Capítulo 1No dia em que voltou de Cidade H para Cidade K, era o terceiro aniversário de casamento de Kesia Seabra.Antes de chegar em Cidade K, ela tinha pegado uma gripe e tossia bastante.Mesmo assim, já fazia três meses que não via André Machado e os filhos, então insistiu em voltar para Cidade K.A Família Machado era tradicional de Cidade K.Depois que Cidade K foi reintegrada, os negócios prosperaram em Cidade H e a Família Machado se mudou para lá, mas a antiga mansão da família permaneceu em Cidade K.Quando Kesia chegou à Mansão Antiga Machado, uma notícia apareceu em seu celular: "Sr. Machado esbanja fortuna organizando uma festa de fogueira para a estrela Lílian Lopes."A expressão de Kesia se tornou muito mais fria.A empregada da Família Machado, que era de Cidade H, ao ver a notícia, apressou-se em tranquilizá-la: "A mídia de Cidade K adora inventar histórias, senhora, não leve isso a sério, o senhor está ocupado com assuntos de trabalho hoje à noite."Kesia não respondeu.Antes de voltar, ela havia avisado André por mensagem.Só que aquela mensagem continuava ali, silenciosa, no celular.Sem qualquer resposta.Kesia não era de se apegar a detalhes, mas às vezes se perguntava: quão ocupado poderia estar aquele homem que, do alto da pirâmide, controlava todo o destino econômico de Cidade K?Ocupado a ponto de não responder nem à esposa.Não podia pensar mais nisso.Kesia tirou o casaco e foi até a área das crianças para ver o filho e a filha.Após três meses sem vê-los, os dois já tinham crescido bastante.Kesia sorriu e se agachou diante dos gêmeos que brincavam de casinha.Com areia, as crianças construíram casas e colocaram dentro dois bonequinhos em cada uma. Bastava olhar para saber que eram o papai e a mamãe.Kesia decidiu brincar com a filha: "Querida, quem são esses dois?"A menina, sem levantar a cabeça enquanto moldava a areia, respondeu: "O papai e a Tia Lílian.""Não é," o filho balançou a cabeça, "Na minha casa é que mora a Tia Lílian, na sua mora a mamãe.""Mas eu quero a Tia Lílian como minha mãe!" A menina fez um biquinho.Kesia parou um instante e, acariciando as tranças da filha, perguntou: "A mamãe não é boa?""É sim, mas a Tia Lílian combina mais com o papai."O filho respondeu com naturalidade.A filha também assentiu com seriedade.Vaidosa, a menina afastou a mão de Kesia: "E, mamãe, você está gripada, tem que ficar longe de mim, não bagunce meu cabelo. Foi a Tia Lílian que fez minhas trancinhas. Se desfizer, ela vai ficar chateada."Kesia tocou sua própria máscara, observando a filha e o filho discutindo animados como fariam roupas para Tia Lílian, enquanto o bonequinho que representava a mamãe estava jogado num canto, esquecido.O peito de Kesia apertou, um amargor subiu à boca.A Tia Lílian de quem a filha falava era justamente a mulher que André, seu marido, jamais esqueceu.A dupla perfeita, segundo a mídia de Cidade K.Durante todos esses anos de casamento discreto, parecia que só Lílian era reconhecida como Sra. Machado.Jamais imaginou que, após meses longe, até mesmo seus próprios filhos fossem mais próximos de Lílian.Kesia abaixou os olhos, ficou em silêncio por muito tempo, até que a babá a chamou para subir, tomar banho e descansar.Coincidentemente, a secretária de André chegou, demonstrando surpresa ao vê-la."Senhora, o senhor não vai conseguir voltar esta noite, ele me pediu para vir buscar o presente preparado para a Srta. Lopes.""Tudo bem." Kesia respondeu.Quando a secretária foi embora, uma dor forte apertou seu peito.O marido lembrava de preparar um presente para outra mulher, mas não se lembrava do aniversário de casamento deles.Kesia ligou para André em vídeo.Ele atendeu rapidamente."O que foi?"Do outro lado, André aparecia em seu lounge exclusivo.Luxuoso, iluminado, refletindo o estilo extravagante de Cidade K.Vestia um terno sob medida de valor exorbitante, segurava uma taça de vinho e se recostava no sofá.Sua postura e elegância não tinham nada da frieza calculista dos empresários do porto; o olhar era nobre e distante, frio como neve.Era aquele tipo de homem inalcançável, admirado por todos.A esse André, Kesia tinha amado por seis anos inteiros.Kesia suavizou o tom: "Faz tanto tempo que não nos vemos, esta noite...""André..."Antes que ela terminasse a frase, uma voz feminina, doce e suave, soou do outro lado da linha.Era Lílian.Logo em seguida, a chamada de vídeo foi encerrada abruptamente.Antes de desligar, André apenas deixou cair quatro palavras, de modo indiferente: "Falamos quando voltar."Kesia apertou o celular com força.Ela olhou serenamente para os altos