Capítulo 1Suíte presidencial 919.A cama grande e macia, o ambiente tomado por um aroma indefinido e sugestivo...Yara Franco estava encolhida sob o edredom, tímida e envergonhada.Sentia ao lado o calor de um corpo, e ao se aconchegar mais ao homem ao lado, acabou sendo novamente envolvida por ele, numa tempestade de emoções.Uma noite de enroscos intermináveis.Seu corpo inteiro doía, como se tivesse levado alguns golpes de jiu-jitsu, e seus lábios ardiam, rasgados, tornando até virar-se uma tarefa difícil.Na noite anterior, havia tomado alguns copos de cachaça, e a cabeça ainda latejava. Com os olhos semicerrados, murmurou: "Agora eu sou sua, você tem que ser responsável por mim pra sempre, viu?"O homem soltou uma risada fria e não respondeu.Yara insatisfeita virou-se, os olhos turvos sob a luz tênue...O rosto do homem apareceu diante dela, difuso.A mão quente dele afagou seu rosto delicado, e Yara, de olhos fechados, sussurrou baixinho: "Elvis... por que você não fala nada?"Um aroma cortante de cedro se espalhou. A mão quente dele começava a se afastar de seu rosto. Yara franziu o cenho e, num impulso, agarrou a mão dele: "Elvis, não vai embora, responde pra mim..."De repente, a luz se acendeu forte!Dois olhos negros, brilhando frios, surgiram em seu campo de visão, trazendo-lhe de volta à realidade num choque.O homem estava nu da cintura para cima, o peito firme, sem um grama de gordura, apoiando-se com o cotovelo no travesseiro, deitado de lado, exalando uma aura de predador divertido."Ah! Você... quem é você?"Yara ficou paralisada de susto, apertou o edredom contra o corpo e, instintivamente, tentou se afastar o máximo possível dele."Moça, então você bebe, faz o que quer e depois finge que não lembra de nada? Não quer assumir a responsabilidade?!" O sorriso dele era irônico, quase perverso.Traços esculpidos, profundos, olhos negros como abismos, sobrancelhas marcantes como montanhas."Quem é você afinal? Se não disser, eu vou chamar a polícia agora, você está envolvido em...", Yara apertou o edredom, sem ousar se mover, temendo ser ainda mais exposta — e, pior, que ele a tocasse de novo."Moça, você é engraçada! Ontem à noite foi você que veio toda fogosa pra cima de mim, eu sou homem, como resistir? Se chamar a polícia, quem sai perdendo sou eu, ainda vou te cobrar indenização!" Ele se inclinou um pouco mais perto, o hálito quente roçando o ouvido dela.Indenização? Que absurdo...Ela se ofereceu? Só podia tê-lo confundido com Elvis Brito.Yara rapidamente estendeu a mão para detê-lo e, gaguejando, indagou furiosa: "O que você quer, afinal?!""Você que sabe!", respondeu ele, desviando o olhar gélido e levantando o edredom.Yara, olhos vermelhos de raiva, gritou: "Foi você que invadiu meu quarto, fez aquilo comigo...""Moça, olha direito, isso parece um quarto comum pra você? Essa é a minha suíte 919."A Mônica Andrade me disse o número do quarto ontem: 919. Será que eu ouvi errado depois de tanto beber?Ele se levantou, completamente à vontade, e caminhou decidido ao banheiro, sem se preocupar em esconder nada do corpo, ignorando completamente os sentimentos daquela estranha mulher.E agora? Tudo culpa daquele conselho da Mônica: ficar bêbada pra criar coragem de dar o próximo passo.Quem era ele, afinal?Acabou. Sua primeira vez foi com um desconhecido. Será que Elvis ainda a aceitaria?Yara coçava freneticamente o couro cabeludo, balançando a cabeça em desespero enquanto as lágrimas escorriam pelos cantos dos olhos.Depois de alguns minutos, respirou fundo, enxugou as lágrimas e, aproveitando que ele estava no banheiro, levantou-se devagar, juntando as roupas espalhadas pelo chão. Sua camisa, comprada por duzentos reais e usada pela primeira vez, agora não passava de duas mangas intactas.Deu um aperto no coração ao perceber o prejuízo.De repente, na mente de Yara surgiram as lembranças da noite passada: ela mesma, tomando a iniciativa de envolver a cintura dele, puxá-lo pelo pescoço e oferecer um beijo ardente...Também recordou o momento em que teve as roupas rasgadas por ele, e seu rosto imediatamente se tingiu de vermelho.Afinal, Yara ainda era uma jovem inexperiente, alheia a esses assuntos.Ela pegou do chão uma camisa masculina, que embora fosse um pouco larga, pelo menos servia. Vestiu-se rapidamente, pegou o celular e tirou trezentos reais que estavam na capinha, deixando o dinheiro sobre a mesa, para evitar que aquele homem viesse procurá-la depois para causar problemas.Em seguida, saiu do quarto às pressas, quase fugindo do local vergonhoso.O homem saiu do banheiro e viu uma mancha