Capítulo 1"Máximo Fonseca, daqui a quinze dias eu voltarei para Cidade Reino e me casarei com você."Na pequena varanda do bar, Sheila Guerra estava encolhida no sofá escuro, falando calmamente ao telefone.Do outro lado, a voz masculina soou fria e distante:"Sheila, se não me engano, dois meses atrás você já tinha cancelado nosso noivado por causa do seu suposto namorado."Sheila apertou os lábios.Dois meses antes, ela queria levar Alberto Lima, seu namorado de sete anos, para conhecer seus pais.Mas assim que comentou sobre isso em casa, recebeu a notícia de que as famílias Guerra e Fonseca tinham decidido se unir em casamento, e Máximo era seu noivo oficial.Por Alberto, ela brigou feio com a família, deixando Marco Guerra no hospital de tanta raiva, e ainda fez uma aposta: garantiu que seria feliz para sempre com Alberto, para provar a Marco e aos outros que sua escolha estava certa.Porém, bastaram dois meses para que todo o amor por Alberto se esgotasse, consumido pelas repetidas vezes em que ele defendia Amélia Cruz, sua irmã de criação.Principalmente hoje—Hoje deveria ser o aniversário de namoro deles, mas Alberto a deixara plantada para brincar de jogos ambíguos com Amélia no bar.A mão de Sheila apertou ainda mais o celular; sua voz saiu suave, porém firme:"Eu vou terminar com ele.""Precisa da minha ajuda?"A voz do homem era cortante, carregando uma força invasiva."Não." Sheila respondeu baixo. "Vou resolver tudo sozinha entre ele e eu, não quero te dar trabalho.""Esses anos investi muito na empresa dele também, preciso de um tempo para recuperar o que é meu. Espero que você possa esperar.""Tudo bem. Daqui a quinze dias, te encontro no aeroporto."O homem respondeu e desligou.Sheila guardou o celular, o olhar fixo em um ponto qualquer por um instante. Depois, levantou-se do sofá e caminhou até uma das salas reservadas no segundo andar do bar.Ao se aproximar, ouviu o burburinho animado vindo de dentro.Alberto e Amélia estavam cercados no meio do grupo.Sheila pôs a mão na maçaneta e empurrou a porta, ouvindo as provocações lá de dentro."Mordeu, mordeu! O Alberto ainda colocou a língua, ninguém aqui ganha dele nessa rodada!""É só um copo de bebida, Alberto precisava se esforçar tanto assim?""Você não entende nada! O copo nem é o mais importante, o que vale é a nossa Srta. Cruz! Se Amélia perder, vai ter que descer e chamar alguém pra dançar coladinho. Você acha que o Alberto deixaria Amélia dançar assim com outro?""Mas o Alberto não tem namorada?"Só quando Sheila abriu a porta de vez, o pessoal no centro nem notou sua presença.Foram os que estavam mais perto que se cutucaram, em silêncio.Sheila ficou parada na porta, braços cruzados, observando friamente Alberto agarrar Amélia com devoção, as mãos dele apertando a cintura dela de modo lascivo e autoritário.Se houvesse uma cama ali, Alberto provavelmente não hesitaria."É... Sheila?"Alguém exclamou, como se tivesse visto um fantasma.Alberto abriu os olhos imediatamente ao ouvir o nome, deparando-se com o olhar irônico de Sheila. Seu rosto se tornou desconfortável.Ele soltou Amélia, abriu caminho entre o grupo e parou diante de Sheila, a voz fria:"O que está fazendo aqui?"Vendo-o tão seguro de si, o desprezo nos olhos de Sheila só aumentou. Ela olhou por cima do ombro de Alberto, encarando o olhar provocativo de Amélia, e sorriu de lado:"Você esqueceu que dia é hoje?"Hoje—Era o aniversário de namoro deles.Alberto logo entendeu o motivo de Sheila estar ali.Uma leve expressão de frustração apareceu em seu rosto, e ele se justificou automaticamente:"A Amélia não estava bem hoje, por isso eu fiquei aqui com ela e o pessoal. Esse jogo também foi só porque todos insistiram...""Eu sei."Sheila respondeu com uma voz suave, "É só uma brincadeira, eu não me importo."As palavras seguintes de Alberto ficaram presas em sua garganta.Nem conseguia engolir, nem conseguia cuspir.Ele franziu a testa, prestes a dizer que voltaria com Sheila, quando alguém se adiantou e falou primeiro:"Sheila, me desculpa, hoje eu terminei um relacionamento, por isso trouxe meu irmão pra ficar