Capítulo 1Assim que Celina Reis foi transferida da UTI para um quarto comum, recebeu uma mensagem no celular."Olha só, com quem seu marido, esse devoto da esposa, passou a noite ontem?"Logo em seguida, apareceu uma foto de Jackson Tavares de mãos dadas com uma mulher numa festa.A mulher fitava o marido de Celina com uma ternura profunda, enquanto ele…Aquele olhar ardente, no qual só cabia uma única pessoa, fora um dia o privilégio dela.Celina fechou os olhos, tomada por um turbilhão de pensamentos.Quatro anos de casamento, Jackson sempre a tratara como uma joia rara.Se ela espirrasse, ele interrompia reuniões importantes para voltar correndo para casa, só sossegando depois de vê-la tomar o remédio para gripe.Mas dessa vez, ao ir para Salvador, ficou cinco dias sem dar notícias; até mesmo as duas notificações de risco de vida estavam assinadas apenas pelo assistente dele, em letras que agrediam os olhos.Ela imaginara que ele estivesse ocupado com algo importante, então suportou em silêncio a dor dos ferimentos, sem incomodá-lo.Mal sabia ela que ele estava ocupado acompanhando outra mulher.E justamente aquela mulher era, oficialmente, a irmã postiça dele!A remetente, prevendo que Celina já tivesse visto tudo, enviou outra mensagem:"Essa mulher é protegida pelo seu marido como se fosse uma espécie ameaçada. Estou curiosa, quando ela voltar para o Brasil, que lugar você acha que vai ocupar no coração dele?"Ignorando o sarcasmo da antiga amiga, Celina, suportando o desconforto da ferida, ampliou a foto para examinar melhor.Alice Tavares, a "irmãzinha" que fora enviada ao exterior três dias após o casamento de Celina com Jackson — ao todo, tinham se visto pouquíssimas vezes.Celina era mais familiarizada mesmo com o colar que Alice usava no pescoço.Era idêntico ao que Jackson havia arrematado a preço exorbitante três semanas antes, dizendo pessoalmente que seria o presente de quatro anos de casamento deles."Senhora, o trabalho do Diretor Tavares lá está quase terminando. Logo ele deve voltar."A voz de João a trouxe de volta de seus devaneios.O dedo de Celina pairou por muito tempo sobre o número de Jackson no telefone, mas no fim, afastou-se sem forças. Ao encarar João, já não havia emoção alguma em seu rosto."Lembro que a irmã postiça dele também está por lá. Terminando os compromissos, ele não vai visitá-la?"O olhar de João vacilou, mas ele logo se recompôs: "O Diretor Tavares foi resolver assuntos urgentes. Duvido que tenha tempo para questões pessoais."Como homem de confiança de Jackson, João sempre falava com cautela extrema.Celina desistiu de tentar arrancar a verdade dele."Entendi. Pode ir."João hesitou por um instante.Normalmente, ao saber que o Diretor Tavares estava prestes a voltar de viagem, a senhora ficava animada, mas dessa vez, a atitude era bem diferente."Bem… há mais uma coisa…"João ainda ponderava como dizer, quando a empregada, Dona Lídia, entrou tagarelando e o interrompeu."O Dr. Pereira é amigo do Diretor Tavares, excelente médico. Como assim foi transferido de repente? Paciente de quarto comum também é paciente, não é?"João apressou-se em sorrir: "O Dr. Pereira cuida apenas dos casos mais graves. A troca de médico significa que a senhora está fora de perigo, e o Dr. Morais também é ótimo. O hospital não vai negligenciar nada."Ao ver a reação dele, Celina compreendeu na hora."Foi decisão do Jackson?"Por um segundo, a expressão de João vacilou, mas ele logo recuperou a compostura."Claro que não, não pense assim."O que só poderia significar que sim.Celina sorriu de leve: "Dona Lídia, ligue para a Secretaria de Saúde e faça uma denúncia formal contra o Hospital Har por trocar o médico responsável sem consentimento da paciente; e também contra o Dr. Geraldo Pereira, por abandonar o tratamento de uma paciente grave sem justificativa."O canto da boca de João estremeceu: "Senhora, não precisa disso…"Celina respondeu, fria: "Agora, aqui não tem mais nada a ver com você. A partir de hoje, não preciso mais receber notícias do Jackson. E você também não precisa voltar."João: "…"Celina sabia que João levaria seu recado adiante.Desde que ele pudesse voltar a tempo, ela estava disposta a lhe dar uma chance de se explicar.No entanto, no dia seguinte, quem arrombou a porta não foi Jackson, e sim a sua madrasta, toda maquiada e impecável.Elisa Furtado, ignorando que Celina estava com a roupa aberta fazendo um tratamento, entrou no quarto do hospital à frente de um pequeno grupo de pessoas, todas com ares autoritários.Celina apressou-se em cobrir-se, sentindo a vergonha e a raiva subirem ao rosto.Dona Lídia, a cuidadora, rapidamente se colocou à frente da cama, bloqueando a visão dos invasores."Senhora, não viu a placa na