prédios do lado de fora de Cidade K.O trânsito intenso, as luzes formavam um bordado luminoso, um esplendor que deslumbrava e fascinava quem o contemplava.Seu marido, André, possuía uma fortuna bilionária e influenciava o destino de Cidade K.A exceção era ela, sua esposa, para quem ele não demonstrava a menor paciência.Seis anos se passaram, e ele continuava tão frio e distante quanto sempre fora.Por trás do olhar aparentemente gentil que pousava sobre ela, escondia-se uma indiferença sutil.Durante todos esses anos, ela tentou, incansavelmente, reconquistá-lo.No entanto, naquele instante, pela primeira vez, sentiu-se cansada.Kesia não ligou novamente. Adormeceu profundamente, envolta em torpor.No dia seguinte, André finalmente enviou uma mensagem: "Desculpe, feliz terceiro aniversário."Logo depois: "Isto é uma compensação."Em seguida, chegou a notificação de uma transferência bancária de oito dígitos.Ela deslizou pelas mensagens.Por acaso, surgiu uma atualização nas redes sociais de Lílian."Anel de diamante feito sob medida em Paris, França, durante oito meses, uma joia exclusiva para toda a vida. Obrigada, André."A mulher sorria delicadamente, e em sua mão, clara como porcelana, o anel de diamantes brilhava intensamente.Sob a torre, com o vestido vermelho-rosado balançando, exalava um luxo e uma exuberância deslumbrantes.Era evidente o cuidado e dedicação.De repente, Kesia se lembrou da cena antes de se casar com André.Na velha mansão serena, ele atravessou o corredor; seus olhos, calmos como um lago, penetravam facilmente os sonhos dela.Ele dissera: "Eu vou me casar com você, mas é só isso."Antes, ela sempre achou que dizer "eu só quero muito amor, não quero muito dinheiro" era piegas demais.Mas naquele momento, ela percebeu.Durante seis anos, tudo que desejou foi o amor de André, mas nunca o obteve.Kesia reprimiu a enxurrada de emoções e desceu as escadas sozinha.No pequeno jardim lá embaixo.A voz inocente da filha soou, com um leve tom de queixa: "Mamãe, por que voltou? Tia Lílian tinha prometido que hoje ia nos levar ao teatro para ver o ursinho dançar, agora não vai mais... Ah, se mamãe nunca mais voltasse, seria melhor...""É, papai certamente prefere a Tia Lílian. O tio disse que papai só casou com mamãe porque não conseguiu se casar com a Tia Lílian. Mamãe é bonita, mas eu ainda gosto mais da Tia Lílian..."O filho estava visivelmente abatido.Essas palavras, ao chegarem aos ouvidos de Kesia, arderam como uma chama dolorosa.Não conseguiu se casar?Ela despertou do choque, o coração passando da dormência à confusão.Em seguida, olhou para as duas crianças.Durante o parto, ela quase morreu de hemorragia.As crianças eram frágeis, e Kesia as cuidou incansavelmente, sem descansar, ao ponto de comprometer sua própria saúde.Depois, um problema surgiu ali mesmo, em Cidade K.O avô adoeceu gravemente.André voltou para Cidade K para assumir tudo, trazendo as crianças com ele.Nos últimos anos, ela viajava entre as duas cidades, mas os filhos estavam cada vez mais distantes dela.Kesia não sabia quando voltou ao quarto.As crianças ainda tinham aula particular, e a babá as levou.Mesmo assim, Kesia, em meio à correria, marcou novamente um encontro com André.Ela era Sra. Machado.Tinha motivos para esclarecer tanto os assuntos das crianças quanto os de Lílian.Mas, mais uma vez, foi rejeitada com um simples: "Tenho algo importante, deixemos para amanhã à noite."Kesia não conseguiu expressar a amargura em seu coração.Saiu de casa, indo sem perceber até a igreja onde conhecera André.A igreja de Cidade K era pequena e modesta.Assim que Kesia entrou, ouviu na frente do altar a voz delicada da filha:"Tia Lílian, será que funciona mesmo?""Claro que sim."Kesia levantou a cabeça.Viu, não muito longe, Lílian e André, cada um segurando a mão de uma das crianças.Os quatro, como uma família feliz, faziam uma prece juntos diante da torre da igreja.O chão passou rapidamente sob seus pés quando ela ouviu as palavras das duas crianças: "Então, esperamos que a Tia Lílian e o papai sejam sempre saudáveis e felizes!"Lílian sorriu e brincou: "Não vão pedir nada pra mamãe?""Mamãe é má, sempre implica com a Tia Lílian, nem Deus vai abençoar ela!"Kesia sentiu-se como se tivesse caído em um poço gelado.Por muito tempo, ela ficou em silêncio, apenas observando o marido e os filhos rezando por Lílian em frente à igreja.Aquele era o homem que ela amava há seis anos, e aquelas eram as crianças ligadas a ela pelo sangue.De repente, Kesia se levantou e, sem hesitar, foi embora.Ela havia sido teimosa por seis anos.Esperou que André