Capítulo 1Aos vinte e dois anos, Margarida Pacheco, ao atingir a maioridade, casou-se com Firmino Gonçalves sem hesitar.Todos a invejaram por sua sorte — Firmino era uma figura incontestável em seu círculo social, e, ainda assim, a tratava com extremo carinho e dedicação.No dia em que ela completou dezoito anos, ele se arriscou mergulhando em águas profundas para colher a maior pérola e presenteá-la.Até mesmo na folha de rosto de cada livro, ele escrevia repetidamente “Você é como a lua”, um fragmento de poesia.Ela sempre acreditou que esses versos tinham sido escritos para ela.Naqueles tempos, acreditava ser a pessoa mais feliz do mundo e pensava que o amor de Firmino por ela era mais profundo que o mar.Tudo mudou pouco depois do casamento, quando ela encontrou uma fotografia antiga no armário —A garota da foto parecia-se muito com ela; o sinal sob o canto do olho era idêntico.No verso, havia um verso completo: “Você é como a lua, iluminando a pureza do meu coração”.Eram dois tipos diferentes de caligrafia: uma delicada, provavelmente de uma moça, e outra ousada, no estilo dele.Ao final, as assinaturas: “Andreia” e “Firmino”.Ela fitou a foto e, de repente, compreendeu tudo...Margarida começou a rir, mas, enquanto ria, lágrimas começaram a rolar por seu rosto.Apertando a fotografia nas mãos, ela permaneceu sentada no chão por muito tempo.Por fim, com as mãos trêmulas, pegou o celular e procurou um escritório de advocacia para preparar um acordo de divórcio.No instante em que seus dedos tocaram a tela, o telefone vibrou, exibindo uma mensagem do hospital: “Sra. Pacheco, a senhora está grávida de seis semanas.”O celular caiu no chão, refletindo seu rosto lívido.Sentiu um leve peso e inchaço no abdômen, como se algo pequeno estivesse criando raízes ali.Novas lágrimas brotaram, desta vez escaldantes.“Meu bebê...” murmurou para o vazio, a voz tão frágil quanto uma pérola caindo ao chão, “o que a mamãe deve fazer com você?”Seus dedos passaram lentamente pelo nome “Andreia” na fotografia, até pousarem sobre o ventre levemente abaulado.Guardou a foto no fundo da gaveta, cobrindo-a cuidadosamente com um suéter de lã — como se enterrasse ali, junto com ela, as mágoas de seu coração na escuridão mais profunda.Disse a si mesma que, ainda que precisasse criar o filho sozinha, não abriria mão daquela criança.Nesse momento, recebeu uma ligação de sua melhor amiga, Paula Marques.“Margarida, venha rápido para a sala 308 do clube...” O tom de Paula era tenso e trêmulo. “Vi o Firmino com uma garota...”Quando a amiga pediu que ela fosse buscá-la no clube, Margarida jamais imaginou que encontraria Andreia.Ao abrir a porta da sala VIP, o brilho frio do lustre misturava-se ao cheiro de bebida e cigarro.Margarida avistou imediatamente Andreia encolhida no canto do sofá.A semelhança era impressionante...Lembrou-se, então, de como Firmino, quando bêbado, costumava acariciar seus cabelos, murmurando “muito parecida”.A garganta apertou, como se estivesse cheia de algodão. Quis dizer “não me pareço em nada”, mas só conseguiu chamar: “Firmino.”“Sr. Gonçalves, sua esposa chegou.” Alguém anunciou.Só então Margarida percebeu o homem reclinado no divã — os cabelos ligeiramente úmidos sobre a testa, a gravata frouxa no pescoço, um charuto entre os dedos, a postura relaxada e aristocrática.Ao vê-la, ele ergueu levemente o canto dos olhos: “Por que veio com uma roupa tão fina?”Firmino acenou para ela, a voz rouca pelo efeito do álcool.Ela se aproximou em silêncio, mas ele a puxou para seus braços, o aroma do charuto misturando-se ao perfume amadeirado.Risadas maliciosas ecoaram ao redor, alguém comentou que “Sr. Gonçalves realmente mimava a esposa”.No entanto, Margarida notou que Andreia, no canto, fixava o olhar nas mãos do casal, cravando as unhas na palma.De repente, alguém assobiou e apontou para Andreia, rindo: “Andreia, seu ex-namorado está aqui, peça logo para o Sr. Gonçalves renovar o empréstimo do seu pai!”Em meio às gargalhadas, outro gritou: “Vocês eram tão próximos, agora é só passar uma noite com o Sr. Gonçalves que o dinheiro aparece!”Margarida sentiu a mão de Firmino em seu ombro endurecer de repente; com o cigarro nos lábios, ele lançou um olhar frio ao grupo, a ponta do charuto brilhando no escuro.Ela pensou que ele fosse rir com desdém, mas ouviu-o responder, em tom lento e ameaçador: “Cala a boca, porra.”Ele soltou uma baforada de fumaça e recostou-se ainda mais pesado sobre ela: “Se minha esposa ficar descontente, nenhum de vocês vai se sair bem.”Risadas explodiram ao redor.O rosto de Andreia ficou instantaneamente vermelho.O homem que havia zombado dela esfregou a mão gordurosa em seu ombro, exalando cheiro de álcool enquanto ria: “O que foi? O Sr. Gonçalves não te quer mais?”Com a ponta dos dedos, puxou a gola do suéter dela para baixo: “Não tenha medo. Eu vou cuidar de você. Venha comigo hoje à noite. Se me agradar, dinheiro não vai faltar.”Margarida viu os dedos de Firmino, apoiados no braço do sofá, de repente se contraírem, ficando brancos nas juntas, enquanto as veias saltavam no dorso da mão que segurava a garrafa.No fundo, ele ainda sentia pena dela.