Capítulo 1Na mansão da família Laginha, em plena madrugada, o lustre de cristal projetou a sombra alongada de Amália Saramago.Naquele dia, ela completava vinte e cinco anos. Sentou-se no sofá da sala, aguardando o retorno tardio do marido. Sobre a mesinha de centro, repousava o bolo de aniversário que ela mesma preparara; na mesa de jantar, estavam os pratos que cozinhara, agora já frios.Naquele momento, fixou o olhar na tela do celular, enquanto a respiração se tornava cada vez mais ofegante.Poucos minutos antes, Melissa Neves publicara uma foto com legenda no Instagram: “Uma pessoa teimosa fez questão de comemorar meu aniversário de novo comigo, vendo fogos de artifício no topo da montanha. Estar com quem amamos é a maior felicidade.”Na foto, a camisa branca de Osvaldo Laginha se confundia com os longos cabelos de Melissa sobre o ombro dela. Os fogos iluminavam o céu acima de suas cabeças, Melissa segurava um menino nos braços e Osvaldo, com o olhar suave, contemplava os dois, demonstrando uma ternura que Amália jamais presenciara.O coração dela pareceu ser perfurado por uma agulha de aço, causando-lhe uma dor súbita e intensa.“Ding.”O som da fechadura eletrônica da porta principal indicou que alguém chegara. Amália rapidamente virou o celular de tela para baixo sobre a mesa, as pontas dos dedos ainda tremendo levemente.O som dos sapatos de couro ecoou pelo mármore, aproximando-se, junto com o aroma familiar do perfume de cedro preferido de Osvaldo.“Por que ainda está acordada a essa hora?” Osvaldo afrouxou a gravata e, por hábito, entregou a pasta de trabalho para Amália. “Eu mandei mensagem avisando que não precisava me esperar.”Amália segurou a pasta com tamanha força que as unhas quase perfuraram a palma da mão. “Osvaldo, hoje é o meu...”Osvaldo calçou os chinelos e, ao passar pela sala, notou o bolo sobre a mesa. Ao olhar para a sala de jantar, viu a comida intocada e fria.“Hoje também é seu aniversário?” O olhar de Osvaldo era distante e a voz um pouco surpresa, porém desprovida de qualquer culpa.Aquele “também” deixou o coração de Amália devastado.“Amanhã vou voar para Milão negociar um projeto.” Osvaldo desbloqueou o celular. A luz azul refletiu ainda mais frieza em seu rosto. “A empresa está muito ocupada. Não terei tempo para comemorar seu aniversário depois. Vou transferir um valor, compre o que quiser.”No final da frase, ainda se percebia o hálito de álcool.Logo em seguida, o celular de Amália apitou, indicando que o dinheiro fora depositado.No entanto, ela não sentiu nem um pouco de alegria.No mesmo aniversário, contentaram-na apenas com uma transferência eletrônica fria. Esperou por ele quase o dia inteiro, mas ele não quis sequer acender uma vela ou dividir o bolo de aniversário com ela.Para Melissa, a mulher que ele amava, organizara fogos no topo da montanha e ficou ao lado dela até tarde da noite, demonstrando afeto sincero.Amália observou Osvaldo indo para o quarto assim que finalizara a transferência, lembrando-se da noite de núpcias, três anos antes, quando ele se ausentou alegando trabalho e não voltou para o quarto, deixando-a sozinha a noite inteira.Naquela época, acreditava que, se se dedicasse o suficiente, conseguiria aquecer aquele coração gelado.Até que, naquele instante, o brilho do anel de diamante no dedo anelar de Melissa na foto atingiu seus olhos como uma lâmina.Amália então sorriu de repente.Correu para o quarto. Osvaldo já separava as roupas para ir tomar banho. Vendo-a empurrar a porta com força, que bateu contra a parede com um estrondo, franziu as sobrancelhas em desaprovação.“Minha camisa branca, lembre-se de lavar à mão amanhã, com aquele sabão que você comprou da última vez, o cheiro é bom.” Mesmo assim, Osvaldo continuou designando tarefas domésticas a Amália, sem dar importância à situação.“Osvaldo,” Amália falou de súbito, com a voz suave como um sussurro ao vento, “vamos nos divorciar.”Osvaldo parou por um instante à porta do banheiro. Ele se voltou, com o olhar gélido como se tivesse sido forjado no gelo. “No meio da madrugada, pode parar com esse drama, Amália?”