voltasse a amá-la, mas o que recebeu foi a proteção dele a outra mulher, diante de Deus.Persistir assim era apenas um autoengano humilhante.Kesia voltou para a antiga casa e arrumou todas as suas coisas.Depois, enviou a última mensagem a André: "André, vamos nos divorciar."Ela deixou a aliança de casamento na cabeceira da cama e, sem olhar para trás, pegou um táxi até o aeroporto.Quando saiu da igreja, André levou as duas crianças de volta para a casa antiga.Do lado de fora da igreja, as pessoas iam e vinham em meio ao trânsito, e o telefone de André tocou.Ele estava prestes a olhar a mensagem quando, de repente..."Pega o ladrão!"Gritos e confusão se espalharam.Os seguranças tentaram proteger André, mas Lílian Lopes, empurrada pela multidão, acabou colidindo direto nos braços de André.O celular caiu de uma altura e se espatifou sob os pés apressados da multidão."André, desculpa, seu celular..."André franziu levemente a testa, a voz indiferente: "Não tem problema, só trocar por outro."Aquele celular era usado quase só para falar com a família.A família Machado não gostava muito de mandar mensagens, no máximo Kesia enviava alguma coisa.Mas, para ele, as coisas dela nunca eram importantes.No caminho de volta, as crianças estavam entusiasmadas.A filha, Íris Machado, agarrou a barra da camisa de André e pediu, manhosa: "Papai, daqui a uns dias a Tia Lílian vai mesmo morar lá em casa? A Tia Lílian prometeu me levar ao parque de doces."Hélio Machado também estava cheio de expectativas."Pode sim." André assentiu.Mas Hélio parecia inquieto: "Mas, papai... Mamãe disse que a gente não tem muita saúde, que o cheiro do parque de doces pode fazer mal pra gente, e não deixou a gente ir. Será que ela vai impedir? E... se mamãe souber que a Tia Lílian vai morar lá em casa, ela não vai gostar..."André respondeu com ternura: "A Tia Lílian entende de medicina, foi ela que salvou a vida do papai. Com a Tia Lílian por perto, não vai acontecer nada. Sua mãe vai ficar fora por um tempo, a Tia Lílian só vai ficar lá temporariamente, aproveitando para ajudar vocês a melhorar a saúde."As crianças eram frágeis, com a ajuda de Lílian, ficariam melhores."Oba!"As duas crianças festejaram ao voltarem para casa.E, ao chegarem, encontraram uma surpresa ainda maior.Mamãe tinha voltado para Cidade H.André ficou um pouco surpreso ao ver a aliança de casamento no criado-mudo.Desde o casamento, não importava quantas brigas tivessem, Kesia nunca havia tirado a aliança.Desta vez, ela saiu sem avisar e ainda tirou a aliança...Será que ela achava que ele estava frio demais e resolveu fazer birra?Antes, Kesia era sempre dócil e reservada, carregando no sangue aquela discrição tradicional de quem nasceu em Cidade H.Não importava o quanto ele fosse distante, ela nunca se irritava.Era raro.Até um santo tem seu limite.André, porém, não deu muita importância.Largou a aliança de lado: "A senhora vai ficar fora por um tempo. Guardem as coisas dela. Arrumem o quarto, a Srta. Lopes vai vir morar aqui em alguns dias."Os olhos de Íris e Hélio brilharam.Capítulo 2No dia em que voltou de Cidade H para Cidade K, era o terceiro aniversário de casamento de Kesia Seabra.Antes de chegar em Cidade K, ela tinha pegado uma gripe e tossia bastante.Mesmo assim, já fazia três meses que não via André Machado e os filhos, então insistiu em voltar para Cidade K.A Família Machado era tradicional de Cidade K.Depois que Cidade K foi reintegrada, os negócios prosperaram em Cidade H e a Família Machado se mudou para lá, mas a antiga mansão da família permaneceu em Cidade K.Quando Kesia chegou à Mansão Antiga Machado, uma notícia apareceu em seu celular: "Sr. Machado esbanja fortuna organizando uma festa de fogueira para a estrela Lílian Lopes."A expressão de Kesia se tornou muito mais fria.A empregada da Família Machado, que era de Cidade H, ao ver a notícia, apressou-se em tranquilizá-la: "A mídia de Cidade K adora inventar histórias, senhora, não leve isso a sério, o senhor está ocupado com assuntos de trabalho hoje à noite."Kesia não respondeu.Antes de voltar, ela havia avisado André por mensagem.Só que aquela mensagem continuava ali, silenciosa, no celular.Sem qualquer resposta.Kesia não era de se apegar a detalhes, mas às vezes se perguntava: quão ocupado poderia estar aquele homem que, do alto da pirâmide, controlava todo o destino econômico de Cidade K?Ocupado a ponto de não responder nem à esposa.Não podia pensar mais nisso.Kesia tirou o casaco e foi até a área das crianças para ver o filho e a filha.Após três meses sem vê-los, os dois já tinham crescido bastante.Kesia sorriu e se agachou diante dos gêmeos que brincavam de casinha.Com areia, as crianças construíram casas e colocaram dentro dois bonequinhos em cada uma. Bastava olhar para saber que eram o papai e a mamãe.Kesia decidiu brincar com a filha: "Querida, quem são esses dois?"A menina, sem levantar a cabeça enquanto moldava a areia, respondeu: "O papai e a Tia Lílian.""Não é," o filho balançou a cabeça, "Na minha casa é que mora a Tia Lílian, na sua mora a mamãe.""Mas eu quero a Tia Lílian como minha mãe!" A menina fez um biquinho.Kesia parou um instante e, acariciando as tranças da filha, perguntou: "A mamãe não é boa?""