vermelha sobre a cama branca. Ele sorriu, levantando o canto dos lábios.Ao virar-se, notou as três notas vermelhas sobre a mesa. Teria sido tratado como um garoto de programa?E, ainda por cima, por apenas trezentos reais? Seu semblante se fechou, sombrio.Yara desceu as escadas, caminhou devagar até a esquina, encontrou uma farmácia e tomou a pílula do dia seguinte.Depois, pegou um táxi até o hospital. Sentia uma leve dor, e não sabia se aquele homem poderia ter alguma doença. Estava preocupada consigo mesma.Precisava fazer um exame.A amiga de Yara, Mônica, atendeu ao telefone e perguntou em voz baixa:"Yara, o que aconteceu, por que você fugiu? Ninguém conseguiu falar com você ontem à noite, Elvis te procurou a noite toda.""Entrei no quarto errado, bebi demais e me confundi… Acho que estou perdida", respondeu Yara, chorando baixinho, com a voz trêmula.Mônica sorriu ao ouvir a resposta desanimada de Yara pelo telefone:"Eu te disse para ir para o quarto 616, pra onde você foi?""616? Não era 91… Enfim, não quero falar sobre isso. Já saí do hotel."Ela fingiu preocupação:"Onde você está agora? Vou até aí."Mas, na verdade, queria mesmo era saber com qual homem desconhecido Yara tinha dormido na noite anterior."Estou indo para o Hospital JS, conversamos quando você chegar!", respondeu Yara, mergulhada em culpa e arrependimento.Enquanto isso, no quarto 616, Mônica e o namorado de Yara, Elvis, passaram a noite juntos.Na noite anterior, foi Mônica quem sugeriu que Yara desse de presente sua primeira vez a Elvis durante a festa de aniversário dele, incentivando-a e fazendo-a beber. Quando Yara estava bêbada, Mônica lhe disse que o número do quarto era 919.Mônica tinha pensado que os números dos cartões dos quartos 616 e 919 eram parecidos; apostou que o quarto 919 estaria ocupado — e, se não estivesse, pelo menos ela e Elvis poderiam ficar juntos sem serem incomodados.Os três tinham se formado na mesma universidade. Yara e Mônica estudaram Design Visual, e ambas se apaixonaram por Elvis, que era dois anos mais velho, mas ele havia escolhido Yara.Hospital JSA ginecologista, com a voz alta, disse:"Vocês jovens não têm nenhum cuidado, viu? Teve uma pequena fissura, mas passando uma pomada vai melhorar. Enquanto não cicatrizar, controle-se com seu namorado. Quando melhorar, peguem mais leve."A médica suspirou novamente:"Uma namorada tão bonita, e ele não sabe cuidar direito."Não se sabia se a ginecologista estava acostumada a essas situações ou se apenas achava engraçado o drama alheio.No consultório, as três macas estavam separadas apenas por uma cortina azul fina, e a voz estridente da médica ecoava pelo ambiente.Ter a primeira consulta ginecológica por causa de uma fissura, e ainda ter isso dito em voz alta, fazia Yara desejar poder desmaiar ali mesmo.Ao sair da sala de exames, ela sentou-se em uma cadeira no corredor para aguardar o resultado."Yara, como você está?" Mônica havia chegado ao hospital."Esperando o resultado dos exames", respondeu ela, cabisbaixa e sem forças.Por dentro, Mônica estava radiante: era óbvio que Yara tinha perdido a virgindade na noite anterior — e não de maneira limpa."Não se preocupe, não vai acontecer nada." Mônica deu leves tapinhas no ombro dela e continuou perguntando: "Você sabe quem era aquela pessoa?"Yara, com as mãos cobrindo o rosto, ficou tentando adivinhar. Aquele homem tinha a pele clara, parecia alguém acostumado ao conforto, criado como se fosse em cativeiro."Não sei, talvez fosse um garoto de programa!"Mônica não conseguiu conter uma risada."Então foi com um garoto de programa que você perdeu a virgindade? Hahaha, ele teve muita sorte mesmo."Para Yara, aquilo não passava de uma brincadeira entre amigas.Mas, no coração de Mônica, sentia-se como se estivesse sendo zombada."Para de rir, Mônica. Você mesma já disse que, depois da primeira vez, a pessoa fica viciada, mas na verdade só sente vontade de se enforcar, nunca mais quer outra vez."E ainda tinha sido com um garoto de programa. Ela sentia tanta vergonha que queria morrer.Até a roupa nova que tinha comprado estava estragada, perdeu dinheiro, gastou mais para ir ao médico… Yara, em silêncio, amaldiçoava aquele maldito garoto de programa.O pior era que ela não sabia como encarar Elvis.Com os olhos ainda marejados, Yara olhou para Mônica: "Mônica, você tem que guardar segredo. Se o Elvis souber, ele nunca mais vai querer saber de mim."Depois de tantos anos de amizade, Yara confiava muito nela, porque Mônica tinha acompanhado toda a história dela com Elvis, desde a faculdade até agora, com todas as