Há três anos, Victor Rocha foi forçado a se casar com Rosa Neves. Todos diziam que aquela noite fora um ardil de Rosa Neves. Indignado, ele partiu para o exterior. Rosa Neves viveu, assim, por três anos como a Sra. Rocha só no nome. De repente, sua família enfrentou a ruína. Afundada em dívidas, Rosa Neves, porém, despertou. Um amor não correspondido é tão desprezível quanto ervas daninhas. Quando Victor Rocha retornou ao Brasil, e todos aguardavam vê-la bajular o único salva-vidas que lhe restava, ela entregou-lhe os papéis do divórcio de forma direta e decisiva.

Capítulo 1Rosa Neves jamais poderia imaginar que reencontraria Victor Rocha justamente no velório de seu avô.Ele estava vestido de preto, com uma flor branca presa ao peito, caminhou até ficar ao lado dela e então parou, curvando-se junto a ela em homenagem às pessoas que vieram prestar condolências.Victor havia voltado, e Rosa soube disso pelo grupo de amigos no WhatsApp. Era irônico pensar que, sendo esposa dele, precisava descobrir o retorno do marido por meio das redes sociais.Rosa ergueu levemente o olhar, lançando um rápido olhar para o homem ao seu lado.O rosto de Victor, com traços ainda marcantes, era o mesmo que tantas vezes havia surgido nos sonhos dela.Três anos se passaram sem se verem, e Victor parecia mais maduro, com um ar ainda mais sóbrio.Mesmo sabendo que Victor sempre odiara profundamente seu avô, ali estava ele, ao lado dela, fingindo um semblante de tristeza.No fundo, as pessoas eram mesmo hipócritas.Assim como todos aqueles que vieram ao velório: quando a Família Neves estava à beira do abismo, ninguém estendeu a mão. Mas agora que o avô dela se fora, todos apareciam, fingindo proximidade e compaixão."Meus pêsames..." O salto preto apareceu em seu campo de visão; ao erguer os olhos, Rosa viu Helena Dutra.A frase era dirigida a ela, mas o olhar de Helena se demorava mais em Victor.Rosa sabia que eles tinham voltado juntos.Assim como partiram juntos, agora retornavam lado a lado. O documento de casamento em suas mãos nunca foi o suficiente para segurar Victor."Obrigada." Rosa assentiu, inclinando-se em sinal de respeito. Afinal, quem viesse àquela ocasião era um convidado, e não cabia a Rosa demonstrar frieza, ainda mais agora, quando já não tinha motivos nem forças para ser arrogante com ninguém.Antes, seu avô era quem mais a mimava, dava-lhe tudo o que queria. Sabendo que ela gostava de Victor, fez o possível para que o casamento acontecesse.Mesmo ciente de que a noite que passaram juntos, depois de beberem, fora uma armadilha planejada por Rosa, ele decidiu fechar os olhos para isso e permitiu que ela seguisse com seu desejo.As famílias eram próximas há gerações, tinham laços antigos, e por isso, naquela situação, para preservar a reputação da Família Rocha, Victor não teve escolha a não ser casar-se com ela.A sensação de ter sido forçado e manipulado era algo que Victor nunca conseguiu superar. Além do mais, ele provavelmente já gostava de outra pessoa naquela época, então, assim que assinaram o casamento, Victor, em um acesso de raiva, foi embora do país.Ele não podia lutar contra aquela união, mas não estava disposto a facilitar as coisas para Rosa.Depois disso, os pais de Victor também começaram a se afastar de Rosa, percebendo que fora sua determinação implacável que causara a fuga do filho.Logo após Victor partir para o exterior, Helena também foi atrás dele poucos dias depois.E assim, Rosa ficou com o título vazio de Sra. Rocha por três anos.Victor escolheu aquele momento para voltar, e Rosa entendeu claramente: entre eles, tinha chegado ao fim."Por que não me ligou?" Quando os convidados começaram a se dispersar e o salão voltou ao silêncio, Victor tirou a flor branca do peito e olhou para Rosa com indiferença."Você soube mesmo assim, não foi?" Rosa levantou os olhos, tirou também sua flor branca, mas a segurou com cuidado nas mãos.Mesmo sem se falarem, Victor soube da morte de seu avô, e sabia que a Família Neves havia desmoronado.Rosa suspirou levemente e olhou para Victor de novo. "Você está com pressa para voltar?" Pausou, então acrescentou: "Quero dizer, está com pressa de voltar para o exterior?""Não vou mais voltar. Meus pais estão velhos, voltei para cuidar deles, e a empresa precisa da minha ajuda também.""Certo, então." Rosa assentiu. "Só preciso de alguns dias, assim que resolver