Capítulo 1“Dói, dói muito... está tão frio.”Na noite gelada de neve.Na família Queiroz.Glória Queiroz tremia deitada no chão, com o corpo roxo de frio, murmurando baixinho em meio ao delírio.Desorientada, ela já não distinguia sonho de realidade. Seu corpo inteiro doía. Depois que Narciso a envenenou, sua garganta ficou totalmente arruinada, e ela só conseguia emitir sons monocórdicos.De repente, um dos pés pisou com força em sua mão. Seus dedos, já em carne viva, doeram tanto que ela quase perdeu os sentidos.A pessoa era seu irmão mais velho, Arnaldo Queiroz.“Glória, você está parecendo um cachorro agora. Com que direito você voltou para tomar tudo da Tanara? Você a forçou a se jogar no mar, você realmente merece morrer!”Arnaldo lançou um olhar cruel para a fraca Glória e deu-lhe um forte chute na cintura.Glória sentiu uma dor aguda, mas não conseguiu gritar, apenas demonstrou seu sofrimento com leves tremores.“Glória, fique aqui esperando a morte. É o que você deve à Tanara.”Na porta estavam seus pais, Eduardo e Yasmin, assistindo friamente à cena.A mãe de Glória, Yasmin, apoiava-se nos braços de Eduardo, chorando com tristeza: “Meu bem, nunca devíamos ter trazido esse azar para casa, ela acabou com a Tanara, aquelas águas são tão frias... Quebrem as mãos e as pernas da Glória, quero ver se ela ainda vai ter coragem de maltratar a Tanara de novo!”As palavras de Yasmin deixaram todos angustiados, temendo que a amada Tanara jamais retornasse.Arnaldo, cada vez mais furioso, pegou um cano de aço e desferiu um golpe na cabeça de Glória.Glória apenas moveu os dedos. Quando o sangue espesso tingiu o chão gelado, ela exalou seu último suspiro.Tudo aquilo porque a filha adotiva Tanara havia enviado uma mensagem a Arnaldo, dizendo que estava arrependida, que havia tomado o lugar de filha legítima e que não aguentava mais viver com a culpa, decidindo tirar a própria vida para se redimir.Por isso, Arnaldo trancou Glória no sótão gelado por três dias, sem comida.Yasmin se assustou: “Arnaldo, você pegou pesado demais, será que matou a Glória?”Arnaldo riu friamente: “Se morreu, morreu. Assim paga pelo que fez à Tanara. Se ela não tivesse nosso sangue, já teria ido para o inferno. As mãos e os pés dela já estão quebrados. Quando ela se recuperar, destruirei o rosto dela, para que passe o resto da vida no inferno, pagando pelos pecados contra a Tanara.”O espírito de Glória, flutuando acima, ouviu as palavras cruéis de Arnaldo.Eduardo suspirou: “Basta, ela já foi punida. Levem-na ao hospital, se viver ou morrer, será o destino dela. Ela veio do interior, se morrer, pelo menos não envergonhará a família Queiroz.”Glória olhou intensamente para o pai. A frieza no rosto dele feriu seus olhos.Ela sorriu. Mesmo como espírito, sem sentir dor física, seu coração doía profundamente.Descobriu, então, que o pai só se importava em não passar vergonha; ela era tão capaz, mas eles nunca enxergaram suas qualidades.Lembrou-se de quando Tanara Queiroz, antes de partir, sorriu de forma estranha e lhe disse: “Glória, se eu fingir minha morte, você vai acabar ainda pior.”No dia seguinte, veio a notícia de que Tanara havia se jogado no mar. A família Queiroz passou a tratá-la como criminosa, punindo-a sem parar.Mas, na verdade, ela era a filha legítima, a irmã de sangue de Arnaldo.Naquele momento, ela percebeu que a família Queiroz sempre a desprezou e nunca a quis de verdade.Na verdade, o motivo de ela ter sido trocada pela babá era responsabilidade de Eduardo. A babá, apaixonada por ele e rejeitada, tramou a troca.Quando Yasmin deu à luz, a babá trocou as crianças em segredo.Depois que a família Queiroz descobriu a verdade, não responsabilizou a babá, apenas lhe deu dinheiro para que fosse embora, pois preferiam as qualidades de Tanara.Quando Glória voltou, dedicou-se totalmente à família, mas nunca imaginou que seus próprios parentes desejassem sua morte.Glória observou a família Queiroz se afastar, xingando, e sorriu. Seu espírito se retorceu de tanta dor.Nesse momento, apareceu o noivo de Tanara, Diogo Mendes.O casamento entre Tanara e Diogo fora arranjado pelas famílias Queiroz e Mendes.Tanara e Diogo haviam crescido juntos, muito próximos.Depois que Glória voltou, Tanara temeu perder o noivo e passou a vigiá-la, armando contra ela sempre que possível.Diogo, informado por Arnaldo de que Glória estava no sótão, subiu rapidamente. Ao vê-la caída em meio ao sangue, sorriu friamente: “Glória, mesmo que você tenha levado a Tanara à morte, mesmo que eu nunca me case na vida, nunca me casarei com você. A dívida de sangue da Tanara, eu farei você pagar, pouco a pouco.”Ao ouvir aquilo, Glória achou tudo patético. Tanara fingiu a própria morte, mas todos acreditaram.E ela, mesmo morta, não conseguira um olhar de compaixão.Desde que voltou para casa, Glória sempre se esforçou para manter boas relações com a família. Ansiava por carinho, ignorava as provocações de Tanara, nunca revidou.No fim, acabou daquele jeito.Como espírito, Glória permaneceu no sótão por muito tempo.Certo dia, ouviu a voz de Tanara, já morta.Envolta em tristeza, a família Queiroz finalmente voltou a sorrir e a celebrar.“Mãe... que saudade de você.”