No dia em que perdeu o filho, Valentina Lacerda procurou desesperadamente por Benjamin Freitas. Ligações incessantes, respostas ausentes. Enquanto ela enfrentava a dor sozinha, Benjamin estava com a filha... e a ex-esposa. Foi nesse momento que Valentina finalmente abriu os olhos — e partiu. Anos depois, a garota frágil deu lugar à leiloeira mais cobiçada do Brasil. No palco dos sonhos e dos bilhões, Valentina renasceu poderosa. Para vê-la, Benjamin agora precisa pagar — literalmente. Mas o que mais custa não é o valor em dinheiro... é encarar a mulher que deixou para trás. Quando o homem que um dia disse “Sem mim, você não é nada” reaparece com um pedido — que ela volte para casa — Valentina responde com um sorriso sereno e um cartão dourado: “Diretor Benjamin, espero que possa comparecer ao meu casamento.” Uma história ardente de empoderamento, vingança sutil e amores tardios, onde o verdadeiro preço não está no martelo... mas no coração.

Capítulo 1Valentina Lacerda ficou internada no hospital por uma semana.No dia em que recebeu alta, ela ouviu os comentários das enfermeiras no posto.Diziam que ela fizera sozinha o procedimento de interrupção, que passara tantos dias hospitalizada e nem um único familiar viera visitá-la. Sentiam pena dela.Algumas até supunham que ela fosse amante de alguém, descoberta pela esposa legítima, e que, sem alternativa, acabara indo ao hospital resolver a situação e aceitado dinheiro para encerrar o assunto.A mão de Valentina, caída ao lado do corpo, apertou-se sem que ela percebesse. Ela lançou um olhar rápido para o próprio ventre.O médico garantira que sua recuperação era ótima, mas por que ainda sentia aquela dor lacerante, como se lhe arrancassem a carne?Colocou os óculos escuros, escondendo o cansaço no olhar, e deixou o hospital.Ao retornar ao Residencial Jardim do Sol, Valentina subiu direto ao quarto no segundo andar.O ambiente permanecia exatamente como ela deixara, sinal de que Benjamin Freitas não voltara para casa.Mas ela já não tinha forças para se importar com o paradeiro dele, nem com em qual cama feminina ele andava se demorando.Estava exausta.Tomou alguns comprimidos de melatonina e, enfim, conseguiu dormir em paz.Sonhou novamente com o dia de uma semana atrás: o sangue escorrendo sob seu corpo, e aquele telefone que jamais atendia…— Bebê!Valentina Lacerda acordou assustada do pesadelo, abrindo os olhos para o quarto familiar.Ficou ali, imóvel por longos minutos, encarando o teto.Aquela dor dilacerante atravessava-lhe o ventre, rasgando o coração, espalhando-se por todo o corpo.Ouviu batidas na porta. Antes que pudesse responder, a porta já se abria.— Senhora, o senhor ligou dizendo que volta hoje à noite. Está na hora de levantar para preparar o jantar.Valentina piscou para afastar as lágrimas dos olhos. Sua voz saiu rouca:— Não estou bem. Peça para a cozinha cuidar disso.Virando-se de costas, recusou-se a encarar a empregada.Mas Joana insistiu, aproximando-se da cama.— Ora, isso não dá! A senhorita gosta tanto da sua comida. O senhor quase nunca aparece em casa. Agora que vem, você precisa aproveitar, conquistar o coração dos dois!Enquanto falava, Joana tentou puxá-la para que se levantasse.Valentina franziu a testa e afastou a mão da funcionária.— Já disse que não estou bem!Apontou para a porta: — Saia, por favor!A empregada não esperava uma reação tão brusca. Recolheu a mão, contrariada, resmungando:— E por que desconta em mim? Quando o senhor chegar, aposto que vai correr para o lado dele como sempre!A voz não era baixa, e Valentina ouviu cada palavra.Sim, até a empregada sabia: bastava Benjamin Freitas regressar, e Valentina se desdobrava em cuidados, organizando tudo pessoalmente, só para chamar a atenção dele.Mas aquele homem nunca a enxergara de verdade.O casamento deles não passava de um acordo: a família Freitas precisava de uma esposa à altura, Benjamin de uma mulher bonita ao lado, Estrela de alguém que cuidasse dela…Valentina encolheu-se toda, abraçando o ventre vazio.Hoje, porém, só queria ser uma mulher que perdeu um filho…O efeito do calmante a fez adormecer de novo.Quando despertou, ouviu um leve ruído ao lado.Em pouco tempo, sentiu o peso do corpo masculino sobre si; o beijo dele era quente e voraz, e logo a mão grande arrancou-lhe o roupão sem delicadeza.Ele era sempre assim, nunca se importava com o que ela sentia.