É sim, mas a Tia Lílian combina mais com o papai."O filho respondeu com naturalidade.A filha também assentiu com seriedade.Vaidosa, a menina afastou a mão de Kesia: "E, mamãe, você está gripada, tem que ficar longe de mim, não bagunce meu cabelo. Foi a Tia Lílian que fez minhas trancinhas. Se desfizer, ela vai ficar chateada."Kesia tocou sua própria máscara, observando a filha e o filho discutindo animados como fariam roupas para Tia Lílian, enquanto o bonequinho que representava a mamãe estava jogado num canto, esquecido.O peito de Kesia apertou, um amargor subiu à boca.A Tia Lílian de quem a filha falava era justamente a mulher que André, seu marido, jamais esqueceu.A dupla perfeita, segundo a mídia de Cidade K.Durante todos esses anos de casamento discreto, parecia que só Lílian era reconhecida como Sra. Machado.Jamais imaginou que, após meses longe, até mesmo seus próprios filhos fossem mais próximos de Lílian.Kesia abaixou os olhos, ficou em silêncio por muito tempo, até que a babá a chamou para subir, tomar banho e descansar.Coincidentemente, a secretária de André chegou, demonstrando surpresa ao vê-la."Senhora, o senhor não vai conseguir voltar esta noite, ele me pediu para vir buscar o presente preparado para a Srta. Lopes.""Tudo bem." Kesia respondeu.Quando a secretária foi embora, uma dor forte apertou seu peito.O marido lembrava de preparar um presente para outra mulher, mas não se lembrava do aniversário de casamento deles.Kesia ligou para André em vídeo.Ele atendeu rapidamente."O que foi?"Do outro lado, André aparecia em seu lounge exclusivo.Luxuoso, iluminado, refletindo o estilo extravagante de Cidade K.Vestia um terno sob medida de valor exorbitante, segurava uma taça de vinho e se recostava no sofá.Sua postura e elegância não tinham nada da frieza calculista dos empresários do porto; o olhar era nobre e distante, frio como neve.Era aquele tipo de homem inalcançável, admirado por todos.A esse André, Kesia tinha amado por seis anos inteiros.Kesia suavizou o tom: "Faz tanto tempo que não nos vemos, esta noite...""André..."Antes que ela terminasse a frase, uma voz feminina, doce e suave, soou do outro lado da linha.Era Lílian.Logo em seguida, a chamada de vídeo foi encerrada abruptamente.Antes de desligar, André apenas deixou cair quatro palavras, de modo indiferente: "Falamos quando voltar."Kesia apertou o celular com força.Ela olhou serenamente para os altos prédios do lado de fora de Cidade K.O trânsito intenso, as luzes formavam um bordado luminoso, um esplendor que deslumbrava e fascinava quem o contemplava.Seu marido, André, possuía uma fortuna bilionária e influenciava o destino de Cidade K.A exceção era ela, sua esposa, para quem ele não demonstrava a menor paciência.Seis anos se passaram, e ele continuava tão frio e distante quanto sempre fora.Por trás do olhar aparentemente gentil que pousava sobre ela, escondia-se uma indiferença sutil.Durante todos esses anos, ela tentou, incansavelmente, reconquistá-lo.No entanto, naquele instante, pela primeira vez, sentiu-se cansada.Kesia não ligou novamente. Adormeceu profundamente, envolta em torpor.No dia seguinte, André finalmente enviou uma mensagem: "Desculpe, feliz terceiro aniversário."Logo depois: "Isto é uma compensação."Em seguida, chegou a notificação de uma transferência bancária de oito dígitos.Ela deslizou pelas mensagens.Por acaso, surgiu uma atualização nas redes sociais de Lílian."Anel de diamante feito sob medida em Paris, França, durante oito meses, uma joia exclusiva para toda a vida. Obrigada, André."A mulher sorria delicadamente, e em sua mão, clara como porcelana, o anel de diamantes brilhava intensamente.Sob a torre, com o vestido vermelho-rosado balançando, exalava um luxo e uma exuberância deslumbrantes.Era evidente o cuidado e dedicação.De repente, Kesia se lembrou da cena antes de se casar com André.Na velha mansão serena, ele atravessou o corredor; seus olhos, calmos como um lago, penetravam facilmente os sonhos dela.Ele dissera: "Eu vou me casar com você, mas é só isso."Antes, ela sempre achou que dizer "eu só quero muito amor, não quero muito dinheiro" era piegas demais.Mas naquele momento, ela percebeu.Durante seis anos, tudo que desejou foi o amor de André, mas nunca o obteve.Kesia reprimiu a enxurrada de emoções e desceu as escadas sozinha.No pequeno jardim lá embaixo.A voz inocente da filha soou, com um leve tom de queixa: "Mamãe, por que voltou? Tia Lílian tinha prometido que hoje ia nos levar ao teatro para ver o ursinho dançar, agora não vai mais... Ah, se mamãe nunca mais voltasse, seria melhor...""