Capítulo 1Tarde de outono.Alma Moraes sentou-se em frente ao computador, revisou o conteúdo dos documentos várias vezes e, depois de confirmar que estava tudo certo, enviou uma cópia para o advogado e outra para o oficial do tribunal.Em seguida, imprimiu duas vias.Só depois disso, ela pegou o celular e ligou para Oliver Hurst.O telefone foi atendido rapidamente.A voz de Oliver era tão fria e distante que Alma sentiu um calafrio percorrer seu corpo: "O que foi?""Hoje à noite, nós três poderíamos jantar juntos?" A voz de Alma soou leve e suave. Após uma breve pausa, ela completou: "Já reservei o restaurante."Hoje era o sexto aniversário de casamento dela com Oliver.E também o aniversário de Alma.E, provavelmente, seria o último jantar deles como uma família.Alma esperava que Oliver não recusasse."Me manda o endereço." O tom do homem era plano e gelado.Alma sorriu de maneira gentil: "Está bem, vou buscar nossa filha na escola e depois..."Do outro lado, a ligação já havia sido encerrada.O sorriso ficou congelado nos lábios de Alma, e aos poucos, transformou-se em uma expressão de alívio e decisão.Eram quatro horas da tarde. Alma guardou as duas vias impressas na bolsa, planejando entregá-las a Oliver após o jantar, e então saiu, pegando o carro para buscar a filha.Meia hora depois, chegou à porta da escola infantil onde a filha estudava.Quando estava prestes a sair do carro, viu Oliver e Rebeca Sequeira andando de mãos dadas com a filha, vindo em sua direção.O movimento de Alma para sair do carro parou de repente.Os três passaram bem ao lado do carro dela.Conversavam e riam como se fossem uma família feliz e completa.Alina Hurst olhou inocentemente para Rebeca: "Eu queria que a Tia Rebeca viesse me buscar todos os dias na escola, não quero mais que minha mãe venha. A Tia Rebeca é mais bonita e educada que minha mãe, até as professoras gostam mais dela. Tia, quando é que você vai ser minha mãe?""Por que você está perguntando isso?" Rebeca perguntou a Alina, curiosa."Porque eu e o papai não gostamos da mamãe. Quem a gente gosta de verdade é da Tia Rebeca. Tia, vem logo morar lá em casa, assim eu te vejo todo dia! Quero ser sua melhor amiga!" Alina olhou para Rebeca com uma expressão manhosa.Dentro do carro, Alma permaneceu em silêncio.Mesmo tendo se preparado psicologicamente para aceitar uma realidade tão cruel, ouvir da própria filha que ela a odiava, chamando outra mulher de mãe e dizendo que queria viver com ela, fez o coração de Alma ser rasgado como se por garras de uma fera selvagem.A dor era insuportável.Rebeca olhou para Alina com seriedade: "Alina, não fale assim da sua mãe. Se ela souber, vai dar uma palmada que dói muito, viu?"Alina respondeu com orgulho: "Minha mãe nunca teria coragem de me bater, ela diz que eu sou a vida dela!""Ah, Tia Rebeca, hoje é seu aniversário, eu sei que você quer aquele colar de safiras que minha mãe tirou de você. Vou ligar agora pra ela trazer pra você, ela pode não gostar muito, mas sempre faz tudo o que eu peço!"Enquanto falava, Alina pegou o relógio de telefone e discou o número de Alma.Dentro do carro, o celular tocou imediatamente.Os três, que estavam passando, viraram-se e olharam para o carro de Alma.Alma não teve escolha a não ser sair do carro, ficando frente a frente com o marido, a filha e Rebeca, em um momento de constrangimento."Mamãe, você estava nos seguindo escondida? Como você pode ser tão chata!" Alina a repreendeu com um tom de adulta.Com o rosto pálido, Alma forçou um sorriso e perguntou: "Alina, você lembra que dia é hoje?""É claro que me lembro, hoje é o aniversário da Tia Rebeca!"O que poderia ser considerado uma facada no coração?Aquela frase de Alina era como uma lâmina afiada, invisível, mas letal.Alina olhou para Alma: "Mamãe, pega logo aquele colar que você pegou da Tia Rebeca da última vez. Quero dar ele pra ela de presente de aniversário.""Alina, aquele colar sempre foi da mamãe." Alma tentou explicar com uma voz triste para a filha.Diante da menina, ela não se permitia levantar a voz ou criar uma cena.Alina ficou sem palavras.Ela ergueu o rostinho, buscando socorro com um olhar para Oliver."Eu esqueci que hoje é o aniversário da Rebeca. Nosso jantar de hoje, só nós três, vai ter que ser cancelado." Oliver disse a Alma, sem hesitar.Ou seja, ele sabia que hoje era