“Eu não quero!” Andreia conteve as lágrimas e levantou o olhar para Firmino, “Nesta vida, só reconheço uma pessoa... Mesmo que ele não me queira, não deixarei que outro me toque!”Dizendo isso, virou-se e saiu, os saltos altos batendo no chão em um ritmo apressado.As palavras dela acertaram o peito de Margarida com o peso de um martelo.Margarida viu Firmino fechar os olhos e massagear as têmporas, os dedos tamborilando um ritmo rápido no braço do sofá—era seu hábito quando tentava conter a raiva.No instante seguinte, ele abriu os olhos de repente, passou o olhar pelo canto dos olhos arroxeado de Andreia e falou com voz subitamente fria: “Vou ao banheiro.”“E mais, controlem as suas línguas daqui em diante.”Ninguém mais ousou dizer uma palavra.Impulsionada por um instinto incontrolável, Margarida o seguiu.No fim do corredor, sob a luz de emergência, Firmino limpava cuidadosamente as manchas de bebida no pulso de Andreia com um lenço umedecido, como se acalmasse um gato assustado.Ela de repente encolheu a mão para trás, a manga escorregando e revelando uma tatuagem azulada no pulso—em letras cursivas, “FG” aparecia discretamente sob a pele.“O que é isso?” Os dedos de Firmino pararam de repente, e a água do lenço pingou sobre o dorso da mão dela, como se fosse o batimento acelerado do coração dele.Andreia rapidamente cobriu a tatuagem com a outra mão, os dedos tremendo: “Não é nada...”Ela abaixou a cabeça, evitando o olhar dele, o cabelo caindo para esconder o canto dos olhos vermelhos.Firmino agarrou o pulso dela com força suficiente para fazê-la soltar um pequeno grito.A luz de emergência projetava sombras em sua testa, mas não conseguia esconder a tempestade em seus olhos: “Responda.”“Não faça isso...” A voz de Andreia soou chorosa, as unhas cravando na palma da mão dele, “Por favor, não pergunte mais...”O pomo-de-adão de Firmino se moveu: “Depois que sua família faliu...”Andreia, de repente, desabou em prantos e se jogou nos braços dele: “Meu pai ficou doente logo depois, o tratamento custava muito dinheiro... Eu não tive escolha, precisei te deixar...”“Por quê?” A voz de Firmino saiu abafada, mas os braços apertaram-se mais ao redor dela, “Eu poderia ter te ajudado.”“Naquela época, você já mal conseguia cuidar de si mesmo...” As lágrimas dela mancharam a camisa dele, “Eu não podia ser mais um peso para você...”Ela levantou a manga, revelando cicatrizes na parte interna do braço: “Olhe, cada uma dessas marcas é de uma noite sentindo sua falta... Eu preferia morrer a me entregar a outro homem...”O olhar de Firmino foi tomado pela dor, e ele beijou suavemente a tatuagem no pulso dela, como quem tenta acalmar uma fera ferida.Tremendo, Andreia apoiou-se nele: “Eu preferia morrer a deixar que você pensasse que sou esse tipo de mulher... Eu sei que agora você tem esposa...”De repente, ela ergueu o rosto, os olhos cheios de lágrimas: “Mas sempre que vejo ela, não consigo esquecer o que você me prometeu, que me pediria em casamento.”Andreia se lançou de novo em seus braços, chorando sem conseguir respirar.Firmino não a afastou; ao contrário, segurou-a ainda mais forte.Enquanto isso, Margarida permaneceu do lado de fora, olhando para a mensagem que acabara de receber de Firmino no celular: “Encontrei um parceiro de negócios, hoje à noite tenho compromisso, não vou voltar.”Que mentira grotesca, tão falsa quanto quando ele dizia que a amava. E pensar que ela, antes, aceitava tudo isso com um sorriso...Desde que se casaram, Firmino, por mais ocupado que estivesse, jamais deixou de voltar para casa à noite.No entanto, depois daquele dia, ele começou a passar noites inteiras fora.Na terceira semana em que ele não pernoitou em casa, uma manchete chamativa apareceu na capa da seção de entretenimento: “Mulher misteriosa passa a noite com o líder do Grupo Gonçalves, mãos dadas levantam suspeitas de novo romance”.Na foto, ele usava aquele sobretudo cinza-escuro que ela mesma havia escolhido, segurando firmemente o pulso de Andreia.Às seis horas da manhã, o telefone da sogra tocou pontualmente.Margarida encarou as olheiras escuras no espelho, ouvindo do outro lado a voz preocupada, enquanto suas unhas se cravavam profundamente na palma da mão: “Firmino tem dito que está fazendo hora extra esses dias... Vocês não brigaram, não é?”