idas e vindas, brigas e reconciliações. Sempre que eles discutiam, Mônica era como um anjo da guarda, aconselhando os dois lados.Quando a noite caiu, na piscina do jardim da mansão.O homem nadava, cortando a água com os braços, mergulhando e girando para todos os lados, até que, de repente, afundou completamente.Depois de um último nado crawl perfeito, ele saiu da água, e as gotas escorriam por todo o corpo.O assistente Pablo pegou a toalha que estava sobre a cadeira e a entregou para ele.Ele jogou a toalha sobre os ombros largos e musculosos, e então se reclinou na espreguiçadeira…Eduardo Henriques, herdeiro do Grupo JS, o neto mais velho da Família Henriques, trinta anos, o empresário mais jovem da lista dos mais ricos de Cidade N."Diretor Henriques, aqui está o dossiê daquela garota." O homem pegou o arquivo das mãos do assistente, com as informações sobre a garota que passara a noite com ele.O assistente Pablo explicou: "Ela se chama Yara, tem 23 anos, formou-se em Design na Escola de Artes de Cidade N. Está trabalhando há dois meses na Empresa Sabedoria, como assistente no atendimento ao cliente."Ela havia se candidatado para ser designer, mas os chefes, achando-a bonita, a colocaram no atendimento para lidar com os clientes."Revendo as câmeras, Elvis estava comemorando o aniversário no camarote do segundo andar ontem à noite. Ela é namorada dele desde a época da faculdade e provavelmente bebeu demais, por isso entrou no seu quarto por engano."Elvis?Não era de se admirar que ela tenha chamado por ele ontem.Namorada do próprio sobrinho?O homem passou os dedos longos pelos lábios, como se recordasse o sabor da noite passada. "Há quanto tempo eles estão juntos?"Pablo respondeu, com um certo brilho curioso no olhar: "Pelo que apurei, estão juntos há quase dois anos. Mas… Sr. Brito não tem só essa mulher. Ontem à noite, outra entrou no quarto 616, reservado por ele, e eles só saíram juntos hoje de manhã."O homem deu uma risada irônica: "Interessante!"Namorada de dois anos, que ele nunca conseguiu levar para a cama, e no aniversário, quem ficou com ela foi o tio-avô!Eduardo olhou pensativo para o dossiê nas mãos e continuou: "Quem colocou a droga na minha bebida?"Pablo respondeu, cauteloso: "Foi… o Sr. Leme. Mas o vinho era para ele mesmo, você pegou por engano."Ele franziu o cenho, respirando fundo.Lembrou-se da noite anterior, bebendo com alguns amigos do círculo no camarote, animados demais, e talvez, na confusão, acabou pegando o copo errado.Aquele Alex Leme, sempre exagerando, precisando de drogas até para isso… Uma hora vai acabar mal.E, por causa dele, acabou sendo confundido com um garoto de programa, perdendo a pureza de trinta anos.Pablo hesitou antes de dizer: "Tem… mais uma coisa…"O olhar frio do homem pousou sobre ele: "Fale!"Pablo desviou o olhar, acelerando as palavras:"A Srta. Franco, ao sair do hotel, comprou remédio e depois foi ao nosso principal hospital… Ela foi fazer exames de DSTs!"Pelo menos ela teve o bom senso de comprar remédios, poupando trabalho para os outros.Capítulo 2Suíte presidencial 919.A cama grande e macia, o ambiente tomado por um aroma indefinido e sugestivo...Yara Franco estava encolhida sob o edredom, tímida e envergonhada.Sentia ao lado o calor de um corpo, e ao se aconchegar mais ao homem ao lado, acabou sendo novamente envolvida por ele, numa tempestade de emoções.Uma noite de enroscos intermináveis.Seu corpo inteiro doía, como se tivesse levado alguns golpes de jiu-jitsu, e seus lábios ardiam, rasgados, tornando até virar-se uma tarefa difícil.Na noite anterior, havia tomado alguns copos de cachaça, e a cabeça ainda latejava. Com os olhos semicerrados, murmurou: "Agora eu sou sua, você tem que ser responsável por mim pra sempre, viu?"O homem soltou uma risada fria e não respondeu.Yara insatisfeita virou-se, os olhos turvos sob a luz tênue...O rosto do homem apareceu diante dela, difuso.A mão quente dele afagou seu rosto delicado, e Yara, de olhos fechados, sussurrou baixinho: "Elvis... por que você não fala nada?"Um aroma cortante de cedro se espalhou. A mão quente dele começava a se afastar de seu rosto. Yara franziu o cenho e, num impulso, agarrou a mão dele: "Elvis, não vai embora, responde pra mim..."De repente, a luz se acendeu forte!Dois olhos negros, brilhando frios, surgiram em seu campo de visão, trazendo-lhe de volta à realidade num choque.O homem estava nu da cintura para cima, o peito firme, sem um grama de gordura, apoiando-se com o cotovelo no travesseiro, deitado de lado, exalando uma aura de predador divertido."Ah! Você... quem