— Não… Não me toque…Valentina empurrou o peito de Benjamin.Benjamin Freitas, excitado, interpretou aquilo como jogo.Segurou os pulsos delicados dela acima da cabeça e beijou-lhe os lábios macios.A posição em que Valentina se encontrava era humilhante. Ela virou o rosto, fugindo do beijo.Um lampejo de irritação passou pelos olhos de Benjamin. Percebendo que Valentina realmente não queria, perdeu o interesse.Ele não era de forçar ninguém.Saiu da cama, pegou o roupão, amarrou-o displicentemente na cintura e sentou-se no banco baixo junto à janela, acendendo um cigarro.A roupa que Valentina Lacerda usava já estava em frangalhos. Ela se levantou, ajeitou-se desajeitadamente e então falou:— Benjamin Freitas, vamos nos divorciar!O homem soltou lentamente uma nuvem azulada de fumaça. Em seu rosto excepcionalmente belo e distante, surgiu uma camada de frieza.— Divórcio?Ele parecia ter ouvido uma piada. Riu, debochado.— Sem o título de “Sra. Freitas”, o que você acha que pode fazer?O olhar frio de Benjamin Freitas percorreu Valentina Lacerda. Com o dedo indicador, bateu levemente, deixando a cinza do cigarro cair sobre o tapete macio.— Eu só levei nossa filha para passear fora do país. Qual é o drama agora?— A empregada disse que você ficou fora de casa uma semana e voltou só hoje. O que foi? Vai tentar me ameaçar fugindo de casa?No fundo, Valentina Lacerda sorriu amargamente.Levar a filha para viajar precisava mesmo levar a secretária junto?Se fosse antes, Valentina Lacerda teria mostrado o Instagram daquela mulher para Benjamin Freitas e exigido uma explicação.Mas agora, isso já não fazia mais sentido.— Passei a semana no hospital. Não me senti bem.Valentina Lacerda disse com calma.Ela estava prestes a contar para Benjamin Freitas sobre a perda do bebê, mas nesse momento a porta do quarto foi aberta.— Você acordou? Quero comer aqueles biscoitinhos que só você faz!A menininha entrou correndo, descalça, usando um pijama cor-de-rosa.Valentina Lacerda se abaixou, olhando-a com ternura.— Estrela, a tia tem algo para conversar com seu pai. Amanhã a gente faz os biscoitinhos juntos, pode ser?— Não, não! Quero agora!Estrela Freitas sempre foi muito mimada, nunca aceitava um não como resposta.Valentina Lacerda estava prestes a tentar convencê-la novamente, quando Benjamin interveio:— Isso pode ficar para amanhã. Hoje, no caminho, ela já estava pedindo os biscoitos. Vá com ela.Antes, Valentina Lacerda teria descido com Estrela Freitas sem hesitar. Mas, recém-operada e ainda muito fraca, ela realmente não tinha forças para cuidar de uma criança de cinco anos.— Não estou me sentindo bem. Além disso, preciso conversar com você sobre nosso filho.Benjamin Freitas imediatamente mudou de expressão.Apagou o cigarro no cinzeiro com impaciência e encarou Valentina Lacerda com um olhar tão profundo e gelado quanto um poço antigo, aparentemente calmo, mas cheio de turbulência oculta.— Já disse que não quero mais filhos!— Sua única obrigação é cuidar bem da Estrela!— Qualquer outra coisa, nem pense nisso!Ele tirou um cartão da carteira e jogou sobre a mesa.— Fique com isso. Não faça mais escândalo!Benjamin Freitas saiu do quarto.Estrela Freitas sempre foi sensível. Deu um passo para trás, afastando-se de Valentina Lacerda.— Você deixou o papai bravo de novo!— Quero ver como você vai sair dessa!A menina semicerrava os olhos, o rosto frio e orgulhoso, igual ao do pai.Fez uma careta para Valentina Lacerda e saiu saltitando do quarto.O silêncio finalmente tomou conta do ambiente.O vento frio entrou pela janela. O quarto luxuoso parecia um frigorífico, sem nenhum traço de calor.Valentina Lacerda olhou para fora. Na escuridão densa, só se via ao longe alguns pontos de luz.Ela tirou do bolso uma carta-convite. Em breve, aconteceria um grande leilão na Cidade Capital, para o qual ela fora convidada como leiloeira.Ainda não tinha aceitado porque o evento seria de grande porte, e Benjamin Freitas certamente estaria presente.Ele não a permitia trabalhar fora!Antes, Valentina Lacerda dava um valor enorme a Benjamin Freitas, fazendo dele o centro de sua vida e abrindo mão da carreira que tanto amava.Agora...Valentina Lacerda se lembrou do que Benjamin dissera: sem o título de Sra. Freitas, ela não seria nada.Sendo assim, ela já não queria mais esse título!A mulher, que deveria ter aproveitado o resguardo após o parto, não apenas deixou de descansar como também passou a noite toda exposta ao vento frio. Não demorou para que Valentina Lacerda fosse acometida por uma febre alta.Meio adormecida, caiu em sono profundo, mas foi despertada por batidas insistentes na porta.Com esforço, abriu os olhos. Sua cabeça parecia recheada de concreto, pesada e dolorida.Olhou para o lado e notou que a cama estava impecavelmente arrumada — Benjamin Freitas, mais uma vez, não havia voltado para casa naquela noite.Ainda bem que isso já não a afetava mais.No instante seguinte, a porta se abriu de repente.