“Mãe, ele está ocupado ultimamente.” Respondeu de forma indiferente, com voz fria, sem dar importância.Virou-se e pegou um álbum de fotos que não mexia há muito tempo.Ao abrir a capa plástica, ouviu-se um leve ruído. A maioria das fotos era de paisagens das viagens que ela fazia sozinha, com algumas imagens de perfil de Firmino: com o cenho franzido em reuniões, ou cochilando no sofá, mas não havia nenhuma em que ele sorrisse para ela.Ela deveria ter percebido antes — ele supostamente “amava” ela, como poderia não ter deixado uma única foto juntos?Agora, ao pensar nisso, talvez fosse para evitar se lembrar de alguém ao ver as fotos.Na última página, havia uma foto borrada.Ela fixou o olhar na cicatriz clara no dorso da mão dele — resultado de um corte de vidro quando a protegeu de uma taça quebrada. Agora, aquela mão era usada para segurar outra mulher.“Margarida?” A voz da sogra interrompeu seus pensamentos.Ela apertou os dentes e selecionou uma foto tirada na véspera do casamento para enviar.“Você sempre foi tão sensata.” Suspirou a sogra. “Firmino é um bom rapaz, só tem aquele jeito teimoso…”Margarida ouviu o ruído no telefone e disse suavemente: “Mãe, estou cansada.”Desligou a ligação, o álbum escorregou para o chão e as fotos se espalharam.Ela fixou os olhos em uma delas — tirada no seu aniversário, Firmino cortava o bolo olhando para baixo, os cílios projetando sombra sob os olhos, mas com um leve sorriso no canto dos lábios.Naquele momento, ela acreditou que aquele sorriso era por ela, mas agora entendia que ele apenas pensava em alguém distante.Após a postagem negando rumores feita pela mãe de Firmino no Instagram, os comentários logo se encheram de elogios: “Sra. Gonçalves é tão doce”, “Sr. Gonçalves tem ótimo gosto”.Margarida ficou muito tempo olhando para aquela foto borrada feita por um paparazzi, com o dedo parado sobre a tela, até que surgiu uma nova notificação — Firmino compartilhou o Instagram que Andreia postou naquela manhã: “Nosso relacionamento não pode ser manchado”.A legenda dele foi curta como uma lâmina, atingindo o coração dela com precisão.O tom nos comentários mudou imediatamente, xingamentos como “amante” e “buscando fama” tomaram conta, e alguns chegaram a comparar suas feições com as de Andreia, zombando dela ser uma “cópia inferior”.Quando ouviu o barulho da chave na fechadura, Margarida estava lendo os comentários.Firmino entrou exalando um perfume frio e, ao ver o conteúdo no celular dela, o olhar antes sorridente se tornou gélido: “Por que está vendo isso?”Ele tentou tomar o celular das mãos dela.“Só estava olhando.”Os dedos de Firmino roçaram de leve sobre o dorso da mão dela, com a habitual delicadeza: “Essas coisas na internet foram armadas pelos concorrentes, Andreia só…”Margarida ouviu o tom persuasivo dele e sorriu ironicamente em silêncio: “Sim, já entendi.”Ela o interrompeu e começou a dobrar casacos na mala.Firmino, incomodado com a frieza dela, insistiu: “Margarida, você está realmente bem?”Ela sorriu de leve: “Por que não estaria? Entre marido e mulher deve haver confiança, não é?”Após dizer isso, levantou-se e saiu.Firmino ficou olhando para as costas dela enquanto se afastava, sentindo algo inexplicável, mas esse sentimento logo foi dissipado por um pensamento de alívio.Capítulo 2Aos vinte e dois anos, Margarida Pacheco, ao atingir a maioridade, casou-se com Firmino Gonçalves sem hesitar.Todos a invejaram por sua sorte — Firmino era uma figura incontestável em seu círculo social, e, ainda assim, a tratava com extremo carinho e dedicação.No dia em que ela completou dezoito anos, ele se arriscou mergulhando em águas profundas para colher a maior pérola e presenteá-la.Até mesmo na folha de rosto de cada livro, ele escrevia repetidamente “Você é como a lua”, um fragmento de poesia.Ela sempre acreditou que esses versos tinham sido escritos para ela.Naqueles tempos, acreditava ser a pessoa mais feliz do mundo e pensava que o amor de Firmino por ela era mais profundo que o mar.Tudo mudou pouco depois do casamento, quando ela encontrou uma fotografia antiga no armário —A garota da foto parecia-se muito com ela; o sinal sob o canto do olho era idêntico.No verso, havia um verso completo: “Você é como a lua, iluminando a pureza do meu coração”.Eram dois tipos diferentes de caligrafia: uma delicada, provavelmente de uma moça, e outra ousada, no estilo dele.Ao final, as assinaturas: “Andreia” e “Firmino”.Ela fitou a foto e, de repente, compreendeu tudo...Margarida começou a rir, mas, enquanto ria, lágrimas começaram a rolar por seu rosto.Apertando a fotografia nas mãos, ela permaneceu sentada no chão por muito tempo.Por fim, com as mãos trêmulas, pegou o celular e procurou um escritório de advocacia para preparar um acordo de divórcio.No instante em que seus dedos tocaram a tela, o telefone vibrou, exibindo uma mensagem do hospital: “Sra. Pacheco, a senhora está grávida de seis semanas.”O celular caiu no chão, refletindo seu rosto lívido.Sentiu um leve peso e inchaço no abdômen, como se algo pequeno estivesse criando raízes ali.Novas lágrimas brotaram, desta vez escaldantes.