“Pai, Narciso, Arnaldo, Emerson, senti tanta falta de vocês.”Ela olhou para o salão, não viu Glória e perguntou, entre lágrimas: “Mãe, e a Glória? Ela ainda está brava comigo?”Yasmin franziu a testa e olhou para o lado, perguntando ao mordomo: “E a Glória? Ainda não teve alta do hospital?”O mordomo permaneceu em silêncio, sem ousar responder. Aquela família era extremamente impiedosa; mesmo com a morte de alguém, eles simplesmente não acreditavam.Glória soltou uma risada sarcástica. Já havia morrido há muito tempo, mas ninguém daquela família se importara com sua vida ou morte.Yasmin, sorrindo para acalmar Tanara, disse com lágrimas nos olhos: “Tanara, que bom que ela não voltou. Só quero que você esteja sã e salva, com saúde. Quanto à Glória, pouco me importa se está viva ou morta. Onde você esteve todo esse tempo? Todos nós ficamos preocupados. Sei que a volta da Glória te deixou muito abalada, a ponto de pensar em tirar a própria vida. Mas, daqui pra frente, sua mãe estará sempre ao seu lado, não vai deixar nada de mal te acontecer.”Arnaldo, emocionado, também falou: “Tanara, já quebrei as pernas e os braços da Glória. Ela não tem mais força para te maltratar.”Tanara manhosamente agradeceu a Arnaldo: “Obrigada, Narciso, por sempre me amar desse jeito.”Glória, feliz, se aninhou no colo da mãe: “Mamãe, eu sabia que você sempre me amou mais. Sei que errei, não quero mais dificultar as coisas para a Glória. Quando ela voltar, vou tentar me dar bem com ela. Quero ir ao hospital pedir desculpas à Glória.”“Tanara, você não fez nada de errado, não precisa pedir desculpas.”Arnaldo se virou para o mordomo e ordenou: “Mordomo, está esperando o quê? Tanara voltou. Glória já se arrependeu? Quando tiver alta, mande ela vir aqui pedir desculpas para a Tanara.”O mordomo, resignado, respondeu: “Senhor, a senhorita Glória morreu com aquela paulada que lhe deu. Morreu no sótão. Eu falei para vocês, mas ninguém deu importância. Agora o corpo dela ainda está no cemitério.”Arnaldo ficou atônito, tremendo dos pés à cabeça: “Como ela poderia estar morta?”De repente, ele se lembrou daquela pancada, do sangue na cabeça de Glória, dos três dias de fome... Arnaldo então demonstrou um olhar de puro terror.Tanara, por sua vez, ficou feliz. Com a morte de Glória, não havia mais ninguém para disputar o título de senhorita da família Queiroz.Yasmin ficou um pouco surpresa e perguntou, com as sobrancelhas franzidas: “Aquela menina era tão resistente, como pôde morrer assim?”Arnaldo, incapaz de aceitar que havia matado alguém, tentou justificar: “Morreu, morreu. Deixem ela no cemitério mesmo, que má sorte ouvir essa notícia justo no dia do retorno da Tanara.”Ele riu friamente: “Até ela quis brincar de suicídio agora, só pode ter feito isso para chamar nossa atenção. Uma garota do interior, sem noção do próprio valor.”O outro irmão, Emerson Queiroz, também ficou surpreso. Ele havia dado veneno à Glória, então dificilmente ela sobreviveria. Emerson riu: “Três dias e três noites sem comida, ainda apanhou. Como ela não aprende nunca?”Glória sorriu amargamente. Sim, ela não tinha noção do próprio valor, nunca aprendeu com o sofrimento. Repetidas vezes foi ferida por eles, mas nunca despertou.Ela acreditava que, sendo boa com aquela família, conquistaria respeito e amor.Lamentavelmente, estava errada. Aqueles Queiroz eram todos ingratos e cruéis; não mereciam sua bondade!Tanara, chorando de culpa, falou: “Mamãe, me desculpe. Por causa do meu comportamento, todos ficaram em uma situação difícil. Naquele momento, soube que Glória queria tomar o Diogo de mim, fiquei com medo de perder meu amado, realmente pensei em morrer... buá, buá...”Quando Tanara chorou, toda a família tentou consolá-la em voz baixa.Diogo entrou correndo pela porta, com porte imponente, abraçou Tanara e disse em voz alta: “Tanara, você foi muito tola. Eu te amo, jamais me casaria com aquela mulher vulgar.”Glória, ao presenciar aquela cena, sentiu sua alma estremecer de dor, apenas achou tudo aquilo um grande insulto.Diogo era um canalha, enganava-a enquanto amava Tanara.Ela fez tudo por aquela família, mas foi cruelmente abandonada, torturada e morta por eles.Se pudesse recomeçar, certamente faria com que toda a família Queiroz pagasse com a própria vida.Glória não sabia quanto tempo havia passado como fantasma. Ela viu cada membro da família Queiroz morrer de forma trágica. O que se planta, se colhe. Sentiu que, enfim, sua vingança estava completa.Quando achou que também deveria deixar este mundo…De repente, renasceu.Renasceu no dia em que a família Queiroz foi buscá-la de volta. Naquele ano, ela tinha vinte e dois anos, havia terminado a faculdade adiantada e estava quase concluindo o mestrado. Ainda guardava um segredo...De repente, uma voz fria soou sobre sua cabeça: “Glória, por que está distraída? Sua avó está te fazendo uma pergunta.”Glória levantou o olhar e fitou Mafalda, sua avó, a única pessoa da família Queiroz que já lhe dera algum afeto verdadeiro.Na vida passada, quando fora trazida de volta, a avó viera às pressas da antiga casa e lhe perguntara se ela queria ir morar com ela.Para tentar se entrosar com a família Queiroz, Glória recusara o convite da avó.No fim, Mafalda fora morta por Tanara.No entanto, até que todos pagassem por seus crimes, Glória continuaria morando ali. Nesta vida, ela não desejava mais o afeto da família Queiroz; queria que eles pagassem com sangue por cada dívida.