é você?"Yara ficou paralisada de susto, apertou o edredom contra o corpo e, instintivamente, tentou se afastar o máximo possível dele."Moça, então você bebe, faz o que quer e depois finge que não lembra de nada? Não quer assumir a responsabilidade?!" O sorriso dele era irônico, quase perverso.Traços esculpidos, profundos, olhos negros como abismos, sobrancelhas marcantes como montanhas."Quem é você afinal? Se não disser, eu vou chamar a polícia agora, você está envolvido em...", Yara apertou o edredom, sem ousar se mover, temendo ser ainda mais exposta — e, pior, que ele a tocasse de novo."Moça, você é engraçada! Ontem à noite foi você que veio toda fogosa pra cima de mim, eu sou homem, como resistir? Se chamar a polícia, quem sai perdendo sou eu, ainda vou te cobrar indenização!" Ele se inclinou um pouco mais perto, o hálito quente roçando o ouvido dela.Indenização? Que absurdo...Ela se ofereceu? Só podia tê-lo confundido com Elvis Brito.Yara rapidamente estendeu a mão para detê-lo e, gaguejando, indagou furiosa: "O que você quer, afinal?!""Você que sabe!", respondeu ele, desviando o olhar gélido e levantando o edredom.Yara, olhos vermelhos de raiva, gritou: "Foi você que invadiu meu quarto, fez aquilo comigo...""Moça, olha direito, isso parece um quarto comum pra você? Essa é a minha suíte 919."A Mônica Andrade me disse o número do quarto ontem: 919. Será que eu ouvi errado depois de tanto beber?Ele se levantou, completamente à vontade, e caminhou decidido ao banheiro, sem se preocupar em esconder nada do corpo, ignorando completamente os sentimentos daquela estranha mulher.E agora? Tudo culpa daquele conselho da Mônica: ficar bêbada pra criar coragem de dar o próximo passo.Quem era ele, afinal?Acabou. Sua primeira vez foi com um desconhecido. Será que Elvis ainda a aceitaria?Yara coçava freneticamente o couro cabeludo, balançando a cabeça em desespero enquanto as lágrimas escorriam pelos cantos dos olhos.Depois de alguns minutos, respirou fundo, enxugou as lágrimas e, aproveitando que ele estava no banheiro, levantou-se devagar, juntando as roupas espalhadas pelo chão. Sua camisa, comprada por duzentos reais e usada pela primeira vez, agora não passava de duas mangas intactas.Deu um aperto no coração ao perceber o prejuízo.De repente, na mente de Yara surgiram as lembranças da noite passada: ela mesma, tomando a iniciativa de envolver a cintura dele, puxá-lo pelo pescoço e oferecer um beijo ardente...Também recordou o momento em que teve as roupas rasgadas por ele, e seu rosto imediatamente se tingiu de vermelho.Afinal, Yara ainda era uma jovem inexperiente, alheia a esses assuntos.Ela pegou do chão uma camisa masculina, que embora fosse um pouco larga, pelo menos servia. Vestiu-se rapidamente, pegou o celular e tirou trezentos reais que estavam na capinha, deixando o dinheiro sobre a mesa, para evitar que aquele homem viesse procurá-la depois para causar problemas.Em seguida, saiu do quarto às pressas, quase fugindo do local vergonhoso.O homem saiu do banheiro e viu uma mancha vermelha sobre a cama branca. Ele sorriu, levantando o canto dos lábios.Ao virar-se, notou as três notas vermelhas sobre a mesa. Teria sido tratado como um garoto de programa?E, ainda por cima, por apenas trezentos reais? Seu semblante se fechou, sombrio.Yara desceu as escadas, caminhou devagar até a esquina, encontrou uma farmácia e tomou a pílula do dia seguinte.Depois, pegou um táxi até o hospital. Sentia uma leve dor, e não sabia se aquele homem poderia ter alguma doença. Estava preocupada consigo mesma.Precisava fazer um exame.A amiga de Yara, Mônica, atendeu ao telefone e perguntou em voz baixa:"Yara, o que aconteceu, por que você fugiu? Ninguém conseguiu falar com você ontem à noite, Elvis te procurou a noite toda.""Entrei no quarto errado, bebi demais e me confundi… Acho que estou perdida", respondeu Yara, chorando baixinho, com a voz trêmula.Mônica sorriu ao ouvir a resposta desanimada de Yara pelo telefone:"Eu te disse para ir para o quarto 616, pra onde você foi?""616? Não era 91… Enfim, não quero falar sobre isso. Já saí do hotel."Ela fingiu preocupação:"Onde você está agora? Vou até aí."Mas, na verdade, queria mesmo era saber com qual homem desconhecido Yara tinha dormido na noite anterior."Estou indo para o Hospital JS, conversamos quando você chegar!", respondeu Yara, mergulhada em culpa e arrependimento.Enquanto isso, no quarto 616, Mônica e o namorado de Yara, Elvis, passaram a noite juntos.Na noite anterior, foi Mônica quem sugeriu que Yara desse de presente sua primeira vez a