o aniversário dela, e também o aniversário de casamento deles.E, mesmo assim, ignorava completamente os sentimentos dela.No olhar dele, ainda havia desconfiança.Desconfiava que Alma queria jantar em família só para contrariar Rebeca."Não tem problema." Alma sorriu de leve.Ela se lembrava de quando ficou com febre alta e precisou de soro no hospital, enquanto ele saía com Rebeca para embarcar numa viagem ao exterior; só perceberam que faltava um documento já no aeroporto. Ele ligou para ela, sabendo que estava recebendo soro, e mesmo assim, impaciente, pediu que ela tirasse a agulha e levasse o documento para ele.Ele levou toda a Família Hurst para passar o verão no exterior, menos ela.Quando ela descobriu e perguntou, ele respondeu apenas: "Esqueci."E não deu mais explicações.Situações como essa, em que ignorava completamente seus sentimentos e a tratava como se fosse invisível, eram incontáveis nesses seis anos de casamento.Por isso, ela já tinha se acostumado.O homem realmente não disse mais nada, apenas pegou Alina e Rebeca pelas mãos e foi embora.Ela ainda viu a filha ir embora, reclamando para Oliver e Rebeca: "Minha mãe é muito má, até um colar ela quer tirar da Tia Rebeca."O coração de Alma sangrava em silêncio.Quando teve Alina, sofreu uma hemorragia e quase perdeu a vida. Ela criou a filha sozinha, sem ajuda de ninguém, e Alina sempre fora muito apegada à mãe.Até o verão passado, quando Oliver levou toda a Família Hurst, menos ela, para passar dois meses na Austrália. Quando voltaram, a filha já tinha mudado.Passou a rejeitá-la, a ser impaciente.Chegou até a achar que ela era má.Alma voltou de carro para a mansão.Arrumou seus pertences na mala, levou tudo sozinha para o carro, sem que nenhuma empregada a ajudasse.Ninguém sequer perguntou: "Dona Alma, por que está arrumando as malas?"O quanto Oliver a ignorava dentro de casa era algo que toda a equipe da Família Hurst percebia.Por isso, os empregados também a tratavam como se não existisse.Depois de colocar toda a bagagem no carro, Alma saiu da mansão e estacionou do lado de fora do portão.Oliver e Alina só voltaram depois das oito da noite.Quando o carro deles parou em frente ao portão, esperando abrir, Alma desceu do próprio carro, levando dois documentos até Oliver."O que está fazendo aí fora? Já preparou o banho da Alina? E a roupa que preciso usar amanhã, já está passada?" Oliver franziu as sobrancelhas, olhando para ela com frieza.Alina também reclamou: "Mamãe, você parece um fantasma, está assustando todo mundo! Pode agir normalmente, por favor?"Alma não respondeu às acusações dos dois.Apenas estendeu dois documentos pela janela do carro para Oliver, dizendo com calma: "Dá uma olhada. Se não tiver objeções, por favor, assine o quanto antes."Oliver pegou os papéis e, ao olhar, leu as palavras: Acordo de Divórcio.Ao ver as palavras "acordo de divórcio", Oliver não ficou surpreso.Alina, com seus cinco anos, ainda não sabia ler. Ela perguntou ao pai:"Papai, o que é isso?"Oliver respondeu de forma casual:"É uma carta de desculpas da sua mãe."Carta de desculpas?Era tão natural para ele menosprezá-la assim?"Mamãe, você tem que pedir desculpas direitinho para o papai, para mim e para a Tia Rebeca, senão eu e o papai não vamos deixar você entrar em casa!" Alina piscou seus grandes olhos inocentes, dizendo isso com toda seriedade infantil.Ao ouvir essas palavras, Alma já não sentiu mais dor.Seu coração estava tão cansado que mal conseguia encontrar palavras.Com um tom frio e exausto, ela respondeu de forma breve:"Por favor, assinem logo."Em seguida, virou-se, entrou em seu carro, ligou o motor e foi embora.Alina, com sua voz infantil e surpresa, gritou:"Eu nem mandei ela embora ainda, por que minha mãe foi embora?""Ela foi viajar a trabalho," disse Oliver calmamente para a filha."E quem vai me dar banho, secar meu cabelo e contar histórias pra mim? Ela não sabe que tem uma filha de cinco anos que precisa de cuidados? Ela nem trabalha, que viagem a trabalho é essa? Hmpf!" A menininha cruzou os braços, aborrecida.Ela até queria mandar a mãe embora, mas só se a Tia Rebeca viesse morar com elas.Do contrário, quem cuidaria dela?Oliver a pegou no colo e a levou para a sala de estar.A empregada, Sra. Monteiro, informou a Oliver:"Senhor, a senhora saiu carregando uma mala...""Eu