“Glória, você sofreu muito.”Glória correspondeu ao olhar afetuoso de Mafalda e respondeu sorrindo: “Vovó, o que mais me doeu foi não poder cuidar da senhora todos esses anos. Também queria ter passado mais tempo com meus pais. Minha mãe me carregou por nove meses e, no fim, fui trocada pela babá e pela filha dela. Vovó, a senhora precisa fazer justiça por mim. Vivi vinte e dois anos de sofrimento fora de casa. Se eu estivesse aqui, teria acompanhado a senhora todos esses anos.”Ao terminar de falar, Glória deixou as lágrimas correrem. A experiência da vida passada lhe ensinara que ceder, ser compreensiva, fazer o bem, só teria um desfecho: ser destruída por aquela família.Nesta vida, ela faria a família Queiroz provar de todas as amarguras do mundo.Tanara nunca fora sua rival. O que Glória realmente considerava como obstáculo era aquele sentimento vazio e inalcançável de pertencimento à família Queiroz.Na vida passada, ao retornar, todos exigiam que ela cedesse a Tanara, que não competisse pelo carinho da família. Desta vez, além de disputar, ela desmascararia Tanara diante de todos.A babá, ajoelhada ao lado, tremia de medo, suplicando: “Mafalda, eu sou mãe da Tanara, não fiz aquilo de propósito...”“Se não tivesse feito de propósito, por que eu teria sofrido vinte anos? Você não só me trocou, como também me deixou em um orfanato, sem nunca cuidar de mim por um dia sequer. Mas meus pais, sendo gratos, não lhe culparam e ainda criaram sua filha como uma princesa. Agora, em vez de se sentir culpada, você usa o afeto do meu pai por sua filha para pedir clemência. Se isso se espalhar, onde ficará a honra da nossa família Queiroz?”Na vida passada, Glória idealizava os pais biológicos e, ao entrar naquela mansão, sentiu um fio de esperança quanto ao afeto familiar. Mas, no fim, todos ali decepcionaram suas expectativas.Tanara se apoiava em Yasmin, chorando copiosamente. Era bonita, vestia um traje exclusivo, parecendo nobre, mas os olhos inchados não escondiam as lágrimas constantes.Ao olhar para ela, Glória demonstrou desprezo e ódio.A babá fitou Mafalda com um olhar suplicante: “Mafalda, por favor, me perdoe... Eu... eu reconheço meu erro.”Mafalda, furiosa, respondeu: “Você não reconheceu erro nenhum. Ao trocar Tanara por Glória e colocá-la nesta casa, agiu de má-fé, querendo que sua filha ocupasse o lugar dela.”Tanara se desesperou: “Vovó, eu não... eu nunca tive essa intenção. Foi culpa dela! A senhora pode puni-la como quiser. Uma mãe tão fria e cruel, eu não reconheço, só quero minha mãe de verdade.”Em seguida, voltou a chorar nos braços de Yasmin.A babá, tomada de desespero, olhou para Tanara com dor: “Tanara, lhe dei uma vida de luxo por mais de vinte anos, e agora, nesse momento, você nem sequer pede clemência por mim. Você é ingrata.”Tanara apenas lançou um olhar de advertência, sem dizer nada.Por fim, Mafalda chamou a polícia. A babá foi levada, e o que a aguardava era a prisão.Mafalda declarou solenemente: “Pronto, agora a família está reunida.”Glória se aproximou para ampará-la, sorrindo alegremente: “Vovó, vou lhe mostrar meu quarto para que a senhora fique tranquila ao voltar para casa.”Na vida passada, ao retornar, Glória ficou no sótão. Nesta vida, ela queria viver com conforto.Os membros da família Queiroz, ao ouvirem isso, ficaram visivelmente desconfortáveis.Mafalda sorriu e afagou carinhosamente a cabeça dela: “Está bem, está bem, depois de ver seu quarto, eu ficarei tranquila.”Mafalda então se voltou para o mordomo: “Mordomo, qual é o quarto da senhorita Glória?”Capítulo 2“Dói, dói muito... está tão frio.”Na noite gelada de neve.Na família Queiroz.Glória Queiroz tremia deitada no chão, com o corpo roxo de frio, murmurando baixinho em meio ao delírio.Desorientada, ela já não distinguia sonho de realidade. Seu corpo inteiro doía. Depois que Narciso a envenenou, sua garganta ficou totalmente arruinada, e ela só conseguia emitir sons monocórdicos.De repente, um dos pés pisou com força em sua mão. Seus dedos, já em carne viva, doeram tanto que ela quase perdeu os sentidos.A pessoa era seu irmão mais velho, Arnaldo Queiroz.“Glória, você está parecendo um cachorro agora. Com que direito você voltou para tomar tudo da Tanara? Você a forçou a se jogar no mar, você realmente merece morrer!”Arnaldo lançou um olhar cruel para a fraca Glória e deu-lhe um forte chute na cintura.Glória sentiu uma dor aguda, mas não conseguiu gritar, apenas demonstrou seu sofrimento com leves tremores.“Glória, fique aqui esperando a morte. É o que você deve à Tanara.”Na porta estavam seus pais, Eduardo e Yasmin, assistindo friamente à cena.A mãe de Glória, Yasmin, apoiava-se nos braços de Eduardo, chorando com tristeza: “Meu bem, nunca devíamos ter trazido esse azar para casa, ela acabou com a Tanara, aquelas águas são tão frias... Quebrem as mãos e as pernas da Glória, quero ver se ela ainda vai ter coragem de maltratar a Tanara de novo!”As palavras de Yasmin deixaram todos angustiados, temendo que a amada Tanara jamais retornasse.Arnaldo, cada vez mais furioso, pegou um cano de aço e desferiu um golpe na cabeça de Glória.Glória apenas moveu os dedos. Quando o sangue espesso tingiu o chão gelado, ela exalou seu último suspiro.Tudo aquilo porque a filha adotiva Tanara havia enviado uma mensagem a Arnaldo, dizendo que estava