Elvis durante a festa de aniversário dele, incentivando-a e fazendo-a beber. Quando Yara estava bêbada, Mônica lhe disse que o número do quarto era 919.Mônica tinha pensado que os números dos cartões dos quartos 616 e 919 eram parecidos; apostou que o quarto 919 estaria ocupado — e, se não estivesse, pelo menos ela e Elvis poderiam ficar juntos sem serem incomodados.Os três tinham se formado na mesma universidade. Yara e Mônica estudaram Design Visual, e ambas se apaixonaram por Elvis, que era dois anos mais velho, mas ele havia escolhido Yara.Hospital JSA ginecologista, com a voz alta, disse:"Vocês jovens não têm nenhum cuidado, viu? Teve uma pequena fissura, mas passando uma pomada vai melhorar. Enquanto não cicatrizar, controle-se com seu namorado. Quando melhorar, peguem mais leve."A médica suspirou novamente:"Uma namorada tão bonita, e ele não sabe cuidar direito."Não se sabia se a ginecologista estava acostumada a essas situações ou se apenas achava engraçado o drama alheio.No consultório, as três macas estavam separadas apenas por uma cortina azul fina, e a voz estridente da médica ecoava pelo ambiente.Ter a primeira consulta ginecológica por causa de uma fissura, e ainda ter isso dito em voz alta, fazia Yara desejar poder desmaiar ali mesmo.Ao sair da sala de exames, ela sentou-se em uma cadeira no corredor para aguardar o resultado."Yara, como você está?" Mônica havia chegado ao hospital."Esperando o resultado dos exames", respondeu ela, cabisbaixa e sem forças.Por dentro, Mônica estava radiante: era óbvio que Yara tinha perdido a virgindade na noite anterior — e não de maneira limpa."Não se preocupe, não vai acontecer nada." Mônica deu leves tapinhas no ombro dela e continuou perguntando: "Você sabe quem era aquela pessoa?"Yara, com as mãos cobrindo o rosto, ficou tentando adivinhar. Aquele homem tinha a pele clara, parecia alguém acostumado ao conforto, criado como se fosse em cativeiro."Não sei, talvez fosse um garoto de programa!"Mônica não conseguiu conter uma risada."Então foi com um garoto de programa que você perdeu a virgindade? Hahaha, ele teve muita sorte mesmo."Para Yara, aquilo não passava de uma brincadeira entre amigas.Mas, no coração de Mônica, sentia-se como se estivesse sendo zombada."Para de rir, Mônica. Você mesma já disse que, depois da primeira vez, a pessoa fica viciada, mas na verdade só sente vontade de se enforcar, nunca mais quer outra vez."E ainda tinha sido com um garoto de programa. Ela sentia tanta vergonha que queria morrer.Até a roupa nova que tinha comprado estava estragada, perdeu dinheiro, gastou mais para ir ao médico… Yara, em silêncio, amaldiçoava aquele maldito garoto de programa.O pior era que ela não sabia como encarar Elvis.Com os olhos ainda marejados, Yara olhou para Mônica: "Mônica, você tem que guardar segredo. Se o Elvis souber, ele nunca mais vai querer saber de mim."Depois de tantos anos de amizade, Yara confiava muito nela, porque Mônica tinha acompanhado toda a história dela com Elvis, desde a faculdade até agora, com todas as idas e vindas, brigas e reconciliações. Sempre que eles discutiam, Mônica era como um anjo da guarda, aconselhando os dois lados.Quando a noite caiu, na piscina do jardim da mansão.O homem nadava, cortando a água com os braços, mergulhando e girando para todos os lados, até que, de repente, afundou completamente.Depois de um último nado crawl perfeito, ele saiu da água, e as gotas escorriam por todo o corpo.O assistente Pablo pegou a toalha que estava sobre a cadeira e a entregou para ele.Ele jogou a toalha sobre os ombros largos e musculosos, e então se reclinou na espreguiçadeira…Eduardo Henriques, herdeiro do Grupo JS, o neto mais velho da Família Henriques, trinta anos, o empresário mais jovem da lista dos mais ricos de Cidade N."Diretor Henriques, aqui está o dossiê daquela garota." O homem pegou o arquivo das mãos do assistente, com as informações sobre a garota que passara a noite com ele.O assistente Pablo explicou: "Ela se chama Yara, tem 23 anos, formou-se em Design na Escola de Artes de Cidade N. Está trabalhando há dois meses na Empresa Sabedoria, como assistente no atendimento ao cliente."Ela havia se candidatado para ser designer, mas os chefes, achando-a bonita, a colocaram no atendimento para lidar com os clientes."Revendo as câmeras, Elvis estava comemorando o aniversário no camarote do segundo andar ontem à noite. Ela é namorada dele desde a época da faculdade e provavelmente bebeu demais, por isso entrou no seu quarto por engano."Elvis?Não era de se admirar que ela tenha chamado