comigo aqui. Por favor, não culpa ele, a culpa é toda minha."Amélia se aproximou de Sheila, ainda com uma taça de vinho na mão. "Já que você está aqui, por que não fica com a gente também? Essa bebida foi feita especialmente pra mim pelo bartender, a pedido do meu irmão. Prova um pouco."Sheila notou algumas marcas avermelhadas no decote propositalmente exposto de Amélia.Mais acima, via-se o batom borrado.Tão descaradamente provocar diante de todos? Amélia achava Sheila fácil de intimidar?O sorriso no canto dos lábios de Sheila se aprofundou. "É mesmo?"Ao ouvir a dúvida de Sheila, Amélia tentou responder, mas Sheila já emendou: "E comparando com o gosto da saliva do namorado alheio, qual você prefere, irmãzinha?"Sheila deu ênfase intencional na palavra "irmãzinha".Isso fez com que todos se lembrassem da relação entre Amélia e Alberto—Irmãos adotivos.Mesmo com a palavra "adotivo", Amélia era, oficialmente, a irmã de Alberto. Ainda assim, tinham acabado de se beijar apaixonadamente na frente de todos.Num instante, todos passaram a olhar para Amélia de maneira diferente."Sheila, o que você quer dizer com isso?"Os olhos de Amélia se avermelharam de repente, a voz trêmula: "Meu irmão só me ajudou, foi só isso. E eu sei muito bem meu lugar, jamais faria nada com ele..."Ela lançou um olhar sofrido para Alberto, como se estivesse profundamente magoada, e sua voz se calou abruptamente."Deixa pra lá."Após alguns segundos, Amélia continuou, como se estivesse engolindo todo o sofrimento. "Se meu pai não tivesse morrido salvando meu irmão, eu jamais teria entrado na Família Lima, e ele não precisaria cuidar de mim esse tempo todo.No fundo, fui eu que não soube me comportar, é só azar meu.Sheila, pode ficar tranquila. Daqui em diante, vou manter distância do meu irmão, não importa o que aconteça, não vou mais fazer ele me acompanhar."No final, sua voz tremia visivelmente.As pessoas na sala também se lembraram do motivo pelo qual Amélia e Alberto haviam se tornado irmãos: afinal, o pai biológico de Amélia fora morto pelos sequestradores ao tentar salvar Alberto.Como filha do homem que salvou sua vida, era natural que Alberto cuidasse dela.Além disso, eles estavam apenas brincando há pouco.Sheila, desse jeito, parecia mesquinha.Sheila percebeu a mudança no olhar de todos, seus olhos se tornaram ainda mais frios, e ela ironizou baixinho: "Sua sorte realmente...""Chega!"Alberto apertou o pulso de Sheila, encarando-a com um olhar gélido. "Eu só estava aqui brincando com Amélia, precisa mesmo fazer esse escândalo? Além do mais, é só nosso aniversário de namoro, não já passamos tempo suficiente juntos?""Sheila, quando foi que você ficou tão irracional?"Os dedos de Sheila, ao lado do corpo, se fecharam repentinamente.Irracional?Como namorado, Alberto quase protagonizou uma cena apaixonada com a irmã adotiva diante de todos.E ela não podia nem perguntar?Seu coração parecia ser esmagado por duas mãos gigantes, a respiração tornou-se difícil, e seus olhos, ao olhar para Alberto, transbordaram de decepção.Chega, por que ainda mantinha alguma esperança?Sheila se obrigou a manter a calma e, sob o olhar furioso de Alberto, forçou um sorriso formal."Você tem razão."Ela disse suavemente, "Não vou atrapalhar a festa de vocês."Assim que terminou de falar, Sheila se virou e foi embora.Saindo do bar até entrar no carro, Alberto não a seguiu.Pelo contrário, foi o celular de Sheila que recebeu uma mensagem dele, leve e casual, mas com um tom sutilmente acusatório."Não é nada do que você está pensando entre mim e Amélia. Pelo que você fez hoje, deveria pedir desculpas para Amélia!"Pedir desculpas para Amélia?Um sorriso de escárnio surgiu nos lábios de Sheila, que então jogou o celular despreocupadamente no banco do passageiro ao lado.Talvez Alberto não soubesse.Há um mês, ela começou a receber no celular várias fotos dos dois, Alberto e Amélia, passeando juntos, tirando fotos de casal em trajes de casamento, até mesmo brigando com outros homens por ciúmes de Amélia.E, todas as vezes, Alberto dava desculpas de que estava viajando a trabalho, ou