arrependida, que havia tomado o lugar de filha legítima e que não aguentava mais viver com a culpa, decidindo tirar a própria vida para se redimir.Por isso, Arnaldo trancou Glória no sótão gelado por três dias, sem comida.Yasmin se assustou: “Arnaldo, você pegou pesado demais, será que matou a Glória?”Arnaldo riu friamente: “Se morreu, morreu. Assim paga pelo que fez à Tanara. Se ela não tivesse nosso sangue, já teria ido para o inferno. As mãos e os pés dela já estão quebrados. Quando ela se recuperar, destruirei o rosto dela, para que passe o resto da vida no inferno, pagando pelos pecados contra a Tanara.”O espírito de Glória, flutuando acima, ouviu as palavras cruéis de Arnaldo.Eduardo suspirou: “Basta, ela já foi punida. Levem-na ao hospital, se viver ou morrer, será o destino dela. Ela veio do interior, se morrer, pelo menos não envergonhará a família Queiroz.”Glória olhou intensamente para o pai. A frieza no rosto dele feriu seus olhos.Ela sorriu. Mesmo como espírito, sem sentir dor física, seu coração doía profundamente.Descobriu, então, que o pai só se importava em não passar vergonha; ela era tão capaz, mas eles nunca enxergaram suas qualidades.Lembrou-se de quando Tanara Queiroz, antes de partir, sorriu de forma estranha e lhe disse: “Glória, se eu fingir minha morte, você vai acabar ainda pior.”No dia seguinte, veio a notícia de que Tanara havia se jogado no mar. A família Queiroz passou a tratá-la como criminosa, punindo-a sem parar.Mas, na verdade, ela era a filha legítima, a irmã de sangue de Arnaldo.Naquele momento, ela percebeu que a família Queiroz sempre a desprezou e nunca a quis de verdade.Na verdade, o motivo de ela ter sido trocada pela babá era responsabilidade de Eduardo. A babá, apaixonada por ele e rejeitada, tramou a troca.Quando Yasmin deu à luz, a babá trocou as crianças em segredo.Depois que a família Queiroz descobriu a verdade, não responsabilizou a babá, apenas lhe deu dinheiro para que fosse embora, pois preferiam as qualidades de Tanara.Quando Glória voltou, dedicou-se totalmente à família, mas nunca imaginou que seus próprios parentes desejassem sua morte.Glória observou a família Queiroz se afastar, xingando, e sorriu. Seu espírito se retorceu de tanta dor.Nesse momento, apareceu o noivo de Tanara, Diogo Mendes.O casamento entre Tanara e Diogo fora arranjado pelas famílias Queiroz e Mendes.Tanara e Diogo haviam crescido juntos, muito próximos.Depois que Glória voltou, Tanara temeu perder o noivo e passou a vigiá-la, armando contra ela sempre que possível.Diogo, informado por Arnaldo de que Glória estava no sótão, subiu rapidamente. Ao vê-la caída em meio ao sangue, sorriu friamente: “Glória, mesmo que você tenha levado a Tanara à morte, mesmo que eu nunca me case na vida, nunca me casarei com você. A dívida de sangue da Tanara, eu farei você pagar, pouco a pouco.”Ao ouvir aquilo, Glória achou tudo patético. Tanara fingiu a própria morte, mas todos acreditaram.E ela, mesmo morta, não conseguira um olhar de compaixão.Desde que voltou para casa, Glória sempre se esforçou para manter boas relações com a família. Ansiava por carinho, ignorava as provocações de Tanara, nunca revidou.No fim, acabou daquele jeito.Como espírito, Glória permaneceu no sótão por muito tempo.Certo dia, ouviu a voz de Tanara, já morta.Envolta em tristeza, a família Queiroz finalmente voltou a sorrir e a celebrar.“Mãe... que saudade de você.”“Pai, Narciso, Arnaldo, Emerson, senti tanta falta de vocês.”Ela olhou para o salão, não viu Glória e perguntou, entre lágrimas: “Mãe, e a Glória? Ela ainda está brava comigo?”Yasmin franziu a testa e olhou para o lado, perguntando ao mordomo: “E a Glória? Ainda não teve alta do hospital?”O mordomo permaneceu em silêncio, sem ousar responder. Aquela família era extremamente impiedosa; mesmo com a morte de alguém, eles simplesmente não acreditavam.Glória soltou uma risada sarcástica. Já havia morrido há muito tempo, mas ninguém daquela família se importara com sua vida ou morte.Yasmin, sorrindo para acalmar Tanara, disse com lágrimas nos olhos: “Tanara, que bom que ela não voltou. Só quero que você esteja sã e salva, com saúde. Quanto à Glória, pouco me importa se está viva ou morta. Onde você esteve todo esse tempo? Todos nós ficamos preocupados. Sei que a volta da Glória te deixou muito abalada, a ponto de pensar em tirar a própria vida. Mas, daqui pra frente, sua mãe estará sempre ao seu lado, não vai deixar nada de mal te acontecer.”Arnaldo, emocionado, também falou: “Tanara, já quebrei as pernas e os braços da Glória. Ela não tem mais força para te maltratar.”Tanara manhosamente agradeceu a Arnaldo: “Obrigada, Narciso, por sempre me amar desse jeito.”Glória, feliz, se aninhou no colo da mãe: “Mamãe, eu sabia que você sempre me amou mais. Sei que errei, não quero mais dificultar as coisas para a Glória. Quando ela voltar, vou tentar me dar bem com ela. Quero ir ao hospital pedir desculpas à Glória.”