tudo, eu te procuro."Victor a olhou, arqueando levemente as sobrancelhas, sem entender claramente o que ela queria dizer."Se estiver com muita pressa, pode preparar tudo, assino e você deixa os papéis na empresa do meu avô. Vou estar lá nestes dias."Victor baixou o olhar para ela, só então percebendo que Rosa estava falando sobre o divórcio.Rosa havia trabalhado sem parar na empresa por vários dias, mas em vez de receber os papéis do divórcio enviados por Victor, o que chegou foram cobradores, um atrás do outro.A empresa estava com problemas; seu avô, antes de falecer, havia feito de tudo para salvar a situação, pedindo favores por toda parte e acumulando muitas dívidas.Mesmo assim, não conseguiu salvar a empresa.Além de não aparecer ninguém que realmente pudesse ajudar, no fim, ele acabou exausto, caindo direto no escritório da empresa.E nunca mais acordou.Embora nos últimos dois anos o estado de saúde do velho já estivesse ruim, talvez esses problemas só tenham acelerado sua doença.Mas, de qualquer forma, por causa de tudo isso, Rosa conseguiu enxergar quem realmente se importava e quem apenas fingia.Rosa preparou um café para si, sem adicionar uma gota de açúcar.Enquanto levava a xícara até sua mesa, a porta do escritório se abriu e Antônio Martins entrou, suspirando."Sr. Martins, e então? Eles foram embora?" Rosa respirou fundo, colocou o café na mesa e se aproximou."Foram, mas vão voltar," respondeu Antônio, balançando a cabeça, resignado.Cobradores não eram fáceis de despachar.Rosa abaixou os olhos e assentiu lentamente.Após alguns segundos de silêncio, ela voltou a olhar para ele, seus olhos agora mais firmes. "Sr. Martins, faça um levantamento de todas as dívidas para mim. E..." Ela fez uma breve pausa antes de continuar: "Prepare também um documento de divórcio, por favor."Antônio abriu a boca, mas por um momento não soube o que dizer."Vou procurar o Victor daqui a pouco. Fique tranquilo, vou dar um jeito de quitar todas as dívidas."Caso não conseguisse pagar, a empresa poderia ir à falência ou ser dividida, mas de qualquer maneira, aquela empresa era o trabalho de toda a vida de seu avô.Quando o documento de divórcio realmente foi colocado sobre a mesa, Rosa olhou fixamente para as palavras "acordo de divórcio" e não pôde evitar um aperto no peito.Pegou a caneta e, mesmo sentindo-se amarga, assinou seu nome com firmeza.Deixou a caneta de lado, respirou fundo e discou o número no telefone.O contato de Victor estava salvo na agenda dela há três anos, sem qualquer ligação ou mensagem. Muitas vezes, Rosa pensou em apagá-lo, mas não conseguia, não tinha coragem.Para sua surpresa, ele atendeu rapidamente."Alô..." A voz de Victor soou do outro lado, calma e distante."Sou eu, Rosa", ela falou, se apresentando primeiro, pois duvidava que ele ainda lembrasse daquele número."Eu sei", respondeu Victor, mantendo o mesmo tom frio. Depois de uma breve pausa, perguntou: "O que foi?""Queria te ver, pode ser?"Rosa sentiu vontade de chorar ao fazer o pedido, mas se segurou.Nem Bruno Neves, mesmo nos piores momentos, tinha procurado a Família Rocha para pedir ajuda. O modo como Victor tinha ido embora, demonstrando claramente seu desprezo por Rosa, já era suficiente. Se ela procurasse a Família Rocha, quem sabe como eles iriam tratá-la.Ela era a neta mais querida do avô, ele jamais suportaria vê-la humilhada."Pode, venha até aqui," respondeu Victor, no mesmo tom de sempre.Victor sempre foi distante com Rosa. Quando ela disse que gostava dele, ele reagiu com indiferença; mesmo sendo pressionado a se casar, nunca gritou, nunca se revoltou "simplesmente foi embora, sem olhar para trás.Na época, a partida de Victor doeu muito em Rosa, mas aquele período já tinha passado.Agora, parecia já não importar tanto.Rosa olhou em volta no escritório de Victor. Desde aquele casamento pouco feliz, era a primeira vez que ela voltava ali."Café", Victor colocou a xícara diante de Rosa, seus dedos deslizando pela mesa antes de dar a volta e sentar-se na cadeira do outro lado. "O que você veio fazer aqui?"Apesar de serem marido e mulher, pareciam estranhos um para o outro.Rosa baixou os olhos para o café à sua frente, tomou um gole, fez uma careta e balançou a cabeça antes de largar a xícara. "Não gosto de café com açúcar.""Ah, quer que eu faça outra sem açúcar?" Victor começou a se levantar.Rosa apressou-se