por ele ontem.Namorada do próprio sobrinho?O homem passou os dedos longos pelos lábios, como se recordasse o sabor da noite passada. "Há quanto tempo eles estão juntos?"Pablo respondeu, com um certo brilho curioso no olhar: "Pelo que apurei, estão juntos há quase dois anos. Mas… Sr. Brito não tem só essa mulher. Ontem à noite, outra entrou no quarto 616, reservado por ele, e eles só saíram juntos hoje de manhã."O homem deu uma risada irônica: "Interessante!"Namorada de dois anos, que ele nunca conseguiu levar para a cama, e no aniversário, quem ficou com ela foi o tio-avô!Eduardo olhou pensativo para o dossiê nas mãos e continuou: "Quem colocou a droga na minha bebida?"Pablo respondeu, cauteloso: "Foi… o Sr. Leme. Mas o vinho era para ele mesmo, você pegou por engano."Ele franziu o cenho, respirando fundo.Lembrou-se da noite anterior, bebendo com alguns amigos do círculo no camarote, animados demais, e talvez, na confusão, acabou pegando o copo errado.Aquele Alex Leme, sempre exagerando, precisando de drogas até para isso… Uma hora vai acabar mal.E, por causa dele, acabou sendo confundido com um garoto de programa, perdendo a pureza de trinta anos.Pablo hesitou antes de dizer: "Tem… mais uma coisa…"O olhar frio do homem pousou sobre ele: "Fale!"Pablo desviou o olhar, acelerando as palavras:"A Srta. Franco, ao sair do hotel, comprou remédio e depois foi ao nosso principal hospital… Ela foi fazer exames de DSTs!"Pelo menos ela teve o bom senso de comprar remédios, poupando trabalho para os outros.Capítulo 3Suíte presidencial 919.A cama grande e macia, o ambiente tomado por um aroma indefinido e sugestivo...Yara Franco estava encolhida sob o edredom, tímida e envergonhada.Sentia ao lado o calor de um corpo, e ao se aconchegar mais ao homem ao lado, acabou sendo novamente envolvida por ele, numa tempestade de emoções.Uma noite de enroscos intermináveis.Seu corpo inteiro doía, como se tivesse levado alguns golpes de jiu-jitsu, e seus lábios ardiam, rasgados, tornando até virar-se uma tarefa difícil.Na noite anterior, havia tomado alguns copos de cachaça, e a cabeça ainda latejava. Com os olhos semicerrados, murmurou: "Agora eu sou sua, você tem que ser responsável por mim pra sempre, viu?"O homem soltou uma risada fria e não respondeu.Yara insatisfeita virou-se, os olhos turvos sob a luz tênue...O rosto do homem apareceu diante dela, difuso.A mão quente dele afagou seu rosto delicado, e Yara, de olhos fechados, sussurrou baixinho: "Elvis... por que você não fala nada?"Um aroma cortante de cedro se espalhou. A mão quente dele começava a se afastar de seu rosto. Yara franziu o cenho e, num impulso, agarrou a mão dele: "Elvis, não vai embora, responde pra mim..."De repente, a luz se acendeu forte!Dois olhos negros, brilhando frios, surgiram em seu campo de visão, trazendo-lhe de volta à realidade num choque.O homem estava nu da cintura para cima, o peito firme, sem um grama de gordura, apoiando-se com o cotovelo no travesseiro, deitado de lado, exalando uma aura de predador divertido."Ah! Você... quem é você?"Yara ficou paralisada de susto, apertou o edredom contra o corpo e, instintivamente, tentou se afastar o máximo possível dele."Moça, então você bebe, faz o que quer e depois finge que não lembra de nada? Não quer assumir a responsabilidade?!" O sorriso dele era irônico, quase perverso.Traços esculpidos, profundos, olhos negros como abismos, sobrancelhas marcantes como montanhas."Quem é você afinal? Se não disser, eu vou chamar a polícia agora, você está envolvido em...", Yara apertou o edredom, sem ousar se mover, temendo ser ainda mais exposta — e, pior, que ele a tocasse de novo."Moça, você é engraçada! Ontem à noite foi você que veio toda fogosa pra cima de mim, eu sou homem, como resistir? Se chamar a polícia, quem sai perdendo sou eu, ainda vou te cobrar indenização!" Ele se inclinou um pouco mais perto, o hálito quente roçando o ouvido dela.Indenização? Que absurdo...Ela se ofereceu? Só podia tê-lo confundido com Elvis Brito.Yara rapidamente estendeu a mão para detê-lo e, gaguejando, indagou furiosa: "O que você quer, afinal?!""Você que sabe!", respondeu ele, desviando o olhar gélido e levantando o edredom.Yara, olhos vermelhos de raiva, gritou: "Foi você que invadiu meu quarto, fez aquilo comigo...""Moça, olha direito, isso parece um quarto comum pra você? Essa é a minha suíte 919."A Mônica Andrade me disse o número do quarto ontem: 919. Será que eu ouvi errado depois de tanto beber?Ele se levantou, completamente à vontade, e caminhou decidido ao banheiro, sem se preocupar