É, papai certamente prefere a Tia Lílian. O tio disse que papai só casou com mamãe porque não conseguiu se casar com a Tia Lílian. Mamãe é bonita, mas eu ainda gosto mais da Tia Lílian..."O filho estava visivelmente abatido.Essas palavras, ao chegarem aos ouvidos de Kesia, arderam como uma chama dolorosa.Não conseguiu se casar?Ela despertou do choque, o coração passando da dormência à confusão.Em seguida, olhou para as duas crianças.Durante o parto, ela quase morreu de hemorragia.As crianças eram frágeis, e Kesia as cuidou incansavelmente, sem descansar, ao ponto de comprometer sua própria saúde.Depois, um problema surgiu ali mesmo, em Cidade K.O avô adoeceu gravemente.André voltou para Cidade K para assumir tudo, trazendo as crianças com ele.Nos últimos anos, ela viajava entre as duas cidades, mas os filhos estavam cada vez mais distantes dela.Kesia não sabia quando voltou ao quarto.As crianças ainda tinham aula particular, e a babá as levou.Mesmo assim, Kesia, em meio à correria, marcou novamente um encontro com André.Ela era Sra. Machado.Tinha motivos para esclarecer tanto os assuntos das crianças quanto os de Lílian.Mas, mais uma vez, foi rejeitada com um simples: "Tenho algo importante, deixemos para amanhã à noite."Kesia não conseguiu expressar a amargura em seu coração.Saiu de casa, indo sem perceber até a igreja onde conhecera André.A igreja de Cidade K era pequena e modesta.Assim que Kesia entrou, ouviu na frente do altar a voz delicada da filha:"Tia Lílian, será que funciona mesmo?""Claro que sim."Kesia levantou a cabeça.Viu, não muito longe, Lílian e André, cada um segurando a mão de uma das crianças.Os quatro, como uma família feliz, faziam uma prece juntos diante da torre da igreja.O chão passou rapidamente sob seus pés quando ela ouviu as palavras das duas crianças: "Então, esperamos que a Tia Lílian e o papai sejam sempre saudáveis e felizes!"Lílian sorriu e brincou: "Não vão pedir nada pra mamãe?""Mamãe é má, sempre implica com a Tia Lílian, nem Deus vai abençoar ela!"Kesia sentiu-se como se tivesse caído em um poço gelado.Por muito tempo, ela ficou em silêncio, apenas observando o marido e os filhos rezando por Lílian em frente à igreja.Aquele era o homem que ela amava há seis anos, e aquelas eram as crianças ligadas a ela pelo sangue.De repente, Kesia se levantou e, sem hesitar, foi embora.Ela havia sido teimosa por seis anos.Esperou que André voltasse a amá-la, mas o que recebeu foi a proteção dele a outra mulher, diante de Deus.Persistir assim era apenas um autoengano humilhante.Kesia voltou para a antiga casa e arrumou todas as suas coisas.Depois, enviou a última mensagem a André: "André, vamos nos divorciar."Ela deixou a aliança de casamento na cabeceira da cama e, sem olhar para trás, pegou um táxi até o aeroporto.Quando saiu da igreja, André levou as duas crianças de volta para a casa antiga.Do lado de fora da igreja, as pessoas iam e vinham em meio ao trânsito, e o telefone de André tocou.Ele estava prestes a olhar a mensagem quando, de repente..."Pega o ladrão!"Gritos e confusão se espalharam.Os seguranças tentaram proteger André, mas Lílian Lopes, empurrada pela multidão, acabou colidindo direto nos braços de André.O celular caiu de uma altura e se espatifou sob os pés apressados da multidão."André, desculpa, seu celular..."André franziu levemente a testa, a voz indiferente: "Não tem problema, só trocar por outro."Aquele celular era usado quase só para falar com a família.A família Machado não gostava muito de mandar mensagens, no máximo Kesia enviava alguma coisa.Mas, para ele, as coisas dela nunca eram importantes.No caminho de volta, as crianças estavam entusiasmadas.A filha, Íris Machado, agarrou a barra da camisa de André e pediu, manhosa: "Papai, daqui a uns dias a Tia Lílian vai mesmo morar lá em casa? A Tia Lílian prometeu me levar ao parque de doces."Hélio Machado também estava cheio de expectativas."Pode sim." André assentiu.Mas