em negar com um gesto. "Deixa pra lá, vamos direto ao assunto."Ela tirou do bolso uma papelada de divórcio, colocou-a cuidadosamente sobre a mesa, bem no centro, e empurrou para Victor. "Já assinei."Victor abaixou o olhar e folheou o documento até o final, onde de fato viu a assinatura de Rosa.Rosa pegou uma caneta do porta-canetas na mesa e a estendeu para ele, inclinando-se levemente. "Dá uma olhada nas condições."Victor pegou a caneta, levantou os olhos para ela, e com um sorriso irônico balançou a cabeça. "Já que é assim, por que fez tanta questão de casar comigo? Agora vai se tornar uma divorciada, isso pode atrapalhar se quiser casar de novo, não acha?""Sim, foi meu erro. Achei que podia aquecer o que estava frio", Rosa sorriu, resignada.Na verdade, depois que se admite um erro, muitas coisas acabam perdendo o peso.As palavras de Rosa soaram autodepreciativas, mas Victor sentiu como se estivesse sendo acusado – acusado de ser uma pedra fria, impossível de aquecer.Na verdade, divorciada ou não, Rosa dificilmente encontraria outro casamento. O caos que o avô deixara para ela afastava qualquer pretendente disposto a enfrentar encrenca.Victor leu atentamente o acordo de divórcio, mas parou no meio do caminho. Levantou os olhos para Rosa, surpreso. "Trinta milhões? Você tem coragem mesmo."Rosa já esperava essa reação de Victor.Chegando a esse ponto, ela não se importava mais com orgulho. Se sacrificar sua dignidade pudesse salvar a empresa do avô, já valeria."Esse é meu único pedido para o divórcio", Rosa olhou nos olhos de Victor e sorriu amargo. "Pode ser vergonhoso, mas de qualquer forma, não posso desperdiçar meus três anos de juventude.""Sem falar se realmente aconteceu algo entre nós três anos atrás, nesses três anos, nem seu dedo eu toquei. O que você perdeu?"Rosa encarou Victor. Sentia-se amarga, mas também aliviada. Esse homem, que tratava o casamento como negócio, era quem ela já amara tanto."E, além disso, foi você quem insistiu em casar comigo", Victor fez questão de lembrar."Se realmente não queria mais ficar comigo, podia ter vindo antes pedir o divórcio. Mesmo que eu não aceitasse, poderia ter entrado com uma ação. Mas você não fez nada. Se aceitou que fomos marido e mulher por três anos, então, por eu ter esperado por você esse tempo todo, sem cobrar suas loucuras lá fora, é justo me compensar."Victor olhou para ela e sorriu, provavelmente de raiva. "Que loucura eu fiz nesses três anos que justifique compensação?"Do jeito que Rosa falava, até parecia que ele tinha feito algo imperdoável."Você sabe bem. Não precisamos levar a conversa a esse ponto."Rosa o encarou com serenidade. Já aceitara tudo: que Victor nunca a amaria, que dali em diante ele poderia ficar com quem quisesse, e ela não perguntaria nada, até lhe devolveria a liberdade.Victor a fitou com olhar penetrante por alguns segundos, depois baixou os olhos e voltou ao documento do divórcio. "Preciso de um tempo para pensar.""Claro, eu entendo. Não é pouca coisa, podem discutir", Rosa assentiu.Victor largou a caneta e o acordo em cima da mesa, levantou-se apoiando-se na borda, deu alguns passos até Rosa e pegou a xícara de café à sua frente. Caminhou até a cafeteira, dizendo: "Vou preparar outro café para você. Você merece tomar amargo."Capítulo 2Rosa Neves jamais poderia imaginar que reencontraria Victor Rocha justamente no velório de seu avô.Ele estava vestido de preto, com uma flor branca presa ao peito, caminhou até ficar ao lado dela e então parou, curvando-se junto a ela em homenagem às pessoas que vieram prestar condolências.Victor havia voltado, e Rosa soube disso pelo grupo de amigos no WhatsApp. Era irônico pensar que, sendo esposa dele, precisava descobrir o retorno do marido por meio das redes sociais.Rosa ergueu levemente o olhar, lançando um rápido olhar para o homem ao seu lado.O rosto de Victor, com traços ainda marcantes, era o mesmo que tantas vezes havia surgido nos sonhos dela.Três anos se passaram sem se verem, e Victor parecia mais maduro, com um ar ainda mais sóbrio.Mesmo sabendo que Victor sempre odiara profundamente seu avô, ali estava ele, ao lado dela, fingindo um semblante de tristeza.No fundo, as pessoas eram mesmo hipócritas.Assim como todos aqueles que vieram ao velório: quando a Família Neves estava à beira do abismo, ninguém estendeu a mão. Mas agora que o avô dela se