Após perder tudo — sua liberdade, sua carreira como cirurgiã e dançarina, e a família que amava — Bruna é forçada a recomeçar do zero. A traição de seu marido, Plínio, e de seu filho, Heitor, a deixou sem nada, exceto cicatrizes e um coração partido. No entanto, em seu momento mais sombrio, ela encontra Uriel, um homem misterioso e poderoso que se torna seu protetor. Enquanto luta para se reerguer, Bruna não apenas descobre uma nova força interior e um novo caminho como designer, mas também a verdade sobre sua própria linhagem: ela é a herdeira perdida de uma das famílias mais influentes do país. Agora, com poder e aliados, ela está pronta para reconquistar tudo o que lhe foi roubado.

Capítulo 1No dia em que saiu da prisão, Bruna Ramos foi carregada em uma maca.Ela estava tão magra que mal parecia humana.Sua mão direita pendia, inerte.Suas pernas sangravam.Três meses antes, alguém havia apresentado um falso testemunho, fazendo-a ir para a cadeia no lugar da verdadeira herdeira da família Ramos.Na prisão, os tendões da sua mão, aquela que empunhava o bisturi, foram cortados.Suas pernas, capazes de vencer competições internacionais de dança, foram aleijadas.No auge do desespero, foi seu marido, Plínio Lemos, que usou todas as suas conexões para tirá-la de lá.Do lado de fora.Ao ver a maca, Plínio, que viera buscá-la, hesitou por um instante.Então, desceu do carro tropeçando e a abraçou.— Bruna, a culpa é minha. Eu cheguei tarde.Ele a seguiu para dentro da ambulância, sua voz tremendo.O homem, normalmente frio e nobre, derramou uma lágrima.Bruna só o vira chorar duas vezes: uma no dia do casamento e outra no nascimento de Heitor Lemos.Aquela lágrima caiu no rosto de Bruna, e suas emoções finalmente explodiram.Ela não chorou quando foi espancada, nem quando cortaram seus tendões, mas agora não conseguia mais segurar as lágrimas.Bruna se jogou em seus braços, inalando o cheiro que a acalmava.Felizmente, ela tinha um marido, um filho e uma família que a amava.Plínio, com os olhos vermelhos, a abraçou e jurou, com o olhar furioso:— Bruna, eu vou encontrar o verdadeiro culpado que te incriminou e provar a sua inocência!Aninhada em seus braços, Bruna sentia a vibração do peito dele.Seu coração, ferido e despedaçado, finalmente encontrou um pouco de alívio.Ela tinha um marido e um filho que a amavam tanto.Mesmo que a família Ramos, que a criou, só tivesse olhos para Célia Ramos, mesmo que seu ex-noivo a tivesse abandonado, ela não se importava mais.— A culpa é toda minha. Se eu não tivesse pedido para você sair de carro naquele dia, você não teria dado a eles um pretexto para acusá-la de atropelamento e fuga.A voz de Plínio estava rouca, e ele baixou o olhar frio, como se não suportasse olhá-la.Bruna balançou a cabeça.Como poderia ser culpa dele?Plínio era conhecido no círculo social como um marido exemplar.Depois do casamento, ele não a deixava fazer nada, mimando-a como uma princesa.Preocupado com o cansaço dela no trabalho, ele insistiu várias vezes para que ela pedisse demissão, dizendo que a sustentaria.O herdeiro da grandiosa família Lemos a amava com uma devoção inabalável, e todos invejavam sua sorte.Mas, agora, em seu estado atual, ela ainda era digna dele?A voz de Bruna saiu embargada pelo choro.— Tenho medo de nunca mais conseguir segurar um bisturi, de nunca mais poder dançar...Os olhos de Plínio ficaram vermelhos novamente.— Bruna, querida, se não puder segurar um bisturi, eu te sustentarei para o resto da vida. — Ele a consolou, com a voz trêmula. — Se não puder dançar, então não dance. Eu fico com ciúmes quando eles olham para você...Bruna forçou um sorriso amargo nos lábios.Ele amava as pernas dela mais do que tudo, mas agora, aquelas pernas estavam cobertas de feridas.Mesmo que sarassem, as cicatrizes permaneceriam.Com o tempo, ele certamente se cansaria de olhá-las.No hospital, Bruna viu seu filho.Heitor se atirou ao lado da cama dela, chorando desconsoladamente.— Mamãe, me desculpe! Eu não sabia que o que eu disse se tornaria um depoimento! A culpa é minha por ter me lembrado errado. Eu te dou as minhas pernas!Bruna se lembrou de três meses atrás, quando foi falsamente acusada de atropelamento e fuga.Heitor, como testemunha, também havia dito que ela saíra de casa naquele dia.Heitor sempre fora um menino obediente e sensato, precoce e um tanto reservado.Naquele momento, porém, ele chorava e soluçava, uma visão de pura miséria.Por mais precoce que fosse, ele era apenas uma criança, e era natural que se confundisse.O coração de Bruna se encheu de ternura, e ela afagou a cabeça dele.