“Meu bebê...” murmurou para o vazio, a voz tão frágil quanto uma pérola caindo ao chão, “o que a mamãe deve fazer com você?”Seus dedos passaram lentamente pelo nome “Andreia” na fotografia, até pousarem sobre o ventre levemente abaulado.Guardou a foto no fundo da gaveta, cobrindo-a cuidadosamente com um suéter de lã — como se enterrasse ali, junto com ela, as mágoas de seu coração na escuridão mais profunda.Disse a si mesma que, ainda que precisasse criar o filho sozinha, não abriria mão daquela criança.Nesse momento, recebeu uma ligação de sua melhor amiga, Paula Marques.“Margarida, venha rápido para a sala 308 do clube...” O tom de Paula era tenso e trêmulo. “Vi o Firmino com uma garota...”Quando a amiga pediu que ela fosse buscá-la no clube, Margarida jamais imaginou que encontraria Andreia.Ao abrir a porta da sala VIP, o brilho frio do lustre misturava-se ao cheiro de bebida e cigarro.Margarida avistou imediatamente Andreia encolhida no canto do sofá.A semelhança era impressionante...Lembrou-se, então, de como Firmino, quando bêbado, costumava acariciar seus cabelos, murmurando “muito parecida”.A garganta apertou, como se estivesse cheia de algodão. Quis dizer “não me pareço em nada”, mas só conseguiu chamar: “Firmino.”“Sr. Gonçalves, sua esposa chegou.” Alguém anunciou.Só então Margarida percebeu o homem reclinado no divã — os cabelos ligeiramente úmidos sobre a testa, a gravata frouxa no pescoço, um charuto entre os dedos, a postura relaxada e aristocrática.Ao vê-la, ele ergueu levemente o canto dos olhos: “Por que veio com uma roupa tão fina?”Firmino acenou para ela, a voz rouca pelo efeito do álcool.Ela se aproximou em silêncio, mas ele a puxou para seus braços, o aroma do charuto misturando-se ao perfume amadeirado.Risadas maliciosas ecoaram ao redor, alguém comentou que “Sr. Gonçalves realmente mimava a esposa”.No entanto, Margarida notou que Andreia, no canto, fixava o olhar nas mãos do casal, cravando as unhas na palma.De repente, alguém assobiou e apontou para Andreia, rindo: “Andreia, seu ex-namorado está aqui, peça logo para o Sr. Gonçalves renovar o empréstimo do seu pai!”Em meio às gargalhadas, outro gritou: “Vocês eram tão próximos, agora é só passar uma noite com o Sr. Gonçalves que o dinheiro aparece!”Margarida sentiu a mão de Firmino em seu ombro endurecer de repente; com o cigarro nos lábios, ele lançou um olhar frio ao grupo, a ponta do charuto brilhando no escuro.Ela pensou que ele fosse rir com desdém, mas ouviu-o responder, em tom lento e ameaçador: “Cala a boca, porra.”Ele soltou uma baforada de fumaça e recostou-se ainda mais pesado sobre ela: “Se minha esposa ficar descontente, nenhum de vocês vai se sair bem.”Risadas explodiram ao redor.O rosto de Andreia ficou instantaneamente vermelho.O homem que havia zombado dela esfregou a mão gordurosa em seu ombro, exalando cheiro de álcool enquanto ria: “O que foi? O Sr. Gonçalves não te quer mais?”Com a ponta dos dedos, puxou a gola do suéter dela para baixo: “Não tenha medo. Eu vou cuidar de você. Venha comigo hoje à noite. Se me agradar, dinheiro não vai faltar.”Margarida viu os dedos de Firmino, apoiados no braço do sofá, de repente se contraírem, ficando brancos nas juntas, enquanto as veias saltavam no dorso da mão que segurava a garrafa.No fundo, ele ainda sentia pena dela.“Eu não quero!” Andreia conteve as lágrimas e levantou o olhar para Firmino, “Nesta vida, só reconheço uma pessoa... Mesmo que ele não me queira, não deixarei que outro me toque!”Dizendo isso, virou-se e saiu, os saltos altos batendo no chão em um ritmo apressado.As palavras dela acertaram o peito de Margarida com o peso de um martelo.Margarida viu Firmino fechar os olhos e massagear as têmporas, os dedos tamborilando um ritmo rápido no braço do sofá—era seu hábito quando tentava conter a raiva.No instante seguinte, ele abriu os olhos de repente, passou o olhar pelo canto dos olhos arroxeado de Andreia e falou com voz subitamente fria: “Vou ao banheiro.”“E mais, controlem as suas línguas daqui em diante.”Ninguém mais ousou dizer uma palavra.Impulsionada por um instinto incontrolável, Margarida o seguiu.No fim do corredor, sob a luz de emergência, Firmino limpava cuidadosamente as manchas de bebida no pulso de Andreia com um lenço umedecido, como se acalmasse um gato assustado.Ela de repente encolheu a mão para trás, a manga escorregando e revelando uma tatuagem azulada no pulso—em letras cursivas, “FG” aparecia discretamente sob a pele.