atarefado.Mas dali pra frente, ele não precisaria mais se esforçar inventando desculpas para ela. Sheila não o queria mais.Sheila ligou o carro e voltou para a casa onde moravam.Assim que entrou, pegou todos os presentes que Alberto lhe dera no início do namoro: fotos de casal, vídeos, o diário que escreviam juntos...Ela levou tudo para o jardim, colocou numa bacia de ferro e ateou fogo.O fogo mal começou, e logo atrás dela se ouviu o grito furioso de um homem."O que você está fazendo!"O braço de Sheila foi puxado para trás com força. Diante dela, Alberto, sem hesitar, enfiou a mão no fogo e recuperou as fotos que já queimavam pela metade.O resto, por causa das chamas, acabou queimando sua mão.Alberto puxou o ar entre os dentes e recolheu a mão, queimado.Já não conseguiu conter a raiva e gritou com Sheila: "O que você está querendo? Por sua culpa, Amélia está sendo injustamente acusada, e ainda assim ela me pede pra voltar e te acalmar, pra não brigar com você. E você aqui, queimando nossas fotos?""Sheila, quando foi que você ficou tão imatura?"Sheila levantou o olhar, frio e cortante, e sorriu com ironia: "Realmente, sou imatura. Alberto, estamos terminados."Assim que terminou a frase, Sheila se virou para entrar em casa.Ao ouvir a palavra "terminados", o coração de Alberto deu um salto, mas logo pensou em tudo que Sheila havia feito por ele, até romper com a família. Ela o amava tanto, não terminaria por algo tão pequeno.Ele achou que Sheila só queria provocá-lo com essa ameaça de término.Convencido disso, Alberto foi atrás dela, interceptando-a na escada. Franziu a testa e disse: "Chega, não faz drama. Esqueci do nosso aniversário de namoro, foi meu erro. Amanhã não é Dia dos Namorados? Vou compensar tudo com você."Sheila ia recusar, mas Alberto já decidia tudo sozinho.Na frente dela, reservou restaurante e cinema pelo celular, depois largou o aparelho e tentou abraçá-la.No instante em que ele ia se aproximar, Sheila se afastou."Você…""Alberto, já sentiu o cheiro que está em você?"Sheila olhou para ele com frieza. Só conseguia sentir aquele perfume adocicado e frutado, o cheiro exclusivo de Amélia.Alberto ficou paralisado.Baixou a cabeça, cheirou a própria roupa e seu rosto ficou pálido na hora.Tirou a gravata, pegou roupas limpas do armário e foi para o banheiro: "Vou tomar banho."Sheila não se importou com o gesto dele.Sabendo que Alberto passaria a noite em casa, ela não queria contato, nem dormir na mesma cama. Preparou suas coisas para ir ao quarto de hóspedes, quando o celular de Alberto, deixado ao lado, vibrou com uma nova mensagem.Sheila olhou para o banheiro, ouviu o chuveiro, e então desbloqueou o celular dele. Na tela, apareceu a conversa entre Alberto e Amélia.Capítulo 2"Máximo Fonseca, daqui a quinze dias eu voltarei para Cidade Reino e me casarei com você."Na pequena varanda do bar, Sheila Guerra estava encolhida no sofá escuro, falando calmamente ao telefone.Do outro lado, a voz masculina soou fria e distante:"Sheila, se não me engano, dois meses atrás você já tinha cancelado nosso noivado por causa do seu suposto namorado."Sheila apertou os lábios.Dois meses antes, ela queria levar Alberto Lima, seu namorado de sete anos, para conhecer seus pais.Mas assim que comentou sobre isso em casa, recebeu a notícia de que as famílias Guerra e Fonseca tinham decidido se unir em casamento, e Máximo era seu noivo oficial.Por Alberto, ela brigou feio com a família, deixando Marco Guerra no hospital de tanta raiva, e ainda fez uma aposta: garantiu que seria feliz para sempre com Alberto, para provar a Marco e aos outros que sua escolha estava certa.Porém, bastaram dois meses para que todo o amor por Alberto se esgotasse, consumido pelas repetidas vezes em que ele defendia Amélia Cruz, sua irmã de criação.Principalmente hoje—Hoje deveria ser o aniversário de namoro deles, mas Alberto a deixara plantada para brincar de jogos ambíguos com Amélia no bar.A mão de Sheila apertou ainda mais o celular; sua voz saiu suave, porém firme:"Eu vou terminar com ele.""Precisa da minha ajuda?"A voz do homem era