“Tanara, você não fez nada de errado, não precisa pedir desculpas.”Arnaldo se virou para o mordomo e ordenou: “Mordomo, está esperando o quê? Tanara voltou. Glória já se arrependeu? Quando tiver alta, mande ela vir aqui pedir desculpas para a Tanara.”O mordomo, resignado, respondeu: “Senhor, a senhorita Glória morreu com aquela paulada que lhe deu. Morreu no sótão. Eu falei para vocês, mas ninguém deu importância. Agora o corpo dela ainda está no cemitério.”Arnaldo ficou atônito, tremendo dos pés à cabeça: “Como ela poderia estar morta?”De repente, ele se lembrou daquela pancada, do sangue na cabeça de Glória, dos três dias de fome... Arnaldo então demonstrou um olhar de puro terror.Tanara, por sua vez, ficou feliz. Com a morte de Glória, não havia mais ninguém para disputar o título de senhorita da família Queiroz.Yasmin ficou um pouco surpresa e perguntou, com as sobrancelhas franzidas: “Aquela menina era tão resistente, como pôde morrer assim?”Arnaldo, incapaz de aceitar que havia matado alguém, tentou justificar: “Morreu, morreu. Deixem ela no cemitério mesmo, que má sorte ouvir essa notícia justo no dia do retorno da Tanara.”Ele riu friamente: “Até ela quis brincar de suicídio agora, só pode ter feito isso para chamar nossa atenção. Uma garota do interior, sem noção do próprio valor.”O outro irmão, Emerson Queiroz, também ficou surpreso. Ele havia dado veneno à Glória, então dificilmente ela sobreviveria. Emerson riu: “Três dias e três noites sem comida, ainda apanhou. Como ela não aprende nunca?”Glória sorriu amargamente. Sim, ela não tinha noção do próprio valor, nunca aprendeu com o sofrimento. Repetidas vezes foi ferida por eles, mas nunca despertou.Ela acreditava que, sendo boa com aquela família, conquistaria respeito e amor.Lamentavelmente, estava errada. Aqueles Queiroz eram todos ingratos e cruéis; não mereciam sua bondade!Tanara, chorando de culpa, falou: “Mamãe, me desculpe. Por causa do meu comportamento, todos ficaram em uma situação difícil. Naquele momento, soube que Glória queria tomar o Diogo de mim, fiquei com medo de perder meu amado, realmente pensei em morrer... buá, buá...”Quando Tanara chorou, toda a família tentou consolá-la em voz baixa.Diogo entrou correndo pela porta, com porte imponente, abraçou Tanara e disse em voz alta: “Tanara, você foi muito tola. Eu te amo, jamais me casaria com aquela mulher vulgar.”Glória, ao presenciar aquela cena, sentiu sua alma estremecer de dor, apenas achou tudo aquilo um grande insulto.Diogo era um canalha, enganava-a enquanto amava Tanara.Ela fez tudo por aquela família, mas foi cruelmente abandonada, torturada e morta por eles.Se pudesse recomeçar, certamente faria com que toda a família Queiroz pagasse com a própria vida.Glória não sabia quanto tempo havia passado como fantasma. Ela viu cada membro da família Queiroz morrer de forma trágica. O que se planta, se colhe. Sentiu que, enfim, sua vingança estava completa.Quando achou que também deveria deixar este mundo…De repente, renasceu.Renasceu no dia em que a família Queiroz foi buscá-la de volta. Naquele ano, ela tinha vinte e dois anos, havia terminado a faculdade adiantada e estava quase concluindo o mestrado. Ainda guardava um segredo...De repente, uma voz fria soou sobre sua cabeça: “Glória, por que está distraída? Sua avó está te fazendo uma pergunta.”Glória levantou o olhar e fitou Mafalda, sua avó, a única pessoa da família Queiroz que já lhe dera algum afeto verdadeiro.Na vida passada, quando fora trazida de volta, a avó viera às pressas da antiga casa e lhe perguntara se ela queria ir morar com ela.Para tentar se entrosar com a família Queiroz, Glória recusara o convite da avó.No fim, Mafalda fora morta por Tanara.No entanto, até que todos pagassem por seus crimes, Glória continuaria morando ali. Nesta vida, ela não desejava mais o afeto da família Queiroz; queria que eles pagassem com sangue por cada dívida.“Glória, você sofreu muito.”Glória correspondeu ao olhar afetuoso de Mafalda e respondeu sorrindo: “Vovó, o que mais me doeu foi não poder cuidar da senhora todos esses anos. Também queria ter passado mais tempo com meus pais. Minha mãe me carregou por nove meses e, no fim, fui trocada pela babá e pela filha dela. Vovó, a senhora precisa fazer justiça por mim. Vivi vinte e dois anos de sofrimento fora de casa. Se eu estivesse aqui, teria acompanhado a senhora todos esses anos.”Ao terminar de falar, Glória deixou as lágrimas correrem. A experiência da vida passada lhe ensinara que ceder, ser compreensiva, fazer o bem, só teria um desfecho: ser destruída por aquela família.Nesta vida, ela faria a família Queiroz provar de todas as amarguras do mundo.Tanara nunca fora sua rival. O que Glória realmente considerava como obstáculo era aquele sentimento vazio e inalcançável de pertencimento à família Queiroz.Na vida passada, ao retornar, todos exigiam que ela cedesse a Tanara, que não competisse pelo carinho da família. Desta vez, além de disputar, ela desmascararia Tanara diante de todos.A babá, ajoelhada ao lado, tremia de medo, suplicando: “Mafalda, eu sou mãe da Tanara, não fiz aquilo de propósito...”