— Mamãe não te culpa.— Mamãe, de agora em diante, eu serei as suas pernas. — Disse Heitor, soluçando. — Eu correrei por você e verei o mundo em seu lugar.Bruna sentiu uma pontada de tristeza, mas se considerou sortuda.Seu filho e seu marido não a abandonaram por causa do que aconteceu; pelo contrário, a tratavam ainda melhor.Sua família de origem não era feliz, mas, felizmente, ela havia escolhido um lar caloroso para si....Após a cirurgia, Bruna sentia que seus membros ainda estavam dormentes.Sua garganta estava seca.Ela moveu os lábios, mas então ouviu a voz de Heitor do lado de fora da porta.— Papai, a mamãe parece tão digna de pena agora. Ela ainda pode andar, mas nunca mais vai poder dançar. O médico disse que ela também nunca mais vai conseguir segurar um bisturi.Os olhos de Bruna se encheram de lágrimas, e uma tristeza profunda tomou conta de seu coração.Ela já esperava por esse resultado, mas ouvi-lo da boca de outra pessoa a encheu de emoções conflitantes.— Papai, não foi cruel demais armarmos para a mamãe com um falso testemunho, só para proteger a tia Célia? — Heitor perguntou.Proteger?Armar?Bruna ficou paralisada de repente.Ela achou que tinha ouvido errado.Abriu os olhos em descrença e ouviu a voz fria de Plínio do lado de fora.— Sua tia Célia é a primeira bailarina. O histórico dela não pode ter uma única mancha.— Quanto à sua mãe, ela usurpou o lugar de Célia como a herdeira da família Ramos por tantos anos, fazendo Célia viver como órfã. Isso é o que ela lhe devia. Além do mais, ela já é a Sra. Lemos. Do que mais ela poderia reclamar?Então, os arquitetos de sua prisão... eram seu marido e seu filho?Deitada na cama, Bruna mordeu o lábio com força para não fazer nenhum som.Ter sido trocada no hospital quando bebê não foi escolha sua.Como poderiam dizer que ela havia usurpado a identidade de herdeira da família Ramos por tantos anos?Será que todos os juramentos de amor de Plínio eram falsos?Heitor suspirou, concordando.— A mamãe está sempre implicando com a tia Célia, ela precisava de uma lição! Depois a gente compensa.Depois?Ela ainda teria um "depois"?As vozes do pai e do filho chegaram claramente aos ouvidos de Bruna.Uma dor aguda se espalhou por seu peito, e uma lágrima escorreu por seu rosto.A dor em suas pernas e mãos não se comparava à dor em seu coração.Acontece que os verdadeiros culpados por tudo aquilo eram o homem com quem dormia e seu próprio filho.Eles não hesitaram em levá-la a tal ponto, tudo para que ela assumisse a culpa no lugar de Célia.Acontece que eles só tinham olhos para o primeiro amor.Do lado de fora, a voz de Heitor parecia um pouco hesitante.— Mas nós atrasamos a cirurgia dela, e foi por isso que a mão e as pernas dela não tiveram salvação. Se a mamãe descobrir, ela não vai enlouquecer?Se a cirurgia tivesse sido feita a tempo, ela teria uma chance?Mas eles... eles atrasaram a cirurgia de propósito.Seu coração parecia ter sido rasgado por uma faca, e Bruna mal conseguia respirar.Ela ouviu a voz impaciente e paternalista de Plínio do lado de fora.— E se ela descobrir? Ela não pode voltar para a família Ramos, e com as mãos e os pés inutilizados, ela não pode deixar a família Lemos.A voz de Plínio tinha um tom risonho, como se estivesse de excelente humor.— Heitor, você não gosta da tia Célia? De agora em diante, sua mãe não vai mais poder te impedir de ir vê-la. Você não está feliz?A voz de Heitor era inocente e cruel.— É claro que estou feliz! A mamãe age como uma megera. Acho que é assim que as pessoas sem educação são, sempre amargas e obcecadas com rivalidade feminina. Eu só converso um pouco com a tia Célia de vez em quando e ela já briga comigo!O coração de Bruna parecia sangrar.Ela arregalou os olhos enquanto as lágrimas caíam em cascata.Foi Heitor quem lhe disse pessoalmente que não gostava de Célia, e foi por isso que ela recusou os convites de Célia em nome dele, repetidas vezes.Como tudo se tornou culpa dela?Plínio suspirou, aliviado.— E é bom que sua mãe não possa mais dançar. Assim, ninguém vai competir com a sua tia Célia. Ser a primeira bailarina é o sonho dela. Você não faz ideia do quanto eu sacrifiquei para fazê-la feliz!