cortante, carregando uma força invasiva."Não." Sheila respondeu baixo. "Vou resolver tudo sozinha entre ele e eu, não quero te dar trabalho.""Esses anos investi muito na empresa dele também, preciso de um tempo para recuperar o que é meu. Espero que você possa esperar.""Tudo bem. Daqui a quinze dias, te encontro no aeroporto."O homem respondeu e desligou.Sheila guardou o celular, o olhar fixo em um ponto qualquer por um instante. Depois, levantou-se do sofá e caminhou até uma das salas reservadas no segundo andar do bar.Ao se aproximar, ouviu o burburinho animado vindo de dentro.Alberto e Amélia estavam cercados no meio do grupo.Sheila pôs a mão na maçaneta e empurrou a porta, ouvindo as provocações lá de dentro."Mordeu, mordeu! O Alberto ainda colocou a língua, ninguém aqui ganha dele nessa rodada!""É só um copo de bebida, Alberto precisava se esforçar tanto assim?""Você não entende nada! O copo nem é o mais importante, o que vale é a nossa Srta. Cruz! Se Amélia perder, vai ter que descer e chamar alguém pra dançar coladinho. Você acha que o Alberto deixaria Amélia dançar assim com outro?""Mas o Alberto não tem namorada?"Só quando Sheila abriu a porta de vez, o pessoal no centro nem notou sua presença.Foram os que estavam mais perto que se cutucaram, em silêncio.Sheila ficou parada na porta, braços cruzados, observando friamente Alberto agarrar Amélia com devoção, as mãos dele apertando a cintura dela de modo lascivo e autoritário.Se houvesse uma cama ali, Alberto provavelmente não hesitaria."É... Sheila?"Alguém exclamou, como se tivesse visto um fantasma.Alberto abriu os olhos imediatamente ao ouvir o nome, deparando-se com o olhar irônico de Sheila. Seu rosto se tornou desconfortável.Ele soltou Amélia, abriu caminho entre o grupo e parou diante de Sheila, a voz fria:"O que está fazendo aqui?"Vendo-o tão seguro de si, o desprezo nos olhos de Sheila só aumentou. Ela olhou por cima do ombro de Alberto, encarando o olhar provocativo de Amélia, e sorriu de lado:"Você esqueceu que dia é hoje?"Hoje—Era o aniversário de namoro deles.Alberto logo entendeu o motivo de Sheila estar ali.Uma leve expressão de frustração apareceu em seu rosto, e ele se justificou automaticamente:"A Amélia não estava bem hoje, por isso eu fiquei aqui com ela e o pessoal. Esse jogo também foi só porque todos insistiram...""Eu sei."Sheila respondeu com uma voz suave, "É só uma brincadeira, eu não me importo."As palavras seguintes de Alberto ficaram presas em sua garganta.Nem conseguia engolir, nem conseguia cuspir.Ele franziu a testa, prestes a dizer que voltaria com Sheila, quando alguém se adiantou e falou primeiro:"Sheila, me desculpa, hoje eu terminei um relacionamento, por isso trouxe meu irmão pra ficar comigo aqui. Por favor, não culpa ele, a culpa é toda minha."Amélia se aproximou de Sheila, ainda com uma taça de vinho na mão. "Já que você está aqui, por que não fica com a gente também? Essa bebida foi feita especialmente pra mim pelo bartender, a pedido do meu irmão. Prova um pouco."Sheila notou algumas marcas avermelhadas no decote propositalmente exposto de Amélia.Mais acima, via-se o batom borrado.Tão descaradamente provocar diante de todos? Amélia achava Sheila fácil de intimidar?O sorriso no canto dos lábios de Sheila se aprofundou. "É mesmo?"Ao ouvir a dúvida de Sheila, Amélia tentou responder, mas Sheila já emendou: "E comparando com o gosto da saliva do namorado alheio, qual você prefere, irmãzinha?"Sheila deu ênfase intencional na palavra "irmãzinha".Isso fez com que todos se lembrassem da relação entre Amélia e Alberto—Irmãos adotivos.Mesmo com a palavra "adotivo", Amélia era, oficialmente, a irmã de Alberto. Ainda assim, tinham acabado de se beijar apaixonadamente na frente de todos.Num instante, todos passaram a olhar para Amélia de maneira diferente."Sheila, o que você quer dizer com isso?"Os olhos de Amélia se avermelharam de repente, a voz trêmula: "Meu irmão só me ajudou, foi só isso. E eu sei muito bem meu lugar, jamais faria nada com ele..."Ela lançou um olhar sofrido para Alberto, como se estivesse profundamente magoada, e