“O que é isso?” Os dedos de Firmino pararam de repente, e a água do lenço pingou sobre o dorso da mão dela, como se fosse o batimento acelerado do coração dele.Andreia rapidamente cobriu a tatuagem com a outra mão, os dedos tremendo: “Não é nada...”Ela abaixou a cabeça, evitando o olhar dele, o cabelo caindo para esconder o canto dos olhos vermelhos.Firmino agarrou o pulso dela com força suficiente para fazê-la soltar um pequeno grito.A luz de emergência projetava sombras em sua testa, mas não conseguia esconder a tempestade em seus olhos: “Responda.”“Não faça isso...” A voz de Andreia soou chorosa, as unhas cravando na palma da mão dele, “Por favor, não pergunte mais...”O pomo-de-adão de Firmino se moveu: “Depois que sua família faliu...”Andreia, de repente, desabou em prantos e se jogou nos braços dele: “Meu pai ficou doente logo depois, o tratamento custava muito dinheiro... Eu não tive escolha, precisei te deixar...”“Por quê?” A voz de Firmino saiu abafada, mas os braços apertaram-se mais ao redor dela, “Eu poderia ter te ajudado.”“Naquela época, você já mal conseguia cuidar de si mesmo...” As lágrimas dela mancharam a camisa dele, “Eu não podia ser mais um peso para você...”Ela levantou a manga, revelando cicatrizes na parte interna do braço: “Olhe, cada uma dessas marcas é de uma noite sentindo sua falta... Eu preferia morrer a me entregar a outro homem...”O olhar de Firmino foi tomado pela dor, e ele beijou suavemente a tatuagem no pulso dela, como quem tenta acalmar uma fera ferida.Tremendo, Andreia apoiou-se nele: “Eu preferia morrer a deixar que você pensasse que sou esse tipo de mulher... Eu sei que agora você tem esposa...”De repente, ela ergueu o rosto, os olhos cheios de lágrimas: “Mas sempre que vejo ela, não consigo esquecer o que você me prometeu, que me pediria em casamento.”Andreia se lançou de novo em seus braços, chorando sem conseguir respirar.Firmino não a afastou; ao contrário, segurou-a ainda mais forte.Enquanto isso, Margarida permaneceu do lado de fora, olhando para a mensagem que acabara de receber de Firmino no celular: “Encontrei um parceiro de negócios, hoje à noite tenho compromisso, não vou voltar.”Que mentira grotesca, tão falsa quanto quando ele dizia que a amava. E pensar que ela, antes, aceitava tudo isso com um sorriso...Desde que se casaram, Firmino, por mais ocupado que estivesse, jamais deixou de voltar para casa à noite.No entanto, depois daquele dia, ele começou a passar noites inteiras fora.Na terceira semana em que ele não pernoitou em casa, uma manchete chamativa apareceu na capa da seção de entretenimento: “Mulher misteriosa passa a noite com o líder do Grupo Gonçalves, mãos dadas levantam suspeitas de novo romance”.Na foto, ele usava aquele sobretudo cinza-escuro que ela mesma havia escolhido, segurando firmemente o pulso de Andreia.Às seis horas da manhã, o telefone da sogra tocou pontualmente.Margarida encarou as olheiras escuras no espelho, ouvindo do outro lado a voz preocupada, enquanto suas unhas se cravavam profundamente na palma da mão: “Firmino tem dito que está fazendo hora extra esses dias... Vocês não brigaram, não é?”“Mãe, ele está ocupado ultimamente.” Respondeu de forma indiferente, com voz fria, sem dar importância.Virou-se e pegou um álbum de fotos que não mexia há muito tempo.Ao abrir a capa plástica, ouviu-se um leve ruído. A maioria das fotos era de paisagens das viagens que ela fazia sozinha, com algumas imagens de perfil de Firmino: com o cenho franzido em reuniões, ou cochilando no sofá, mas não havia nenhuma em que ele sorrisse para ela.Ela deveria ter percebido antes — ele supostamente “amava” ela, como poderia não ter deixado uma única foto juntos?Agora, ao pensar nisso, talvez fosse para evitar se lembrar de alguém ao ver as fotos.Na última página, havia uma foto borrada.Ela fixou o olhar na cicatriz clara no dorso da mão dele — resultado de um corte de vidro quando a protegeu de uma taça quebrada. Agora, aquela mão era usada para segurar outra mulher.“Margarida?” A voz da sogra interrompeu seus pensamentos.Ela apertou os dentes e selecionou uma foto tirada na véspera do casamento para enviar.