— A ponto de me usar como peça no jogo...Usar como peça no jogo?Bruna ouvia, atordoada, enquanto uma dor fina se espalhava por seu peito.Oito anos atrás, quando Célia apareceu, ela descobriu que não era filha biológica da família Ramos.Seu noivo escolheu humilhá-la publicamente, terminando o noivado e ameaçando expulsá-la da Capital, apenas para se casar com Célia logo em seguida.De uma hora para outra, ela se tornou motivo de piada em seu círculo social.Seus pais e amigos, todos a viam como uma usurpadora, tratando-a com desprezo.Até mesmo os boatos diziam que era ela quem se agarrava à fortuna da família Ramos.Apenas Plínio a encontrou, desolada, e disse:— Bruna, case-se comigo. De agora em diante, eu serei o seu porto seguro.Naquela época, Bruna, profundamente comovida, decidiu se casar com ele.Ela acreditava que ele era o seu verdadeiro destino e, por isso, para se casar, recusou a oferta de um renomado coreógrafo internacional.Mais tarde, ela soube que Célia havia se tornado a protegida desse mesmo coreógrafo.E, por fim, Célia se tornou a primeira bailarina do país.Na época, ela não pensou muito a respeito, mas agora parecia claro que Plínio também estava por trás disso.Não era de se espantar que, embora Plínio a tratasse bem após o casamento, ela sempre sentisse que não conseguia alcançar seu coração.Acontece que tudo não passava de uma armadilha cuidadosamente planejada por ele, tudo para que Célia realizasse seus sonhos e fosse feliz.Que bela maneira de se "usar como peça no jogo"!Bruna riu silenciosamente, riu até as lágrimas escorrerem.Como poderia haver alguém tão tola quanto ela no mundo?Oito anos, sendo enganada pela mesma pessoa?Nesses oito anos, ela abandonou seus próprios sonhos por eles.Quando o filho adoeceu, ela desistiu da dança para se tornar médica.Como não conseguia conquistar o coração do marido, ela se desdobrava para agradá-lo.Ela até chegou a pensar que o problema era ela...As lágrimas de Bruna quase encharcaram o travesseiro.Ela tentou levantar a mão para enxugá-las, mas seu braço estava mole como macarrão, erguendo-se apenas para cair novamente.Foram os detentos da prisão que, temendo sua desobediência, cortaram brutalmente os tendões de sua mão direita.Ela nunca mais conseguiria segurar um bisturi.Ela era uma médica!Ela havia chegado à posição de chefe de cirurgia passo a passo, tudo graças àquela mão.Agora, por causa do atraso na cirurgia, tudo estava arruinado.CRASH!O copo de vidro na mesa foi derrubado, fazendo um barulho estridente.A conversa do lado de fora parou abruptamente, e Plínio entrou correndo.Um lampejo de pânico passou por seus olhos.— Bruna, você acordou? A cirurgia foi um sucesso. Você está sentindo alguma dor? — Ele a abraçou.A testa de Plínio se franziu, e seu rosto bonito e frio estava cheio de preocupação.Se Bruna não tivesse ouvido suas palavras, certamente teria se comovido com sua expressão por um instante.O filho também se aproximou da cama dela, com a voz embargada.— Mamãe, você quer água? Vou buscar para você!No passado, Bruna teria se sentido imensamente feliz.O marido a tratava como uma joia, e o filho, precoce, era atencioso com ela.Mas agora, Bruna só os achava falsos e nojentos.E a si mesma, enganada por eles, achava ridícula e patética.O nariz de Bruna ardia e a dor se espalhava por todo o seu corpo.Ela baixou a cabeça para conter as lágrimas e forçou um sorriso pálido.Ao vê-la assim, a voz de Plínio tremeu.Ele baixou os olhos e, quando os ergueu novamente, as bordas estavam vermelhas.— Bruna, está doendo em algum lugar? Vou chamar o médico para dar outra olhada. Não se preocupe, eu vou pegar quem fez o falso testemunho. Não vou deixar você sofrer injustamente.Uma lágrima escorreu pelo canto do olho de Bruna.Suas pupilas tremeram por um instante, e um frio percorreu seu corpo.Capítulo 2No dia em que saiu da prisão, Bruna Ramos foi carregada em uma maca.Ela estava tão magra que mal parecia humana.Sua mão direita pendia, inerte.Suas pernas sangravam.Três meses antes, alguém havia apresentado um falso testemunho, fazendo-a ir para a cadeia no lugar da verdadeira herdeira da família Ramos.Na prisão, os tendões da sua mão, aquela que empunhava o bisturi, foram cortados.Suas pernas, capazes de vencer competições internacionais de dança, foram aleijadas.No auge do desespero, foi seu marido, Plínio Lemos, que usou todas as suas conexões para tirá-la de lá.Do lado de fora.Ao ver a maca, Plínio, que viera buscá-la, hesitou por um instante.Então, desceu do carro tropeçando e a abraçou.