porta pedindo para não ser incomodada?"Elisa respondeu com arrogância: "O hospital não tem mais quartos privativos. Ela precisa ter alta imediatamente, pois vou dar este quarto para uma amiga minha."Celina não respondeu de imediato.Ela não estava intimidada pelo aparato de Elisa, mas refletia internamente:Normalmente, Elisa sempre implicava com ela, mas nunca passava das palavras. Afinal, essa madrasta não tinha qualquer prestígio entre os Tavares e jamais ousaria agir de maneira tão atrevida. Mas, dessa vez, viera afrontá-la diretamente...O que teria acontecido para que Elisa se sentisse tão confiante em desafiá-la?Uma das amigas que acompanhava Elisa puxou discretamente a manga de seu casaco."Dona Tavares, se realmente não há quartos disponíveis, podemos procurar outro hospital, não é problema. Deixe Dona Tavares se recuperar em paz."Todo o círculo social sabia como Jackson era devotado à esposa, mas Elisa insistira em levá-la junto, e a amiga não teve coragem de recusar.Elisa, porém, estava visivelmente desdenhosa: "Sra. Martins, não tenha medo. Daqui a alguns dias, Jackson se divorcia dela e ela não será nada. Tirar dela um quarto de hospital será tão fácil quanto esmagar uma formiga."Ela virou-se para Celina, determinada a sair vitoriosa diante das outras mulheres da alta sociedade."Jackson não está aqui, para quem você está fazendo esse teatrinho de mulher moribunda? Saia logo daqui."Em outras ocasiões, Celina suportava as provocações por consideração a Jackson.Mas desta vez...Celina fechou calmamente os botões da blusa, um a um, e só então lançou um olhar de desprezo para Elisa."No necrotério há vários quartos privativos. Leve sua amiga para escolher um lá."Elisa empalideceu de raiva, mas logo um sorriso distorcido apareceu nos lábios dela."Celina, não pense que Jackson te coloca num pedestal porque gosta de você! Já se perguntou por que está ferida desta vez? Você é só um escudo para ele. A verdadeira está voltando e você, que é só uma substituta, logo será descartada."Escudo? Substituta?O olhar de Celina se aprofundou, e um leve sorriso apareceu em seus lábios. "E quem seria a verdadeira?""Claro que é..." Elisa quase deixou escapar, mas se conteve a tempo. "Isso não é da sua conta. Se tem juízo, ceda o quarto. Caso contrário...""Você mesma disse que aqui é um hospital, não uma sala vip de massagem, onde se troca de quarto quando quer."Elisa, que fora massagista antes de se casar, tinha esse passado como seu maior ponto sensível. Vinicius Tavares, apesar da pressão da família, casou-se com ela, mas nem a matriarca aceitava a nora, tornando o passado de Elisa um tabu.Furiosa, Elisa avançou para cima de Celina, mas Dona Lídia a conteve com toda sua força."Senhora, a senhora não pode tocar na patroa.""Velha atrevida! Alguém tira essa mulher daqui!"Dois seguranças se aproximaram ao ouvir o chamado.Dona Lídia, já com mais de cinquenta anos, não era páreo para os dois seguranças corpulentos e logo foi "gentilmente" removida para o lado.Sem mais ninguém para impedir, Elisa avançou, agarrou Celina pela gola e cravou as unhas vermelhas no tecido."Você acha que é mais nobre do que eu? Vou rasgar essa sua roupa agora mesmo, e te jogar pelada no meio do corredor, como um cachorro sarnento, pra ver se ainda se sente tão superior!"Enquanto falava, Elisa agarrou a gola da camisa de Celina com a outra mão.Um traço gélido passou pelo fundo dos olhos de Celina. Ela pegou o copo d’água no criado-mudo e o atirou contra a cabeça de Elisa.Com um "pá!", o copo se quebrou na têmpora de Elisa...Cambaleando, Elisa deu dois passos para trás, levando a mão trêmula ao ferimento, os olhos escancarados de incredulidade."Você... você ousou... agora é tudo ou nada!"Elisa avançou como um cão enlouquecido, pronta para brigar com Celina até o fim.Celina, que havia passado cinco dias na UTI, não era páreo para ela.Elisa agarrou suas roupas e a jogou no chão.Nesse instante, a porta foi escancarada com um chute.A silhueta de Jackson surgiu na entrada.O terno impecavelmente cortado delineava sua postura imponente, as sobrancelhas bem desenhadas mantinham o mesmo ar de frieza. Embora tivesse voltado às pressas, todo o seu ser ainda exalava uma aura de nobreza inatingível.Seu olhar percorreu o quarto em desalinho e, no exato momento em que Celina caiu cambaleante, ele entrou num salto e se ajoelhou ao lado dela, envolvendo-a nos braços.Celina chocou-se contra seu peito, o mundo rodopiou e ela mergulhou na escuridão."Celina..."O homem chamou suavemente.Mas a pessoa em seus braços não respondeu.Ele ergueu o olhar para a causadora de tudo.A atmosfera no quarto ficou pesada, até a luz do sol que entrava pela janela parecia ter perdido o calor.Dona