“Eu não estou fazendo drama.” Amália cerrou os punhos, esforçando-se para conter as emoções. “Amanhã cedo, vou imprimir o acordo de divórcio. Você só precisa assinar. E, além disso, sairei sem levar nada.”O ar ficou instantaneamente denso.Osvaldo fixou o olhar no rosto sereno dela, sentindo de repente uma irritação inexplicável no peito: “Amália, é melhor você não se arrepender.”Amália parou na porta, tendo a luz do luar delineado sua silhueta de forma tênue: “Osvaldo, o maior arrependimento da minha vida foi ter me apaixonado por você.”Assim que terminou de falar, Amália virou-se e foi embora.Primeiro, ela despejou todos os pratos frios da mesa da sala de jantar no lixo.Pela primeira vez, ela não lavou os pratos e talheres engordurados, apenas os jogou na pia, deixando para outra pessoa lavar.Depois de sair da cozinha, ela foi para a sala de estar. Sozinha, com lágrimas escorrendo pelo rosto e o coração amargurado, comeu aquele bolo enjoativo até sentir náusea e vomitar.Ela foi ao banheiro, com os olhos vermelhos, rasgou o laudo do exame de gravidez em pedaços pequenos e jogou no vaso sanitário, dando descarga.Por fim, sentou-se sobre a tampa do vaso, acariciando suavemente o próprio ventre: “Meu bebê, de agora em diante, você só terá a mamãe, não terá mais um pai.”……No dia seguinte, antes do amanhecer, Osvaldo foi despertado pelo telefonema do assistente, Nanto Pacheco.“Sr. Laginha, já cheguei ao condomínio.”“Entendi.” Só então Osvaldo se lembrou de que naquele dia ele viajaria para Milão.Após desligar, Osvaldo virou a cabeça e percebeu que Amália não voltara para o quarto na noite anterior. O travesseiro no lugar dela estava completamente frio, o lençol liso, sem qualquer sinal de ter sido usado.Sentando-se na cama, ele sentiu uma forte dor de cabeça, apertou as têmporas com a mão e, olhando ao redor, percebeu que sua mala, que costumava estar pronta, não estava à vista.Aquela mulher, Amália, sabia que ele viajaria a trabalho naquele dia e ainda assim não preparou sua bagagem?Ah, é verdade, ele lembrou, Amália queria se divorciar dele.O olhar de Osvaldo tornou-se subitamente cortante. Ele levantou-se rapidamente, foi ao banheiro se lavar e, de maneira apressada, colocou algumas roupas na mala, indo para a sala arrastando-a.Amália também não estava na sala de estar. Sobre a mesa de centro, estava o acordo de divórcio que ela imprimira e assinara.Osvaldo pegou o documento e leu. Eram apenas alguns itens simples: Amália decidira sair de mãos vazias, então a parte da divisão de bens fora completamente eliminada.Eles não tinham filhos, tampouco havia disputa por guarda; todo o acordo de divórcio não preenchia uma folha inteira de papel A4.Ele soltou um leve riso nasal, devolveu o documento à mesa e foi para a cozinha buscar um copo de água morna.Ao chegar à porta, um cheiro azedo o fez desistir. Parado, à distância, viu a pia cheia de pratos sujos e percebeu que o odor desagradável vinha dali.As sobrancelhas de Osvaldo se franziram ainda mais. Ele virou-se e saiu imediatamente de casa.Quando o som da buzina ecoou na noite silenciosa, Amália, deitada no quarto de hóspedes fingindo dormir, abriu os olhos. Ela levantou-se com cautela e foi até a sala de estar.Pegou animada o acordo de divórcio que havia impresso na noite anterior; ela, como parte autora, já assinara e colocara sua digital, enquanto o espaço para a assinatura de Osvaldo permanecia em branco.Sem assinatura?Será que ele não viu?Não era possível. Ela havia colocado o documento em um local bem visível, era impossível não notar.Se viu e não assinou, o que isso queria dizer?Amália pegou o celular e enviou uma mensagem a ele: “Sr. Laginha, não combinamos o divórcio?”Depois de um minuto sem resposta, justo quando Amália pensava que ele estava ignorando de propósito e pensava em ligar para ele, Osvaldo respondeu: “Refaça.”“……”Três palavras leves, mas que fizeram Amália sentir vontade de xingá-lo.Amália ficou muito irritada e, pensando no bebê que carregava, voltou para o quarto de hóspedes para tirar um cochilo.Esse sono se estendeu até nove e meia da manhã.Ela saiu do quarto bocejando, ainda sonolenta, quando encontrou Evelina, responsável pela lavanderia, esperando na sala com a camisa branca que Osvaldo havia tirado na noite anterior.Ao ver Amália, Evelina apressou-se e disse: “Senhora, essa camisa branca do senhor Osvaldo deve ser lavada à mão, não é? Normalmente, quem faz isso é a senhora...”Evelina não tentava se esquivar da responsabilidade. Era só que, normalmente, as roupas de grife do senhor sempre ficavam sob os cuidados de Amália, que não permitia que ela tocasse nelas.Geralmente, a essa hora, as roupas que precisavam ser lavadas à mão já estavam limpas e estendidas, mas, naquele dia, a camisa branca ainda estava misturada com as roupas sujas.Por sorte, Evelina tinha o hábito de conferir tudo antes. Caso contrário, se tivesse jogado tudo na máquina de lavar, provavelmente perderia o emprego.