— Bruna, a culpa é minha. Eu cheguei tarde.Ele a seguiu para dentro da ambulância, sua voz tremendo.O homem, normalmente frio e nobre, derramou uma lágrima.Bruna só o vira chorar duas vezes: uma no dia do casamento e outra no nascimento de Heitor Lemos.Aquela lágrima caiu no rosto de Bruna, e suas emoções finalmente explodiram.Ela não chorou quando foi espancada, nem quando cortaram seus tendões, mas agora não conseguia mais segurar as lágrimas.Bruna se jogou em seus braços, inalando o cheiro que a acalmava.Felizmente, ela tinha um marido, um filho e uma família que a amava.Plínio, com os olhos vermelhos, a abraçou e jurou, com o olhar furioso:— Bruna, eu vou encontrar o verdadeiro culpado que te incriminou e provar a sua inocência!Aninhada em seus braços, Bruna sentia a vibração do peito dele.Seu coração, ferido e despedaçado, finalmente encontrou um pouco de alívio.Ela tinha um marido e um filho que a amavam tanto.Mesmo que a família Ramos, que a criou, só tivesse olhos para Célia Ramos, mesmo que seu ex-noivo a tivesse abandonado, ela não se importava mais.— A culpa é toda minha. Se eu não tivesse pedido para você sair de carro naquele dia, você não teria dado a eles um pretexto para acusá-la de atropelamento e fuga.A voz de Plínio estava rouca, e ele baixou o olhar frio, como se não suportasse olhá-la.Bruna balançou a cabeça.Como poderia ser culpa dele?Plínio era conhecido no círculo social como um marido exemplar.Depois do casamento, ele não a deixava fazer nada, mimando-a como uma princesa.Preocupado com o cansaço dela no trabalho, ele insistiu várias vezes para que ela pedisse demissão, dizendo que a sustentaria.O herdeiro da grandiosa família Lemos a amava com uma devoção inabalável, e todos invejavam sua sorte.Mas, agora, em seu estado atual, ela ainda era digna dele?A voz de Bruna saiu embargada pelo choro.— Tenho medo de nunca mais conseguir segurar um bisturi, de nunca mais poder dançar...Os olhos de Plínio ficaram vermelhos novamente.— Bruna, querida, se não puder segurar um bisturi, eu te sustentarei para o resto da vida. — Ele a consolou, com a voz trêmula. — Se não puder dançar, então não dance. Eu fico com ciúmes quando eles olham para você...Bruna forçou um sorriso amargo nos lábios.Ele amava as pernas dela mais do que tudo, mas agora, aquelas pernas estavam cobertas de feridas.Mesmo que sarassem, as cicatrizes permaneceriam.Com o tempo, ele certamente se cansaria de olhá-las.No hospital, Bruna viu seu filho.Heitor se atirou ao lado da cama dela, chorando desconsoladamente.— Mamãe, me desculpe! Eu não sabia que o que eu disse se tornaria um depoimento! A culpa é minha por ter me lembrado errado. Eu te dou as minhas pernas!Bruna se lembrou de três meses atrás, quando foi falsamente acusada de atropelamento e fuga.Heitor, como testemunha, também havia dito que ela saíra de casa naquele dia.Heitor sempre fora um menino obediente e sensato, precoce e um tanto reservado.Naquele momento, porém, ele chorava e soluçava, uma visão de pura miséria.Por mais precoce que fosse, ele era apenas uma criança, e era natural que se confundisse.O coração de Bruna se encheu de ternura, e ela afagou a cabeça dele.— Mamãe não te culpa.— Mamãe, de agora em diante, eu serei as suas pernas. — Disse Heitor, soluçando. — Eu correrei por você e verei o mundo em seu lugar.Bruna sentiu uma pontada de tristeza, mas se considerou sortuda.Seu filho e seu marido não a abandonaram por causa do que aconteceu; pelo contrário, a tratavam ainda melhor.Sua família de origem não era feliz, mas, felizmente, ela havia escolhido um lar caloroso para si....Após a cirurgia, Bruna sentia que seus membros ainda estavam dormentes.Sua garganta estava seca.Ela moveu os lábios, mas então ouviu a voz de Heitor do lado de fora da porta.— Papai, a mamãe parece tão digna de pena agora. Ela ainda pode andar, mas nunca mais vai poder dançar. O médico disse que ela também nunca mais vai conseguir segurar um bisturi.Os olhos de Bruna se encheram de lágrimas, e uma tristeza profunda tomou conta de seu coração.Ela já esperava por esse resultado, mas ouvi-lo da boca de outra pessoa a encheu de emoções conflitantes.— Papai, não foi cruel demais armarmos para a mamãe com um falso testemunho, só para proteger a tia Célia? — Heitor perguntou.Proteger?Armar?Bruna ficou paralisada de repente.Ela achou que tinha ouvido errado.Abriu os olhos em descrença e ouviu a voz fria de Plínio do lado de fora.— Sua tia Célia é a primeira bailarina. O histórico dela não pode ter uma única mancha.— Quanto à sua mãe, ela usurpou o lugar de Célia como a herdeira da família Ramos por tantos anos, fazendo Célia viver como órfã. Isso é o que ela lhe devia. Além do mais, ela já é a Sra. Lemos. Do que mais ela poderia reclamar?Então, os arquitetos de sua prisão... eram seu marido e seu filho?Deitada na cama, Bruna mordeu o lábio com força para não fazer nenhum som.Ter sido trocada no hospital quando bebê não foi escolha sua.Como poderiam dizer que ela havia usurpado a identidade de herdeira da família Ramos por tantos anos?Será que todos os juramentos de amor de Plínio eram falsos?Heitor suspirou, concordando.