em esconder nada do corpo, ignorando completamente os sentimentos daquela estranha mulher.E agora? Tudo culpa daquele conselho da Mônica: ficar bêbada pra criar coragem de dar o próximo passo.Quem era ele, afinal?Acabou. Sua primeira vez foi com um desconhecido. Será que Elvis ainda a aceitaria?Yara coçava freneticamente o couro cabeludo, balançando a cabeça em desespero enquanto as lágrimas escorriam pelos cantos dos olhos.Depois de alguns minutos, respirou fundo, enxugou as lágrimas e, aproveitando que ele estava no banheiro, levantou-se devagar, juntando as roupas espalhadas pelo chão. Sua camisa, comprada por duzentos reais e usada pela primeira vez, agora não passava de duas mangas intactas.Deu um aperto no coração ao perceber o prejuízo.De repente, na mente de Yara surgiram as lembranças da noite passada: ela mesma, tomando a iniciativa de envolver a cintura dele, puxá-lo pelo pescoço e oferecer um beijo ardente...Também recordou o momento em que teve as roupas rasgadas por ele, e seu rosto imediatamente se tingiu de vermelho.Afinal, Yara ainda era uma jovem inexperiente, alheia a esses assuntos.Ela pegou do chão uma camisa masculina, que embora fosse um pouco larga, pelo menos servia. Vestiu-se rapidamente, pegou o celular e tirou trezentos reais que estavam na capinha, deixando o dinheiro sobre a mesa, para evitar que aquele homem viesse procurá-la depois para causar problemas.Em seguida, saiu do quarto às pressas, quase fugindo do local vergonhoso.O homem saiu do banheiro e viu uma mancha vermelha sobre a cama branca. Ele sorriu, levantando o canto dos lábios.Ao virar-se, notou as três notas vermelhas sobre a mesa. Teria sido tratado como um garoto de programa?E, ainda por cima, por apenas trezentos reais? Seu semblante se fechou, sombrio.Yara desceu as escadas, caminhou devagar até a esquina, encontrou uma farmácia e tomou a pílula do dia seguinte.Depois, pegou um táxi até o hospital. Sentia uma leve dor, e não sabia se aquele homem poderia ter alguma doença. Estava preocupada consigo mesma.Precisava fazer um exame.A amiga de Yara, Mônica, atendeu ao telefone e perguntou em voz baixa:"Yara, o que aconteceu, por que você fugiu? Ninguém conseguiu falar com você ontem à noite, Elvis te procurou a noite toda.""Entrei no quarto errado, bebi demais e me confundi… Acho que estou perdida", respondeu Yara, chorando baixinho, com a voz trêmula.Mônica sorriu ao ouvir a resposta desanimada de Yara pelo telefone:"Eu te disse para ir para o quarto 616, pra onde você foi?""616? Não era 91… Enfim, não quero falar sobre isso. Já saí do hotel."Ela fingiu preocupação:"Onde você está agora? Vou até aí."Mas, na verdade, queria mesmo era saber com qual homem desconhecido Yara tinha dormido na noite anterior."Estou indo para o Hospital JS, conversamos quando você chegar!", respondeu Yara, mergulhada em culpa e arrependimento.Enquanto isso, no quarto 616, Mônica e o namorado de Yara, Elvis, passaram a noite juntos.Na noite anterior, foi Mônica quem sugeriu que Yara desse de presente sua primeira vez a Elvis durante a festa de aniversário dele, incentivando-a e fazendo-a beber. Quando Yara estava bêbada, Mônica lhe disse que o número do quarto era 919.Mônica tinha pensado que os números dos cartões dos quartos 616 e 919 eram parecidos; apostou que o quarto 919 estaria ocupado — e, se não estivesse, pelo menos ela e Elvis poderiam ficar juntos sem serem incomodados.Os três tinham se formado na mesma universidade. Yara e Mônica estudaram Design Visual, e ambas se apaixonaram por Elvis, que era dois anos mais velho, mas ele havia escolhido Yara.Hospital JSA ginecologista, com a voz alta, disse:"Vocês jovens não têm nenhum cuidado, viu? Teve uma pequena fissura, mas passando uma pomada vai melhorar. Enquanto não cicatrizar, controle-se com seu namorado. Quando melhorar, peguem mais leve."A médica suspirou novamente:"Uma namorada tão bonita, e ele não sabe cuidar direito."Não se sabia se a ginecologista estava acostumada a essas situações ou se apenas achava engraçado o drama alheio.No consultório, as três macas estavam separadas apenas por uma cortina azul fina, e a voz estridente da médica ecoava pelo ambiente.Ter a primeira consulta ginecológica por causa de uma fissura, e ainda ter isso dito em voz alta, fazia Yara desejar poder desmaiar ali mesmo.Ao sair da sala de exames, ela sentou-se em uma cadeira no corredor para aguardar o resultado."Yara, como você está?" Mônica havia chegado ao hospital."Esperando o resultado dos exames", respondeu ela, cabisbaixa e sem forças.Por dentro, Mônica estava