“Lave como achar melhor. Se não tiver certeza, ligue para o senhor Osvaldo e pergunte. Se ele não atender, decida você mesma.” Amália respondeu, deixando claro que aquilo não lhe interessava.Ela sempre se envolvera demais, preocupando-se com tudo. Na noite anterior, Osvaldo não só chegara tarde, como ainda passara o tempo todo antes disso com outra mulher. Ele nem sequer demonstrava arrependimento; pelo contrário, ainda se sentia no direito.Por que ela continuaria se importando com as pequenas coisas da vida dele?O que isso ainda tinha a ver com ela?Amália foi até a cozinha, onde Lorena, responsável pelo ambiente, já havia deixado tudo em ordem, resolvendo a bagunça da noite anterior.“Senhora, preparei um mingau de milho verde para o café da manhã.” Lorena disse. Quando chegou de manhã, notara que o senhor já havia saído, então fez apenas uma pequena panela para Amália.“Hoje não quero mingau, Lorena. Por favor, frite um ovo para mim. Vou preparar meu próprio sanduíche e tomar com leite.” Amália não queria mais agradar aos empregados de Osvaldo.O que ela menos gostava era mingau de milho verde.Antes, Lorena nunca perguntava o que Amália queria comer. O que preparava, se Osvaldo não comesse, Amália era obrigada a comer.Sempre dizia que não podia desperdiçar comida.Lorena, por ter muitos anos de convivência com Osvaldo e ser da família Laginha há tempos, costumava dar lições de moral a Amália, como se ela não fosse a senhora da casa, mas apenas uma jovem a ser orientada.“...Ah? Certo.” Lorena respondeu, um pouco constrangida, percebendo que Amália estava falando sério apenas quando ela já havia servido um copo cheio de leite.Naquela manhã, ao chegar à cozinha, Lorena ficara incomodada ao encontrar a pia cheia de pratos sujos e com cheiro ruim. Isso nunca acontecera nos três anos em que Amália era casada com Osvaldo. Aquela era a primeira vez.Sabendo que Amália não gostava de mingau de milho verde, Lorena havia feito de propósito apenas uma porção individual, mas Amália simplesmente não quis e disse que não comeria.Amália torrava duas fatias de pão na máquina, cortava presunto e peito de peru, passava manteiga e maionese, e ainda um pouco de geleia.O sanduíche simples ficou pronto, com o ovo frito que Lorena preparou a pedido dela. Assim, o sanduíche tinha carne, ovo e vegetais, uma combinação nutritiva e equilibrada.Após o café da manhã, Amália não se despediu de Lorena, simplesmente saiu sem olhar para trás.Foi até a suíte principal, pegou sua mala e começou a separar algumas roupas básicas para trocar.Quanto aos itens da penteadeira, Amália só levou os produtos essenciais de higiene pessoal. Os cosméticos, não.Afinal, mesmo se se arrumasse, ninguém se importaria. Preferia viver com leveza e conforto.Três anos tentando agradar não adiantaram de nada. Amália sentia que sua paciência havia chegado ao fim.Num casamento, o esforço de apenas um dos lados não tinha qualquer valor.Ser ignorada por Osvaldo já era ruim, mas agora, com um bebê a caminho, não queria que a criança crescesse sendo desprezada junto com ela, vendo o próprio pai tratar outras senhoras e jovens tão bem. O que o bebê pensaria disso?Capítulo 2Na mansão da família Laginha, em plena madrugada, o lustre de cristal projetou a sombra alongada de Amália Saramago.Naquele dia, ela completava vinte e cinco anos. Sentou-se no sofá da sala, aguardando o retorno tardio do marido. Sobre a mesinha de centro, repousava o bolo de aniversário que ela mesma preparara; na mesa de jantar, estavam os pratos que cozinhara, agora já frios.Naquele momento, fixou o olhar na tela do celular, enquanto a respiração se tornava cada vez mais ofegante.Poucos minutos antes, Melissa Neves publicara uma foto com legenda no Instagram: “Uma pessoa teimosa fez questão de comemorar meu aniversário de novo comigo, vendo fogos de artifício no topo da montanha. Estar com quem amamos é a maior felicidade.”Na foto, a camisa branca de Osvaldo Laginha se confundia com os longos cabelos de Melissa sobre o ombro dela. Os fogos iluminavam o céu acima de suas cabeças, Melissa segurava um menino nos braços e Osvaldo, com o olhar suave, contemplava os dois, demonstrando uma ternura que Amália jamais presenciara.O coração dela pareceu ser perfurado por uma agulha de aço, causando-lhe uma dor súbita e intensa.“Ding.”O som da fechadura eletrônica da porta principal indicou que alguém chegara. Amália rapidamente virou o celular de tela para baixo sobre a mesa, as pontas dos dedos ainda tremendo levemente.O som dos sapatos de couro ecoou pelo mármore, aproximando-se, junto com o aroma familiar do perfume de cedro preferido de Osvaldo.