Hélio parecia inquieto: "Mas, papai... Mamãe disse que a gente não tem muita saúde, que o cheiro do parque de doces pode fazer mal pra gente, e não deixou a gente ir. Será que ela vai impedir? E... se mamãe souber que a Tia Lílian vai morar lá em casa, ela não vai gostar..."André respondeu com ternura: "A Tia Lílian entende de medicina, foi ela que salvou a vida do papai. Com a Tia Lílian por perto, não vai acontecer nada. Sua mãe vai ficar fora por um tempo, a Tia Lílian só vai ficar lá temporariamente, aproveitando para ajudar vocês a melhorar a saúde."As crianças eram frágeis, com a ajuda de Lílian, ficariam melhores."Oba!"As duas crianças festejaram ao voltarem para casa.E, ao chegarem, encontraram uma surpresa ainda maior.Mamãe tinha voltado para Cidade H.André ficou um pouco surpreso ao ver a aliança de casamento no criado-mudo.Desde o casamento, não importava quantas brigas tivessem, Kesia nunca havia tirado a aliança.Desta vez, ela saiu sem avisar e ainda tirou a aliança...Será que ela achava que ele estava frio demais e resolveu fazer birra?Antes, Kesia era sempre dócil e reservada, carregando no sangue aquela discrição tradicional de quem nasceu em Cidade H.Não importava o quanto ele fosse distante, ela nunca se irritava.Era raro.Até um santo tem seu limite.André, porém, não deu muita importância.Largou a aliança de lado: "A senhora vai ficar fora por um tempo. Guardem as coisas dela. Arrumem o quarto, a Srta. Lopes vai vir morar aqui em alguns dias."Os olhos de Íris e Hélio brilharam.Capítulo 3No dia em que voltou de Cidade H para Cidade K, era o terceiro aniversário de casamento de Kesia Seabra.Antes de chegar em Cidade K, ela tinha pegado uma gripe e tossia bastante.Mesmo assim, já fazia três meses que não via André Machado e os filhos, então insistiu em voltar para Cidade K.A Família Machado era tradicional de Cidade K.Depois que Cidade K foi reintegrada, os negócios prosperaram em Cidade H e a Família Machado se mudou para lá, mas a antiga mansão da família permaneceu em Cidade K.Quando Kesia chegou à Mansão Antiga Machado, uma notícia apareceu em seu celular: "Sr. Machado esbanja fortuna organizando uma festa de fogueira para a estrela Lílian Lopes."A expressão de Kesia se tornou muito mais fria.A empregada da Família Machado, que era de Cidade H, ao ver a notícia, apressou-se em tranquilizá-la: "A mídia de Cidade K adora inventar histórias, senhora, não leve isso a sério, o senhor está ocupado com assuntos de trabalho hoje à noite."Kesia não respondeu.Antes de voltar, ela havia avisado André por mensagem.Só que aquela mensagem continuava ali, silenciosa, no celular.Sem qualquer resposta.Kesia não era de se apegar a detalhes, mas às vezes se perguntava: quão ocupado poderia estar aquele homem que, do alto da pirâmide, controlava todo o destino econômico de Cidade K?Ocupado a ponto de não responder nem à esposa.Não podia pensar mais nisso.Kesia tirou o casaco e foi até a área das crianças para ver o filho e a filha.Após três meses sem vê-los, os dois já tinham crescido bastante.Kesia sorriu e se agachou diante dos gêmeos que brincavam de casinha.Com areia, as crianças construíram casas e colocaram dentro dois bonequinhos em cada uma. Bastava olhar para saber que eram o papai e a mamãe.Kesia decidiu brincar com a filha: "Querida, quem são esses dois?"A menina, sem levantar a cabeça enquanto moldava a areia, respondeu: "O papai e a Tia Lílian.""Não é," o filho balançou a cabeça, "Na minha casa é que mora a Tia Lílian, na sua mora a mamãe.""Mas eu quero a Tia Lílian como minha mãe!" A menina fez um biquinho.Kesia parou um instante e, acariciando as tranças da filha, perguntou: "A mamãe não é boa?""É sim, mas a Tia Lílian combina mais com o papai."O filho respondeu com naturalidade.A filha também assentiu com seriedade.Vaidosa, a menina afastou a mão de Kesia: "E, mamãe, você está gripada, tem que ficar longe de mim, não bagunce meu cabelo. Foi a Tia Lílian que fez minhas trancinhas. Se desfizer, ela vai ficar chateada."Kesia tocou sua própria máscara, observando a filha e o filho discutindo animados como fariam roupas para Tia Lílian, enquanto o bonequinho que representava a mamãe estava jogado num canto, esquecido.O peito de Kesia apertou, um amargor subiu à boca.A Tia Lílian de quem a filha falava era justamente a mulher que André, seu marido, jamais esqueceu.A dupla perfeita, segundo a mídia de Cidade K.Durante todos esses anos de casamento discreto, parecia que só Lílian era reconhecida como Sra. Machado.Jamais imaginou que, após meses longe, até mesmo seus próprios