sua voz se calou abruptamente."Deixa pra lá."Após alguns segundos, Amélia continuou, como se estivesse engolindo todo o sofrimento. "Se meu pai não tivesse morrido salvando meu irmão, eu jamais teria entrado na Família Lima, e ele não precisaria cuidar de mim esse tempo todo.No fundo, fui eu que não soube me comportar, é só azar meu.Sheila, pode ficar tranquila. Daqui em diante, vou manter distância do meu irmão, não importa o que aconteça, não vou mais fazer ele me acompanhar."No final, sua voz tremia visivelmente.As pessoas na sala também se lembraram do motivo pelo qual Amélia e Alberto haviam se tornado irmãos: afinal, o pai biológico de Amélia fora morto pelos sequestradores ao tentar salvar Alberto.Como filha do homem que salvou sua vida, era natural que Alberto cuidasse dela.Além disso, eles estavam apenas brincando há pouco.Sheila, desse jeito, parecia mesquinha.Sheila percebeu a mudança no olhar de todos, seus olhos se tornaram ainda mais frios, e ela ironizou baixinho: "Sua sorte realmente...""Chega!"Alberto apertou o pulso de Sheila, encarando-a com um olhar gélido. "Eu só estava aqui brincando com Amélia, precisa mesmo fazer esse escândalo? Além do mais, é só nosso aniversário de namoro, não já passamos tempo suficiente juntos?""Sheila, quando foi que você ficou tão irracional?"Os dedos de Sheila, ao lado do corpo, se fecharam repentinamente.Irracional?Como namorado, Alberto quase protagonizou uma cena apaixonada com a irmã adotiva diante de todos.E ela não podia nem perguntar?Seu coração parecia ser esmagado por duas mãos gigantes, a respiração tornou-se difícil, e seus olhos, ao olhar para Alberto, transbordaram de decepção.Chega, por que ainda mantinha alguma esperança?Sheila se obrigou a manter a calma e, sob o olhar furioso de Alberto, forçou um sorriso formal."Você tem razão."Ela disse suavemente, "Não vou atrapalhar a festa de vocês."Assim que terminou de falar, Sheila se virou e foi embora.Saindo do bar até entrar no carro, Alberto não a seguiu.Pelo contrário, foi o celular de Sheila que recebeu uma mensagem dele, leve e casual, mas com um tom sutilmente acusatório."Não é nada do que você está pensando entre mim e Amélia. Pelo que você fez hoje, deveria pedir desculpas para Amélia!"Pedir desculpas para Amélia?Um sorriso de escárnio surgiu nos lábios de Sheila, que então jogou o celular despreocupadamente no banco do passageiro ao lado.Talvez Alberto não soubesse.Há um mês, ela começou a receber no celular várias fotos dos dois, Alberto e Amélia, passeando juntos, tirando fotos de casal em trajes de casamento, até mesmo brigando com outros homens por ciúmes de Amélia.E, todas as vezes, Alberto dava desculpas de que estava viajando a trabalho, ou atarefado.Mas dali pra frente, ele não precisaria mais se esforçar inventando desculpas para ela. Sheila não o queria mais.Sheila ligou o carro e voltou para a casa onde moravam.Assim que entrou, pegou todos os presentes que Alberto lhe dera no início do namoro: fotos de casal, vídeos, o diário que escreviam juntos...Ela levou tudo para o jardim, colocou numa bacia de ferro e ateou fogo.O fogo mal começou, e logo atrás dela se ouviu o grito furioso de um homem."O que você está fazendo!"O braço de Sheila foi puxado para trás com força. Diante dela, Alberto, sem hesitar, enfiou a mão no fogo e recuperou as fotos que já queimavam pela metade.O resto, por causa das chamas, acabou queimando sua mão.Alberto puxou o ar entre os dentes e recolheu a mão, queimado.Já não conseguiu conter a raiva e gritou com Sheila: "O que você está querendo? Por sua culpa, Amélia está sendo injustamente acusada, e ainda assim ela me pede pra voltar e te acalmar, pra não brigar com você. E você aqui, queimando nossas fotos?""Sheila, quando foi que você ficou tão imatura?"Sheila levantou o olhar, frio e cortante, e sorriu com ironia: "Realmente, sou imatura. Alberto, estamos terminados."Assim que terminou a frase, Sheila se virou para entrar em casa.Ao ouvir a palavra "terminados", o coração de Alberto deu um salto, mas logo pensou em tudo que Sheila havia feito por