“Por que ainda está acordada a essa hora?” Osvaldo afrouxou a gravata e, por hábito, entregou a pasta de trabalho para Amália. “Eu mandei mensagem avisando que não precisava me esperar.”Amália segurou a pasta com tamanha força que as unhas quase perfuraram a palma da mão. “Osvaldo, hoje é o meu...”Osvaldo calçou os chinelos e, ao passar pela sala, notou o bolo sobre a mesa. Ao olhar para a sala de jantar, viu a comida intocada e fria.“Hoje também é seu aniversário?” O olhar de Osvaldo era distante e a voz um pouco surpresa, porém desprovida de qualquer culpa.Aquele “também” deixou o coração de Amália devastado.“Amanhã vou voar para Milão negociar um projeto.” Osvaldo desbloqueou o celular. A luz azul refletiu ainda mais frieza em seu rosto. “A empresa está muito ocupada. Não terei tempo para comemorar seu aniversário depois. Vou transferir um valor, compre o que quiser.”No final da frase, ainda se percebia o hálito de álcool.Logo em seguida, o celular de Amália apitou, indicando que o dinheiro fora depositado.No entanto, ela não sentiu nem um pouco de alegria.No mesmo aniversário, contentaram-na apenas com uma transferência eletrônica fria. Esperou por ele quase o dia inteiro, mas ele não quis sequer acender uma vela ou dividir o bolo de aniversário com ela.Para Melissa, a mulher que ele amava, organizara fogos no topo da montanha e ficou ao lado dela até tarde da noite, demonstrando afeto sincero.Amália observou Osvaldo indo para o quarto assim que finalizara a transferência, lembrando-se da noite de núpcias, três anos antes, quando ele se ausentou alegando trabalho e não voltou para o quarto, deixando-a sozinha a noite inteira.Naquela época, acreditava que, se se dedicasse o suficiente, conseguiria aquecer aquele coração gelado.Até que, naquele instante, o brilho do anel de diamante no dedo anelar de Melissa na foto atingiu seus olhos como uma lâmina.Amália então sorriu de repente.Correu para o quarto. Osvaldo já separava as roupas para ir tomar banho. Vendo-a empurrar a porta com força, que bateu contra a parede com um estrondo, franziu as sobrancelhas em desaprovação.“Minha camisa branca, lembre-se de lavar à mão amanhã, com aquele sabão que você comprou da última vez, o cheiro é bom.” Mesmo assim, Osvaldo continuou designando tarefas domésticas a Amália, sem dar importância à situação.“Osvaldo,” Amália falou de súbito, com a voz suave como um sussurro ao vento, “vamos nos divorciar.”Osvaldo parou por um instante à porta do banheiro. Ele se voltou, com o olhar gélido como se tivesse sido forjado no gelo. “No meio da madrugada, pode parar com esse drama, Amália?”“Eu não estou fazendo drama.” Amália cerrou os punhos, esforçando-se para conter as emoções. “Amanhã cedo, vou imprimir o acordo de divórcio. Você só precisa assinar. E, além disso, sairei sem levar nada.”O ar ficou instantaneamente denso.Osvaldo fixou o olhar no rosto sereno dela, sentindo de repente uma irritação inexplicável no peito: “Amália, é melhor você não se arrepender.”Amália parou na porta, tendo a luz do luar delineado sua silhueta de forma tênue: “Osvaldo, o maior arrependimento da minha vida foi ter me apaixonado por você.”Assim que terminou de falar, Amália virou-se e foi embora.Primeiro, ela despejou todos os pratos frios da mesa da sala de jantar no lixo.Pela primeira vez, ela não lavou os pratos e talheres engordurados, apenas os jogou na pia, deixando para outra pessoa lavar.Depois de sair da cozinha, ela foi para a sala de estar. Sozinha, com lágrimas escorrendo pelo rosto e o coração amargurado, comeu aquele bolo enjoativo até sentir náusea e vomitar.Ela foi ao banheiro, com os olhos vermelhos, rasgou o laudo do exame de gravidez em pedaços pequenos e jogou no vaso sanitário, dando descarga.Por fim, sentou-se sobre a tampa do vaso, acariciando suavemente o próprio ventre: “Meu bebê, de agora em diante, você só terá a mamãe, não terá mais um pai.”……No dia seguinte, antes do amanhecer, Osvaldo foi despertado pelo telefonema do assistente, Nanto Pacheco.“Sr. Laginha, já cheguei ao condomínio.”