sei." Oliver subiu direto para o andar de cima.No escritório do segundo andar, ele nem ao menos olhou o conteúdo do acordo, jogando-o diretamente na fragmentadora de papel.Em segundos, os dois documentos viraram tiras.Depois, pegou o celular, encontrou o número de Alma e colocou as mensagens dela em modo "não perturbe".Ele não tinha a menor intenção de consolar Alma, não queria perder tempo discutindo com ela, ainda mais sabendo que ela estava sendo dramática.Por isso, só podia colocar o número dela em modo "não perturbe", para evitar que ela ligasse de madrugada querendo reatar.Depois disso, Oliver chamou a Sra. Monteiro para dar banho em Alina.Logo que entraram no banheiro, ouviram um grito de Alina:"Está muito quente!"Oliver, preocupado, perguntou do lado de fora do banheiro infantil:"O que houve?""Desculpe, senhor, a água... está um pouco quente. Vou ajustar a temperatura agora mesmo," respondeu Sra. Monteiro, nervosa.Depois do banho, já deitada na cama, Alina pediu que Oliver lhe contasse uma história."Onde está o livro de histórias?" perguntou Oliver."Minha mãe conta histórias pra mim sem precisar de livro!"Oliver: "..."Ele pegou um livro de contos de fadas e leu para Alina, mas sua voz soava seca e rouca."Papai, sua voz parece de um pato velho grasnando!"Oliver: "...""Minha mãe é muito chata! Quando ela vai voltar afinal?""Daqui a três dias.""Sério?""Claro!"Talvez, pensou, amanhã de manhã Alma voltaria por vontade própria.Oliver conhecia bem Alma.Desde os dezesseis anos, Alma o perseguia incansavelmente, grudando nele feito brigadeiro em festa de criança, impossível de se livrar.No fim, ela usou os meios mais baixos para se casar com ele.Uma mulher assim, como poderia realmente se divorciar dele?Esse tal acordo de divórcio não passava de uma jogada dela para tentar manipulá-lo.Por isso, nem leu o conteúdo do acordo, apenas destruiu, sem dar a Alma nenhuma chance."As histórias que a mamãe conta são muito melhores..." resmungou Alina, adormecendo aos poucos.Oliver voltou para seu quarto.No dia seguinteComo de costume, levantou-se, lavou-se e chamou Alina para tomar café da manhã.Na sala de jantar, tomou uma colherada de mingau e logo percebeu que o gosto estava estranho.Alina cuspiu o mingau que tinha acabado de pôr na boca:"Que ruim!"Oliver franziu a testa, olhando para Sra. Monteiro:"O que aconteceu?"Sra. Monteiro respondeu, hesitante:"Desculpe, senhor, esse mingau era preparado especialmente pela Alma para o senhor e para a menina, só ela sabia o ponto e os ingredientes certos, é a primeira vez que faço..."Sra. Monteiro nunca chamava Alma de "senhora", sempre dizia apenas "Alma".Com frieza, ele disse:"Receba seu salário e vá embora!"Sem mais palavras, pegou Alina pela mão, saiu para tomar café fora, levou-a ao jardim de infância e só então foi para o escritório.Ao chegar ao escritório, finalmente ligou o celular.Capítulo 2Tarde de outono.Alma Moraes sentou-se em frente ao computador, revisou o conteúdo dos documentos várias vezes e, depois de confirmar que estava tudo certo, enviou uma cópia para o advogado e outra para o oficial do tribunal.Em seguida, imprimiu duas vias.Só depois disso, ela pegou o celular e ligou para Oliver Hurst.O telefone foi atendido rapidamente.A voz de Oliver era tão fria e distante que Alma sentiu um calafrio percorrer seu corpo: "O que foi?""Hoje à noite, nós três poderíamos jantar juntos?" A voz de Alma soou leve e suave. Após uma breve pausa, ela completou: "Já reservei o restaurante."Hoje era o sexto aniversário de casamento dela com Oliver.E também o aniversário de Alma.E, provavelmente, seria o último jantar deles como uma família.Alma esperava que Oliver não recusasse."Me manda o endereço." O tom do homem era plano e gelado.Alma sorriu de maneira gentil: "Está bem, vou buscar nossa filha na escola e depois..."Do outro lado, a ligação já havia sido encerrada.O sorriso ficou congelado nos lábios de Alma, e aos poucos, transformou-se em uma expressão de alívio e decisão.Eram quatro horas da tarde. Alma guardou as duas vias impressas na bolsa, planejando entregá-las a Oliver após o jantar, e então saiu, pegando o carro para buscar a filha.Meia hora depois, chegou à porta da escola infantil onde a filha estudava.Quando estava prestes a sair do carro, viu Oliver e Rebeca Sequeira andando de