“Você sempre foi tão sensata.” Suspirou a sogra. “Firmino é um bom rapaz, só tem aquele jeito teimoso…”Margarida ouviu o ruído no telefone e disse suavemente: “Mãe, estou cansada.”Desligou a ligação, o álbum escorregou para o chão e as fotos se espalharam.Ela fixou os olhos em uma delas — tirada no seu aniversário, Firmino cortava o bolo olhando para baixo, os cílios projetando sombra sob os olhos, mas com um leve sorriso no canto dos lábios.Naquele momento, ela acreditou que aquele sorriso era por ela, mas agora entendia que ele apenas pensava em alguém distante.Após a postagem negando rumores feita pela mãe de Firmino no Instagram, os comentários logo se encheram de elogios: “Sra. Gonçalves é tão doce”, “Sr. Gonçalves tem ótimo gosto”.Margarida ficou muito tempo olhando para aquela foto borrada feita por um paparazzi, com o dedo parado sobre a tela, até que surgiu uma nova notificação — Firmino compartilhou o Instagram que Andreia postou naquela manhã: “Nosso relacionamento não pode ser manchado”.A legenda dele foi curta como uma lâmina, atingindo o coração dela com precisão.O tom nos comentários mudou imediatamente, xingamentos como “amante” e “buscando fama” tomaram conta, e alguns chegaram a comparar suas feições com as de Andreia, zombando dela ser uma “cópia inferior”.Quando ouviu o barulho da chave na fechadura, Margarida estava lendo os comentários.Firmino entrou exalando um perfume frio e, ao ver o conteúdo no celular dela, o olhar antes sorridente se tornou gélido: “Por que está vendo isso?”Ele tentou tomar o celular das mãos dela.“Só estava olhando.”Os dedos de Firmino roçaram de leve sobre o dorso da mão dela, com a habitual delicadeza: “Essas coisas na internet foram armadas pelos concorrentes, Andreia só…”Margarida ouviu o tom persuasivo dele e sorriu ironicamente em silêncio: “Sim, já entendi.”Ela o interrompeu e começou a dobrar casacos na mala.Firmino, incomodado com a frieza dela, insistiu: “Margarida, você está realmente bem?”Ela sorriu de leve: “Por que não estaria? Entre marido e mulher deve haver confiança, não é?”Após dizer isso, levantou-se e saiu.Firmino ficou olhando para as costas dela enquanto se afastava, sentindo algo inexplicável, mas esse sentimento logo foi dissipado por um pensamento de alívio.Capítulo 3Aos vinte e dois anos, Margarida Pacheco, ao atingir a maioridade, casou-se com Firmino Gonçalves sem hesitar.Todos a invejaram por sua sorte — Firmino era uma figura incontestável em seu círculo social, e, ainda assim, a tratava com extremo carinho e dedicação.No dia em que ela completou dezoito anos, ele se arriscou mergulhando em águas profundas para colher a maior pérola e presenteá-la.Até mesmo na folha de rosto de cada livro, ele escrevia repetidamente “Você é como a lua”, um fragmento de poesia.Ela sempre acreditou que esses versos tinham sido escritos para ela.Naqueles tempos, acreditava ser a pessoa mais feliz do mundo e pensava que o amor de Firmino por ela era mais profundo que o mar.Tudo mudou pouco depois do casamento, quando ela encontrou uma fotografia antiga no armário —A garota da foto parecia-se muito com ela; o sinal sob o canto do olho era idêntico.No verso, havia um verso completo: “Você é como a lua, iluminando a pureza do meu coração”.Eram dois tipos diferentes de caligrafia: uma delicada, provavelmente de uma moça, e outra ousada, no estilo dele.Ao final, as assinaturas: “Andreia” e “Firmino”.Ela fitou a foto e, de repente, compreendeu tudo...Margarida começou a rir, mas, enquanto ria, lágrimas começaram a rolar por seu rosto.Apertando a fotografia nas mãos, ela permaneceu sentada no chão por muito tempo.Por fim, com as mãos trêmulas, pegou o celular e procurou um escritório de advocacia para preparar um acordo de divórcio.No instante em que seus dedos tocaram a tela, o telefone vibrou, exibindo uma mensagem do hospital: “Sra. Pacheco, a senhora está grávida de seis semanas.”O celular caiu no chão, refletindo seu rosto lívido.Sentiu um leve peso e inchaço no abdômen, como se algo pequeno estivesse criando raízes ali.Novas lágrimas brotaram, desta vez escaldantes.“Meu bebê...” murmurou para o vazio, a voz tão frágil quanto uma pérola caindo ao chão, “o que a mamãe deve fazer com você?”Seus dedos passaram lentamente pelo nome “Andreia” na fotografia, até pousarem sobre o ventre levemente abaulado.Guardou a foto no fundo da gaveta, cobrindo-a cuidadosamente com um suéter de lã — como se enterrasse ali, junto com ela, as mágoas de seu coração na escuridão mais profunda.Disse a si mesma que, ainda que precisasse criar o filho sozinha, não abriria mão daquela criança.Nesse momento, recebeu uma ligação de sua melhor amiga, Paula Marques.“Margarida, venha rápido para a sala 308 do clube...” O tom de Paula era tenso e trêmulo. “Vi o Firmino com uma garota...”Quando a amiga pediu que ela fosse buscá-la no clube, Margarida jamais imaginou que encontraria Andreia.Ao abrir a porta da sala VIP, o brilho frio do lustre misturava-se ao cheiro de bebida e cigarro.Margarida avistou imediatamente Andreia encolhida no canto do sofá.A semelhança era impressionante...Lembrou-se, então, de como Firmino, quando bêbado, costumava acariciar seus cabelos, murmurando “muito parecida”.A garganta apertou, como se estivesse cheia de algodão. Quis dizer “não me pareço em nada”, mas só conseguiu chamar: “Firmino.”