— Este é o quarto do papai.Estrela Freitas entrou acompanhada de Nádia Assunção, sem que nenhuma das duas parecesse considerar sua atitude, no mínimo, desrespeitosa.— O que vocês estão fazendo no meu quarto?Ao falar, a garganta de Valentina Lacerda ardeu como se estivesse cheia de lâminas. Sua voz saiu rouca, quase irreconhecível.Nádia Assunção respondeu:— Sra. Freitas, o Diretor Freitas pediu que eu viesse buscar a roupa que ele vai usar hoje.Apesar de tratá-la formalmente por "Sra. Freitas", Nádia Assunção não demonstrava um pingo de respeito.Diante da provocação, Valentina Lacerda respondeu com frieza:— As roupas dele estão no closet.Nádia Assunção ficou surpresa com a reação. Antes, Valentina certamente perguntaria onde Benjamin Freitas passou a noite ou por que ela mesma precisava pegar as roupas, e jamais permitiria que Nádia entrasse no closet do Diretor Freitas.Mas hoje, Valentina parecia diferente.Isso agradou Nádia. Ter a chance de cuidar das roupas pessoais de Benjamin Freitas a fazia sentir uma doce intimidade.Nádia entrou diretamente no closet. Não demorou para sons de movimento ecoarem lá de dentro.Valentina Lacerda decidiu ignorar o que acontecia.Nem mesmo prestou atenção em Estrela Freitas, que estava ali ao lado. Levantou-se e foi até o barzinho para tomar seu remédio.Estrela nunca havia sido tratada com tanta indiferença por Valentina.A menina se aproximou e tentou segurar o braço de Valentina.Naquele momento, Valentina estava prestes a tomar o remédio. Com o puxão repentino, a água quente do copo se derramou sobre seu braço.A pele clara de Valentina ficou imediatamente avermelhada.No dorso da mão de Estrela também apareceu uma leve vermelhidão.A menina começou a chorar alto.Nádia, ao ouvir o barulho, saiu correndo do closet.— O que aconteceu?Valentina já havia pegado a pomada para queimaduras e se preparava para aplicar o remédio na criança.— Estrela, está tudo bem, foi só um pequeno descuido. Logo vai passar depois de passar a pomada.Nádia puxou Estrela para si, protegendo-a no colo e lançou um olhar furioso para Valentina.— Como pode dizer que está tudo bem se ela está chorando desse jeito?Eu sei, foi você quem queimou Estrela de propósito, só para tentar fazer o Diretor Freitas voltar para casa usando a menina como desculpa!Valentina Lacerda, você é realmente maldosa!A mão de Valentina, ainda segurando a pomada, ficou suspensa no ar. Em seu braço, as bolhas começavam a se formar, doloridas como agulhadas.Olhou para Estrela, esperando que a menina dissesse alguma coisa. Mas, para sua decepção, depois de um breve olhar, Estrela se encolheu ainda mais nos braços de Nádia.Dizer que não ficou magoada seria mentira.Afinal, cuidara dessa criança por cinco anos.Valentina abaixou o olhar e colocou a pomada de volta na mesa.— Se você acha que sou tão maldosa assim, então leve-a com você.Virou-se de costas.A dor no braço nem se comparava à dor dentro do peito.Nádia gritou para as costas de Valentina:— Vou contar tudo ao Diretor Freitas hoje mesmo! Ele precisa enxergar quem você realmente é!Valentina ouviu, mas nem parou de andar. Apenas respondeu por cima do ombro:— Faça como quiser!Encolhida no colo de Nádia, Estrela observou Valentina se afastar e sentiu o coração apertar.Ela não havia se explicado por maldade; estava apenas magoada porque Valentina não fizera biscoitos com ela na noite anterior.A menina olhou para o dorso da própria mão. A vermelhidão já não doía tanto, mas lembrava das várias bolhas que se formaram no braço de Valentina.Capítulo 2Valentina Lacerda ficou internada no hospital por uma semana.No dia em que recebeu alta, ela ouviu os comentários das enfermeiras no posto.Diziam que ela fizera sozinha o procedimento de interrupção, que passara tantos dias hospitalizada e nem um único familiar viera visitá-la. Sentiam pena dela.Algumas até supunham que ela fosse amante de alguém, descoberta pela esposa legítima, e que, sem alternativa, acabara indo ao hospital resolver a situação e aceitado dinheiro para encerrar o assunto.A mão de Valentina, caída ao lado do corpo, apertou-se sem que ela percebesse. Ela lançou um olhar rápido para o próprio ventre.O médico garantira que sua recuperação era ótima, mas por que ainda sentia aquela dor lacerante, como se lhe arrancassem a carne?Colocou os óculos escuros, escondendo o cansaço no olhar, e deixou o hospital.Ao retornar ao Residencial Jardim do Sol, Valentina subiu direto