mãos dadas com a filha, vindo em sua direção.O movimento de Alma para sair do carro parou de repente.Os três passaram bem ao lado do carro dela.Conversavam e riam como se fossem uma família feliz e completa.Alina Hurst olhou inocentemente para Rebeca: "Eu queria que a Tia Rebeca viesse me buscar todos os dias na escola, não quero mais que minha mãe venha. A Tia Rebeca é mais bonita e educada que minha mãe, até as professoras gostam mais dela. Tia, quando é que você vai ser minha mãe?""Por que você está perguntando isso?" Rebeca perguntou a Alina, curiosa."Porque eu e o papai não gostamos da mamãe. Quem a gente gosta de verdade é da Tia Rebeca. Tia, vem logo morar lá em casa, assim eu te vejo todo dia! Quero ser sua melhor amiga!" Alina olhou para Rebeca com uma expressão manhosa.Dentro do carro, Alma permaneceu em silêncio.Mesmo tendo se preparado psicologicamente para aceitar uma realidade tão cruel, ouvir da própria filha que ela a odiava, chamando outra mulher de mãe e dizendo que queria viver com ela, fez o coração de Alma ser rasgado como se por garras de uma fera selvagem.A dor era insuportável.Rebeca olhou para Alina com seriedade: "Alina, não fale assim da sua mãe. Se ela souber, vai dar uma palmada que dói muito, viu?"Alina respondeu com orgulho: "Minha mãe nunca teria coragem de me bater, ela diz que eu sou a vida dela!""Ah, Tia Rebeca, hoje é seu aniversário, eu sei que você quer aquele colar de safiras que minha mãe tirou de você. Vou ligar agora pra ela trazer pra você, ela pode não gostar muito, mas sempre faz tudo o que eu peço!"Enquanto falava, Alina pegou o relógio de telefone e discou o número de Alma.Dentro do carro, o celular tocou imediatamente.Os três, que estavam passando, viraram-se e olharam para o carro de Alma.Alma não teve escolha a não ser sair do carro, ficando frente a frente com o marido, a filha e Rebeca, em um momento de constrangimento."Mamãe, você estava nos seguindo escondida? Como você pode ser tão chata!" Alina a repreendeu com um tom de adulta.Com o rosto pálido, Alma forçou um sorriso e perguntou: "Alina, você lembra que dia é hoje?""É claro que me lembro, hoje é o aniversário da Tia Rebeca!"O que poderia ser considerado uma facada no coração?Aquela frase de Alina era como uma lâmina afiada, invisível, mas letal.Alina olhou para Alma: "Mamãe, pega logo aquele colar que você pegou da Tia Rebeca da última vez. Quero dar ele pra ela de presente de aniversário.""Alina, aquele colar sempre foi da mamãe." Alma tentou explicar com uma voz triste para a filha.Diante da menina, ela não se permitia levantar a voz ou criar uma cena.Alina ficou sem palavras.Ela ergueu o rostinho, buscando socorro com um olhar para Oliver."Eu esqueci que hoje é o aniversário da Rebeca. Nosso jantar de hoje, só nós três, vai ter que ser cancelado." Oliver disse a Alma, sem hesitar.Ou seja, ele sabia que hoje era o aniversário dela, e também o aniversário de casamento deles.E, mesmo assim, ignorava completamente os sentimentos dela.No olhar dele, ainda havia desconfiança.Desconfiava que Alma queria jantar em família só para contrariar Rebeca."Não tem problema." Alma sorriu de leve.Ela se lembrava de quando ficou com febre alta e precisou de soro no hospital, enquanto ele saía com Rebeca para embarcar numa viagem ao exterior; só perceberam que faltava um documento já no aeroporto. Ele ligou para ela, sabendo que estava recebendo soro, e mesmo assim, impaciente, pediu que ela tirasse a agulha e levasse o documento para ele.Ele levou toda a Família Hurst para passar o verão no exterior, menos ela.Quando ela descobriu e perguntou, ele respondeu apenas: "Esqueci."E não deu mais explicações.Situações como essa, em que ignorava completamente seus sentimentos e a tratava como se fosse invisível, eram incontáveis nesses seis anos de casamento.Por isso, ela já tinha se acostumado.O homem realmente não disse mais nada, apenas pegou Alina e Rebeca pelas mãos e foi embora.Ela ainda viu a filha ir embora, reclamando para Oliver e Rebeca: "Minha mãe é muito má, até um colar ela quer tirar da Tia Rebeca."O coração de Alma sangrava em silêncio.Quando teve Alina, sofreu uma hemorragia e quase perdeu a vida. Ela criou a filha sozinha, sem ajuda de ninguém, e Alina sempre fora muito apegada à mãe.Até o verão passado, quando Oliver levou toda