filhos fossem mais próximos de Lílian.Kesia abaixou os olhos, ficou em silêncio por muito tempo, até que a babá a chamou para subir, tomar banho e descansar.Coincidentemente, a secretária de André chegou, demonstrando surpresa ao vê-la."Senhora, o senhor não vai conseguir voltar esta noite, ele me pediu para vir buscar o presente preparado para a Srta. Lopes.""Tudo bem." Kesia respondeu.Quando a secretária foi embora, uma dor forte apertou seu peito.O marido lembrava de preparar um presente para outra mulher, mas não se lembrava do aniversário de casamento deles.Kesia ligou para André em vídeo.Ele atendeu rapidamente."O que foi?"Do outro lado, André aparecia em seu lounge exclusivo.Luxuoso, iluminado, refletindo o estilo extravagante de Cidade K.Vestia um terno sob medida de valor exorbitante, segurava uma taça de vinho e se recostava no sofá.Sua postura e elegância não tinham nada da frieza calculista dos empresários do porto; o olhar era nobre e distante, frio como neve.Era aquele tipo de homem inalcançável, admirado por todos.A esse André, Kesia tinha amado por seis anos inteiros.Kesia suavizou o tom: "Faz tanto tempo que não nos vemos, esta noite...""André..."Antes que ela terminasse a frase, uma voz feminina, doce e suave, soou do outro lado da linha.Era Lílian.Logo em seguida, a chamada de vídeo foi encerrada abruptamente.Antes de desligar, André apenas deixou cair quatro palavras, de modo indiferente: "Falamos quando voltar."Kesia apertou o celular com força.Ela olhou serenamente para os altos prédios do lado de fora de Cidade K.O trânsito intenso, as luzes formavam um bordado luminoso, um esplendor que deslumbrava e fascinava quem o contemplava.Seu marido, André, possuía uma fortuna bilionária e influenciava o destino de Cidade K.A exceção era ela, sua esposa, para quem ele não demonstrava a menor paciência.Seis anos se passaram, e ele continuava tão frio e distante quanto sempre fora.Por trás do olhar aparentemente gentil que pousava sobre ela, escondia-se uma indiferença sutil.Durante todos esses anos, ela tentou, incansavelmente, reconquistá-lo.No entanto, naquele instante, pela primeira vez, sentiu-se cansada.Kesia não ligou novamente. Adormeceu profundamente, envolta em torpor.No dia seguinte, André finalmente enviou uma mensagem: "Desculpe, feliz terceiro aniversário."Logo depois: "Isto é uma compensação."Em seguida, chegou a notificação de uma transferência bancária de oito dígitos.Ela deslizou pelas mensagens.Por acaso, surgiu uma atualização nas redes sociais de Lílian."Anel de diamante feito sob medida em Paris, França, durante oito meses, uma joia exclusiva para toda a vida. Obrigada, André."A mulher sorria delicadamente, e em sua mão, clara como porcelana, o anel de diamantes brilhava intensamente.Sob a torre, com o vestido vermelho-rosado balançando, exalava um luxo e uma exuberância deslumbrantes.Era evidente o cuidado e dedicação.De repente, Kesia se lembrou da cena antes de se casar com André.Na velha mansão serena, ele atravessou o corredor; seus olhos, calmos como um lago, penetravam facilmente os sonhos dela.Ele dissera: "Eu vou me casar com você, mas é só isso."Antes, ela sempre achou que dizer "eu só quero muito amor, não quero muito dinheiro" era piegas demais.Mas naquele momento, ela percebeu.Durante seis anos, tudo que desejou foi o amor de André, mas nunca o obteve.Kesia reprimiu a enxurrada de emoções e desceu as escadas sozinha.No pequeno jardim lá embaixo.A voz inocente da filha soou, com um leve tom de queixa: "Mamãe, por que voltou? Tia Lílian tinha prometido que hoje ia nos levar ao teatro para ver o ursinho dançar, agora não vai mais... Ah, se mamãe nunca mais voltasse, seria melhor...""É, papai certamente prefere a Tia Lílian. O tio disse que papai só casou com mamãe porque não conseguiu se casar com a Tia Lílian. Mamãe é bonita, mas eu ainda gosto mais da Tia Lílian..."O filho estava visivelmente abatido.Essas palavras, ao chegarem aos ouvidos de Kesia, arderam como uma chama dolorosa.Não conseguiu se casar?Ela despertou do choque, o coração passando da dormência à confusão.Em seguida, olhou para as duas crianças.Durante o parto, ela quase morreu de hemorragia.As crianças eram frágeis, e Kesia as cuidou incansavelmente, sem descansar, ao ponto de comprometer sua própria saúde.Depois, um problema surgiu ali mesmo, em Cidade K.O avô adoeceu gravemente.André voltou para Cidade K para assumir tudo, trazendo as crianças com ele.Nos últimos anos, ela viajava entre as duas cidades, mas os filhos estavam cada vez mais distantes dela.Kesia não sabia quando