Martins, assustada, agarrou a mão de Elisa e murmurou: "Você não disse que ela tinha perdido o favor dele? Isso... perder o favor é assim?"Elisa também ficou atônita.Jackson não deveria estar acompanhando Alice num concerto privado neste momento?Como podia...De repente, Elisa soltou a mão de Dona Martins, revirou os olhos e também "desmaiou" no chão....Celina só recobrou a consciência ao entardecer.Alguém estava limpando seu rosto.A voz de João chegou aos seus ouvidos."Os dois seguranças foram contratados pela senhora em cima da hora, já estão na delegacia e, sem uns vinte anos, não saem de lá. Além disso, amanhã vão fazer uma fiscalização fiscal na empresa do Diretor Martins..."Jackson jogou a toalha de volta na bacia, sem expressão no rosto.Mas João percebia que ele não estava satisfeito com o desfecho."Sobre a senhora... Ela já acordou, o Sr. Vinicius está cuidando dela."O quarto estava tão silencioso que se podia ouvir uma agulha cair. Quanto mais silêncio, mais o coração de João apertava.Depois de um tempo, Jackson falou."Vejo que você está ficando cada vez melhor no que faz. Eu pago tantos seguranças, mas você deixa só dois na porta? Era tão difícil proibir a entrada de estranhos?"João apressou-se em pedir desculpas: "Sim, foi uma falha minha."Celina abriu os olhos e viu as costas eretas do homem à sua frente.Ela respirou fundo e falou."Quem causou a confusão foi a Elisa. Não consegue lidar com ela e desconta no próprio assistente?"Jackson, ao ver que ela havia acordado, virou-se e a ajudou a sentar-se.O cabelo dele estava impecavelmente arrumado e o perfume no paletó era o de sempre.Se não tivessem tirado aquelas fotos, ele ainda seria o mesmo Jackson, imponente e intocável."Então, a senhora reclamou do hospital e do Geraldo só porque estava brava comigo?" Ele comentou num tom de brincadeira.Celina percebeu que ele tentava minimizar a situação, mas assuntos conjugais não admitiam ambiguidades."Não foi você que, com suas atitudes, fez ela acreditar que seu coração já está com outra? Como teria coragem de trazer alguém para invadir meu quarto de hospital?"Jackson não se surpreendeu que ela soubesse de algumas coisas. Sentou-se à beira da cama e o sorriso zombeteiro se dissipou dos lábios."Havia uma urgência profissional, não pude mudar meus compromissos. Mas não te deixei desamparada: eu mesmo escolhi a equipe médica e o plano de resgate. Mesmo sem poder usar o celular na UTI, o Geraldo me informava diariamente sobre seu estado. Quem está de fora não sabe disso, só especula."Uma justificativa tão impecável quanto desprovida de sinceridade, só poderia vir de Jackson.Celina não queria decidir se devia acreditar nele com base em seus próprios preconceitos, mas naquele momento sentia-se profundamente decepcionada."Para me tratar, tenho médicos; para assinar o termo de risco, tenho o João. Já que tudo pode ser delegado, então por que não deixa que outra pessoa também durma e tenha filhos por mim? O Diretor Tavares não facilitaria sua vida?""Celina!"Celina sempre fora gentil e nunca havia lhe dirigido palavras tão cortantes. Jackson não se acostumava com isso, seu semblante endureceu um pouco.Capítulo 2Assim que Celina Reis foi transferida da UTI para um quarto comum, recebeu uma mensagem no celular."Olha só, com quem seu marido, esse devoto da esposa, passou a noite ontem?"Logo em seguida, apareceu uma foto de Jackson Tavares de mãos dadas com uma mulher numa festa.A mulher fitava o marido de Celina com uma ternura profunda, enquanto ele…Aquele olhar ardente, no qual só cabia uma única pessoa, fora um dia o privilégio dela.Celina fechou os olhos, tomada por um turbilhão de pensamentos.Quatro anos de casamento, Jackson sempre a tratara como uma joia rara.Se ela espirrasse, ele interrompia reuniões importantes para voltar correndo para casa, só sossegando depois de vê-la tomar o remédio para gripe.Mas dessa vez, ao ir para Salvador, ficou cinco dias sem dar notícias; até mesmo as duas notificações de risco de vida estavam assinadas apenas pelo assistente dele, em letras que agrediam os olhos.Ela imaginara que ele estivesse ocupado com algo importante, então suportou em silêncio a dor dos ferimentos, sem incomodá-lo.Mal sabia ela que ele estava ocupado acompanhando outra mulher.E justamente aquela mulher era, oficialmente, a irmã postiça dele!A remetente, prevendo que Celina já tivesse visto tudo, enviou outra mensagem:"Essa mulher é protegida pelo seu marido como se fosse uma espécie ameaçada. Estou curiosa, quando ela voltar para o Brasil, que lugar você acha que vai ocupar no coração dele?"Ignorando o sarcasmo da antiga amiga, Celina, suportando o desconforto da ferida, ampliou a foto para examinar melhor.Alice Tavares, a "irmãzinha" que