“Sr. Gonçalves, sua esposa chegou.” Alguém anunciou.Só então Margarida percebeu o homem reclinado no divã — os cabelos ligeiramente úmidos sobre a testa, a gravata frouxa no pescoço, um charuto entre os dedos, a postura relaxada e aristocrática.Ao vê-la, ele ergueu levemente o canto dos olhos: “Por que veio com uma roupa tão fina?”Firmino acenou para ela, a voz rouca pelo efeito do álcool.Ela se aproximou em silêncio, mas ele a puxou para seus braços, o aroma do charuto misturando-se ao perfume amadeirado.Risadas maliciosas ecoaram ao redor, alguém comentou que “Sr. Gonçalves realmente mimava a esposa”.No entanto, Margarida notou que Andreia, no canto, fixava o olhar nas mãos do casal, cravando as unhas na palma.De repente, alguém assobiou e apontou para Andreia, rindo: “Andreia, seu ex-namorado está aqui, peça logo para o Sr. Gonçalves renovar o empréstimo do seu pai!”Em meio às gargalhadas, outro gritou: “Vocês eram tão próximos, agora é só passar uma noite com o Sr. Gonçalves que o dinheiro aparece!”Margarida sentiu a mão de Firmino em seu ombro endurecer de repente; com o cigarro nos lábios, ele lançou um olhar frio ao grupo, a ponta do charuto brilhando no escuro.Ela pensou que ele fosse rir com desdém, mas ouviu-o responder, em tom lento e ameaçador: “Cala a boca, porra.”Ele soltou uma baforada de fumaça e recostou-se ainda mais pesado sobre ela: “Se minha esposa ficar descontente, nenhum de vocês vai se sair bem.”Risadas explodiram ao redor.O rosto de Andreia ficou instantaneamente vermelho.O homem que havia zombado dela esfregou a mão gordurosa em seu ombro, exalando cheiro de álcool enquanto ria: “O que foi? O Sr. Gonçalves não te quer mais?”Com a ponta dos dedos, puxou a gola do suéter dela para baixo: “Não tenha medo. Eu vou cuidar de você. Venha comigo hoje à noite. Se me agradar, dinheiro não vai faltar.”Margarida viu os dedos de Firmino, apoiados no braço do sofá, de repente se contraírem, ficando brancos nas juntas, enquanto as veias saltavam no dorso da mão que segurava a garrafa.No fundo, ele ainda sentia pena dela.“Eu não quero!” Andreia conteve as lágrimas e levantou o olhar para Firmino, “Nesta vida, só reconheço uma pessoa... Mesmo que ele não me queira, não deixarei que outro me toque!”Dizendo isso, virou-se e saiu, os saltos altos batendo no chão em um ritmo apressado.As palavras dela acertaram o peito de Margarida com o peso de um martelo.Margarida viu Firmino fechar os olhos e massagear as têmporas, os dedos tamborilando um ritmo rápido no braço do sofá—era seu hábito quando tentava conter a raiva.No instante seguinte, ele abriu os olhos de repente, passou o olhar pelo canto dos olhos arroxeado de Andreia e falou com voz subitamente fria: “Vou ao banheiro.”“E mais, controlem as suas línguas daqui em diante.”Ninguém mais ousou dizer uma palavra.Impulsionada por um instinto incontrolável, Margarida o seguiu.No fim do corredor, sob a luz de emergência, Firmino limpava cuidadosamente as manchas de bebida no pulso de Andreia com um lenço umedecido, como se acalmasse um gato assustado.Ela de repente encolheu a mão para trás, a manga escorregando e revelando uma tatuagem azulada no pulso—em letras cursivas, “FG” aparecia discretamente sob a pele.“O que é isso?” Os dedos de Firmino pararam de repente, e a água do lenço pingou sobre o dorso da mão dela, como se fosse o batimento acelerado do coração dele.Andreia rapidamente cobriu a tatuagem com a outra mão, os dedos tremendo: “Não é nada...”Ela abaixou a cabeça, evitando o olhar dele, o cabelo caindo para esconder o canto dos olhos vermelhos.Firmino agarrou o pulso dela com força suficiente para fazê-la soltar um pequeno grito.A luz de emergência projetava sombras em sua testa, mas não conseguia esconder a tempestade em seus olhos: “Responda.”“Não faça isso...” A voz de Andreia soou chorosa, as unhas cravando na palma da mão dele, “Por favor, não pergunte mais...”O pomo-de-adão de Firmino se moveu: “Depois que sua família faliu...”Andreia, de repente, desabou em prantos e se jogou nos braços dele: “Meu pai ficou doente logo depois, o tratamento custava muito dinheiro... Eu não tive escolha, precisei te deixar...”“Por quê?” A voz de Firmino saiu abafada, mas os braços apertaram-se mais ao redor dela, “Eu poderia ter te ajudado.”