a Família Hurst, menos ela, para passar dois meses na Austrália. Quando voltaram, a filha já tinha mudado.Passou a rejeitá-la, a ser impaciente.Chegou até a achar que ela era má.Alma voltou de carro para a mansão.Arrumou seus pertences na mala, levou tudo sozinha para o carro, sem que nenhuma empregada a ajudasse.Ninguém sequer perguntou: "Dona Alma, por que está arrumando as malas?"O quanto Oliver a ignorava dentro de casa era algo que toda a equipe da Família Hurst percebia.Por isso, os empregados também a tratavam como se não existisse.Depois de colocar toda a bagagem no carro, Alma saiu da mansão e estacionou do lado de fora do portão.Oliver e Alina só voltaram depois das oito da noite.Quando o carro deles parou em frente ao portão, esperando abrir, Alma desceu do próprio carro, levando dois documentos até Oliver."O que está fazendo aí fora? Já preparou o banho da Alina? E a roupa que preciso usar amanhã, já está passada?" Oliver franziu as sobrancelhas, olhando para ela com frieza.Alina também reclamou: "Mamãe, você parece um fantasma, está assustando todo mundo! Pode agir normalmente, por favor?"Alma não respondeu às acusações dos dois.Apenas estendeu dois documentos pela janela do carro para Oliver, dizendo com calma: "Dá uma olhada. Se não tiver objeções, por favor, assine o quanto antes."Oliver pegou os papéis e, ao olhar, leu as palavras: Acordo de Divórcio.Ao ver as palavras "acordo de divórcio", Oliver não ficou surpreso.Alina, com seus cinco anos, ainda não sabia ler. Ela perguntou ao pai:"Papai, o que é isso?"Oliver respondeu de forma casual:"É uma carta de desculpas da sua mãe."Carta de desculpas?Era tão natural para ele menosprezá-la assim?"Mamãe, você tem que pedir desculpas direitinho para o papai, para mim e para a Tia Rebeca, senão eu e o papai não vamos deixar você entrar em casa!" Alina piscou seus grandes olhos inocentes, dizendo isso com toda seriedade infantil.Ao ouvir essas palavras, Alma já não sentiu mais dor.Seu coração estava tão cansado que mal conseguia encontrar palavras.Com um tom frio e exausto, ela respondeu de forma breve:"Por favor, assinem logo."Em seguida, virou-se, entrou em seu carro, ligou o motor e foi embora.Alina, com sua voz infantil e surpresa, gritou:"Eu nem mandei ela embora ainda, por que minha mãe foi embora?""Ela foi viajar a trabalho," disse Oliver calmamente para a filha."E quem vai me dar banho, secar meu cabelo e contar histórias pra mim? Ela não sabe que tem uma filha de cinco anos que precisa de cuidados? Ela nem trabalha, que viagem a trabalho é essa? Hmpf!" A menininha cruzou os braços, aborrecida.Ela até queria mandar a mãe embora, mas só se a Tia Rebeca viesse morar com elas.Do contrário, quem cuidaria dela?Oliver a pegou no colo e a levou para a sala de estar.A empregada, Sra. Monteiro, informou a Oliver:"Senhor, a senhora saiu carregando uma mala...""Eu sei." Oliver subiu direto para o andar de cima.No escritório do segundo andar, ele nem ao menos olhou o conteúdo do acordo, jogando-o diretamente na fragmentadora de papel.Em segundos, os dois documentos viraram tiras.Depois, pegou o celular, encontrou o número de Alma e colocou as mensagens dela em modo "não perturbe".Ele não tinha a menor intenção de consolar Alma, não queria perder tempo discutindo com ela, ainda mais sabendo que ela estava sendo dramática.Por isso, só podia colocar o número dela em modo "não perturbe", para evitar que ela ligasse de madrugada querendo reatar.Depois disso, Oliver chamou a Sra. Monteiro para dar banho em Alina.Logo que entraram no banheiro, ouviram um grito de Alina:"Está muito quente!"Oliver, preocupado, perguntou do lado de fora do banheiro infantil:"O que houve?""Desculpe, senhor, a água... está um pouco quente. Vou ajustar a temperatura agora mesmo," respondeu Sra. Monteiro, nervosa.Depois do banho, já deitada na cama, Alina pediu que Oliver lhe contasse uma história."Onde está o livro de histórias?" perguntou Oliver."Minha mãe conta histórias pra mim sem precisar de livro!"Oliver: "..."Ele pegou um livro de contos de fadas e leu para Alina, mas sua voz soava seca e rouca."Papai, sua voz parece de um pato velho grasnando!"Oliver: "...""Minha mãe é muito chata! Quando ela vai voltar afinal?""Daqui a três dias.""Sério?""Claro!"Talvez, pensou, amanhã de manhã Alma voltaria por