“Se não tivesse feito de propósito, por que eu teria sofrido vinte anos? Você não só me trocou, como também me deixou em um orfanato, sem nunca cuidar de mim por um dia sequer. Mas meus pais, sendo gratos, não lhe culparam e ainda criaram sua filha como uma princesa. Agora, em vez de se sentir culpada, você usa o afeto do meu pai por sua filha para pedir clemência. Se isso se espalhar, onde ficará a honra da nossa família Queiroz?”Na vida passada, Glória idealizava os pais biológicos e, ao entrar naquela mansão, sentiu um fio de esperança quanto ao afeto familiar. Mas, no fim, todos ali decepcionaram suas expectativas.Tanara se apoiava em Yasmin, chorando copiosamente. Era bonita, vestia um traje exclusivo, parecendo nobre, mas os olhos inchados não escondiam as lágrimas constantes.Ao olhar para ela, Glória demonstrou desprezo e ódio.A babá fitou Mafalda com um olhar suplicante: “Mafalda, por favor, me perdoe... Eu... eu reconheço meu erro.”Mafalda, furiosa, respondeu: “Você não reconheceu erro nenhum. Ao trocar Tanara por Glória e colocá-la nesta casa, agiu de má-fé, querendo que sua filha ocupasse o lugar dela.”Tanara se desesperou: “Vovó, eu não... eu nunca tive essa intenção. Foi culpa dela! A senhora pode puni-la como quiser. Uma mãe tão fria e cruel, eu não reconheço, só quero minha mãe de verdade.”Em seguida, voltou a chorar nos braços de Yasmin.A babá, tomada de desespero, olhou para Tanara com dor: “Tanara, lhe dei uma vida de luxo por mais de vinte anos, e agora, nesse momento, você nem sequer pede clemência por mim. Você é ingrata.”Tanara apenas lançou um olhar de advertência, sem dizer nada.Por fim, Mafalda chamou a polícia. A babá foi levada, e o que a aguardava era a prisão.Mafalda declarou solenemente: “Pronto, agora a família está reunida.”Glória se aproximou para ampará-la, sorrindo alegremente: “Vovó, vou lhe mostrar meu quarto para que a senhora fique tranquila ao voltar para casa.”Na vida passada, ao retornar, Glória ficou no sótão. Nesta vida, ela queria viver com conforto.Os membros da família Queiroz, ao ouvirem isso, ficaram visivelmente desconfortáveis.Mafalda sorriu e afagou carinhosamente a cabeça dela: “Está bem, está bem, depois de ver seu quarto, eu ficarei tranquila.”Mafalda então se voltou para o mordomo: “Mordomo, qual é o quarto da senhorita Glória?”Capítulo 3“Dói, dói muito... está tão frio.”Na noite gelada de neve.Na família Queiroz.Glória Queiroz tremia deitada no chão, com o corpo roxo de frio, murmurando baixinho em meio ao delírio.Desorientada, ela já não distinguia sonho de realidade. Seu corpo inteiro doía. Depois que Narciso a envenenou, sua garganta ficou totalmente arruinada, e ela só conseguia emitir sons monocórdicos.De repente, um dos pés pisou com força em sua mão. Seus dedos, já em carne viva, doeram tanto que ela quase perdeu os sentidos.A pessoa era seu irmão mais velho, Arnaldo Queiroz.“Glória, você está parecendo um cachorro agora. Com que direito você voltou para tomar tudo da Tanara? Você a forçou a se jogar no mar, você realmente merece morrer!”Arnaldo lançou um olhar cruel para a fraca Glória e deu-lhe um forte chute na cintura.Glória sentiu uma dor aguda, mas não conseguiu gritar, apenas demonstrou seu sofrimento com leves tremores.“Glória, fique aqui esperando a morte. É o que você deve à Tanara.”Na porta estavam seus pais, Eduardo e Yasmin, assistindo friamente à cena.A mãe de Glória, Yasmin, apoiava-se nos braços de Eduardo, chorando com tristeza: “Meu bem, nunca devíamos ter trazido esse azar para casa, ela acabou com a Tanara, aquelas águas são tão frias... Quebrem as mãos e as pernas da Glória, quero ver se ela ainda vai ter coragem de maltratar a Tanara de novo!”As palavras de Yasmin deixaram todos angustiados, temendo que a amada Tanara jamais retornasse.Arnaldo, cada vez mais furioso, pegou um cano de aço e desferiu um golpe na cabeça de Glória.Glória apenas moveu os dedos. Quando o sangue espesso tingiu o chão gelado, ela exalou seu último suspiro.Tudo aquilo porque a filha adotiva Tanara havia enviado uma mensagem a Arnaldo, dizendo que estava arrependida, que havia tomado o lugar de filha legítima e que não aguentava mais viver com a culpa, decidindo tirar a própria vida para se redimir.Por isso, Arnaldo trancou Glória no sótão gelado por três dias, sem comida.Yasmin se assustou: “Arnaldo, você pegou pesado demais, será que matou a Glória?”Arnaldo riu friamente: “Se morreu, morreu. Assim paga pelo que fez à Tanara. Se ela não tivesse nosso sangue, já teria ido para o inferno. As mãos e os pés dela já estão quebrados. Quando ela se recuperar, destruirei o rosto dela, para que passe o resto da vida no inferno, pagando pelos pecados contra a Tanara.”O espírito de Glória, flutuando acima, ouviu as palavras cruéis de Arnaldo.Eduardo suspirou: “Basta, ela já foi punida. Levem-na ao hospital, se viver ou morrer, será o destino dela. Ela veio do interior, se morrer, pelo menos não envergonhará a família Queiroz.”Glória olhou intensamente para o pai. A frieza no rosto dele feriu seus olhos.Ela sorriu. Mesmo como espírito, sem sentir dor física, seu coração doía profundamente.Descobriu, então, que o pai só se importava em não passar vergonha; ela era tão capaz, mas eles nunca enxergaram suas qualidades.Lembrou-se de quando Tanara Queiroz, antes de partir, sorriu de forma estranha e lhe disse: “Glória, se eu fingir minha morte, você vai acabar ainda pior.”No dia seguinte, veio a notícia de que Tanara havia se jogado no mar. A família Queiroz passou a tratá-la como criminosa, punindo-a sem parar.Mas, na verdade, ela era a filha legítima, a irmã de sangue de Arnaldo.Naquele momento, ela percebeu que a família Queiroz sempre a desprezou e nunca a quis de verdade.Na verdade, o motivo de ela ter sido trocada pela babá era responsabilidade de Eduardo. A babá, apaixonada por ele e rejeitada, tramou