fora enviada ao exterior três dias após o casamento de Celina com Jackson — ao todo, tinham se visto pouquíssimas vezes.Celina era mais familiarizada mesmo com o colar que Alice usava no pescoço.Era idêntico ao que Jackson havia arrematado a preço exorbitante três semanas antes, dizendo pessoalmente que seria o presente de quatro anos de casamento deles."Senhora, o trabalho do Diretor Tavares lá está quase terminando. Logo ele deve voltar."A voz de João a trouxe de volta de seus devaneios.O dedo de Celina pairou por muito tempo sobre o número de Jackson no telefone, mas no fim, afastou-se sem forças. Ao encarar João, já não havia emoção alguma em seu rosto."Lembro que a irmã postiça dele também está por lá. Terminando os compromissos, ele não vai visitá-la?"O olhar de João vacilou, mas ele logo se recompôs: "O Diretor Tavares foi resolver assuntos urgentes. Duvido que tenha tempo para questões pessoais."Como homem de confiança de Jackson, João sempre falava com cautela extrema.Celina desistiu de tentar arrancar a verdade dele."Entendi. Pode ir."João hesitou por um instante.Normalmente, ao saber que o Diretor Tavares estava prestes a voltar de viagem, a senhora ficava animada, mas dessa vez, a atitude era bem diferente."Bem… há mais uma coisa…"João ainda ponderava como dizer, quando a empregada, Dona Lídia, entrou tagarelando e o interrompeu."O Dr. Pereira é amigo do Diretor Tavares, excelente médico. Como assim foi transferido de repente? Paciente de quarto comum também é paciente, não é?"João apressou-se em sorrir: "O Dr. Pereira cuida apenas dos casos mais graves. A troca de médico significa que a senhora está fora de perigo, e o Dr. Morais também é ótimo. O hospital não vai negligenciar nada."Ao ver a reação dele, Celina compreendeu na hora."Foi decisão do Jackson?"Por um segundo, a expressão de João vacilou, mas ele logo recuperou a compostura."Claro que não, não pense assim."O que só poderia significar que sim.Celina sorriu de leve: "Dona Lídia, ligue para a Secretaria de Saúde e faça uma denúncia formal contra o Hospital Har por trocar o médico responsável sem consentimento da paciente; e também contra o Dr. Geraldo Pereira, por abandonar o tratamento de uma paciente grave sem justificativa."O canto da boca de João estremeceu: "Senhora, não precisa disso…"Celina respondeu, fria: "Agora, aqui não tem mais nada a ver com você. A partir de hoje, não preciso mais receber notícias do Jackson. E você também não precisa voltar."João: "…"Celina sabia que João levaria seu recado adiante.Desde que ele pudesse voltar a tempo, ela estava disposta a lhe dar uma chance de se explicar.No entanto, no dia seguinte, quem arrombou a porta não foi Jackson, e sim a sua madrasta, toda maquiada e impecável.Elisa Furtado, ignorando que Celina estava com a roupa aberta fazendo um tratamento, entrou no quarto do hospital à frente de um pequeno grupo de pessoas, todas com ares autoritários.Celina apressou-se em cobrir-se, sentindo a vergonha e a raiva subirem ao rosto.Dona Lídia, a cuidadora, rapidamente se colocou à frente da cama, bloqueando a visão dos invasores."Senhora, não viu a placa na porta pedindo para não ser incomodada?"Elisa respondeu com arrogância: "O hospital não tem mais quartos privativos. Ela precisa ter alta imediatamente, pois vou dar este quarto para uma amiga minha."Celina não respondeu de imediato.Ela não estava intimidada pelo aparato de Elisa, mas refletia internamente:Normalmente, Elisa sempre implicava com ela, mas nunca passava das palavras. Afinal, essa madrasta não tinha qualquer prestígio entre os Tavares e jamais ousaria agir de maneira tão atrevida. Mas, dessa vez, viera afrontá-la diretamente...O que teria acontecido para que Elisa se sentisse tão confiante em desafiá-la?Uma das amigas que acompanhava Elisa puxou discretamente a manga de seu casaco."Dona Tavares, se realmente não há quartos disponíveis, podemos procurar outro hospital, não é problema. Deixe Dona Tavares se recuperar em paz."Todo o círculo social sabia como Jackson era devotado à esposa, mas Elisa insistira em levá-la junto, e a amiga não teve coragem de recusar.Elisa, porém, estava visivelmente desdenhosa: "Sra. Martins, não tenha medo. Daqui a alguns dias, Jackson se divorcia dela e ela não será nada. Tirar dela um quarto de hospital será tão fácil quanto esmagar uma formiga."Ela virou-se para Celina, determinada a sair vitoriosa diante das outras mulheres da alta sociedade."Jackson não está aqui, para quem você está fazendo esse teatrinho de mulher moribunda? Saia logo daqui."Em outras ocasiões, Celina suportava as provocações por consideração a Jackson.Mas desta vez...Celina fechou calmamente os botões da blusa, um a um, e só