vontade própria.Oliver conhecia bem Alma.Desde os dezesseis anos, Alma o perseguia incansavelmente, grudando nele feito brigadeiro em festa de criança, impossível de se livrar.No fim, ela usou os meios mais baixos para se casar com ele.Uma mulher assim, como poderia realmente se divorciar dele?Esse tal acordo de divórcio não passava de uma jogada dela para tentar manipulá-lo.Por isso, nem leu o conteúdo do acordo, apenas destruiu, sem dar a Alma nenhuma chance."As histórias que a mamãe conta são muito melhores..." resmungou Alina, adormecendo aos poucos.Oliver voltou para seu quarto.No dia seguinteComo de costume, levantou-se, lavou-se e chamou Alina para tomar café da manhã.Na sala de jantar, tomou uma colherada de mingau e logo percebeu que o gosto estava estranho.Alina cuspiu o mingau que tinha acabado de pôr na boca:"Que ruim!"Oliver franziu a testa, olhando para Sra. Monteiro:"O que aconteceu?"Sra. Monteiro respondeu, hesitante:"Desculpe, senhor, esse mingau era preparado especialmente pela Alma para o senhor e para a menina, só ela sabia o ponto e os ingredientes certos, é a primeira vez que faço..."Sra. Monteiro nunca chamava Alma de "senhora", sempre dizia apenas "Alma".Com frieza, ele disse:"Receba seu salário e vá embora!"Sem mais palavras, pegou Alina pela mão, saiu para tomar café fora, levou-a ao jardim de infância e só então foi para o escritório.Ao chegar ao escritório, finalmente ligou o celular.Capítulo 3Tarde de outono.Alma Moraes sentou-se em frente ao computador, revisou o conteúdo dos documentos várias vezes e, depois de confirmar que estava tudo certo, enviou uma cópia para o advogado e outra para o oficial do tribunal.Em seguida, imprimiu duas vias.Só depois disso, ela pegou o celular e ligou para Oliver Hurst.O telefone foi atendido rapidamente.A voz de Oliver era tão fria e distante que Alma sentiu um calafrio percorrer seu corpo: "O que foi?""Hoje à noite, nós três poderíamos jantar juntos?" A voz de Alma soou leve e suave. Após uma breve pausa, ela completou: "Já reservei o restaurante."Hoje era o sexto aniversário de casamento dela com Oliver.E também o aniversário de Alma.E, provavelmente, seria o último jantar deles como uma família.Alma esperava que Oliver não recusasse."Me manda o endereço." O tom do homem era plano e gelado.Alma sorriu de maneira gentil: "Está bem, vou buscar nossa filha na escola e depois..."Do outro lado, a ligação já havia sido encerrada.O sorriso ficou congelado nos lábios de Alma, e aos poucos, transformou-se em uma expressão de alívio e decisão.Eram quatro horas da tarde. Alma guardou as duas vias impressas na bolsa, planejando entregá-las a Oliver após o jantar, e então saiu, pegando o carro para buscar a filha.Meia hora depois, chegou à porta da escola infantil onde a filha estudava.Quando estava prestes a sair do carro, viu Oliver e Rebeca Sequeira andando de mãos dadas com a filha, vindo em sua direção.O movimento de Alma para sair do carro parou de repente.Os três passaram bem ao lado do carro dela.Conversavam e riam como se fossem uma família feliz e completa.Alina Hurst olhou inocentemente para Rebeca: "Eu queria que a Tia Rebeca viesse me buscar todos os dias na escola, não quero mais que minha mãe venha. A Tia Rebeca é mais bonita e educada que minha mãe, até as professoras gostam mais dela. Tia, quando é que você vai ser minha mãe?""Por que você está perguntando isso?" Rebeca perguntou a Alina, curiosa."Porque eu e o papai não gostamos da mamãe. Quem a gente gosta de verdade é da Tia Rebeca. Tia, vem logo morar lá em casa, assim eu te vejo todo dia! Quero ser sua melhor amiga!" Alina olhou para Rebeca com uma expressão manhosa.Dentro do carro, Alma permaneceu em silêncio.Mesmo tendo se preparado psicologicamente para aceitar uma realidade tão cruel, ouvir da própria filha que ela a odiava, chamando outra mulher de mãe e dizendo que queria viver com ela, fez o coração de Alma ser rasgado como se por garras de uma fera selvagem.A dor era insuportável.Rebeca olhou para Alina com seriedade: "Alina, não fale assim da sua mãe. Se ela souber, vai dar uma palmada que dói muito, viu?"Alina respondeu com orgulho: "Minha mãe nunca teria coragem de me bater, ela diz que eu sou a vida dela!""Ah, Tia Rebeca, hoje é seu aniversário, eu sei que você quer aquele colar de safiras