— A mamãe está sempre implicando com a tia Célia, ela precisava de uma lição! Depois a gente compensa.Depois?Ela ainda teria um "depois"?As vozes do pai e do filho chegaram claramente aos ouvidos de Bruna.Uma dor aguda se espalhou por seu peito, e uma lágrima escorreu por seu rosto.A dor em suas pernas e mãos não se comparava à dor em seu coração.Acontece que os verdadeiros culpados por tudo aquilo eram o homem com quem dormia e seu próprio filho.Eles não hesitaram em levá-la a tal ponto, tudo para que ela assumisse a culpa no lugar de Célia.Acontece que eles só tinham olhos para o primeiro amor.Do lado de fora, a voz de Heitor parecia um pouco hesitante.— Mas nós atrasamos a cirurgia dela, e foi por isso que a mão e as pernas dela não tiveram salvação. Se a mamãe descobrir, ela não vai enlouquecer?Se a cirurgia tivesse sido feita a tempo, ela teria uma chance?Mas eles... eles atrasaram a cirurgia de propósito.Seu coração parecia ter sido rasgado por uma faca, e Bruna mal conseguia respirar.Ela ouviu a voz impaciente e paternalista de Plínio do lado de fora.— E se ela descobrir? Ela não pode voltar para a família Ramos, e com as mãos e os pés inutilizados, ela não pode deixar a família Lemos.A voz de Plínio tinha um tom risonho, como se estivesse de excelente humor.— Heitor, você não gosta da tia Célia? De agora em diante, sua mãe não vai mais poder te impedir de ir vê-la. Você não está feliz?A voz de Heitor era inocente e cruel.— É claro que estou feliz! A mamãe age como uma megera. Acho que é assim que as pessoas sem educação são, sempre amargas e obcecadas com rivalidade feminina. Eu só converso um pouco com a tia Célia de vez em quando e ela já briga comigo!O coração de Bruna parecia sangrar.Ela arregalou os olhos enquanto as lágrimas caíam em cascata.Foi Heitor quem lhe disse pessoalmente que não gostava de Célia, e foi por isso que ela recusou os convites de Célia em nome dele, repetidas vezes.Como tudo se tornou culpa dela?Plínio suspirou, aliviado.— E é bom que sua mãe não possa mais dançar. Assim, ninguém vai competir com a sua tia Célia. Ser a primeira bailarina é o sonho dela. Você não faz ideia do quanto eu sacrifiquei para fazê-la feliz!— A ponto de me usar como peça no jogo...Usar como peça no jogo?Bruna ouvia, atordoada, enquanto uma dor fina se espalhava por seu peito.Oito anos atrás, quando Célia apareceu, ela descobriu que não era filha biológica da família Ramos.Seu noivo escolheu humilhá-la publicamente, terminando o noivado e ameaçando expulsá-la da Capital, apenas para se casar com Célia logo em seguida.De uma hora para outra, ela se tornou motivo de piada em seu círculo social.Seus pais e amigos, todos a viam como uma usurpadora, tratando-a com desprezo.Até mesmo os boatos diziam que era ela quem se agarrava à fortuna da família Ramos.Apenas Plínio a encontrou, desolada, e disse:— Bruna, case-se comigo. De agora em diante, eu serei o seu porto seguro.Naquela época, Bruna, profundamente comovida, decidiu se casar com ele.Ela acreditava que ele era o seu verdadeiro destino e, por isso, para se casar, recusou a oferta de um renomado coreógrafo internacional.Mais tarde, ela soube que Célia havia se tornado a protegida desse mesmo coreógrafo.E, por fim, Célia se tornou a primeira bailarina do país.Na época, ela não pensou muito a respeito, mas agora parecia claro que Plínio também estava por trás disso.Não era de se espantar que, embora Plínio a tratasse bem após o casamento, ela sempre sentisse que não conseguia alcançar seu coração.Acontece que tudo não passava de uma armadilha cuidadosamente planejada por ele, tudo para que Célia realizasse seus sonhos e fosse feliz.Que bela maneira de se "usar como peça no jogo"!Bruna riu silenciosamente, riu até as lágrimas escorrerem.Como poderia haver alguém tão tola quanto ela no mundo?Oito anos, sendo enganada pela mesma pessoa?Nesses oito anos, ela abandonou seus próprios sonhos por eles.Quando o filho adoeceu, ela desistiu da dança para se tornar médica.Como não conseguia conquistar o coração do marido, ela se desdobrava para agradá-lo.Ela até chegou a pensar que o problema era ela...As lágrimas de Bruna quase encharcaram o travesseiro.Ela tentou levantar a mão para enxugá-las, mas seu braço estava mole como macarrão, erguendo-se apenas para cair novamente.Foram os detentos da prisão que, temendo sua desobediência, cortaram brutalmente os tendões de sua mão direita.Ela nunca mais conseguiria segurar um bisturi.Ela era uma médica!Ela havia chegado à posição de chefe de cirurgia passo a passo, tudo graças àquela mão.Agora, por causa do atraso na cirurgia, tudo estava arruinado.CRASH!O copo de vidro na mesa foi derrubado, fazendo um barulho estridente.A conversa do lado de fora parou abruptamente, e Plínio entrou correndo.Um lampejo de pânico passou por seus olhos.