então lançou um olhar de desprezo para Elisa."No necrotério há vários quartos privativos. Leve sua amiga para escolher um lá."Elisa empalideceu de raiva, mas logo um sorriso distorcido apareceu nos lábios dela."Celina, não pense que Jackson te coloca num pedestal porque gosta de você! Já se perguntou por que está ferida desta vez? Você é só um escudo para ele. A verdadeira está voltando e você, que é só uma substituta, logo será descartada."Escudo? Substituta?O olhar de Celina se aprofundou, e um leve sorriso apareceu em seus lábios. "E quem seria a verdadeira?""Claro que é..." Elisa quase deixou escapar, mas se conteve a tempo. "Isso não é da sua conta. Se tem juízo, ceda o quarto. Caso contrário...""Você mesma disse que aqui é um hospital, não uma sala vip de massagem, onde se troca de quarto quando quer."Elisa, que fora massagista antes de se casar, tinha esse passado como seu maior ponto sensível. Vinicius Tavares, apesar da pressão da família, casou-se com ela, mas nem a matriarca aceitava a nora, tornando o passado de Elisa um tabu.Furiosa, Elisa avançou para cima de Celina, mas Dona Lídia a conteve com toda sua força."Senhora, a senhora não pode tocar na patroa.""Velha atrevida! Alguém tira essa mulher daqui!"Dois seguranças se aproximaram ao ouvir o chamado.Dona Lídia, já com mais de cinquenta anos, não era páreo para os dois seguranças corpulentos e logo foi "gentilmente" removida para o lado.Sem mais ninguém para impedir, Elisa avançou, agarrou Celina pela gola e cravou as unhas vermelhas no tecido."Você acha que é mais nobre do que eu? Vou rasgar essa sua roupa agora mesmo, e te jogar pelada no meio do corredor, como um cachorro sarnento, pra ver se ainda se sente tão superior!"Enquanto falava, Elisa agarrou a gola da camisa de Celina com a outra mão.Um traço gélido passou pelo fundo dos olhos de Celina. Ela pegou o copo d’água no criado-mudo e o atirou contra a cabeça de Elisa.Com um "pá!", o copo se quebrou na têmpora de Elisa...Cambaleando, Elisa deu dois passos para trás, levando a mão trêmula ao ferimento, os olhos escancarados de incredulidade."Você... você ousou... agora é tudo ou nada!"Elisa avançou como um cão enlouquecido, pronta para brigar com Celina até o fim.Celina, que havia passado cinco dias na UTI, não era páreo para ela.Elisa agarrou suas roupas e a jogou no chão.Nesse instante, a porta foi escancarada com um chute.A silhueta de Jackson surgiu na entrada.O terno impecavelmente cortado delineava sua postura imponente, as sobrancelhas bem desenhadas mantinham o mesmo ar de frieza. Embora tivesse voltado às pressas, todo o seu ser ainda exalava uma aura de nobreza inatingível.Seu olhar percorreu o quarto em desalinho e, no exato momento em que Celina caiu cambaleante, ele entrou num salto e se ajoelhou ao lado dela, envolvendo-a nos braços.Celina chocou-se contra seu peito, o mundo rodopiou e ela mergulhou na escuridão."Celina..."O homem chamou suavemente.Mas a pessoa em seus braços não respondeu.Ele ergueu o olhar para a causadora de tudo.A atmosfera no quarto ficou pesada, até a luz do sol que entrava pela janela parecia ter perdido o calor.Dona Martins, assustada, agarrou a mão de Elisa e murmurou: "Você não disse que ela tinha perdido o favor dele? Isso... perder o favor é assim?"Elisa também ficou atônita.Jackson não deveria estar acompanhando Alice num concerto privado neste momento?Como podia...De repente, Elisa soltou a mão de Dona Martins, revirou os olhos e também "desmaiou" no chão....Celina só recobrou a consciência ao entardecer.Alguém estava limpando seu rosto.A voz de João chegou aos seus ouvidos."Os dois seguranças foram contratados pela senhora em cima da hora, já estão na delegacia e, sem uns vinte anos, não saem de lá. Além disso, amanhã vão fazer uma fiscalização fiscal na empresa do Diretor Martins..."Jackson jogou a toalha de volta na bacia, sem expressão no rosto.Mas João percebia que ele não estava satisfeito com o desfecho."Sobre a senhora... Ela já acordou, o Sr. Vinicius está cuidando dela."O quarto estava tão silencioso que se podia ouvir uma agulha cair. Quanto mais silêncio, mais o coração de João apertava.Depois de um tempo, Jackson falou."Vejo que você está ficando cada vez melhor no que faz. Eu pago tantos seguranças, mas você deixa só dois na porta? Era tão difícil proibir a entrada de estranhos?"João apressou-se em pedir desculpas: "Sim, foi uma falha minha."Celina abriu os olhos e viu as costas eretas do homem à sua frente.Ela respirou fundo e falou."Quem causou a confusão foi a Elisa. Não consegue lidar com ela e desconta no próprio assistente?"Jackson, ao ver que ela havia acordado, virou-se e a ajudou a sentar-se.O cabelo dele estava impecavelmente arrumado