de falar isso, Sebastião Morais virou as costas e saiu.Valentina Morais tinha a pele clara e delicada; com aquele tapa, seu rosto já estava vermelho e inchado.— Tina, seu tio não fez por mal. Ele só está muito nervoso. — Luciana Silva envolveu um saco de gelo em uma toalha e o colocou no rosto dela.— Ele ligou hoje cedo, disse que, se o noivado fosse desfeito, tiraria o investimento da empresa. Você sabe, nesses últimos anos as coisas não andam bem, e só conseguimos sobreviver por causa da ajuda dele.— Ouça a sua tia, vá falar com o Rafael, peça desculpas, tudo bem?Sebastião Morais nunca a tratou bem, mas Luciana Silva sempre foi muito carinhosa com ela.Diante do apelo da tia, Valentina Morais não resistiu e concordou com um aceno.**Valentina Morais foi atrás de Rafael Castro, não para se humilhar, mas para que ambos pudessem terminar de maneira civilizada.Ligou para ele, mas ninguém atendeu.Acabou vendo no Instagram uma foto marcando ele: “Encontro inesperado com Sr. Rafael e Srta. Serra, um casal perfeito.”Localização: Aldeia Lago Azul.Quando Valentina Morais encontrou Rafael Castro, ele estava no haras, segurando as rédeas de um cavalo para uma garota.A garota era delicada e charmosa; ao vê-la, nem deu atenção, exibindo um ar altivo. Aquela era Cecília Serra, a filha mais velha da família Serra, de Cidade Capital.O sorriso no rosto de Rafael Castro era algo que Valentina nunca tinha visto antes.Era pleno verão. O sol forte doía nos olhos, de tão intenso.Ao vê-la, Rafael Castro correu até ela, o rosto fechado:— O que você está fazendo aqui?— Quero conversar com você.— Não está vendo que estou ocupado?— Ocupado segurando o cavalo para outra pessoa?— Seja o que for, falamos depois. Não venha causar confusão aqui, estou avisando.Nesse momento, um homem a cavalo retornou de longe.Com uma mão firme segurando as rédeas, ele conduziu o animal com frieza e elegância. Vestido com traje de equitação preto, transmitia imponência e controle. Quando olhou em direção a Valentina Morais, ela ficou paralisada de surpresa.Não podia ser…Ele desmontou com leveza. Cecília Serra desceu rapidamente e correu até ele, sorrindo de forma a agradá-lo:— Tio!Ele respondeu com um breve aceno, indiferente. Valentina Morais sentiu como se tivesse levado um choque.Era ele, o diretor da S&S—Augusto Serra?Fora dali, todos o chamavam Sr. Augusto.Era famoso, temido por todos.Ele tirou as luvas, lançou um olhar superficial a Valentina Morais, altivo e frio:— E esta, quem é?— É uma amiga minha. — Rafael Castro se apressou em responder.Com uma única frase, Valentina Morais sentiu o coração afundar.Para agradar a família Serra, ele sequer teve coragem de dizer quem ela era de verdade.— Sendo amiga, troque de roupa e venha se juntar a nós. — Augusto Serra falou em tom calmo.Autoritário, Rafael Castro não ousou recusar e pediu que Valentina Morais fosse se trocar.**Do lado de fora do vestiárioValentina Morais saiu já vestida com as roupas apropriadas, tirou o anel e estendeu a mão para remover o colar do pescoço.Era proibido usar acessórios durante a cavalgada, para evitar acidentes.Mas não conseguia abrir o fecho do colar, o que a deixou ansiosa. Nesse instante, ouviu passos atrás de si. Antes que pudesse reagir, sentiu uma mão tocar sua nuca.Instintivamente, quis virar-se, mas foi impedida:— Não se mexa.Era Augusto Serra.

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