fora, todos apareciam, fingindo proximidade e compaixão."Meus pêsames..." O salto preto apareceu em seu campo de visão; ao erguer os olhos, Rosa viu Helena Dutra.A frase era dirigida a ela, mas o olhar de Helena se demorava mais em Victor.Rosa sabia que eles tinham voltado juntos.Assim como partiram juntos, agora retornavam lado a lado. O documento de casamento em suas mãos nunca foi o suficiente para segurar Victor."Obrigada." Rosa assentiu, inclinando-se em sinal de respeito. Afinal, quem viesse àquela ocasião era um convidado, e não cabia a Rosa demonstrar frieza, ainda mais agora, quando já não tinha motivos nem forças para ser arrogante com ninguém.Antes, seu avô era quem mais a mimava, dava-lhe tudo o que queria. Sabendo que ela gostava de Victor, fez o possível para que o casamento acontecesse.Mesmo ciente de que a noite que passaram juntos, depois de beberem, fora uma armadilha planejada por Rosa, ele decidiu fechar os olhos para isso e permitiu que ela seguisse com seu desejo.As famílias eram próximas há gerações, tinham laços antigos, e por isso, naquela situação, para preservar a reputação da Família Rocha, Victor não teve escolha a não ser casar-se com ela.A sensação de ter sido forçado e manipulado era algo que Victor nunca conseguiu superar. Além do mais, ele provavelmente já gostava de outra pessoa naquela época, então, assim que assinaram o casamento, Victor, em um acesso de raiva, foi embora do país.Ele não podia lutar contra aquela união, mas não estava disposto a facilitar as coisas para Rosa.Depois disso, os pais de Victor também começaram a se afastar de Rosa, percebendo que fora sua determinação implacável que causara a fuga do filho.Logo após Victor partir para o exterior, Helena também foi atrás dele poucos dias depois.E assim, Rosa ficou com o título vazio de Sra. Rocha por três anos.Victor escolheu aquele momento para voltar, e Rosa entendeu claramente: entre eles, tinha chegado ao fim."Por que não me ligou?" Quando os convidados começaram a se dispersar e o salão voltou ao silêncio, Victor tirou a flor branca do peito e olhou para Rosa com indiferença."Você soube mesmo assim, não foi?" Rosa levantou os olhos, tirou também sua flor branca, mas a segurou com cuidado nas mãos.Mesmo sem se falarem, Victor soube da morte de seu avô, e sabia que a Família Neves havia desmoronado.Rosa suspirou levemente e olhou para Victor de novo. "Você está com pressa para voltar?" Pausou, então acrescentou: "Quero dizer, está com pressa de voltar para o exterior?""Não vou mais voltar. Meus pais estão velhos, voltei para cuidar deles, e a empresa precisa da minha ajuda também.""Certo, então." Rosa assentiu. "Só preciso de alguns dias, assim que resolver tudo, eu te procuro."Victor a olhou, arqueando levemente as sobrancelhas, sem entender claramente o que ela queria dizer."Se estiver com muita pressa, pode preparar tudo, assino e você deixa os papéis na empresa do meu avô. Vou estar lá nestes dias."Victor baixou o olhar para ela, só então percebendo que Rosa estava falando sobre o divórcio.Rosa havia trabalhado sem parar na empresa por vários dias, mas em vez de receber os papéis do divórcio enviados por Victor, o que chegou foram cobradores, um atrás do outro.A empresa estava com problemas; seu avô, antes de falecer, havia feito de tudo para salvar a situação, pedindo favores por toda parte e acumulando muitas dívidas.Mesmo assim, não conseguiu salvar a empresa.Além de não aparecer ninguém que realmente pudesse ajudar, no fim, ele acabou exausto, caindo direto no escritório da empresa.E nunca mais acordou.Embora nos últimos dois anos o estado de saúde do velho já estivesse ruim, talvez esses problemas só tenham acelerado sua doença.Mas, de qualquer forma, por causa de tudo isso, Rosa conseguiu enxergar quem realmente se importava e quem apenas fingia.Rosa preparou um café para si, sem adicionar uma gota de açúcar.Enquanto levava a xícara até sua mesa, a porta do escritório se abriu e Antônio Martins entrou, suspirando."Sr. Martins, e então? Eles foram embora?" Rosa respirou fundo, colocou o café na mesa e se aproximou."Foram, mas vão voltar," respondeu Antônio, balançando a cabeça, resignado.Cobradores não eram fáceis de despachar.Rosa abaixou os olhos e assentiu lentamente.Após alguns segundos de silêncio, ela voltou a olhar para ele, seus olhos agora mais firmes. "Sr. Martins, faça