e o perfume no paletó era o de sempre.Se não tivessem tirado aquelas fotos, ele ainda seria o mesmo Jackson, imponente e intocável."Então, a senhora reclamou do hospital e do Geraldo só porque estava brava comigo?" Ele comentou num tom de brincadeira.Celina percebeu que ele tentava minimizar a situação, mas assuntos conjugais não admitiam ambiguidades."Não foi você que, com suas atitudes, fez ela acreditar que seu coração já está com outra? Como teria coragem de trazer alguém para invadir meu quarto de hospital?"Jackson não se surpreendeu que ela soubesse de algumas coisas. Sentou-se à beira da cama e o sorriso zombeteiro se dissipou dos lábios."Havia uma urgência profissional, não pude mudar meus compromissos. Mas não te deixei desamparada: eu mesmo escolhi a equipe médica e o plano de resgate. Mesmo sem poder usar o celular na UTI, o Geraldo me informava diariamente sobre seu estado. Quem está de fora não sabe disso, só especula."Uma justificativa tão impecável quanto desprovida de sinceridade, só poderia vir de Jackson.Celina não queria decidir se devia acreditar nele com base em seus próprios preconceitos, mas naquele momento sentia-se profundamente decepcionada."Para me tratar, tenho médicos; para assinar o termo de risco, tenho o João. Já que tudo pode ser delegado, então por que não deixa que outra pessoa também durma e tenha filhos por mim? O Diretor Tavares não facilitaria sua vida?""Celina!"Celina sempre fora gentil e nunca havia lhe dirigido palavras tão cortantes. Jackson não se acostumava com isso, seu semblante endureceu um pouco.Capítulo 3Assim que Celina Reis foi transferida da UTI para um quarto comum, recebeu uma mensagem no celular."Olha só, com quem seu marido, esse devoto da esposa, passou a noite ontem?"Logo em seguida, apareceu uma foto de Jackson Tavares de mãos dadas com uma mulher numa festa.A mulher fitava o marido de Celina com uma ternura profunda, enquanto ele…Aquele olhar ardente, no qual só cabia uma única pessoa, fora um dia o privilégio dela.Celina fechou os olhos, tomada por um turbilhão de pensamentos.Quatro anos de casamento, Jackson sempre a tratara como uma joia rara.Se ela espirrasse, ele interrompia reuniões importantes para voltar correndo para casa, só sossegando depois de vê-la tomar o remédio para gripe.Mas dessa vez, ao ir para Salvador, ficou cinco dias sem dar notícias; até mesmo as duas notificações de risco de vida estavam assinadas apenas pelo assistente dele, em letras que agrediam os olhos.Ela imaginara que ele estivesse ocupado com algo importante, então suportou em silêncio a dor dos ferimentos, sem incomodá-lo.Mal sabia ela que ele estava ocupado acompanhando outra mulher.E justamente aquela mulher era, oficialmente, a irmã postiça dele!A remetente, prevendo que Celina já tivesse visto tudo, enviou outra mensagem:"Essa mulher é protegida pelo seu marido como se fosse uma espécie ameaçada. Estou curiosa, quando ela voltar para o Brasil, que lugar você acha que vai ocupar no coração dele?"Ignorando o sarcasmo da antiga amiga, Celina, suportando o desconforto da ferida, ampliou a foto para examinar melhor.Alice Tavares, a "irmãzinha" que fora enviada ao exterior três dias após o casamento de Celina com Jackson — ao todo, tinham se visto pouquíssimas vezes.Celina era mais familiarizada mesmo com o colar que Alice usava no pescoço.Era idêntico ao que Jackson havia arrematado a preço exorbitante três semanas antes, dizendo pessoalmente que seria o presente de quatro anos de casamento deles."Senhora, o trabalho do Diretor Tavares lá está quase terminando. Logo ele deve voltar."A voz de João a trouxe de volta de seus devaneios.O dedo de Celina pairou por muito tempo sobre o número de Jackson no telefone, mas no fim, afastou-se sem forças. Ao encarar João, já não havia emoção alguma em seu rosto."Lembro que a irmã postiça dele também está por lá. Terminando os compromissos, ele não vai visitá-la?"O olhar de João vacilou, mas ele logo se recompôs: "O Diretor Tavares foi resolver assuntos urgentes. Duvido que tenha tempo para questões pessoais."Como homem de confiança de Jackson, João sempre falava com cautela extrema.Celina desistiu de tentar arrancar a verdade dele."Entendi. Pode ir."João hesitou por um instante.Normalmente, ao saber que o Diretor Tavares estava prestes a voltar de viagem, a senhora ficava animada, mas dessa vez, a atitude era bem diferente."Bem… há mais uma coisa…"João ainda ponderava como dizer, quando a empregada, Dona Lídia, entrou tagarelando e o interrompeu."O Dr. Pereira é amigo do Diretor Tavares, excelente médico. Como assim foi transferido de repente? Paciente de quarto comum também é paciente, não é?"João apressou-se em sorrir: "O Dr. Pereira cuida