ele, até romper com a família. Ela o amava tanto, não terminaria por algo tão pequeno.Ele achou que Sheila só queria provocá-lo com essa ameaça de término.Convencido disso, Alberto foi atrás dela, interceptando-a na escada. Franziu a testa e disse: "Chega, não faz drama. Esqueci do nosso aniversário de namoro, foi meu erro. Amanhã não é Dia dos Namorados? Vou compensar tudo com você."Sheila ia recusar, mas Alberto já decidia tudo sozinho.Na frente dela, reservou restaurante e cinema pelo celular, depois largou o aparelho e tentou abraçá-la.No instante em que ele ia se aproximar, Sheila se afastou."Você…""Alberto, já sentiu o cheiro que está em você?"Sheila olhou para ele com frieza. Só conseguia sentir aquele perfume adocicado e frutado, o cheiro exclusivo de Amélia.Alberto ficou paralisado.Baixou a cabeça, cheirou a própria roupa e seu rosto ficou pálido na hora.Tirou a gravata, pegou roupas limpas do armário e foi para o banheiro: "Vou tomar banho."Sheila não se importou com o gesto dele.Sabendo que Alberto passaria a noite em casa, ela não queria contato, nem dormir na mesma cama. Preparou suas coisas para ir ao quarto de hóspedes, quando o celular de Alberto, deixado ao lado, vibrou com uma nova mensagem.Sheila olhou para o banheiro, ouviu o chuveiro, e então desbloqueou o celular dele. Na tela, apareceu a conversa entre Alberto e Amélia.Capítulo 3"Máximo Fonseca, daqui a quinze dias eu voltarei para Cidade Reino e me casarei com você."Na pequena varanda do bar, Sheila Guerra estava encolhida no sofá escuro, falando calmamente ao telefone.Do outro lado, a voz masculina soou fria e distante:"Sheila, se não me engano, dois meses atrás você já tinha cancelado nosso noivado por causa do seu suposto namorado."Sheila apertou os lábios.Dois meses antes, ela queria levar Alberto Lima, seu namorado de sete anos, para conhecer seus pais.Mas assim que comentou sobre isso em casa, recebeu a notícia de que as famílias Guerra e Fonseca tinham decidido se unir em casamento, e Máximo era seu noivo oficial.Por Alberto, ela brigou feio com a família, deixando Marco Guerra no hospital de tanta raiva, e ainda fez uma aposta: garantiu que seria feliz para sempre com Alberto, para provar a Marco e aos outros que sua escolha estava certa.Porém, bastaram dois meses para que todo o amor por Alberto se esgotasse, consumido pelas repetidas vezes em que ele defendia Amélia Cruz, sua irmã de criação.Principalmente hoje—Hoje deveria ser o aniversário de namoro deles, mas Alberto a deixara plantada para brincar de jogos ambíguos com Amélia no bar.A mão de Sheila apertou ainda mais o celular; sua voz saiu suave, porém firme:"Eu vou terminar com ele.""Precisa da minha ajuda?"A voz do homem era cortante, carregando uma força invasiva."Não." Sheila respondeu baixo. "Vou resolver tudo sozinha entre ele e eu, não quero te dar trabalho.""Esses anos investi muito na empresa dele também, preciso de um tempo para recuperar o que é meu. Espero que você possa esperar.""Tudo bem. Daqui a quinze dias, te encontro no aeroporto."O homem respondeu e desligou.Sheila guardou o celular, o olhar fixo em um ponto qualquer por um instante. Depois, levantou-se do sofá e caminhou até uma das salas reservadas no segundo andar do bar.Ao se aproximar, ouviu o burburinho animado vindo de dentro.Alberto e Amélia estavam cercados no meio do grupo.Sheila pôs a mão na maçaneta e empurrou a porta, ouvindo as provocações lá de dentro."Mordeu, mordeu! O Alberto ainda colocou a língua, ninguém aqui ganha dele nessa rodada!""É só um copo de bebida, Alberto precisava se esforçar tanto assim?""Você não entende nada! O copo nem é o mais importante, o que vale é a nossa Srta. Cruz! Se Amélia perder, vai ter que descer e chamar alguém pra dançar coladinho. Você acha que o Alberto deixaria Amélia dançar assim com outro?""Mas o Alberto não tem namorada?"Só quando Sheila abriu a porta de vez, o pessoal no centro nem notou sua presença.Foram os que estavam mais perto que se cutucaram, em silêncio.Sheila ficou parada na porta, braços cruzados, observando friamente Alberto agarrar Amélia com devoção, as mãos dele apertando a cintura dela de modo lascivo e autoritário.Se houvesse uma cama ali, Alberto provavelmente não hesitaria."