um levantamento de todas as dívidas para mim. E..." Ela fez uma breve pausa antes de continuar: "Prepare também um documento de divórcio, por favor."Antônio abriu a boca, mas por um momento não soube o que dizer."Vou procurar o Victor daqui a pouco. Fique tranquilo, vou dar um jeito de quitar todas as dívidas."Caso não conseguisse pagar, a empresa poderia ir à falência ou ser dividida, mas de qualquer maneira, aquela empresa era o trabalho de toda a vida de seu avô.Quando o documento de divórcio realmente foi colocado sobre a mesa, Rosa olhou fixamente para as palavras "acordo de divórcio" e não pôde evitar um aperto no peito.Pegou a caneta e, mesmo sentindo-se amarga, assinou seu nome com firmeza.Deixou a caneta de lado, respirou fundo e discou o número no telefone.O contato de Victor estava salvo na agenda dela há três anos, sem qualquer ligação ou mensagem. Muitas vezes, Rosa pensou em apagá-lo, mas não conseguia, não tinha coragem.Para sua surpresa, ele atendeu rapidamente."Alô..." A voz de Victor soou do outro lado, calma e distante."Sou eu, Rosa", ela falou, se apresentando primeiro, pois duvidava que ele ainda lembrasse daquele número."Eu sei", respondeu Victor, mantendo o mesmo tom frio. Depois de uma breve pausa, perguntou: "O que foi?""Queria te ver, pode ser?"Rosa sentiu vontade de chorar ao fazer o pedido, mas se segurou.Nem Bruno Neves, mesmo nos piores momentos, tinha procurado a Família Rocha para pedir ajuda. O modo como Victor tinha ido embora, demonstrando claramente seu desprezo por Rosa, já era suficiente. Se ela procurasse a Família Rocha, quem sabe como eles iriam tratá-la.Ela era a neta mais querida do avô, ele jamais suportaria vê-la humilhada."Pode, venha até aqui," respondeu Victor, no mesmo tom de sempre.Victor sempre foi distante com Rosa. Quando ela disse que gostava dele, ele reagiu com indiferença; mesmo sendo pressionado a se casar, nunca gritou, nunca se revoltou "simplesmente foi embora, sem olhar para trás.Na época, a partida de Victor doeu muito em Rosa, mas aquele período já tinha passado.Agora, parecia já não importar tanto.Rosa olhou em volta no escritório de Victor. Desde aquele casamento pouco feliz, era a primeira vez que ela voltava ali."Café", Victor colocou a xícara diante de Rosa, seus dedos deslizando pela mesa antes de dar a volta e sentar-se na cadeira do outro lado. "O que você veio fazer aqui?"Apesar de serem marido e mulher, pareciam estranhos um para o outro.Rosa baixou os olhos para o café à sua frente, tomou um gole, fez uma careta e balançou a cabeça antes de largar a xícara. "Não gosto de café com açúcar.""Ah, quer que eu faça outra sem açúcar?" Victor começou a se levantar.Rosa apressou-se em negar com um gesto. "Deixa pra lá, vamos direto ao assunto."Ela tirou do bolso uma papelada de divórcio, colocou-a cuidadosamente sobre a mesa, bem no centro, e empurrou para Victor. "Já assinei."Victor abaixou o olhar e folheou o documento até o final, onde de fato viu a assinatura de Rosa.Rosa pegou uma caneta do porta-canetas na mesa e a estendeu para ele, inclinando-se levemente. "Dá uma olhada nas condições."Victor pegou a caneta, levantou os olhos para ela, e com um sorriso irônico balançou a cabeça. "Já que é assim, por que fez tanta questão de casar comigo? Agora vai se tornar uma divorciada, isso pode atrapalhar se quiser casar de novo, não acha?""Sim, foi meu erro. Achei que podia aquecer o que estava frio", Rosa sorriu, resignada.Na verdade, depois que se admite um erro, muitas coisas acabam perdendo o peso.As palavras de Rosa soaram autodepreciativas, mas Victor sentiu como se estivesse sendo acusado – acusado de ser uma pedra fria, impossível de aquecer.Na verdade, divorciada ou não, Rosa dificilmente encontraria outro casamento. O caos que o avô deixara para ela afastava qualquer pretendente disposto a enfrentar encrenca.Victor leu atentamente o acordo de divórcio, mas parou no meio do caminho. Levantou os olhos para Rosa, surpreso. "Trinta milhões? Você tem coragem mesmo."Rosa já esperava essa reação de Victor.Chegando a esse ponto, ela não se importava mais com orgulho. Se sacrificar sua dignidade pudesse salvar a empresa do avô, já valeria."Esse é meu único pedido para o divórcio", Rosa olhou nos olhos de Victor e sorriu amargo. "Pode ser vergonhoso, mas de qualquer forma, não posso desperdiçar meus três anos de