“Entendi.” Só então Osvaldo se lembrou de que naquele dia ele viajaria para Milão.Após desligar, Osvaldo virou a cabeça e percebeu que Amália não voltara para o quarto na noite anterior. O travesseiro no lugar dela estava completamente frio, o lençol liso, sem qualquer sinal de ter sido usado.Sentando-se na cama, ele sentiu uma forte dor de cabeça, apertou as têmporas com a mão e, olhando ao redor, percebeu que sua mala, que costumava estar pronta, não estava à vista.Aquela mulher, Amália, sabia que ele viajaria a trabalho naquele dia e ainda assim não preparou sua bagagem?Ah, é verdade, ele lembrou, Amália queria se divorciar dele.O olhar de Osvaldo tornou-se subitamente cortante. Ele levantou-se rapidamente, foi ao banheiro se lavar e, de maneira apressada, colocou algumas roupas na mala, indo para a sala arrastando-a.Amália também não estava na sala de estar. Sobre a mesa de centro, estava o acordo de divórcio que ela imprimira e assinara.Osvaldo pegou o documento e leu. Eram apenas alguns itens simples: Amália decidira sair de mãos vazias, então a parte da divisão de bens fora completamente eliminada.Eles não tinham filhos, tampouco havia disputa por guarda; todo o acordo de divórcio não preenchia uma folha inteira de papel A4.Ele soltou um leve riso nasal, devolveu o documento à mesa e foi para a cozinha buscar um copo de água morna.Ao chegar à porta, um cheiro azedo o fez desistir. Parado, à distância, viu a pia cheia de pratos sujos e percebeu que o odor desagradável vinha dali.As sobrancelhas de Osvaldo se franziram ainda mais. Ele virou-se e saiu imediatamente de casa.Quando o som da buzina ecoou na noite silenciosa, Amália, deitada no quarto de hóspedes fingindo dormir, abriu os olhos. Ela levantou-se com cautela e foi até a sala de estar.Pegou animada o acordo de divórcio que havia impresso na noite anterior; ela, como parte autora, já assinara e colocara sua digital, enquanto o espaço para a assinatura de Osvaldo permanecia em branco.Sem assinatura?Será que ele não viu?Não era possível. Ela havia colocado o documento em um local bem visível, era impossível não notar.Se viu e não assinou, o que isso queria dizer?Amália pegou o celular e enviou uma mensagem a ele: “Sr. Laginha, não combinamos o divórcio?”Depois de um minuto sem resposta, justo quando Amália pensava que ele estava ignorando de propósito e pensava em ligar para ele, Osvaldo respondeu: “Refaça.”“……”Três palavras leves, mas que fizeram Amália sentir vontade de xingá-lo.Amália ficou muito irritada e, pensando no bebê que carregava, voltou para o quarto de hóspedes para tirar um cochilo.Esse sono se estendeu até nove e meia da manhã.Ela saiu do quarto bocejando, ainda sonolenta, quando encontrou Evelina, responsável pela lavanderia, esperando na sala com a camisa branca que Osvaldo havia tirado na noite anterior.Ao ver Amália, Evelina apressou-se e disse: “Senhora, essa camisa branca do senhor Osvaldo deve ser lavada à mão, não é? Normalmente, quem faz isso é a senhora...”Evelina não tentava se esquivar da responsabilidade. Era só que, normalmente, as roupas de grife do senhor sempre ficavam sob os cuidados de Amália, que não permitia que ela tocasse nelas.Geralmente, a essa hora, as roupas que precisavam ser lavadas à mão já estavam limpas e estendidas, mas, naquele dia, a camisa branca ainda estava misturada com as roupas sujas.Por sorte, Evelina tinha o hábito de conferir tudo antes. Caso contrário, se tivesse jogado tudo na máquina de lavar, provavelmente perderia o emprego.“Lave como achar melhor. Se não tiver certeza, ligue para o senhor Osvaldo e pergunte. Se ele não atender, decida você mesma.” Amália respondeu, deixando claro que aquilo não lhe interessava.Ela sempre se envolvera demais, preocupando-se com tudo. Na noite anterior, Osvaldo não só chegara tarde, como ainda passara o tempo todo antes disso com outra mulher. Ele nem sequer demonstrava arrependimento; pelo contrário, ainda se sentia no direito.Por que ela continuaria se importando com as pequenas coisas da vida dele?O que isso ainda tinha a ver com ela?Amália foi até a cozinha, onde Lorena, responsável pelo ambiente, já havia deixado tudo em ordem, resolvendo a bagunça da noite anterior.“Senhora, preparei um mingau de milho verde para o café da manhã.” Lorena disse. Quando chegou de manhã, notara que o senhor já havia saído, então fez apenas uma pequena panela para Amália.“Hoje não quero mingau, Lorena. Por favor, frite um ovo para mim. Vou preparar meu próprio sanduíche e tomar com leite.” Amália não queria mais agradar aos empregados de Osvaldo.O que ela menos gostava era mingau de milho verde.Antes, Lorena nunca perguntava o que Amália queria comer. O que preparava, se Osvaldo não comesse, Amália era obrigada a comer.Sempre dizia que não podia desperdiçar comida.Lorena, por ter muitos anos de convivência com Osvaldo e ser da família Laginha há tempos, costumava dar lições de moral a Amália, como se ela não fosse a senhora da casa, mas apenas uma jovem a ser orientada.