que minha mãe tirou de você. Vou ligar agora pra ela trazer pra você, ela pode não gostar muito, mas sempre faz tudo o que eu peço!"Enquanto falava, Alina pegou o relógio de telefone e discou o número de Alma.Dentro do carro, o celular tocou imediatamente.Os três, que estavam passando, viraram-se e olharam para o carro de Alma.Alma não teve escolha a não ser sair do carro, ficando frente a frente com o marido, a filha e Rebeca, em um momento de constrangimento."Mamãe, você estava nos seguindo escondida? Como você pode ser tão chata!" Alina a repreendeu com um tom de adulta.Com o rosto pálido, Alma forçou um sorriso e perguntou: "Alina, você lembra que dia é hoje?""É claro que me lembro, hoje é o aniversário da Tia Rebeca!"O que poderia ser considerado uma facada no coração?Aquela frase de Alina era como uma lâmina afiada, invisível, mas letal.Alina olhou para Alma: "Mamãe, pega logo aquele colar que você pegou da Tia Rebeca da última vez. Quero dar ele pra ela de presente de aniversário.""Alina, aquele colar sempre foi da mamãe." Alma tentou explicar com uma voz triste para a filha.Diante da menina, ela não se permitia levantar a voz ou criar uma cena.Alina ficou sem palavras.Ela ergueu o rostinho, buscando socorro com um olhar para Oliver."Eu esqueci que hoje é o aniversário da Rebeca. Nosso jantar de hoje, só nós três, vai ter que ser cancelado." Oliver disse a Alma, sem hesitar.Ou seja, ele sabia que hoje era o aniversário dela, e também o aniversário de casamento deles.E, mesmo assim, ignorava completamente os sentimentos dela.No olhar dele, ainda havia desconfiança.Desconfiava que Alma queria jantar em família só para contrariar Rebeca."Não tem problema." Alma sorriu de leve.Ela se lembrava de quando ficou com febre alta e precisou de soro no hospital, enquanto ele saía com Rebeca para embarcar numa viagem ao exterior; só perceberam que faltava um documento já no aeroporto. Ele ligou para ela, sabendo que estava recebendo soro, e mesmo assim, impaciente, pediu que ela tirasse a agulha e levasse o documento para ele.Ele levou toda a Família Hurst para passar o verão no exterior, menos ela.Quando ela descobriu e perguntou, ele respondeu apenas: "Esqueci."E não deu mais explicações.Situações como essa, em que ignorava completamente seus sentimentos e a tratava como se fosse invisível, eram incontáveis nesses seis anos de casamento.Por isso, ela já tinha se acostumado.O homem realmente não disse mais nada, apenas pegou Alina e Rebeca pelas mãos e foi embora.Ela ainda viu a filha ir embora, reclamando para Oliver e Rebeca: "Minha mãe é muito má, até um colar ela quer tirar da Tia Rebeca."O coração de Alma sangrava em silêncio.Quando teve Alina, sofreu uma hemorragia e quase perdeu a vida. Ela criou a filha sozinha, sem ajuda de ninguém, e Alina sempre fora muito apegada à mãe.Até o verão passado, quando Oliver levou toda a Família Hurst, menos ela, para passar dois meses na Austrália. Quando voltaram, a filha já tinha mudado.Passou a rejeitá-la, a ser impaciente.Chegou até a achar que ela era má.Alma voltou de carro para a mansão.Arrumou seus pertences na mala, levou tudo sozinha para o carro, sem que nenhuma empregada a ajudasse.Ninguém sequer perguntou: "Dona Alma, por que está arrumando as malas?"O quanto Oliver a ignorava dentro de casa era algo que toda a equipe da Família Hurst percebia.Por isso, os empregados também a tratavam como se não existisse.Depois de colocar toda a bagagem no carro, Alma saiu da mansão e estacionou do lado de fora do portão.Oliver e Alina só voltaram depois das oito da noite.Quando o carro deles parou em frente ao portão, esperando abrir, Alma desceu do próprio carro, levando dois documentos até Oliver."O que está fazendo aí fora? Já preparou o banho da Alina? E a roupa que preciso usar amanhã, já está passada?" Oliver franziu as sobrancelhas, olhando para ela com frieza.Alina também reclamou: "Mamãe, você parece um fantasma, está assustando todo mundo! Pode agir normalmente, por favor?"Alma não respondeu às acusações dos dois.Apenas estendeu dois documentos pela janela do carro para Oliver, dizendo com calma: "Dá uma olhada. Se não tiver objeções, por favor, assine o quanto antes."Oliver pegou os papéis e, ao olhar, leu as palavras: Acordo de Divórcio.Ao ver as palavras "acordo de divórcio", Oliver