É... Sheila?"Alguém exclamou, como se tivesse visto um fantasma.Alberto abriu os olhos imediatamente ao ouvir o nome, deparando-se com o olhar irônico de Sheila. Seu rosto se tornou desconfortável.Ele soltou Amélia, abriu caminho entre o grupo e parou diante de Sheila, a voz fria:"O que está fazendo aqui?"Vendo-o tão seguro de si, o desprezo nos olhos de Sheila só aumentou. Ela olhou por cima do ombro de Alberto, encarando o olhar provocativo de Amélia, e sorriu de lado:"Você esqueceu que dia é hoje?"Hoje—Era o aniversário de namoro deles.Alberto logo entendeu o motivo de Sheila estar ali.Uma leve expressão de frustração apareceu em seu rosto, e ele se justificou automaticamente:"A Amélia não estava bem hoje, por isso eu fiquei aqui com ela e o pessoal. Esse jogo também foi só porque todos insistiram...""Eu sei."Sheila respondeu com uma voz suave, "É só uma brincadeira, eu não me importo."As palavras seguintes de Alberto ficaram presas em sua garganta.Nem conseguia engolir, nem conseguia cuspir.Ele franziu a testa, prestes a dizer que voltaria com Sheila, quando alguém se adiantou e falou primeiro:"Sheila, me desculpa, hoje eu terminei um relacionamento, por isso trouxe meu irmão pra ficar comigo aqui. Por favor, não culpa ele, a culpa é toda minha."Amélia se aproximou de Sheila, ainda com uma taça de vinho na mão. "Já que você está aqui, por que não fica com a gente também? Essa bebida foi feita especialmente pra mim pelo bartender, a pedido do meu irmão. Prova um pouco."Sheila notou algumas marcas avermelhadas no decote propositalmente exposto de Amélia.Mais acima, via-se o batom borrado.Tão descaradamente provocar diante de todos? Amélia achava Sheila fácil de intimidar?O sorriso no canto dos lábios de Sheila se aprofundou. "É mesmo?"Ao ouvir a dúvida de Sheila, Amélia tentou responder, mas Sheila já emendou: "E comparando com o gosto da saliva do namorado alheio, qual você prefere, irmãzinha?"Sheila deu ênfase intencional na palavra "irmãzinha".Isso fez com que todos se lembrassem da relação entre Amélia e Alberto—Irmãos adotivos.Mesmo com a palavra "adotivo", Amélia era, oficialmente, a irmã de Alberto. Ainda assim, tinham acabado de se beijar apaixonadamente na frente de todos.Num instante, todos passaram a olhar para Amélia de maneira diferente."Sheila, o que você quer dizer com isso?"Os olhos de Amélia se avermelharam de repente, a voz trêmula: "Meu irmão só me ajudou, foi só isso. E eu sei muito bem meu lugar, jamais faria nada com ele..."Ela lançou um olhar sofrido para Alberto, como se estivesse profundamente magoada, e sua voz se calou abruptamente."Deixa pra lá."Após alguns segundos, Amélia continuou, como se estivesse engolindo todo o sofrimento. "Se meu pai não tivesse morrido salvando meu irmão, eu jamais teria entrado na Família Lima, e ele não precisaria cuidar de mim esse tempo todo.No fundo, fui eu que não soube me comportar, é só azar meu.Sheila, pode ficar tranquila. Daqui em diante, vou manter distância do meu irmão, não importa o que aconteça, não vou mais fazer ele me acompanhar."No final, sua voz tremia visivelmente.As pessoas na sala também se lembraram do motivo pelo qual Amélia e Alberto haviam se tornado irmãos: afinal, o pai biológico de Amélia fora morto pelos sequestradores ao tentar salvar Alberto.Como filha do homem que salvou sua vida, era natural que Alberto cuidasse dela.Além disso, eles estavam apenas brincando há pouco.Sheila, desse jeito, parecia mesquinha.Sheila percebeu a mudança no olhar de todos, seus olhos se tornaram ainda mais frios, e ela ironizou baixinho: "Sua sorte realmente...""Chega!"Alberto apertou o pulso de Sheila, encarando-a com um olhar gélido. "Eu só estava aqui brincando com Amélia, precisa mesmo fazer esse escândalo? Além do mais, é só nosso aniversário de namoro, não já passamos tempo suficiente juntos?""Sheila, quando foi que você ficou tão irracional?"Os dedos de Sheila, ao lado do corpo, se