apenas dos casos mais graves. A troca de médico significa que a senhora está fora de perigo, e o Dr. Morais também é ótimo. O hospital não vai negligenciar nada."Ao ver a reação dele, Celina compreendeu na hora."Foi decisão do Jackson?"Por um segundo, a expressão de João vacilou, mas ele logo recuperou a compostura."Claro que não, não pense assim."O que só poderia significar que sim.Celina sorriu de leve: "Dona Lídia, ligue para a Secretaria de Saúde e faça uma denúncia formal contra o Hospital Har por trocar o médico responsável sem consentimento da paciente; e também contra o Dr. Geraldo Pereira, por abandonar o tratamento de uma paciente grave sem justificativa."O canto da boca de João estremeceu: "Senhora, não precisa disso…"Celina respondeu, fria: "Agora, aqui não tem mais nada a ver com você. A partir de hoje, não preciso mais receber notícias do Jackson. E você também não precisa voltar."João: "…"Celina sabia que João levaria seu recado adiante.Desde que ele pudesse voltar a tempo, ela estava disposta a lhe dar uma chance de se explicar.No entanto, no dia seguinte, quem arrombou a porta não foi Jackson, e sim a sua madrasta, toda maquiada e impecável.Elisa Furtado, ignorando que Celina estava com a roupa aberta fazendo um tratamento, entrou no quarto do hospital à frente de um pequeno grupo de pessoas, todas com ares autoritários.Celina apressou-se em cobrir-se, sentindo a vergonha e a raiva subirem ao rosto.Dona Lídia, a cuidadora, rapidamente se colocou à frente da cama, bloqueando a visão dos invasores."Senhora, não viu a placa na porta pedindo para não ser incomodada?"Elisa respondeu com arrogância: "O hospital não tem mais quartos privativos. Ela precisa ter alta imediatamente, pois vou dar este quarto para uma amiga minha."Celina não respondeu de imediato.Ela não estava intimidada pelo aparato de Elisa, mas refletia internamente:Normalmente, Elisa sempre implicava com ela, mas nunca passava das palavras. Afinal, essa madrasta não tinha qualquer prestígio entre os Tavares e jamais ousaria agir de maneira tão atrevida. Mas, dessa vez, viera afrontá-la diretamente...O que teria acontecido para que Elisa se sentisse tão confiante em desafiá-la?Uma das amigas que acompanhava Elisa puxou discretamente a manga de seu casaco."Dona Tavares, se realmente não há quartos disponíveis, podemos procurar outro hospital, não é problema. Deixe Dona Tavares se recuperar em paz."Todo o círculo social sabia como Jackson era devotado à esposa, mas Elisa insistira em levá-la junto, e a amiga não teve coragem de recusar.Elisa, porém, estava visivelmente desdenhosa: "Sra. Martins, não tenha medo. Daqui a alguns dias, Jackson se divorcia dela e ela não será nada. Tirar dela um quarto de hospital será tão fácil quanto esmagar uma formiga."Ela virou-se para Celina, determinada a sair vitoriosa diante das outras mulheres da alta sociedade."Jackson não está aqui, para quem você está fazendo esse teatrinho de mulher moribunda? Saia logo daqui."Em outras ocasiões, Celina suportava as provocações por consideração a Jackson.Mas desta vez...Celina fechou calmamente os botões da blusa, um a um, e só então lançou um olhar de desprezo para Elisa."No necrotério há vários quartos privativos. Leve sua amiga para escolher um lá."Elisa empalideceu de raiva, mas logo um sorriso distorcido apareceu nos lábios dela."Celina, não pense que Jackson te coloca num pedestal porque gosta de você! Já se perguntou por que está ferida desta vez? Você é só um escudo para ele. A verdadeira está voltando e você, que é só uma substituta, logo será descartada."Escudo? Substituta?O olhar de Celina se aprofundou, e um leve sorriso apareceu em seus lábios. "E quem seria a verdadeira?""Claro que é..." Elisa quase deixou escapar, mas se conteve a tempo. "Isso não é da sua conta. Se tem juízo, ceda o quarto. Caso contrário...""Você mesma disse que aqui é um hospital, não uma sala vip de massagem, onde se troca de quarto quando quer."Elisa, que fora massagista antes de se casar, tinha esse passado como seu maior ponto sensível. Vinicius Tavares, apesar da pressão da família, casou-se com ela, mas nem a matriarca aceitava a nora, tornando o passado de Elisa um tabu.Furiosa, Elisa avançou para cima de Celina, mas Dona Lídia a conteve com toda sua força."Senhora, a senhora não pode tocar na patroa.""Velha atrevida! Alguém tira essa mulher daqui!"Dois seguranças se aproximaram ao ouvir o chamado.Dona Lídia, já com mais de cinquenta anos, não era páreo para os dois seguranças corpulentos e logo foi "gentilmente" removida para o lado.Sem mais ninguém para impedir, Elisa avançou, agarrou Celina pela gola e cravou as unhas vermelhas no tecido."Você acha que é mais nobre do que