não ficou surpreso.Alina, com seus cinco anos, ainda não sabia ler. Ela perguntou ao pai:"Papai, o que é isso?"Oliver respondeu de forma casual:"É uma carta de desculpas da sua mãe."Carta de desculpas?Era tão natural para ele menosprezá-la assim?"Mamãe, você tem que pedir desculpas direitinho para o papai, para mim e para a Tia Rebeca, senão eu e o papai não vamos deixar você entrar em casa!" Alina piscou seus grandes olhos inocentes, dizendo isso com toda seriedade infantil.Ao ouvir essas palavras, Alma já não sentiu mais dor.Seu coração estava tão cansado que mal conseguia encontrar palavras.Com um tom frio e exausto, ela respondeu de forma breve:"Por favor, assinem logo."Em seguida, virou-se, entrou em seu carro, ligou o motor e foi embora.Alina, com sua voz infantil e surpresa, gritou:"Eu nem mandei ela embora ainda, por que minha mãe foi embora?""Ela foi viajar a trabalho," disse Oliver calmamente para a filha."E quem vai me dar banho, secar meu cabelo e contar histórias pra mim? Ela não sabe que tem uma filha de cinco anos que precisa de cuidados? Ela nem trabalha, que viagem a trabalho é essa? Hmpf!" A menininha cruzou os braços, aborrecida.Ela até queria mandar a mãe embora, mas só se a Tia Rebeca viesse morar com elas.Do contrário, quem cuidaria dela?Oliver a pegou no colo e a levou para a sala de estar.A empregada, Sra. Monteiro, informou a Oliver:"Senhor, a senhora saiu carregando uma mala...""Eu sei." Oliver subiu direto para o andar de cima.No escritório do segundo andar, ele nem ao menos olhou o conteúdo do acordo, jogando-o diretamente na fragmentadora de papel.Em segundos, os dois documentos viraram tiras.Depois, pegou o celular, encontrou o número de Alma e colocou as mensagens dela em modo "não perturbe".Ele não tinha a menor intenção de consolar Alma, não queria perder tempo discutindo com ela, ainda mais sabendo que ela estava sendo dramática.Por isso, só podia colocar o número dela em modo "não perturbe", para evitar que ela ligasse de madrugada querendo reatar.Depois disso, Oliver chamou a Sra. Monteiro para dar banho em Alina.Logo que entraram no banheiro, ouviram um grito de Alina:"Está muito quente!"Oliver, preocupado, perguntou do lado de fora do banheiro infantil:"O que houve?""Desculpe, senhor, a água... está um pouco quente. Vou ajustar a temperatura agora mesmo," respondeu Sra. Monteiro, nervosa.Depois do banho, já deitada na cama, Alina pediu que Oliver lhe contasse uma história."Onde está o livro de histórias?" perguntou Oliver."Minha mãe conta histórias pra mim sem precisar de livro!"Oliver: "..."Ele pegou um livro de contos de fadas e leu para Alina, mas sua voz soava seca e rouca."Papai, sua voz parece de um pato velho grasnando!"Oliver: "...""Minha mãe é muito chata! Quando ela vai voltar afinal?""Daqui a três dias.""Sério?""Claro!"Talvez, pensou, amanhã de manhã Alma voltaria por vontade própria.Oliver conhecia bem Alma.Desde os dezesseis anos, Alma o perseguia incansavelmente, grudando nele feito brigadeiro em festa de criança, impossível de se livrar.No fim, ela usou os meios mais baixos para se casar com ele.Uma mulher assim, como poderia realmente se divorciar dele?Esse tal acordo de divórcio não passava de uma jogada dela para tentar manipulá-lo.Por isso, nem leu o conteúdo do acordo, apenas destruiu, sem dar a Alma nenhuma chance."As histórias que a mamãe conta são muito melhores..." resmungou Alina, adormecendo aos poucos.Oliver voltou para seu quarto.No dia seguinteComo de costume, levantou-se, lavou-se e chamou Alina para tomar café da manhã.Na sala de jantar, tomou uma colherada de mingau e logo percebeu que o gosto estava estranho.Alina cuspiu o mingau que tinha acabado de pôr na boca:"Que ruim!"Oliver franziu a testa, olhando para Sra. Monteiro:"O que aconteceu?"Sra. Monteiro respondeu, hesitante:"Desculpe, senhor, esse mingau era preparado especialmente pela Alma para o senhor e para a menina, só ela sabia o ponto e os ingredientes certos, é a primeira vez que faço..."Sra. Monteiro nunca chamava Alma de "senhora", sempre dizia apenas "Alma".Com frieza, ele disse:"Receba seu salário e vá embora!"Sem mais palavras, pegou Alina pela mão, saiu para tomar café fora, levou-a ao jardim de infância e só então foi para o escritório.Ao chegar ao escritório, finalmente ligou o celular.