fecharam repentinamente.Irracional?Como namorado, Alberto quase protagonizou uma cena apaixonada com a irmã adotiva diante de todos.E ela não podia nem perguntar?Seu coração parecia ser esmagado por duas mãos gigantes, a respiração tornou-se difícil, e seus olhos, ao olhar para Alberto, transbordaram de decepção.Chega, por que ainda mantinha alguma esperança?Sheila se obrigou a manter a calma e, sob o olhar furioso de Alberto, forçou um sorriso formal."Você tem razão."Ela disse suavemente, "Não vou atrapalhar a festa de vocês."Assim que terminou de falar, Sheila se virou e foi embora.Saindo do bar até entrar no carro, Alberto não a seguiu.Pelo contrário, foi o celular de Sheila que recebeu uma mensagem dele, leve e casual, mas com um tom sutilmente acusatório."Não é nada do que você está pensando entre mim e Amélia. Pelo que você fez hoje, deveria pedir desculpas para Amélia!"Pedir desculpas para Amélia?Um sorriso de escárnio surgiu nos lábios de Sheila, que então jogou o celular despreocupadamente no banco do passageiro ao lado.Talvez Alberto não soubesse.Há um mês, ela começou a receber no celular várias fotos dos dois, Alberto e Amélia, passeando juntos, tirando fotos de casal em trajes de casamento, até mesmo brigando com outros homens por ciúmes de Amélia.E, todas as vezes, Alberto dava desculpas de que estava viajando a trabalho, ou atarefado.Mas dali pra frente, ele não precisaria mais se esforçar inventando desculpas para ela. Sheila não o queria mais.Sheila ligou o carro e voltou para a casa onde moravam.Assim que entrou, pegou todos os presentes que Alberto lhe dera no início do namoro: fotos de casal, vídeos, o diário que escreviam juntos...Ela levou tudo para o jardim, colocou numa bacia de ferro e ateou fogo.O fogo mal começou, e logo atrás dela se ouviu o grito furioso de um homem."O que você está fazendo!"O braço de Sheila foi puxado para trás com força. Diante dela, Alberto, sem hesitar, enfiou a mão no fogo e recuperou as fotos que já queimavam pela metade.O resto, por causa das chamas, acabou queimando sua mão.Alberto puxou o ar entre os dentes e recolheu a mão, queimado.Já não conseguiu conter a raiva e gritou com Sheila: "O que você está querendo? Por sua culpa, Amélia está sendo injustamente acusada, e ainda assim ela me pede pra voltar e te acalmar, pra não brigar com você. E você aqui, queimando nossas fotos?""Sheila, quando foi que você ficou tão imatura?"Sheila levantou o olhar, frio e cortante, e sorriu com ironia: "Realmente, sou imatura. Alberto, estamos terminados."Assim que terminou a frase, Sheila se virou para entrar em casa.Ao ouvir a palavra "terminados", o coração de Alberto deu um salto, mas logo pensou em tudo que Sheila havia feito por ele, até romper com a família. Ela o amava tanto, não terminaria por algo tão pequeno.Ele achou que Sheila só queria provocá-lo com essa ameaça de término.Convencido disso, Alberto foi atrás dela, interceptando-a na escada. Franziu a testa e disse: "Chega, não faz drama. Esqueci do nosso aniversário de namoro, foi meu erro. Amanhã não é Dia dos Namorados? Vou compensar tudo com você."Sheila ia recusar, mas Alberto já decidia tudo sozinho.Na frente dela, reservou restaurante e cinema pelo celular, depois largou o aparelho e tentou abraçá-la.No instante em que ele ia se aproximar, Sheila se afastou."Você…""Alberto, já sentiu o cheiro que está em você?"Sheila olhou para ele com frieza. Só conseguia sentir aquele perfume adocicado e frutado, o cheiro exclusivo de Amélia.Alberto ficou paralisado.Baixou a cabeça, cheirou a própria roupa e seu rosto ficou pálido na hora.Tirou a gravata, pegou roupas limpas do armário e foi para o banheiro: "Vou tomar banho."Sheila não se importou com o gesto dele.Sabendo que Alberto passaria a noite em casa, ela não queria contato, nem dormir na mesma cama. Preparou suas coisas para ir ao quarto de hóspedes, quando o celular de Alberto, deixado ao lado, vibrou com uma nova mensagem.Sheila olhou para o banheiro, ouviu o chuveiro, e então desbloqueou o celular dele. Na tela, apareceu a conversa entre Alberto e Amélia.