juventude.""Sem falar se realmente aconteceu algo entre nós três anos atrás, nesses três anos, nem seu dedo eu toquei. O que você perdeu?"Rosa encarou Victor. Sentia-se amarga, mas também aliviada. Esse homem, que tratava o casamento como negócio, era quem ela já amara tanto."E, além disso, foi você quem insistiu em casar comigo", Victor fez questão de lembrar."Se realmente não queria mais ficar comigo, podia ter vindo antes pedir o divórcio. Mesmo que eu não aceitasse, poderia ter entrado com uma ação. Mas você não fez nada. Se aceitou que fomos marido e mulher por três anos, então, por eu ter esperado por você esse tempo todo, sem cobrar suas loucuras lá fora, é justo me compensar."Victor olhou para ela e sorriu, provavelmente de raiva. "Que loucura eu fiz nesses três anos que justifique compensação?"Do jeito que Rosa falava, até parecia que ele tinha feito algo imperdoável."Você sabe bem. Não precisamos levar a conversa a esse ponto."Rosa o encarou com serenidade. Já aceitara tudo: que Victor nunca a amaria, que dali em diante ele poderia ficar com quem quisesse, e ela não perguntaria nada, até lhe devolveria a liberdade.Victor a fitou com olhar penetrante por alguns segundos, depois baixou os olhos e voltou ao documento do divórcio. "Preciso de um tempo para pensar.""Claro, eu entendo. Não é pouca coisa, podem discutir", Rosa assentiu.Victor largou a caneta e o acordo em cima da mesa, levantou-se apoiando-se na borda, deu alguns passos até Rosa e pegou a xícara de café à sua frente. Caminhou até a cafeteira, dizendo: "Vou preparar outro café para você. Você merece tomar amargo."Capítulo 3Rosa Neves jamais poderia imaginar que reencontraria Victor Rocha justamente no velório de seu avô.Ele estava vestido de preto, com uma flor branca presa ao peito, caminhou até ficar ao lado dela e então parou, curvando-se junto a ela em homenagem às pessoas que vieram prestar condolências.Victor havia voltado, e Rosa soube disso pelo grupo de amigos no WhatsApp. Era irônico pensar que, sendo esposa dele, precisava descobrir o retorno do marido por meio das redes sociais.Rosa ergueu levemente o olhar, lançando um rápido olhar para o homem ao seu lado.O rosto de Victor, com traços ainda marcantes, era o mesmo que tantas vezes havia surgido nos sonhos dela.Três anos se passaram sem se verem, e Victor parecia mais maduro, com um ar ainda mais sóbrio.Mesmo sabendo que Victor sempre odiara profundamente seu avô, ali estava ele, ao lado dela, fingindo um semblante de tristeza.No fundo, as pessoas eram mesmo hipócritas.Assim como todos aqueles que vieram ao velório: quando a Família Neves estava à beira do abismo, ninguém estendeu a mão. Mas agora que o avô dela se fora, todos apareciam, fingindo proximidade e compaixão."Meus pêsames..." O salto preto apareceu em seu campo de visão; ao erguer os olhos, Rosa viu Helena Dutra.A frase era dirigida a ela, mas o olhar de Helena se demorava mais em Victor.Rosa sabia que eles tinham voltado juntos.Assim como partiram juntos, agora retornavam lado a lado. O documento de casamento em suas mãos nunca foi o suficiente para segurar Victor."Obrigada." Rosa assentiu, inclinando-se em sinal de respeito. Afinal, quem viesse àquela ocasião era um convidado, e não cabia a Rosa demonstrar frieza, ainda mais agora, quando já não tinha motivos nem forças para ser arrogante com ninguém.Antes, seu avô era quem mais a mimava, dava-lhe tudo o que queria. Sabendo que ela gostava de Victor, fez o possível para que o casamento acontecesse.Mesmo ciente de que a noite que passaram juntos, depois de beberem, fora uma armadilha planejada por Rosa, ele decidiu fechar os olhos para isso e permitiu que ela seguisse com seu desejo.As famílias eram próximas há gerações, tinham laços antigos, e por isso, naquela situação, para preservar a reputação da Família Rocha, Victor não teve escolha a não ser casar-se com ela.A sensação de ter sido forçado e manipulado era algo que Victor nunca conseguiu superar. Além do mais, ele provavelmente já gostava de outra pessoa naquela época, então, assim que assinaram o casamento, Victor, em um acesso de raiva, foi embora do país.Ele não podia lutar contra aquela união, mas não estava disposto a facilitar as coisas para Rosa.Depois disso, os pais de Victor também começaram a se afastar de Rosa, percebendo que fora sua determinação implacável que causara