“...Ah? Certo.” Lorena respondeu, um pouco constrangida, percebendo que Amália estava falando sério apenas quando ela já havia servido um copo cheio de leite.Naquela manhã, ao chegar à cozinha, Lorena ficara incomodada ao encontrar a pia cheia de pratos sujos e com cheiro ruim. Isso nunca acontecera nos três anos em que Amália era casada com Osvaldo. Aquela era a primeira vez.Sabendo que Amália não gostava de mingau de milho verde, Lorena havia feito de propósito apenas uma porção individual, mas Amália simplesmente não quis e disse que não comeria.Amália torrava duas fatias de pão na máquina, cortava presunto e peito de peru, passava manteiga e maionese, e ainda um pouco de geleia.O sanduíche simples ficou pronto, com o ovo frito que Lorena preparou a pedido dela. Assim, o sanduíche tinha carne, ovo e vegetais, uma combinação nutritiva e equilibrada.Após o café da manhã, Amália não se despediu de Lorena, simplesmente saiu sem olhar para trás.Foi até a suíte principal, pegou sua mala e começou a separar algumas roupas básicas para trocar.Quanto aos itens da penteadeira, Amália só levou os produtos essenciais de higiene pessoal. Os cosméticos, não.Afinal, mesmo se se arrumasse, ninguém se importaria. Preferia viver com leveza e conforto.Três anos tentando agradar não adiantaram de nada. Amália sentia que sua paciência havia chegado ao fim.Num casamento, o esforço de apenas um dos lados não tinha qualquer valor.Ser ignorada por Osvaldo já era ruim, mas agora, com um bebê a caminho, não queria que a criança crescesse sendo desprezada junto com ela, vendo o próprio pai tratar outras senhoras e jovens tão bem. O que o bebê pensaria disso?Capítulo 3Na mansão da família Laginha, em plena madrugada, o lustre de cristal projetou a sombra alongada de Amália Saramago.Naquele dia, ela completava vinte e cinco anos. Sentou-se no sofá da sala, aguardando o retorno tardio do marido. Sobre a mesinha de centro, repousava o bolo de aniversário que ela mesma preparara; na mesa de jantar, estavam os pratos que cozinhara, agora já frios.Naquele momento, fixou o olhar na tela do celular, enquanto a respiração se tornava cada vez mais ofegante.Poucos minutos antes, Melissa Neves publicara uma foto com legenda no Instagram: “Uma pessoa teimosa fez questão de comemorar meu aniversário de novo comigo, vendo fogos de artifício no topo da montanha. Estar com quem amamos é a maior felicidade.”Na foto, a camisa branca de Osvaldo Laginha se confundia com os longos cabelos de Melissa sobre o ombro dela. Os fogos iluminavam o céu acima de suas cabeças, Melissa segurava um menino nos braços e Osvaldo, com o olhar suave, contemplava os dois, demonstrando uma ternura que Amália jamais presenciara.O coração dela pareceu ser perfurado por uma agulha de aço, causando-lhe uma dor súbita e intensa.“Ding.”O som da fechadura eletrônica da porta principal indicou que alguém chegara. Amália rapidamente virou o celular de tela para baixo sobre a mesa, as pontas dos dedos ainda tremendo levemente.O som dos sapatos de couro ecoou pelo mármore, aproximando-se, junto com o aroma familiar do perfume de cedro preferido de Osvaldo.“Por que ainda está acordada a essa hora?” Osvaldo afrouxou a gravata e, por hábito, entregou a pasta de trabalho para Amália. “Eu mandei mensagem avisando que não precisava me esperar.”Amália segurou a pasta com tamanha força que as unhas quase perfuraram a palma da mão. “Osvaldo, hoje é o meu...”Osvaldo calçou os chinelos e, ao passar pela sala, notou o bolo sobre a mesa. Ao olhar para a sala de jantar, viu a comida intocada e fria.“Hoje também é seu aniversário?” O olhar de Osvaldo era distante e a voz um pouco surpresa, porém desprovida de qualquer culpa.Aquele “também” deixou o coração de Amália devastado.“Amanhã vou voar para Milão negociar um projeto.” Osvaldo desbloqueou o celular. A luz azul refletiu ainda mais frieza em seu rosto. “A empresa está muito ocupada. Não terei tempo para comemorar seu aniversário depois. Vou transferir um valor, compre o que quiser.”No final da frase, ainda se percebia o hálito de álcool.Logo em seguida, o celular de Amália apitou, indicando que o dinheiro fora depositado.No entanto, ela não sentiu nem um pouco de alegria.No mesmo aniversário, contentaram-na apenas com uma transferência eletrônica fria. Esperou por ele quase o dia inteiro, mas ele não quis sequer acender uma vela ou dividir o bolo de aniversário com ela.Para Melissa, a mulher que ele amava, organizara fogos no topo da montanha e ficou ao lado dela até tarde da noite, demonstrando afeto sincero.Amália observou Osvaldo indo para o quarto assim que finalizara a transferência, lembrando-se da noite de núpcias, três anos antes, quando ele se ausentou alegando trabalho e não voltou para o quarto, deixando-a sozinha a noite inteira.Naquela época, acreditava que, se se dedicasse o suficiente, conseguiria aquecer aquele coração gelado.Até que, naquele instante, o brilho do anel de diamante no dedo anelar de Melissa na foto atingiu seus olhos como uma lâmina.Amália então sorriu de repente.Correu para o quarto. Osvaldo já separava as roupas para ir tomar banho. Vendo-a empurrar a porta com força, que bateu contra a parede com um estrondo, franziu as sobrancelhas em desaprovação.