eu? Vou rasgar essa sua roupa agora mesmo, e te jogar pelada no meio do corredor, como um cachorro sarnento, pra ver se ainda se sente tão superior!"Enquanto falava, Elisa agarrou a gola da camisa de Celina com a outra mão.Um traço gélido passou pelo fundo dos olhos de Celina. Ela pegou o copo d’água no criado-mudo e o atirou contra a cabeça de Elisa.Com um "pá!", o copo se quebrou na têmpora de Elisa...Cambaleando, Elisa deu dois passos para trás, levando a mão trêmula ao ferimento, os olhos escancarados de incredulidade."Você... você ousou... agora é tudo ou nada!"Elisa avançou como um cão enlouquecido, pronta para brigar com Celina até o fim.Celina, que havia passado cinco dias na UTI, não era páreo para ela.Elisa agarrou suas roupas e a jogou no chão.Nesse instante, a porta foi escancarada com um chute.A silhueta de Jackson surgiu na entrada.O terno impecavelmente cortado delineava sua postura imponente, as sobrancelhas bem desenhadas mantinham o mesmo ar de frieza. Embora tivesse voltado às pressas, todo o seu ser ainda exalava uma aura de nobreza inatingível.Seu olhar percorreu o quarto em desalinho e, no exato momento em que Celina caiu cambaleante, ele entrou num salto e se ajoelhou ao lado dela, envolvendo-a nos braços.Celina chocou-se contra seu peito, o mundo rodopiou e ela mergulhou na escuridão."Celina..."O homem chamou suavemente.Mas a pessoa em seus braços não respondeu.Ele ergueu o olhar para a causadora de tudo.A atmosfera no quarto ficou pesada, até a luz do sol que entrava pela janela parecia ter perdido o calor.Dona Martins, assustada, agarrou a mão de Elisa e murmurou: "Você não disse que ela tinha perdido o favor dele? Isso... perder o favor é assim?"Elisa também ficou atônita.Jackson não deveria estar acompanhando Alice num concerto privado neste momento?Como podia...De repente, Elisa soltou a mão de Dona Martins, revirou os olhos e também "desmaiou" no chão....Celina só recobrou a consciência ao entardecer.Alguém estava limpando seu rosto.A voz de João chegou aos seus ouvidos."Os dois seguranças foram contratados pela senhora em cima da hora, já estão na delegacia e, sem uns vinte anos, não saem de lá. Além disso, amanhã vão fazer uma fiscalização fiscal na empresa do Diretor Martins..."Jackson jogou a toalha de volta na bacia, sem expressão no rosto.Mas João percebia que ele não estava satisfeito com o desfecho."Sobre a senhora... Ela já acordou, o Sr. Vinicius está cuidando dela."O quarto estava tão silencioso que se podia ouvir uma agulha cair. Quanto mais silêncio, mais o coração de João apertava.Depois de um tempo, Jackson falou."Vejo que você está ficando cada vez melhor no que faz. Eu pago tantos seguranças, mas você deixa só dois na porta? Era tão difícil proibir a entrada de estranhos?"João apressou-se em pedir desculpas: "Sim, foi uma falha minha."Celina abriu os olhos e viu as costas eretas do homem à sua frente.Ela respirou fundo e falou."Quem causou a confusão foi a Elisa. Não consegue lidar com ela e desconta no próprio assistente?"Jackson, ao ver que ela havia acordado, virou-se e a ajudou a sentar-se.O cabelo dele estava impecavelmente arrumado e o perfume no paletó era o de sempre.Se não tivessem tirado aquelas fotos, ele ainda seria o mesmo Jackson, imponente e intocável."Então, a senhora reclamou do hospital e do Geraldo só porque estava brava comigo?" Ele comentou num tom de brincadeira.Celina percebeu que ele tentava minimizar a situação, mas assuntos conjugais não admitiam ambiguidades."Não foi você que, com suas atitudes, fez ela acreditar que seu coração já está com outra? Como teria coragem de trazer alguém para invadir meu quarto de hospital?"Jackson não se surpreendeu que ela soubesse de algumas coisas. Sentou-se à beira da cama e o sorriso zombeteiro se dissipou dos lábios."Havia uma urgência profissional, não pude mudar meus compromissos. Mas não te deixei desamparada: eu mesmo escolhi a equipe médica e o plano de resgate. Mesmo sem poder usar o celular na UTI, o Geraldo me informava diariamente sobre seu estado. Quem está de fora não sabe disso, só especula."Uma justificativa tão impecável quanto desprovida de sinceridade, só poderia vir de Jackson.Celina não queria decidir se devia acreditar nele com base em seus próprios preconceitos, mas naquele momento sentia-se profundamente decepcionada."Para me tratar, tenho médicos; para assinar o termo de risco, tenho o João. Já que tudo pode ser delegado, então por que não deixa que outra pessoa também durma e tenha filhos por mim? O Diretor Tavares não facilitaria sua vida?""Celina!"Celina sempre fora gentil e nunca havia lhe dirigido palavras tão cortantes. Jackson não se acostumava com isso, seu semblante endureceu um pouco.