a troca.Quando Yasmin deu à luz, a babá trocou as crianças em segredo.Depois que a família Queiroz descobriu a verdade, não responsabilizou a babá, apenas lhe deu dinheiro para que fosse embora, pois preferiam as qualidades de Tanara.Quando Glória voltou, dedicou-se totalmente à família, mas nunca imaginou que seus próprios parentes desejassem sua morte.Glória observou a família Queiroz se afastar, xingando, e sorriu. Seu espírito se retorceu de tanta dor.Nesse momento, apareceu o noivo de Tanara, Diogo Mendes.O casamento entre Tanara e Diogo fora arranjado pelas famílias Queiroz e Mendes.Tanara e Diogo haviam crescido juntos, muito próximos.Depois que Glória voltou, Tanara temeu perder o noivo e passou a vigiá-la, armando contra ela sempre que possível.Diogo, informado por Arnaldo de que Glória estava no sótão, subiu rapidamente. Ao vê-la caída em meio ao sangue, sorriu friamente: “Glória, mesmo que você tenha levado a Tanara à morte, mesmo que eu nunca me case na vida, nunca me casarei com você. A dívida de sangue da Tanara, eu farei você pagar, pouco a pouco.”Ao ouvir aquilo, Glória achou tudo patético. Tanara fingiu a própria morte, mas todos acreditaram.E ela, mesmo morta, não conseguira um olhar de compaixão.Desde que voltou para casa, Glória sempre se esforçou para manter boas relações com a família. Ansiava por carinho, ignorava as provocações de Tanara, nunca revidou.No fim, acabou daquele jeito.Como espírito, Glória permaneceu no sótão por muito tempo.Certo dia, ouviu a voz de Tanara, já morta.Envolta em tristeza, a família Queiroz finalmente voltou a sorrir e a celebrar.“Mãe... que saudade de você.”“Pai, Narciso, Arnaldo, Emerson, senti tanta falta de vocês.”Ela olhou para o salão, não viu Glória e perguntou, entre lágrimas: “Mãe, e a Glória? Ela ainda está brava comigo?”Yasmin franziu a testa e olhou para o lado, perguntando ao mordomo: “E a Glória? Ainda não teve alta do hospital?”O mordomo permaneceu em silêncio, sem ousar responder. Aquela família era extremamente impiedosa; mesmo com a morte de alguém, eles simplesmente não acreditavam.Glória soltou uma risada sarcástica. Já havia morrido há muito tempo, mas ninguém daquela família se importara com sua vida ou morte.Yasmin, sorrindo para acalmar Tanara, disse com lágrimas nos olhos: “Tanara, que bom que ela não voltou. Só quero que você esteja sã e salva, com saúde. Quanto à Glória, pouco me importa se está viva ou morta. Onde você esteve todo esse tempo? Todos nós ficamos preocupados. Sei que a volta da Glória te deixou muito abalada, a ponto de pensar em tirar a própria vida. Mas, daqui pra frente, sua mãe estará sempre ao seu lado, não vai deixar nada de mal te acontecer.”Arnaldo, emocionado, também falou: “Tanara, já quebrei as pernas e os braços da Glória. Ela não tem mais força para te maltratar.”Tanara manhosamente agradeceu a Arnaldo: “Obrigada, Narciso, por sempre me amar desse jeito.”Glória, feliz, se aninhou no colo da mãe: “Mamãe, eu sabia que você sempre me amou mais. Sei que errei, não quero mais dificultar as coisas para a Glória. Quando ela voltar, vou tentar me dar bem com ela. Quero ir ao hospital pedir desculpas à Glória.”“Tanara, você não fez nada de errado, não precisa pedir desculpas.”Arnaldo se virou para o mordomo e ordenou: “Mordomo, está esperando o quê? Tanara voltou. Glória já se arrependeu? Quando tiver alta, mande ela vir aqui pedir desculpas para a Tanara.”O mordomo, resignado, respondeu: “Senhor, a senhorita Glória morreu com aquela paulada que lhe deu. Morreu no sótão. Eu falei para vocês, mas ninguém deu importância. Agora o corpo dela ainda está no cemitério.”Arnaldo ficou atônito, tremendo dos pés à cabeça: “Como ela poderia estar morta?”De repente, ele se lembrou daquela pancada, do sangue na cabeça de Glória, dos três dias de fome... Arnaldo então demonstrou um olhar de puro terror.Tanara, por sua vez, ficou feliz. Com a morte de Glória, não havia mais ninguém para disputar o título de senhorita da família Queiroz.Yasmin ficou um pouco surpresa e perguntou, com as sobrancelhas franzidas: “Aquela menina era tão resistente, como pôde morrer assim?”Arnaldo, incapaz de aceitar que havia matado alguém, tentou justificar: “Morreu, morreu. Deixem ela no cemitério mesmo, que má sorte ouvir essa notícia justo no dia do retorno da Tanara.”Ele riu friamente: “Até ela quis brincar de suicídio agora, só pode ter feito isso para chamar nossa atenção. Uma garota do interior, sem noção do próprio valor.”O outro irmão, Emerson Queiroz, também ficou surpreso. Ele havia dado veneno à Glória, então dificilmente ela sobreviveria. Emerson riu: “Três dias e três noites sem comida, ainda apanhou. Como ela não aprende nunca?”Glória sorriu amargamente. Sim, ela não tinha noção do próprio valor, nunca aprendeu com o sofrimento. Repetidas vezes foi ferida por eles, mas nunca despertou.Ela acreditava que, sendo boa com aquela família, conquistaria respeito e amor.Lamentavelmente, estava errada. Aqueles Queiroz eram todos ingratos e cruéis; não mereciam sua bondade!Tanara, chorando de culpa, falou: “Mamãe, me desculpe. Por causa do meu comportamento, todos ficaram em uma situação difícil. Naquele momento, soube que Glória queria tomar o Diogo de mim, fiquei com medo de perder meu amado, realmente pensei em morrer... buá, buá...”Quando