— Bruna, você acordou? A cirurgia foi um sucesso. Você está sentindo alguma dor? — Ele a abraçou.A testa de Plínio se franziu, e seu rosto bonito e frio estava cheio de preocupação.Se Bruna não tivesse ouvido suas palavras, certamente teria se comovido com sua expressão por um instante.O filho também se aproximou da cama dela, com a voz embargada.— Mamãe, você quer água? Vou buscar para você!No passado, Bruna teria se sentido imensamente feliz.O marido a tratava como uma joia, e o filho, precoce, era atencioso com ela.Mas agora, Bruna só os achava falsos e nojentos.E a si mesma, enganada por eles, achava ridícula e patética.O nariz de Bruna ardia e a dor se espalhava por todo o seu corpo.Ela baixou a cabeça para conter as lágrimas e forçou um sorriso pálido.Ao vê-la assim, a voz de Plínio tremeu.Ele baixou os olhos e, quando os ergueu novamente, as bordas estavam vermelhas.— Bruna, está doendo em algum lugar? Vou chamar o médico para dar outra olhada. Não se preocupe, eu vou pegar quem fez o falso testemunho. Não vou deixar você sofrer injustamente.Uma lágrima escorreu pelo canto do olho de Bruna.Suas pupilas tremeram por um instante, e um frio percorreu seu corpo.Capítulo 3No dia em que saiu da prisão, Bruna Ramos foi carregada em uma maca.Ela estava tão magra que mal parecia humana.Sua mão direita pendia, inerte.Suas pernas sangravam.Três meses antes, alguém havia apresentado um falso testemunho, fazendo-a ir para a cadeia no lugar da verdadeira herdeira da família Ramos.Na prisão, os tendões da sua mão, aquela que empunhava o bisturi, foram cortados.Suas pernas, capazes de vencer competições internacionais de dança, foram aleijadas.No auge do desespero, foi seu marido, Plínio Lemos, que usou todas as suas conexões para tirá-la de lá.Do lado de fora.Ao ver a maca, Plínio, que viera buscá-la, hesitou por um instante.Então, desceu do carro tropeçando e a abraçou.— Bruna, a culpa é minha. Eu cheguei tarde.Ele a seguiu para dentro da ambulância, sua voz tremendo.O homem, normalmente frio e nobre, derramou uma lágrima.Bruna só o vira chorar duas vezes: uma no dia do casamento e outra no nascimento de Heitor Lemos.Aquela lágrima caiu no rosto de Bruna, e suas emoções finalmente explodiram.Ela não chorou quando foi espancada, nem quando cortaram seus tendões, mas agora não conseguia mais segurar as lágrimas.Bruna se jogou em seus braços, inalando o cheiro que a acalmava.Felizmente, ela tinha um marido, um filho e uma família que a amava.Plínio, com os olhos vermelhos, a abraçou e jurou, com o olhar furioso:— Bruna, eu vou encontrar o verdadeiro culpado que te incriminou e provar a sua inocência!Aninhada em seus braços, Bruna sentia a vibração do peito dele.Seu coração, ferido e despedaçado, finalmente encontrou um pouco de alívio.Ela tinha um marido e um filho que a amavam tanto.Mesmo que a família Ramos, que a criou, só tivesse olhos para Célia Ramos, mesmo que seu ex-noivo a tivesse abandonado, ela não se importava mais.— A culpa é toda minha. Se eu não tivesse pedido para você sair de carro naquele dia, você não teria dado a eles um pretexto para acusá-la de atropelamento e fuga.A voz de Plínio estava rouca, e ele baixou o olhar frio, como se não suportasse olhá-la.Bruna balançou a cabeça.Como poderia ser culpa dele?Plínio era conhecido no círculo social como um marido exemplar.Depois do casamento, ele não a deixava fazer nada, mimando-a como uma princesa.Preocupado com o cansaço dela no trabalho, ele insistiu várias vezes para que ela pedisse demissão, dizendo que a sustentaria.O herdeiro da grandiosa família Lemos a amava com uma devoção inabalável, e todos invejavam sua sorte.Mas, agora, em seu estado atual, ela ainda era digna dele?A voz de Bruna saiu embargada pelo choro.— Tenho medo de nunca mais conseguir segurar um bisturi, de nunca mais poder dançar...Os olhos de Plínio ficaram vermelhos novamente.