“Minha camisa branca, lembre-se de lavar à mão amanhã, com aquele sabão que você comprou da última vez, o cheiro é bom.” Mesmo assim, Osvaldo continuou designando tarefas domésticas a Amália, sem dar importância à situação.“Osvaldo,” Amália falou de súbito, com a voz suave como um sussurro ao vento, “vamos nos divorciar.”Osvaldo parou por um instante à porta do banheiro. Ele se voltou, com o olhar gélido como se tivesse sido forjado no gelo. “No meio da madrugada, pode parar com esse drama, Amália?”“Eu não estou fazendo drama.” Amália cerrou os punhos, esforçando-se para conter as emoções. “Amanhã cedo, vou imprimir o acordo de divórcio. Você só precisa assinar. E, além disso, sairei sem levar nada.”O ar ficou instantaneamente denso.Osvaldo fixou o olhar no rosto sereno dela, sentindo de repente uma irritação inexplicável no peito: “Amália, é melhor você não se arrepender.”Amália parou na porta, tendo a luz do luar delineado sua silhueta de forma tênue: “Osvaldo, o maior arrependimento da minha vida foi ter me apaixonado por você.”Assim que terminou de falar, Amália virou-se e foi embora.Primeiro, ela despejou todos os pratos frios da mesa da sala de jantar no lixo.Pela primeira vez, ela não lavou os pratos e talheres engordurados, apenas os jogou na pia, deixando para outra pessoa lavar.Depois de sair da cozinha, ela foi para a sala de estar. Sozinha, com lágrimas escorrendo pelo rosto e o coração amargurado, comeu aquele bolo enjoativo até sentir náusea e vomitar.Ela foi ao banheiro, com os olhos vermelhos, rasgou o laudo do exame de gravidez em pedaços pequenos e jogou no vaso sanitário, dando descarga.Por fim, sentou-se sobre a tampa do vaso, acariciando suavemente o próprio ventre: “Meu bebê, de agora em diante, você só terá a mamãe, não terá mais um pai.”……No dia seguinte, antes do amanhecer, Osvaldo foi despertado pelo telefonema do assistente, Nanto Pacheco.“Sr. Laginha, já cheguei ao condomínio.”“Entendi.” Só então Osvaldo se lembrou de que naquele dia ele viajaria para Milão.Após desligar, Osvaldo virou a cabeça e percebeu que Amália não voltara para o quarto na noite anterior. O travesseiro no lugar dela estava completamente frio, o lençol liso, sem qualquer sinal de ter sido usado.Sentando-se na cama, ele sentiu uma forte dor de cabeça, apertou as têmporas com a mão e, olhando ao redor, percebeu que sua mala, que costumava estar pronta, não estava à vista.Aquela mulher, Amália, sabia que ele viajaria a trabalho naquele dia e ainda assim não preparou sua bagagem?Ah, é verdade, ele lembrou, Amália queria se divorciar dele.O olhar de Osvaldo tornou-se subitamente cortante. Ele levantou-se rapidamente, foi ao banheiro se lavar e, de maneira apressada, colocou algumas roupas na mala, indo para a sala arrastando-a.Amália também não estava na sala de estar. Sobre a mesa de centro, estava o acordo de divórcio que ela imprimira e assinara.Osvaldo pegou o documento e leu. Eram apenas alguns itens simples: Amália decidira sair de mãos vazias, então a parte da divisão de bens fora completamente eliminada.Eles não tinham filhos, tampouco havia disputa por guarda; todo o acordo de divórcio não preenchia uma folha inteira de papel A4.Ele soltou um leve riso nasal, devolveu o documento à mesa e foi para a cozinha buscar um copo de água morna.Ao chegar à porta, um cheiro azedo o fez desistir. Parado, à distância, viu a pia cheia de pratos sujos e percebeu que o odor desagradável vinha dali.As sobrancelhas de Osvaldo se franziram ainda mais. Ele virou-se e saiu imediatamente de casa.Quando o som da buzina ecoou na noite silenciosa, Amália, deitada no quarto de hóspedes fingindo dormir, abriu os olhos. Ela levantou-se com cautela e foi até a sala de estar.Pegou animada o acordo de divórcio que havia impresso na noite anterior; ela, como parte autora, já assinara e colocara sua digital, enquanto o espaço para a assinatura de Osvaldo permanecia em branco.Sem assinatura?Será que ele não viu?Não era possível. Ela havia colocado o documento em um local bem visível, era impossível não notar.Se viu e não assinou, o que isso queria dizer?Amália pegou o celular e enviou uma mensagem a ele: “Sr. Laginha, não combinamos o divórcio?”Depois de um minuto sem resposta, justo quando Amália pensava que ele estava ignorando de propósito e pensava em ligar para ele, Osvaldo respondeu: “Refaça.”