ao quarto no segundo andar.O ambiente permanecia exatamente como ela deixara, sinal de que Benjamin Freitas não voltara para casa.Mas ela já não tinha forças para se importar com o paradeiro dele, nem com em qual cama feminina ele andava se demorando.Estava exausta.Tomou alguns comprimidos de melatonina e, enfim, conseguiu dormir em paz.Sonhou novamente com o dia de uma semana atrás: o sangue escorrendo sob seu corpo, e aquele telefone que jamais atendia…— Bebê!Valentina Lacerda acordou assustada do pesadelo, abrindo os olhos para o quarto familiar.Ficou ali, imóvel por longos minutos, encarando o teto.Aquela dor dilacerante atravessava-lhe o ventre, rasgando o coração, espalhando-se por todo o corpo.Ouviu batidas na porta. Antes que pudesse responder, a porta já se abria.— Senhora, o senhor ligou dizendo que volta hoje à noite. Está na hora de levantar para preparar o jantar.Valentina piscou para afastar as lágrimas dos olhos. Sua voz saiu rouca:— Não estou bem. Peça para a cozinha cuidar disso.Virando-se de costas, recusou-se a encarar a empregada.Mas Joana insistiu, aproximando-se da cama.— Ora, isso não dá! A senhorita gosta tanto da sua comida. O senhor quase nunca aparece em casa. Agora que vem, você precisa aproveitar, conquistar o coração dos dois!Enquanto falava, Joana tentou puxá-la para que se levantasse.Valentina franziu a testa e afastou a mão da funcionária.— Já disse que não estou bem!Apontou para a porta: — Saia, por favor!A empregada não esperava uma reação tão brusca. Recolheu a mão, contrariada, resmungando:— E por que desconta em mim? Quando o senhor chegar, aposto que vai correr para o lado dele como sempre!A voz não era baixa, e Valentina ouviu cada palavra.Sim, até a empregada sabia: bastava Benjamin Freitas regressar, e Valentina se desdobrava em cuidados, organizando tudo pessoalmente, só para chamar a atenção dele.Mas aquele homem nunca a enxergara de verdade.O casamento deles não passava de um acordo: a família Freitas precisava de uma esposa à altura, Benjamin de uma mulher bonita ao lado, Estrela de alguém que cuidasse dela…Valentina encolheu-se toda, abraçando o ventre vazio.Hoje, porém, só queria ser uma mulher que perdeu um filho…O efeito do calmante a fez adormecer de novo.Quando despertou, ouviu um leve ruído ao lado.Em pouco tempo, sentiu o peso do corpo masculino sobre si; o beijo dele era quente e voraz, e logo a mão grande arrancou-lhe o roupão sem delicadeza.Ele era sempre assim, nunca se importava com o que ela sentia.— Não… Não me toque…Valentina empurrou o peito de Benjamin.Benjamin Freitas, excitado, interpretou aquilo como jogo.Segurou os pulsos delicados dela acima da cabeça e beijou-lhe os lábios macios.A posição em que Valentina se encontrava era humilhante. Ela virou o rosto, fugindo do beijo.Um lampejo de irritação passou pelos olhos de Benjamin. Percebendo que Valentina realmente não queria, perdeu o interesse.Ele não era de forçar ninguém.Saiu da cama, pegou o roupão, amarrou-o displicentemente na cintura e sentou-se no banco baixo junto à janela, acendendo um cigarro.A roupa que Valentina Lacerda usava já estava em frangalhos. Ela se levantou, ajeitou-se desajeitadamente e então falou:— Benjamin Freitas, vamos nos divorciar!O homem soltou lentamente uma nuvem azulada de fumaça. Em seu rosto excepcionalmente belo e distante, surgiu uma camada de frieza.— Divórcio?Ele parecia ter ouvido uma piada. Riu, debochado.— Sem o título de “Sra. Freitas”, o que você acha que pode fazer?O olhar frio de Benjamin Freitas percorreu Valentina Lacerda. Com o dedo indicador, bateu levemente, deixando a cinza do cigarro cair sobre o tapete macio.— Eu só levei nossa filha para passear fora do país. Qual é o drama agora?— A empregada disse que você ficou fora de casa uma semana e voltou só hoje. O que foi? Vai tentar me ameaçar fugindo de casa?No fundo, Valentina Lacerda sorriu amargamente.Levar a filha para viajar precisava mesmo levar a secretária junto?Se fosse antes, Valentina Lacerda teria mostrado o Instagram daquela mulher para Benjamin Freitas e exigido uma explicação.Mas agora, isso já não fazia mais sentido.— Passei a semana no hospital. Não me senti bem.Valentina Lacerda disse com calma.Ela estava prestes a contar para Benjamin Freitas sobre a perda do bebê, mas nesse momento a porta do quarto foi aberta.— Você acordou? Quero comer aqueles biscoitinhos que só você faz!A menininha entrou correndo, descalça, usando um pijama cor-de-rosa.Valentina Lacerda se abaixou, olhando-a com ternura.— Estrela, a tia tem algo para conversar com seu pai. Amanhã a gente faz os biscoitinhos juntos, pode ser?