— Bruna, querida, se não puder segurar um bisturi, eu te sustentarei para o resto da vida. — Ele a consolou, com a voz trêmula. — Se não puder dançar, então não dance. Eu fico com ciúmes quando eles olham para você...Bruna forçou um sorriso amargo nos lábios.Ele amava as pernas dela mais do que tudo, mas agora, aquelas pernas estavam cobertas de feridas.Mesmo que sarassem, as cicatrizes permaneceriam.Com o tempo, ele certamente se cansaria de olhá-las.No hospital, Bruna viu seu filho.Heitor se atirou ao lado da cama dela, chorando desconsoladamente.— Mamãe, me desculpe! Eu não sabia que o que eu disse se tornaria um depoimento! A culpa é minha por ter me lembrado errado. Eu te dou as minhas pernas!Bruna se lembrou de três meses atrás, quando foi falsamente acusada de atropelamento e fuga.Heitor, como testemunha, também havia dito que ela saíra de casa naquele dia.Heitor sempre fora um menino obediente e sensato, precoce e um tanto reservado.Naquele momento, porém, ele chorava e soluçava, uma visão de pura miséria.Por mais precoce que fosse, ele era apenas uma criança, e era natural que se confundisse.O coração de Bruna se encheu de ternura, e ela afagou a cabeça dele.— Mamãe não te culpa.— Mamãe, de agora em diante, eu serei as suas pernas. — Disse Heitor, soluçando. — Eu correrei por você e verei o mundo em seu lugar.Bruna sentiu uma pontada de tristeza, mas se considerou sortuda.Seu filho e seu marido não a abandonaram por causa do que aconteceu; pelo contrário, a tratavam ainda melhor.Sua família de origem não era feliz, mas, felizmente, ela havia escolhido um lar caloroso para si....Após a cirurgia, Bruna sentia que seus membros ainda estavam dormentes.Sua garganta estava seca.Ela moveu os lábios, mas então ouviu a voz de Heitor do lado de fora da porta.— Papai, a mamãe parece tão digna de pena agora. Ela ainda pode andar, mas nunca mais vai poder dançar. O médico disse que ela também nunca mais vai conseguir segurar um bisturi.Os olhos de Bruna se encheram de lágrimas, e uma tristeza profunda tomou conta de seu coração.Ela já esperava por esse resultado, mas ouvi-lo da boca de outra pessoa a encheu de emoções conflitantes.— Papai, não foi cruel demais armarmos para a mamãe com um falso testemunho, só para proteger a tia Célia? — Heitor perguntou.Proteger?Armar?Bruna ficou paralisada de repente.Ela achou que tinha ouvido errado.Abriu os olhos em descrença e ouviu a voz fria de Plínio do lado de fora.— Sua tia Célia é a primeira bailarina. O histórico dela não pode ter uma única mancha.— Quanto à sua mãe, ela usurpou o lugar de Célia como a herdeira da família Ramos por tantos anos, fazendo Célia viver como órfã. Isso é o que ela lhe devia. Além do mais, ela já é a Sra. Lemos. Do que mais ela poderia reclamar?Então, os arquitetos de sua prisão... eram seu marido e seu filho?Deitada na cama, Bruna mordeu o lábio com força para não fazer nenhum som.Ter sido trocada no hospital quando bebê não foi escolha sua.Como poderiam dizer que ela havia usurpado a identidade de herdeira da família Ramos por tantos anos?Será que todos os juramentos de amor de Plínio eram falsos?Heitor suspirou, concordando.— A mamãe está sempre implicando com a tia Célia, ela precisava de uma lição! Depois a gente compensa.Depois?Ela ainda teria um "depois"?As vozes do pai e do filho chegaram claramente aos ouvidos de Bruna.Uma dor aguda se espalhou por seu peito, e uma lágrima escorreu por seu rosto.A dor em suas pernas e mãos não se comparava à dor em seu coração.Acontece que os verdadeiros culpados por tudo aquilo eram o homem com quem dormia e seu próprio filho.Eles não hesitaram em levá-la a tal ponto, tudo para que ela assumisse a culpa no lugar de Célia.Acontece que eles só tinham olhos para o primeiro amor.Do lado de fora, a voz de Heitor parecia um pouco hesitante.— Mas nós atrasamos a cirurgia dela, e foi por isso que a mão e as pernas dela não tiveram salvação. Se a mamãe descobrir, ela não vai enlouquecer?Se a cirurgia tivesse sido feita a tempo, ela teria uma chance?Mas eles... eles atrasaram a cirurgia de propósito.Seu coração parecia ter sido rasgado por uma faca, e Bruna mal conseguia respirar.Ela ouviu a voz impaciente e paternalista de Plínio do lado de fora.— E se ela descobrir? Ela não pode voltar para a família Ramos, e com as mãos e os pés inutilizados, ela não pode deixar a família Lemos.A voz de Plínio tinha um tom risonho, como se estivesse de excelente humor.— Heitor, você não gosta da tia Célia? De agora em diante, sua mãe não vai mais poder te impedir de ir vê-la. Você não está feliz?A voz de Heitor era inocente e cruel.