“……”Três palavras leves, mas que fizeram Amália sentir vontade de xingá-lo.Amália ficou muito irritada e, pensando no bebê que carregava, voltou para o quarto de hóspedes para tirar um cochilo.Esse sono se estendeu até nove e meia da manhã.Ela saiu do quarto bocejando, ainda sonolenta, quando encontrou Evelina, responsável pela lavanderia, esperando na sala com a camisa branca que Osvaldo havia tirado na noite anterior.Ao ver Amália, Evelina apressou-se e disse: “Senhora, essa camisa branca do senhor Osvaldo deve ser lavada à mão, não é? Normalmente, quem faz isso é a senhora...”Evelina não tentava se esquivar da responsabilidade. Era só que, normalmente, as roupas de grife do senhor sempre ficavam sob os cuidados de Amália, que não permitia que ela tocasse nelas.Geralmente, a essa hora, as roupas que precisavam ser lavadas à mão já estavam limpas e estendidas, mas, naquele dia, a camisa branca ainda estava misturada com as roupas sujas.Por sorte, Evelina tinha o hábito de conferir tudo antes. Caso contrário, se tivesse jogado tudo na máquina de lavar, provavelmente perderia o emprego.“Lave como achar melhor. Se não tiver certeza, ligue para o senhor Osvaldo e pergunte. Se ele não atender, decida você mesma.” Amália respondeu, deixando claro que aquilo não lhe interessava.Ela sempre se envolvera demais, preocupando-se com tudo. Na noite anterior, Osvaldo não só chegara tarde, como ainda passara o tempo todo antes disso com outra mulher. Ele nem sequer demonstrava arrependimento; pelo contrário, ainda se sentia no direito.Por que ela continuaria se importando com as pequenas coisas da vida dele?O que isso ainda tinha a ver com ela?Amália foi até a cozinha, onde Lorena, responsável pelo ambiente, já havia deixado tudo em ordem, resolvendo a bagunça da noite anterior.“Senhora, preparei um mingau de milho verde para o café da manhã.” Lorena disse. Quando chegou de manhã, notara que o senhor já havia saído, então fez apenas uma pequena panela para Amália.“Hoje não quero mingau, Lorena. Por favor, frite um ovo para mim. Vou preparar meu próprio sanduíche e tomar com leite.” Amália não queria mais agradar aos empregados de Osvaldo.O que ela menos gostava era mingau de milho verde.Antes, Lorena nunca perguntava o que Amália queria comer. O que preparava, se Osvaldo não comesse, Amália era obrigada a comer.Sempre dizia que não podia desperdiçar comida.Lorena, por ter muitos anos de convivência com Osvaldo e ser da família Laginha há tempos, costumava dar lições de moral a Amália, como se ela não fosse a senhora da casa, mas apenas uma jovem a ser orientada.“...Ah? Certo.” Lorena respondeu, um pouco constrangida, percebendo que Amália estava falando sério apenas quando ela já havia servido um copo cheio de leite.Naquela manhã, ao chegar à cozinha, Lorena ficara incomodada ao encontrar a pia cheia de pratos sujos e com cheiro ruim. Isso nunca acontecera nos três anos em que Amália era casada com Osvaldo. Aquela era a primeira vez.Sabendo que Amália não gostava de mingau de milho verde, Lorena havia feito de propósito apenas uma porção individual, mas Amália simplesmente não quis e disse que não comeria.Amália torrava duas fatias de pão na máquina, cortava presunto e peito de peru, passava manteiga e maionese, e ainda um pouco de geleia.O sanduíche simples ficou pronto, com o ovo frito que Lorena preparou a pedido dela. Assim, o sanduíche tinha carne, ovo e vegetais, uma combinação nutritiva e equilibrada.Após o café da manhã, Amália não se despediu de Lorena, simplesmente saiu sem olhar para trás.Foi até a suíte principal, pegou sua mala e começou a separar algumas roupas básicas para trocar.Quanto aos itens da penteadeira, Amália só levou os produtos essenciais de higiene pessoal. Os cosméticos, não.Afinal, mesmo se se arrumasse, ninguém se importaria. Preferia viver com leveza e conforto.Três anos tentando agradar não adiantaram de nada. Amália sentia que sua paciência havia chegado ao fim.Num casamento, o esforço de apenas um dos lados não tinha qualquer valor.Ser ignorada por Osvaldo já era ruim, mas agora, com um bebê a caminho, não queria que a criança crescesse sendo desprezada junto com ela, vendo o próprio pai tratar outras senhoras e jovens tão bem. O que o bebê pensaria disso?