— Não, não! Quero agora!Estrela Freitas sempre foi muito mimada, nunca aceitava um não como resposta.Valentina Lacerda estava prestes a tentar convencê-la novamente, quando Benjamin interveio:— Isso pode ficar para amanhã. Hoje, no caminho, ela já estava pedindo os biscoitos. Vá com ela.Antes, Valentina Lacerda teria descido com Estrela Freitas sem hesitar. Mas, recém-operada e ainda muito fraca, ela realmente não tinha forças para cuidar de uma criança de cinco anos.— Não estou me sentindo bem. Além disso, preciso conversar com você sobre nosso filho.Benjamin Freitas imediatamente mudou de expressão.Apagou o cigarro no cinzeiro com impaciência e encarou Valentina Lacerda com um olhar tão profundo e gelado quanto um poço antigo, aparentemente calmo, mas cheio de turbulência oculta.— Já disse que não quero mais filhos!— Sua única obrigação é cuidar bem da Estrela!— Qualquer outra coisa, nem pense nisso!Ele tirou um cartão da carteira e jogou sobre a mesa.— Fique com isso. Não faça mais escândalo!Benjamin Freitas saiu do quarto.Estrela Freitas sempre foi sensível. Deu um passo para trás, afastando-se de Valentina Lacerda.— Você deixou o papai bravo de novo!— Quero ver como você vai sair dessa!A menina semicerrava os olhos, o rosto frio e orgulhoso, igual ao do pai.Fez uma careta para Valentina Lacerda e saiu saltitando do quarto.O silêncio finalmente tomou conta do ambiente.O vento frio entrou pela janela. O quarto luxuoso parecia um frigorífico, sem nenhum traço de calor.Valentina Lacerda olhou para fora. Na escuridão densa, só se via ao longe alguns pontos de luz.Ela tirou do bolso uma carta-convite. Em breve, aconteceria um grande leilão na Cidade Capital, para o qual ela fora convidada como leiloeira.Ainda não tinha aceitado porque o evento seria de grande porte, e Benjamin Freitas certamente estaria presente.Ele não a permitia trabalhar fora!Antes, Valentina Lacerda dava um valor enorme a Benjamin Freitas, fazendo dele o centro de sua vida e abrindo mão da carreira que tanto amava.Agora...Valentina Lacerda se lembrou do que Benjamin dissera: sem o título de Sra. Freitas, ela não seria nada.Sendo assim, ela já não queria mais esse título!A mulher, que deveria ter aproveitado o resguardo após o parto, não apenas deixou de descansar como também passou a noite toda exposta ao vento frio. Não demorou para que Valentina Lacerda fosse acometida por uma febre alta.Meio adormecida, caiu em sono profundo, mas foi despertada por batidas insistentes na porta.Com esforço, abriu os olhos. Sua cabeça parecia recheada de concreto, pesada e dolorida.Olhou para o lado e notou que a cama estava impecavelmente arrumada — Benjamin Freitas, mais uma vez, não havia voltado para casa naquela noite.Ainda bem que isso já não a afetava mais.No instante seguinte, a porta se abriu de repente.— Este é o quarto do papai.Estrela Freitas entrou acompanhada de Nádia Assunção, sem que nenhuma das duas parecesse considerar sua atitude, no mínimo, desrespeitosa.— O que vocês estão fazendo no meu quarto?Ao falar, a garganta de Valentina Lacerda ardeu como se estivesse cheia de lâminas. Sua voz saiu rouca, quase irreconhecível.Nádia Assunção respondeu:— Sra. Freitas, o Diretor Freitas pediu que eu viesse buscar a roupa que ele vai usar hoje.Apesar de tratá-la formalmente por "Sra. Freitas", Nádia Assunção não demonstrava um pingo de respeito.Diante da provocação, Valentina Lacerda respondeu com frieza:— As roupas dele estão no closet.Nádia Assunção ficou surpresa com a reação. Antes, Valentina certamente perguntaria onde Benjamin Freitas passou a noite ou por que ela mesma precisava pegar as roupas, e jamais permitiria que Nádia entrasse no closet do Diretor Freitas.Mas hoje, Valentina parecia diferente.Isso agradou Nádia. Ter a chance de cuidar das roupas pessoais de Benjamin Freitas a fazia sentir uma doce intimidade.Nádia entrou diretamente no closet. Não demorou para sons de movimento ecoarem lá de dentro.Valentina Lacerda decidiu ignorar o que acontecia.Nem mesmo prestou atenção em Estrela Freitas, que estava ali ao lado. Levantou-se e foi até o barzinho para tomar seu remédio.Estrela nunca havia sido tratada com tanta indiferença por Valentina.A menina se aproximou e tentou segurar o braço de Valentina.Naquele momento, Valentina estava prestes a tomar o remédio. Com o puxão repentino, a água quente do copo se derramou sobre seu braço.A pele clara de Valentina ficou imediatamente avermelhada.No dorso da mão de Estrela também apareceu uma leve vermelhidão.A menina começou a chorar alto.Nádia, ao ouvir o barulho, saiu correndo do closet.