radiante: era óbvio que Yara tinha perdido a virgindade na noite anterior — e não de maneira limpa."Não se preocupe, não vai acontecer nada." Mônica deu leves tapinhas no ombro dela e continuou perguntando: "Você sabe quem era aquela pessoa?"Yara, com as mãos cobrindo o rosto, ficou tentando adivinhar. Aquele homem tinha a pele clara, parecia alguém acostumado ao conforto, criado como se fosse em cativeiro."Não sei, talvez fosse um garoto de programa!"Mônica não conseguiu conter uma risada."Então foi com um garoto de programa que você perdeu a virgindade? Hahaha, ele teve muita sorte mesmo."Para Yara, aquilo não passava de uma brincadeira entre amigas.Mas, no coração de Mônica, sentia-se como se estivesse sendo zombada."Para de rir, Mônica. Você mesma já disse que, depois da primeira vez, a pessoa fica viciada, mas na verdade só sente vontade de se enforcar, nunca mais quer outra vez."E ainda tinha sido com um garoto de programa. Ela sentia tanta vergonha que queria morrer.Até a roupa nova que tinha comprado estava estragada, perdeu dinheiro, gastou mais para ir ao médico… Yara, em silêncio, amaldiçoava aquele maldito garoto de programa.O pior era que ela não sabia como encarar Elvis.Com os olhos ainda marejados, Yara olhou para Mônica: "Mônica, você tem que guardar segredo. Se o Elvis souber, ele nunca mais vai querer saber de mim."Depois de tantos anos de amizade, Yara confiava muito nela, porque Mônica tinha acompanhado toda a história dela com Elvis, desde a faculdade até agora, com todas as idas e vindas, brigas e reconciliações. Sempre que eles discutiam, Mônica era como um anjo da guarda, aconselhando os dois lados.Quando a noite caiu, na piscina do jardim da mansão.O homem nadava, cortando a água com os braços, mergulhando e girando para todos os lados, até que, de repente, afundou completamente.Depois de um último nado crawl perfeito, ele saiu da água, e as gotas escorriam por todo o corpo.O assistente Pablo pegou a toalha que estava sobre a cadeira e a entregou para ele.Ele jogou a toalha sobre os ombros largos e musculosos, e então se reclinou na espreguiçadeira…Eduardo Henriques, herdeiro do Grupo JS, o neto mais velho da Família Henriques, trinta anos, o empresário mais jovem da lista dos mais ricos de Cidade N."Diretor Henriques, aqui está o dossiê daquela garota." O homem pegou o arquivo das mãos do assistente, com as informações sobre a garota que passara a noite com ele.O assistente Pablo explicou: "Ela se chama Yara, tem 23 anos, formou-se em Design na Escola de Artes de Cidade N. Está trabalhando há dois meses na Empresa Sabedoria, como assistente no atendimento ao cliente."Ela havia se candidatado para ser designer, mas os chefes, achando-a bonita, a colocaram no atendimento para lidar com os clientes."Revendo as câmeras, Elvis estava comemorando o aniversário no camarote do segundo andar ontem à noite. Ela é namorada dele desde a época da faculdade e provavelmente bebeu demais, por isso entrou no seu quarto por engano."Elvis?Não era de se admirar que ela tenha chamado por ele ontem.Namorada do próprio sobrinho?O homem passou os dedos longos pelos lábios, como se recordasse o sabor da noite passada. "Há quanto tempo eles estão juntos?"Pablo respondeu, com um certo brilho curioso no olhar: "Pelo que apurei, estão juntos há quase dois anos. Mas… Sr. Brito não tem só essa mulher. Ontem à noite, outra entrou no quarto 616, reservado por ele, e eles só saíram juntos hoje de manhã."O homem deu uma risada irônica: "Interessante!"Namorada de dois anos, que ele nunca conseguiu levar para a cama, e no aniversário, quem ficou com ela foi o tio-avô!Eduardo olhou pensativo para o dossiê nas mãos e continuou: "Quem colocou a droga na minha bebida?"Pablo respondeu, cauteloso: "Foi… o Sr. Leme. Mas o vinho era para ele mesmo, você pegou por engano."Ele franziu o cenho, respirando fundo.Lembrou-se da noite anterior, bebendo com alguns amigos do círculo no camarote, animados demais, e talvez, na confusão, acabou pegando o copo errado.Aquele Alex Leme, sempre exagerando, precisando de drogas até para isso… Uma hora vai acabar mal.E, por causa dele, acabou sendo confundido com um garoto de programa, perdendo a pureza de trinta anos.Pablo hesitou antes de dizer: "Tem… mais uma coisa…"O olhar frio do homem pousou sobre ele: "Fale!"Pablo desviou o olhar, acelerando as palavras:"A Srta. Franco, ao sair do hotel, comprou remédio e depois foi ao nosso principal hospital… Ela foi fazer exames de DSTs!"Pelo menos ela teve o bom senso de comprar remédios, poupando trabalho para os outros.