a fuga do filho.Logo após Victor partir para o exterior, Helena também foi atrás dele poucos dias depois.E assim, Rosa ficou com o título vazio de Sra. Rocha por três anos.Victor escolheu aquele momento para voltar, e Rosa entendeu claramente: entre eles, tinha chegado ao fim."Por que não me ligou?" Quando os convidados começaram a se dispersar e o salão voltou ao silêncio, Victor tirou a flor branca do peito e olhou para Rosa com indiferença."Você soube mesmo assim, não foi?" Rosa levantou os olhos, tirou também sua flor branca, mas a segurou com cuidado nas mãos.Mesmo sem se falarem, Victor soube da morte de seu avô, e sabia que a Família Neves havia desmoronado.Rosa suspirou levemente e olhou para Victor de novo. "Você está com pressa para voltar?" Pausou, então acrescentou: "Quero dizer, está com pressa de voltar para o exterior?""Não vou mais voltar. Meus pais estão velhos, voltei para cuidar deles, e a empresa precisa da minha ajuda também.""Certo, então." Rosa assentiu. "Só preciso de alguns dias, assim que resolver tudo, eu te procuro."Victor a olhou, arqueando levemente as sobrancelhas, sem entender claramente o que ela queria dizer."Se estiver com muita pressa, pode preparar tudo, assino e você deixa os papéis na empresa do meu avô. Vou estar lá nestes dias."Victor baixou o olhar para ela, só então percebendo que Rosa estava falando sobre o divórcio.Rosa havia trabalhado sem parar na empresa por vários dias, mas em vez de receber os papéis do divórcio enviados por Victor, o que chegou foram cobradores, um atrás do outro.A empresa estava com problemas; seu avô, antes de falecer, havia feito de tudo para salvar a situação, pedindo favores por toda parte e acumulando muitas dívidas.Mesmo assim, não conseguiu salvar a empresa.Além de não aparecer ninguém que realmente pudesse ajudar, no fim, ele acabou exausto, caindo direto no escritório da empresa.E nunca mais acordou.Embora nos últimos dois anos o estado de saúde do velho já estivesse ruim, talvez esses problemas só tenham acelerado sua doença.Mas, de qualquer forma, por causa de tudo isso, Rosa conseguiu enxergar quem realmente se importava e quem apenas fingia.Rosa preparou um café para si, sem adicionar uma gota de açúcar.Enquanto levava a xícara até sua mesa, a porta do escritório se abriu e Antônio Martins entrou, suspirando."Sr. Martins, e então? Eles foram embora?" Rosa respirou fundo, colocou o café na mesa e se aproximou."Foram, mas vão voltar," respondeu Antônio, balançando a cabeça, resignado.Cobradores não eram fáceis de despachar.Rosa abaixou os olhos e assentiu lentamente.Após alguns segundos de silêncio, ela voltou a olhar para ele, seus olhos agora mais firmes. "Sr. Martins, faça um levantamento de todas as dívidas para mim. E..." Ela fez uma breve pausa antes de continuar: "Prepare também um documento de divórcio, por favor."Antônio abriu a boca, mas por um momento não soube o que dizer."Vou procurar o Victor daqui a pouco. Fique tranquilo, vou dar um jeito de quitar todas as dívidas."Caso não conseguisse pagar, a empresa poderia ir à falência ou ser dividida, mas de qualquer maneira, aquela empresa era o trabalho de toda a vida de seu avô.Quando o documento de divórcio realmente foi colocado sobre a mesa, Rosa olhou fixamente para as palavras "acordo de divórcio" e não pôde evitar um aperto no peito.Pegou a caneta e, mesmo sentindo-se amarga, assinou seu nome com firmeza.Deixou a caneta de lado, respirou fundo e discou o número no telefone.O contato de Victor estava salvo na agenda dela há três anos, sem qualquer ligação ou mensagem. Muitas vezes, Rosa pensou em apagá-lo, mas não conseguia, não tinha coragem.Para sua surpresa, ele atendeu rapidamente."Alô..." A voz de Victor soou do outro lado, calma e distante."Sou eu, Rosa", ela falou, se apresentando primeiro, pois duvidava que ele ainda lembrasse daquele número."Eu sei", respondeu Victor, mantendo o mesmo tom frio. Depois de uma breve pausa, perguntou: "O que foi?""Queria te ver, pode ser?"Rosa sentiu vontade de chorar ao fazer o pedido, mas se segurou.Nem Bruno Neves, mesmo nos piores momentos, tinha procurado a Família Rocha para pedir ajuda. O modo como Victor tinha ido embora, demonstrando claramente seu desprezo por Rosa, já era suficiente. Se ela procurasse a Família Rocha, quem sabe como eles iriam tratá-la.Ela era a neta mais querida do avô, ele