— O que aconteceu?Valentina já havia pegado a pomada para queimaduras e se preparava para aplicar o remédio na criança.— Estrela, está tudo bem, foi só um pequeno descuido. Logo vai passar depois de passar a pomada.Nádia puxou Estrela para si, protegendo-a no colo e lançou um olhar furioso para Valentina.— Como pode dizer que está tudo bem se ela está chorando desse jeito?Eu sei, foi você quem queimou Estrela de propósito, só para tentar fazer o Diretor Freitas voltar para casa usando a menina como desculpa!Valentina Lacerda, você é realmente maldosa!A mão de Valentina, ainda segurando a pomada, ficou suspensa no ar. Em seu braço, as bolhas começavam a se formar, doloridas como agulhadas.Olhou para Estrela, esperando que a menina dissesse alguma coisa. Mas, para sua decepção, depois de um breve olhar, Estrela se encolheu ainda mais nos braços de Nádia.Dizer que não ficou magoada seria mentira.Afinal, cuidara dessa criança por cinco anos.Valentina abaixou o olhar e colocou a pomada de volta na mesa.— Se você acha que sou tão maldosa assim, então leve-a com você.Virou-se de costas.A dor no braço nem se comparava à dor dentro do peito.Nádia gritou para as costas de Valentina:— Vou contar tudo ao Diretor Freitas hoje mesmo! Ele precisa enxergar quem você realmente é!Valentina ouviu, mas nem parou de andar. Apenas respondeu por cima do ombro:— Faça como quiser!Encolhida no colo de Nádia, Estrela observou Valentina se afastar e sentiu o coração apertar.Ela não havia se explicado por maldade; estava apenas magoada porque Valentina não fizera biscoitos com ela na noite anterior.A menina olhou para o dorso da própria mão. A vermelhidão já não doía tanto, mas lembrava das várias bolhas que se formaram no braço de Valentina.Capítulo 3Valentina Lacerda ficou internada no hospital por uma semana.No dia em que recebeu alta, ela ouviu os comentários das enfermeiras no posto.Diziam que ela fizera sozinha o procedimento de interrupção, que passara tantos dias hospitalizada e nem um único familiar viera visitá-la. Sentiam pena dela.Algumas até supunham que ela fosse amante de alguém, descoberta pela esposa legítima, e que, sem alternativa, acabara indo ao hospital resolver a situação e aceitado dinheiro para encerrar o assunto.A mão de Valentina, caída ao lado do corpo, apertou-se sem que ela percebesse. Ela lançou um olhar rápido para o próprio ventre.O médico garantira que sua recuperação era ótima, mas por que ainda sentia aquela dor lacerante, como se lhe arrancassem a carne?Colocou os óculos escuros, escondendo o cansaço no olhar, e deixou o hospital.Ao retornar ao Residencial Jardim do Sol, Valentina subiu direto ao quarto no segundo andar.O ambiente permanecia exatamente como ela deixara, sinal de que Benjamin Freitas não voltara para casa.Mas ela já não tinha forças para se importar com o paradeiro dele, nem com em qual cama feminina ele andava se demorando.Estava exausta.Tomou alguns comprimidos de melatonina e, enfim, conseguiu dormir em paz.Sonhou novamente com o dia de uma semana atrás: o sangue escorrendo sob seu corpo, e aquele telefone que jamais atendia…— Bebê!Valentina Lacerda acordou assustada do pesadelo, abrindo os olhos para o quarto familiar.Ficou ali, imóvel por longos minutos, encarando o teto.Aquela dor dilacerante atravessava-lhe o ventre, rasgando o coração, espalhando-se por todo o corpo.Ouviu batidas na porta. Antes que pudesse responder, a porta já se abria.— Senhora, o senhor ligou dizendo que volta hoje à noite. Está na hora de levantar para preparar o jantar.Valentina piscou para afastar as lágrimas dos olhos. Sua voz saiu rouca:— Não estou bem. Peça para a cozinha cuidar disso.Virando-se de costas, recusou-se a encarar a empregada.Mas Joana insistiu, aproximando-se da cama.— Ora, isso não dá! A senhorita gosta tanto da sua comida. O senhor quase nunca aparece em casa. Agora que vem, você precisa aproveitar, conquistar o coração dos dois!Enquanto falava, Joana tentou puxá-la para que se levantasse.Valentina franziu a testa e afastou a mão da funcionária.