“Naquela época, você já mal conseguia cuidar de si mesmo...” As lágrimas dela mancharam a camisa dele, “Eu não podia ser mais um peso para você...”Ela levantou a manga, revelando cicatrizes na parte interna do braço: “Olhe, cada uma dessas marcas é de uma noite sentindo sua falta... Eu preferia morrer a me entregar a outro homem...”O olhar de Firmino foi tomado pela dor, e ele beijou suavemente a tatuagem no pulso dela, como quem tenta acalmar uma fera ferida.Tremendo, Andreia apoiou-se nele: “Eu preferia morrer a deixar que você pensasse que sou esse tipo de mulher... Eu sei que agora você tem esposa...”De repente, ela ergueu o rosto, os olhos cheios de lágrimas: “Mas sempre que vejo ela, não consigo esquecer o que você me prometeu, que me pediria em casamento.”Andreia se lançou de novo em seus braços, chorando sem conseguir respirar.Firmino não a afastou; ao contrário, segurou-a ainda mais forte.Enquanto isso, Margarida permaneceu do lado de fora, olhando para a mensagem que acabara de receber de Firmino no celular: “Encontrei um parceiro de negócios, hoje à noite tenho compromisso, não vou voltar.”Que mentira grotesca, tão falsa quanto quando ele dizia que a amava. E pensar que ela, antes, aceitava tudo isso com um sorriso...Desde que se casaram, Firmino, por mais ocupado que estivesse, jamais deixou de voltar para casa à noite.No entanto, depois daquele dia, ele começou a passar noites inteiras fora.Na terceira semana em que ele não pernoitou em casa, uma manchete chamativa apareceu na capa da seção de entretenimento: “Mulher misteriosa passa a noite com o líder do Grupo Gonçalves, mãos dadas levantam suspeitas de novo romance”.Na foto, ele usava aquele sobretudo cinza-escuro que ela mesma havia escolhido, segurando firmemente o pulso de Andreia.Às seis horas da manhã, o telefone da sogra tocou pontualmente.Margarida encarou as olheiras escuras no espelho, ouvindo do outro lado a voz preocupada, enquanto suas unhas se cravavam profundamente na palma da mão: “Firmino tem dito que está fazendo hora extra esses dias... Vocês não brigaram, não é?”“Mãe, ele está ocupado ultimamente.” Respondeu de forma indiferente, com voz fria, sem dar importância.Virou-se e pegou um álbum de fotos que não mexia há muito tempo.Ao abrir a capa plástica, ouviu-se um leve ruído. A maioria das fotos era de paisagens das viagens que ela fazia sozinha, com algumas imagens de perfil de Firmino: com o cenho franzido em reuniões, ou cochilando no sofá, mas não havia nenhuma em que ele sorrisse para ela.Ela deveria ter percebido antes — ele supostamente “amava” ela, como poderia não ter deixado uma única foto juntos?Agora, ao pensar nisso, talvez fosse para evitar se lembrar de alguém ao ver as fotos.Na última página, havia uma foto borrada.Ela fixou o olhar na cicatriz clara no dorso da mão dele — resultado de um corte de vidro quando a protegeu de uma taça quebrada. Agora, aquela mão era usada para segurar outra mulher.“Margarida?” A voz da sogra interrompeu seus pensamentos.Ela apertou os dentes e selecionou uma foto tirada na véspera do casamento para enviar.“Você sempre foi tão sensata.” Suspirou a sogra. “Firmino é um bom rapaz, só tem aquele jeito teimoso…”Margarida ouviu o ruído no telefone e disse suavemente: “Mãe, estou cansada.”Desligou a ligação, o álbum escorregou para o chão e as fotos se espalharam.Ela fixou os olhos em uma delas — tirada no seu aniversário, Firmino cortava o bolo olhando para baixo, os cílios projetando sombra sob os olhos, mas com um leve sorriso no canto dos lábios.Naquele momento, ela acreditou que aquele sorriso era por ela, mas agora entendia que ele apenas pensava em alguém distante.Após a postagem negando rumores feita pela mãe de Firmino no Instagram, os comentários logo se encheram de elogios: “Sra. Gonçalves é tão doce”, “Sr. Gonçalves tem ótimo gosto”.Margarida ficou muito tempo olhando para aquela foto borrada feita por um paparazzi, com o dedo parado sobre a tela, até que surgiu uma nova notificação — Firmino compartilhou o Instagram que Andreia postou naquela manhã: “Nosso relacionamento não pode ser manchado”.A legenda dele foi curta como uma lâmina, atingindo o coração dela com precisão.O tom nos comentários mudou imediatamente, xingamentos como “amante” e “buscando fama” tomaram conta, e alguns chegaram a comparar suas feições com as de Andreia, zombando dela ser uma “cópia inferior”.Quando ouviu o barulho da chave na fechadura, Margarida estava lendo os comentários.Firmino entrou exalando um perfume frio e, ao ver o conteúdo no celular dela, o olhar antes sorridente se tornou gélido: “Por que está vendo isso?”Ele tentou tomar o celular das mãos dela.“Só estava olhando.”Os dedos de Firmino roçaram de leve sobre o dorso da mão dela, com a habitual delicadeza: “Essas coisas na internet foram armadas pelos concorrentes, Andreia só…”Margarida ouviu o tom persuasivo dele e sorriu ironicamente em silêncio: “Sim, já entendi.”Ela o interrompeu e começou a dobrar casacos na mala.Firmino, incomodado com a frieza dela, insistiu: “Margarida, você está realmente bem?”Ela sorriu de leve: “Por que não estaria? Entre marido e mulher deve haver confiança, não é?”Após dizer isso, levantou-se e saiu.Firmino ficou olhando para as costas dela enquanto se afastava, sentindo algo inexplicável, mas esse sentimento logo foi dissipado por um pensamento de alívio.