jamais suportaria vê-la humilhada."Pode, venha até aqui," respondeu Victor, no mesmo tom de sempre.Victor sempre foi distante com Rosa. Quando ela disse que gostava dele, ele reagiu com indiferença; mesmo sendo pressionado a se casar, nunca gritou, nunca se revoltou "simplesmente foi embora, sem olhar para trás.Na época, a partida de Victor doeu muito em Rosa, mas aquele período já tinha passado.Agora, parecia já não importar tanto.Rosa olhou em volta no escritório de Victor. Desde aquele casamento pouco feliz, era a primeira vez que ela voltava ali."Café", Victor colocou a xícara diante de Rosa, seus dedos deslizando pela mesa antes de dar a volta e sentar-se na cadeira do outro lado. "O que você veio fazer aqui?"Apesar de serem marido e mulher, pareciam estranhos um para o outro.Rosa baixou os olhos para o café à sua frente, tomou um gole, fez uma careta e balançou a cabeça antes de largar a xícara. "Não gosto de café com açúcar.""Ah, quer que eu faça outra sem açúcar?" Victor começou a se levantar.Rosa apressou-se em negar com um gesto. "Deixa pra lá, vamos direto ao assunto."Ela tirou do bolso uma papelada de divórcio, colocou-a cuidadosamente sobre a mesa, bem no centro, e empurrou para Victor. "Já assinei."Victor abaixou o olhar e folheou o documento até o final, onde de fato viu a assinatura de Rosa.Rosa pegou uma caneta do porta-canetas na mesa e a estendeu para ele, inclinando-se levemente. "Dá uma olhada nas condições."Victor pegou a caneta, levantou os olhos para ela, e com um sorriso irônico balançou a cabeça. "Já que é assim, por que fez tanta questão de casar comigo? Agora vai se tornar uma divorciada, isso pode atrapalhar se quiser casar de novo, não acha?""Sim, foi meu erro. Achei que podia aquecer o que estava frio", Rosa sorriu, resignada.Na verdade, depois que se admite um erro, muitas coisas acabam perdendo o peso.As palavras de Rosa soaram autodepreciativas, mas Victor sentiu como se estivesse sendo acusado – acusado de ser uma pedra fria, impossível de aquecer.Na verdade, divorciada ou não, Rosa dificilmente encontraria outro casamento. O caos que o avô deixara para ela afastava qualquer pretendente disposto a enfrentar encrenca.Victor leu atentamente o acordo de divórcio, mas parou no meio do caminho. Levantou os olhos para Rosa, surpreso. "Trinta milhões? Você tem coragem mesmo."Rosa já esperava essa reação de Victor.Chegando a esse ponto, ela não se importava mais com orgulho. Se sacrificar sua dignidade pudesse salvar a empresa do avô, já valeria."Esse é meu único pedido para o divórcio", Rosa olhou nos olhos de Victor e sorriu amargo. "Pode ser vergonhoso, mas de qualquer forma, não posso desperdiçar meus três anos de juventude.""Sem falar se realmente aconteceu algo entre nós três anos atrás, nesses três anos, nem seu dedo eu toquei. O que você perdeu?"Rosa encarou Victor. Sentia-se amarga, mas também aliviada. Esse homem, que tratava o casamento como negócio, era quem ela já amara tanto."E, além disso, foi você quem insistiu em casar comigo", Victor fez questão de lembrar."Se realmente não queria mais ficar comigo, podia ter vindo antes pedir o divórcio. Mesmo que eu não aceitasse, poderia ter entrado com uma ação. Mas você não fez nada. Se aceitou que fomos marido e mulher por três anos, então, por eu ter esperado por você esse tempo todo, sem cobrar suas loucuras lá fora, é justo me compensar."Victor olhou para ela e sorriu, provavelmente de raiva. "Que loucura eu fiz nesses três anos que justifique compensação?"Do jeito que Rosa falava, até parecia que ele tinha feito algo imperdoável."Você sabe bem. Não precisamos levar a conversa a esse ponto."Rosa o encarou com serenidade. Já aceitara tudo: que Victor nunca a amaria, que dali em diante ele poderia ficar com quem quisesse, e ela não perguntaria nada, até lhe devolveria a liberdade.Victor a fitou com olhar penetrante por alguns segundos, depois baixou os olhos e voltou ao documento do divórcio. "Preciso de um tempo para pensar.""Claro, eu entendo. Não é pouca coisa, podem discutir", Rosa assentiu.Victor largou a caneta e o acordo em cima da mesa, levantou-se apoiando-se na borda, deu alguns passos até Rosa e pegou a xícara de café à sua frente. Caminhou até a cafeteira, dizendo: "Vou preparar outro café para você. Você merece tomar amargo."

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