— Já disse que não estou bem!Apontou para a porta: — Saia, por favor!A empregada não esperava uma reação tão brusca. Recolheu a mão, contrariada, resmungando:— E por que desconta em mim? Quando o senhor chegar, aposto que vai correr para o lado dele como sempre!A voz não era baixa, e Valentina ouviu cada palavra.Sim, até a empregada sabia: bastava Benjamin Freitas regressar, e Valentina se desdobrava em cuidados, organizando tudo pessoalmente, só para chamar a atenção dele.Mas aquele homem nunca a enxergara de verdade.O casamento deles não passava de um acordo: a família Freitas precisava de uma esposa à altura, Benjamin de uma mulher bonita ao lado, Estrela de alguém que cuidasse dela…Valentina encolheu-se toda, abraçando o ventre vazio.Hoje, porém, só queria ser uma mulher que perdeu um filho…O efeito do calmante a fez adormecer de novo.Quando despertou, ouviu um leve ruído ao lado.Em pouco tempo, sentiu o peso do corpo masculino sobre si; o beijo dele era quente e voraz, e logo a mão grande arrancou-lhe o roupão sem delicadeza.Ele era sempre assim, nunca se importava com o que ela sentia.— Não… Não me toque…Valentina empurrou o peito de Benjamin.Benjamin Freitas, excitado, interpretou aquilo como jogo.Segurou os pulsos delicados dela acima da cabeça e beijou-lhe os lábios macios.A posição em que Valentina se encontrava era humilhante. Ela virou o rosto, fugindo do beijo.Um lampejo de irritação passou pelos olhos de Benjamin. Percebendo que Valentina realmente não queria, perdeu o interesse.Ele não era de forçar ninguém.Saiu da cama, pegou o roupão, amarrou-o displicentemente na cintura e sentou-se no banco baixo junto à janela, acendendo um cigarro.A roupa que Valentina Lacerda usava já estava em frangalhos. Ela se levantou, ajeitou-se desajeitadamente e então falou:— Benjamin Freitas, vamos nos divorciar!O homem soltou lentamente uma nuvem azulada de fumaça. Em seu rosto excepcionalmente belo e distante, surgiu uma camada de frieza.— Divórcio?Ele parecia ter ouvido uma piada. Riu, debochado.— Sem o título de “Sra. Freitas”, o que você acha que pode fazer?O olhar frio de Benjamin Freitas percorreu Valentina Lacerda. Com o dedo indicador, bateu levemente, deixando a cinza do cigarro cair sobre o tapete macio.— Eu só levei nossa filha para passear fora do país. Qual é o drama agora?— A empregada disse que você ficou fora de casa uma semana e voltou só hoje. O que foi? Vai tentar me ameaçar fugindo de casa?No fundo, Valentina Lacerda sorriu amargamente.Levar a filha para viajar precisava mesmo levar a secretária junto?Se fosse antes, Valentina Lacerda teria mostrado o Instagram daquela mulher para Benjamin Freitas e exigido uma explicação.Mas agora, isso já não fazia mais sentido.— Passei a semana no hospital. Não me senti bem.Valentina Lacerda disse com calma.Ela estava prestes a contar para Benjamin Freitas sobre a perda do bebê, mas nesse momento a porta do quarto foi aberta.— Você acordou? Quero comer aqueles biscoitinhos que só você faz!A menininha entrou correndo, descalça, usando um pijama cor-de-rosa.Valentina Lacerda se abaixou, olhando-a com ternura.— Estrela, a tia tem algo para conversar com seu pai. Amanhã a gente faz os biscoitinhos juntos, pode ser?— Não, não! Quero agora!Estrela Freitas sempre foi muito mimada, nunca aceitava um não como resposta.Valentina Lacerda estava prestes a tentar convencê-la novamente, quando Benjamin interveio:— Isso pode ficar para amanhã. Hoje, no caminho, ela já estava pedindo os biscoitos. Vá com ela.Antes, Valentina Lacerda teria descido com Estrela Freitas sem hesitar. Mas, recém-operada e ainda muito fraca, ela realmente não tinha forças para cuidar de uma criança de cinco anos.— Não estou me sentindo bem. Além disso, preciso conversar com você sobre nosso filho.Benjamin Freitas imediatamente mudou de expressão.Apagou o cigarro no cinzeiro com impaciência e encarou Valentina Lacerda com um olhar tão profundo e gelado quanto um poço antigo, aparentemente calmo, mas cheio de turbulência oculta.— Já disse que não quero mais filhos!— Sua única obrigação é cuidar bem da Estrela!— Qualquer outra coisa, nem pense nisso!Ele tirou um cartão da carteira e jogou sobre a mesa.— Fique com isso. Não faça mais escândalo!Benjamin Freitas saiu do quarto.Estrela Freitas sempre foi sensível. Deu um passo para trás, afastando-se de Valentina Lacerda.— Você deixou o papai bravo de novo!