voltou ao quarto.As crianças ainda tinham aula particular, e a babá as levou.Mesmo assim, Kesia, em meio à correria, marcou novamente um encontro com André.Ela era Sra. Machado.Tinha motivos para esclarecer tanto os assuntos das crianças quanto os de Lílian.Mas, mais uma vez, foi rejeitada com um simples: "Tenho algo importante, deixemos para amanhã à noite."Kesia não conseguiu expressar a amargura em seu coração.Saiu de casa, indo sem perceber até a igreja onde conhecera André.A igreja de Cidade K era pequena e modesta.Assim que Kesia entrou, ouviu na frente do altar a voz delicada da filha:"Tia Lílian, será que funciona mesmo?""Claro que sim."Kesia levantou a cabeça.Viu, não muito longe, Lílian e André, cada um segurando a mão de uma das crianças.Os quatro, como uma família feliz, faziam uma prece juntos diante da torre da igreja.O chão passou rapidamente sob seus pés quando ela ouviu as palavras das duas crianças: "Então, esperamos que a Tia Lílian e o papai sejam sempre saudáveis e felizes!"Lílian sorriu e brincou: "Não vão pedir nada pra mamãe?""Mamãe é má, sempre implica com a Tia Lílian, nem Deus vai abençoar ela!"Kesia sentiu-se como se tivesse caído em um poço gelado.Por muito tempo, ela ficou em silêncio, apenas observando o marido e os filhos rezando por Lílian em frente à igreja.Aquele era o homem que ela amava há seis anos, e aquelas eram as crianças ligadas a ela pelo sangue.De repente, Kesia se levantou e, sem hesitar, foi embora.Ela havia sido teimosa por seis anos.Esperou que André voltasse a amá-la, mas o que recebeu foi a proteção dele a outra mulher, diante de Deus.Persistir assim era apenas um autoengano humilhante.Kesia voltou para a antiga casa e arrumou todas as suas coisas.Depois, enviou a última mensagem a André: "André, vamos nos divorciar."Ela deixou a aliança de casamento na cabeceira da cama e, sem olhar para trás, pegou um táxi até o aeroporto.Quando saiu da igreja, André levou as duas crianças de volta para a casa antiga.Do lado de fora da igreja, as pessoas iam e vinham em meio ao trânsito, e o telefone de André tocou.Ele estava prestes a olhar a mensagem quando, de repente..."Pega o ladrão!"Gritos e confusão se espalharam.Os seguranças tentaram proteger André, mas Lílian Lopes, empurrada pela multidão, acabou colidindo direto nos braços de André.O celular caiu de uma altura e se espatifou sob os pés apressados da multidão."André, desculpa, seu celular..."André franziu levemente a testa, a voz indiferente: "Não tem problema, só trocar por outro."Aquele celular era usado quase só para falar com a família.A família Machado não gostava muito de mandar mensagens, no máximo Kesia enviava alguma coisa.Mas, para ele, as coisas dela nunca eram importantes.No caminho de volta, as crianças estavam entusiasmadas.A filha, Íris Machado, agarrou a barra da camisa de André e pediu, manhosa: "Papai, daqui a uns dias a Tia Lílian vai mesmo morar lá em casa? A Tia Lílian prometeu me levar ao parque de doces."Hélio Machado também estava cheio de expectativas."Pode sim." André assentiu.Mas Hélio parecia inquieto: "Mas, papai... Mamãe disse que a gente não tem muita saúde, que o cheiro do parque de doces pode fazer mal pra gente, e não deixou a gente ir. Será que ela vai impedir? E... se mamãe souber que a Tia Lílian vai morar lá em casa, ela não vai gostar..."André respondeu com ternura: "A Tia Lílian entende de medicina, foi ela que salvou a vida do papai. Com a Tia Lílian por perto, não vai acontecer nada. Sua mãe vai ficar fora por um tempo, a Tia Lílian só vai ficar lá temporariamente, aproveitando para ajudar vocês a melhorar a saúde."As crianças eram frágeis, com a ajuda de Lílian, ficariam melhores."Oba!"As duas crianças festejaram ao voltarem para casa.E, ao chegarem, encontraram uma surpresa ainda maior.Mamãe tinha voltado para Cidade H.André ficou um pouco surpreso ao ver a aliança de casamento no criado-mudo.Desde o casamento, não importava quantas brigas tivessem, Kesia nunca havia tirado a aliança.Desta vez, ela saiu sem avisar e ainda tirou a aliança...Será que ela achava que ele estava frio demais e resolveu fazer birra?Antes, Kesia era sempre dócil e reservada, carregando no sangue aquela discrição tradicional de quem nasceu em Cidade H.Não importava o quanto ele fosse distante, ela nunca se irritava.Era raro.Até um santo tem seu limite.André, porém, não deu muita importância.Largou a aliança de lado: "A senhora vai ficar fora por um tempo. Guardem as coisas dela. Arrumem o quarto, a Srta. Lopes vai vir morar aqui em alguns dias."Os olhos de Íris e Hélio brilharam.