— É claro que estou feliz! A mamãe age como uma megera. Acho que é assim que as pessoas sem educação são, sempre amargas e obcecadas com rivalidade feminina. Eu só converso um pouco com a tia Célia de vez em quando e ela já briga comigo!O coração de Bruna parecia sangrar.Ela arregalou os olhos enquanto as lágrimas caíam em cascata.Foi Heitor quem lhe disse pessoalmente que não gostava de Célia, e foi por isso que ela recusou os convites de Célia em nome dele, repetidas vezes.Como tudo se tornou culpa dela?Plínio suspirou, aliviado.— E é bom que sua mãe não possa mais dançar. Assim, ninguém vai competir com a sua tia Célia. Ser a primeira bailarina é o sonho dela. Você não faz ideia do quanto eu sacrifiquei para fazê-la feliz!— A ponto de me usar como peça no jogo...Usar como peça no jogo?Bruna ouvia, atordoada, enquanto uma dor fina se espalhava por seu peito.Oito anos atrás, quando Célia apareceu, ela descobriu que não era filha biológica da família Ramos.Seu noivo escolheu humilhá-la publicamente, terminando o noivado e ameaçando expulsá-la da Capital, apenas para se casar com Célia logo em seguida.De uma hora para outra, ela se tornou motivo de piada em seu círculo social.Seus pais e amigos, todos a viam como uma usurpadora, tratando-a com desprezo.Até mesmo os boatos diziam que era ela quem se agarrava à fortuna da família Ramos.Apenas Plínio a encontrou, desolada, e disse:— Bruna, case-se comigo. De agora em diante, eu serei o seu porto seguro.Naquela época, Bruna, profundamente comovida, decidiu se casar com ele.Ela acreditava que ele era o seu verdadeiro destino e, por isso, para se casar, recusou a oferta de um renomado coreógrafo internacional.Mais tarde, ela soube que Célia havia se tornado a protegida desse mesmo coreógrafo.E, por fim, Célia se tornou a primeira bailarina do país.Na época, ela não pensou muito a respeito, mas agora parecia claro que Plínio também estava por trás disso.Não era de se espantar que, embora Plínio a tratasse bem após o casamento, ela sempre sentisse que não conseguia alcançar seu coração.Acontece que tudo não passava de uma armadilha cuidadosamente planejada por ele, tudo para que Célia realizasse seus sonhos e fosse feliz.Que bela maneira de se "usar como peça no jogo"!Bruna riu silenciosamente, riu até as lágrimas escorrerem.Como poderia haver alguém tão tola quanto ela no mundo?Oito anos, sendo enganada pela mesma pessoa?Nesses oito anos, ela abandonou seus próprios sonhos por eles.Quando o filho adoeceu, ela desistiu da dança para se tornar médica.Como não conseguia conquistar o coração do marido, ela se desdobrava para agradá-lo.Ela até chegou a pensar que o problema era ela...As lágrimas de Bruna quase encharcaram o travesseiro.Ela tentou levantar a mão para enxugá-las, mas seu braço estava mole como macarrão, erguendo-se apenas para cair novamente.Foram os detentos da prisão que, temendo sua desobediência, cortaram brutalmente os tendões de sua mão direita.Ela nunca mais conseguiria segurar um bisturi.Ela era uma médica!Ela havia chegado à posição de chefe de cirurgia passo a passo, tudo graças àquela mão.Agora, por causa do atraso na cirurgia, tudo estava arruinado.CRASH!O copo de vidro na mesa foi derrubado, fazendo um barulho estridente.A conversa do lado de fora parou abruptamente, e Plínio entrou correndo.Um lampejo de pânico passou por seus olhos.— Bruna, você acordou? A cirurgia foi um sucesso. Você está sentindo alguma dor? — Ele a abraçou.A testa de Plínio se franziu, e seu rosto bonito e frio estava cheio de preocupação.Se Bruna não tivesse ouvido suas palavras, certamente teria se comovido com sua expressão por um instante.O filho também se aproximou da cama dela, com a voz embargada.— Mamãe, você quer água? Vou buscar para você!No passado, Bruna teria se sentido imensamente feliz.O marido a tratava como uma joia, e o filho, precoce, era atencioso com ela.Mas agora, Bruna só os achava falsos e nojentos.E a si mesma, enganada por eles, achava ridícula e patética.O nariz de Bruna ardia e a dor se espalhava por todo o seu corpo.Ela baixou a cabeça para conter as lágrimas e forçou um sorriso pálido.Ao vê-la assim, a voz de Plínio tremeu.Ele baixou os olhos e, quando os ergueu novamente, as bordas estavam vermelhas.— Bruna, está doendo em algum lugar? Vou chamar o médico para dar outra olhada. Não se preocupe, eu vou pegar quem fez o falso testemunho. Não vou deixar você sofrer injustamente.Uma lágrima escorreu pelo canto do olho de Bruna.Suas pupilas tremeram por um instante, e um frio percorreu seu corpo.

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