— Quero ver como você vai sair dessa!A menina semicerrava os olhos, o rosto frio e orgulhoso, igual ao do pai.Fez uma careta para Valentina Lacerda e saiu saltitando do quarto.O silêncio finalmente tomou conta do ambiente.O vento frio entrou pela janela. O quarto luxuoso parecia um frigorífico, sem nenhum traço de calor.Valentina Lacerda olhou para fora. Na escuridão densa, só se via ao longe alguns pontos de luz.Ela tirou do bolso uma carta-convite. Em breve, aconteceria um grande leilão na Cidade Capital, para o qual ela fora convidada como leiloeira.Ainda não tinha aceitado porque o evento seria de grande porte, e Benjamin Freitas certamente estaria presente.Ele não a permitia trabalhar fora!Antes, Valentina Lacerda dava um valor enorme a Benjamin Freitas, fazendo dele o centro de sua vida e abrindo mão da carreira que tanto amava.Agora...Valentina Lacerda se lembrou do que Benjamin dissera: sem o título de Sra. Freitas, ela não seria nada.Sendo assim, ela já não queria mais esse título!A mulher, que deveria ter aproveitado o resguardo após o parto, não apenas deixou de descansar como também passou a noite toda exposta ao vento frio. Não demorou para que Valentina Lacerda fosse acometida por uma febre alta.Meio adormecida, caiu em sono profundo, mas foi despertada por batidas insistentes na porta.Com esforço, abriu os olhos. Sua cabeça parecia recheada de concreto, pesada e dolorida.Olhou para o lado e notou que a cama estava impecavelmente arrumada — Benjamin Freitas, mais uma vez, não havia voltado para casa naquela noite.Ainda bem que isso já não a afetava mais.No instante seguinte, a porta se abriu de repente.— Este é o quarto do papai.Estrela Freitas entrou acompanhada de Nádia Assunção, sem que nenhuma das duas parecesse considerar sua atitude, no mínimo, desrespeitosa.— O que vocês estão fazendo no meu quarto?Ao falar, a garganta de Valentina Lacerda ardeu como se estivesse cheia de lâminas. Sua voz saiu rouca, quase irreconhecível.Nádia Assunção respondeu:— Sra. Freitas, o Diretor Freitas pediu que eu viesse buscar a roupa que ele vai usar hoje.Apesar de tratá-la formalmente por "Sra. Freitas", Nádia Assunção não demonstrava um pingo de respeito.Diante da provocação, Valentina Lacerda respondeu com frieza:— As roupas dele estão no closet.Nádia Assunção ficou surpresa com a reação. Antes, Valentina certamente perguntaria onde Benjamin Freitas passou a noite ou por que ela mesma precisava pegar as roupas, e jamais permitiria que Nádia entrasse no closet do Diretor Freitas.Mas hoje, Valentina parecia diferente.Isso agradou Nádia. Ter a chance de cuidar das roupas pessoais de Benjamin Freitas a fazia sentir uma doce intimidade.Nádia entrou diretamente no closet. Não demorou para sons de movimento ecoarem lá de dentro.Valentina Lacerda decidiu ignorar o que acontecia.Nem mesmo prestou atenção em Estrela Freitas, que estava ali ao lado. Levantou-se e foi até o barzinho para tomar seu remédio.Estrela nunca havia sido tratada com tanta indiferença por Valentina.A menina se aproximou e tentou segurar o braço de Valentina.Naquele momento, Valentina estava prestes a tomar o remédio. Com o puxão repentino, a água quente do copo se derramou sobre seu braço.A pele clara de Valentina ficou imediatamente avermelhada.No dorso da mão de Estrela também apareceu uma leve vermelhidão.A menina começou a chorar alto.Nádia, ao ouvir o barulho, saiu correndo do closet.— O que aconteceu?Valentina já havia pegado a pomada para queimaduras e se preparava para aplicar o remédio na criança.— Estrela, está tudo bem, foi só um pequeno descuido. Logo vai passar depois de passar a pomada.Nádia puxou Estrela para si, protegendo-a no colo e lançou um olhar furioso para Valentina.— Como pode dizer que está tudo bem se ela está chorando desse jeito?Eu sei, foi você quem queimou Estrela de propósito, só para tentar fazer o Diretor Freitas voltar para casa usando a menina como desculpa!Valentina Lacerda, você é realmente maldosa!A mão de Valentina, ainda segurando a pomada, ficou suspensa no ar. Em seu braço, as bolhas começavam a se formar, doloridas como agulhadas.Olhou para Estrela, esperando que a menina dissesse alguma coisa. Mas, para sua decepção, depois de um breve olhar, Estrela se encolheu ainda mais nos braços de Nádia.Dizer que não ficou magoada seria mentira.Afinal, cuidara dessa criança por cinco anos.Valentina abaixou o olhar e colocou a pomada de volta na mesa.— Se você acha que sou tão maldosa assim, então leve-a com você.Virou-se de costas.A dor no braço nem se comparava à dor dentro do peito.Nádia gritou para as costas de Valentina:— Vou contar tudo ao Diretor Freitas hoje mesmo! Ele precisa enxergar quem você realmente é!Valentina ouviu, mas nem parou de andar. Apenas respondeu por cima do ombro:— Faça como quiser!Encolhida no colo de Nádia, Estrela observou Valentina se afastar e sentiu o coração apertar.Ela não havia se explicado por maldade; estava apenas magoada porque Valentina não fizera biscoitos com ela na noite anterior.A menina olhou para o dorso da própria mão. A vermelhidão já não doía tanto, mas lembrava das várias bolhas que se formaram no braço de Valentina.

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