Tanara chorou, toda a família tentou consolá-la em voz baixa.Diogo entrou correndo pela porta, com porte imponente, abraçou Tanara e disse em voz alta: “Tanara, você foi muito tola. Eu te amo, jamais me casaria com aquela mulher vulgar.”Glória, ao presenciar aquela cena, sentiu sua alma estremecer de dor, apenas achou tudo aquilo um grande insulto.Diogo era um canalha, enganava-a enquanto amava Tanara.Ela fez tudo por aquela família, mas foi cruelmente abandonada, torturada e morta por eles.Se pudesse recomeçar, certamente faria com que toda a família Queiroz pagasse com a própria vida.Glória não sabia quanto tempo havia passado como fantasma. Ela viu cada membro da família Queiroz morrer de forma trágica. O que se planta, se colhe. Sentiu que, enfim, sua vingança estava completa.Quando achou que também deveria deixar este mundo…De repente, renasceu.Renasceu no dia em que a família Queiroz foi buscá-la de volta. Naquele ano, ela tinha vinte e dois anos, havia terminado a faculdade adiantada e estava quase concluindo o mestrado. Ainda guardava um segredo...De repente, uma voz fria soou sobre sua cabeça: “Glória, por que está distraída? Sua avó está te fazendo uma pergunta.”Glória levantou o olhar e fitou Mafalda, sua avó, a única pessoa da família Queiroz que já lhe dera algum afeto verdadeiro.Na vida passada, quando fora trazida de volta, a avó viera às pressas da antiga casa e lhe perguntara se ela queria ir morar com ela.Para tentar se entrosar com a família Queiroz, Glória recusara o convite da avó.No fim, Mafalda fora morta por Tanara.No entanto, até que todos pagassem por seus crimes, Glória continuaria morando ali. Nesta vida, ela não desejava mais o afeto da família Queiroz; queria que eles pagassem com sangue por cada dívida.“Glória, você sofreu muito.”Glória correspondeu ao olhar afetuoso de Mafalda e respondeu sorrindo: “Vovó, o que mais me doeu foi não poder cuidar da senhora todos esses anos. Também queria ter passado mais tempo com meus pais. Minha mãe me carregou por nove meses e, no fim, fui trocada pela babá e pela filha dela. Vovó, a senhora precisa fazer justiça por mim. Vivi vinte e dois anos de sofrimento fora de casa. Se eu estivesse aqui, teria acompanhado a senhora todos esses anos.”Ao terminar de falar, Glória deixou as lágrimas correrem. A experiência da vida passada lhe ensinara que ceder, ser compreensiva, fazer o bem, só teria um desfecho: ser destruída por aquela família.Nesta vida, ela faria a família Queiroz provar de todas as amarguras do mundo.Tanara nunca fora sua rival. O que Glória realmente considerava como obstáculo era aquele sentimento vazio e inalcançável de pertencimento à família Queiroz.Na vida passada, ao retornar, todos exigiam que ela cedesse a Tanara, que não competisse pelo carinho da família. Desta vez, além de disputar, ela desmascararia Tanara diante de todos.A babá, ajoelhada ao lado, tremia de medo, suplicando: “Mafalda, eu sou mãe da Tanara, não fiz aquilo de propósito...”“Se não tivesse feito de propósito, por que eu teria sofrido vinte anos? Você não só me trocou, como também me deixou em um orfanato, sem nunca cuidar de mim por um dia sequer. Mas meus pais, sendo gratos, não lhe culparam e ainda criaram sua filha como uma princesa. Agora, em vez de se sentir culpada, você usa o afeto do meu pai por sua filha para pedir clemência. Se isso se espalhar, onde ficará a honra da nossa família Queiroz?”Na vida passada, Glória idealizava os pais biológicos e, ao entrar naquela mansão, sentiu um fio de esperança quanto ao afeto familiar. Mas, no fim, todos ali decepcionaram suas expectativas.Tanara se apoiava em Yasmin, chorando copiosamente. Era bonita, vestia um traje exclusivo, parecendo nobre, mas os olhos inchados não escondiam as lágrimas constantes.Ao olhar para ela, Glória demonstrou desprezo e ódio.A babá fitou Mafalda com um olhar suplicante: “Mafalda, por favor, me perdoe... Eu... eu reconheço meu erro.”Mafalda, furiosa, respondeu: “Você não reconheceu erro nenhum. Ao trocar Tanara por Glória e colocá-la nesta casa, agiu de má-fé, querendo que sua filha ocupasse o lugar dela.”Tanara se desesperou: “Vovó, eu não... eu nunca tive essa intenção. Foi culpa dela! A senhora pode puni-la como quiser. Uma mãe tão fria e cruel, eu não reconheço, só quero minha mãe de verdade.”Em seguida, voltou a chorar nos braços de Yasmin.A babá, tomada de desespero, olhou para Tanara com dor: “Tanara, lhe dei uma vida de luxo por mais de vinte anos, e agora, nesse momento, você nem sequer pede clemência por mim. Você é ingrata.”Tanara apenas lançou um olhar de advertência, sem dizer nada.Por fim, Mafalda chamou a polícia. A babá foi levada, e o que a aguardava era a prisão.Mafalda declarou solenemente: “Pronto, agora a família está reunida.”Glória se aproximou para ampará-la, sorrindo alegremente: “Vovó, vou lhe mostrar meu quarto para que a senhora fique tranquila ao voltar para casa.”Na vida passada, ao retornar, Glória ficou no sótão. Nesta vida, ela queria viver com conforto.Os membros da família Queiroz, ao ouvirem isso, ficaram visivelmente desconfortáveis.Mafalda sorriu e afagou carinhosamente a cabeça dela: “Está bem, está bem, depois de ver seu quarto, eu ficarei tranquila.”Mafalda então se voltou para o mordomo: “Mordomo, qual é o quarto da senhorita Glória?”