Para o mundo, Beatriz Nogueira estava morta. Para Arthur, ela era apenas a esposa conveniente que ele negligenciou enquanto vivia um romance secreto com a cunhada. Beatriz suportou a dor da doença e a humilhação da traição em silêncio, até que o último fio de esperança se rompeu. Ela planejou sua partida perfeitamente, deixando Arthur com nada além de culpa. No entanto, três anos depois, uma mulher idêntica a ela aparece na alta sociedade, mas ela jura que nunca o viu. Arthur, o homem que nunca perdeu o controle, agora está perdendo a razão. Ele vai caçá-la, implorar e quebrar o mundo se for preciso. Mas como reconquistar alguém que já morreu uma vez por sua causa?

Capítulo 1Três anos separados em países diferentes. Na noite em que o marido voltou, Beatriz pediu o divórcio.Ela viveu três anos como viúva, mas sua irmã... engravidou de Arthur.No primeiro ano de casados, Arthur foi transferido para trabalhar no Itamaraty em Londres.Na noite antes de partir, o homem disse: — Espero que entenda o meu trabalho. Quando eu voltar, nós teremos um filho.Ela acreditou. Usou essas palavras como um farol para suportar três anos de solidão, esperando dia e noite pelo seu retorno.Mas...-— Srta. Nogueira, seu câncer de endométrio tem sinais de piora. Recomendo fazer a cirurgia de remoção do útero o mais rápido possível.— Nestes últimos dois anos você veio às consultas sozinha. Quer avisar ao seu marido sobre isso?A luz do consultório bateu no rosto de Beatriz, deixando-a pálida.O laudo médico em sua mão parecia pesar uma tonelada, deixando-a paralisada.Ela nunca imaginou que o diagnóstico de dois anos atrás pioraria tão rápido.Na época, o médico disse que se descobrisse e tratasse cedo, ainda haveria esperança de engravidar.Ela teve medo de distrair Arthur em outro país e não contou.Mas agora, parecia que... não poderia mais ser mãe.Beatriz fungou, pegou o celular tremendo e ligou para Arthur.O telefone chamou.Beatriz ficou parada, com a mente tonta.Ela apertou o celular.De repente, lembrou do fuso horário...Agora em Londres, era madrugada.Beatriz precisou adiar o pedido de ajuda.Desceu as escadas com passos pesados.A discussão vindo do pronto-socorro a fez parar de repente.No meio da multidão, ela viu aquele homem alto de casaco escuro e perfil bem definido.Beatriz travou.Esse não era o seu marido que deveria estar em Londres?O coração de Beatriz apertou, e, quase por instinto, ela ligou para ele de novo.Cambaleou até a porta do pronto-socorro e viu claramente o homem tirar o celular do bolso do casaco, olhar para a tela e apertar o botão de rejeitar sem hesitar.Beatriz paralisou, o sangue parecia ter parado de correr.Eles tinham se falado há três dias, e ele não mencionou em momento algum que voltaria!Ela ia dar um passo, quando ouviu uma voz feminina suave e chorosa no pronto-socorro: — Arthur, tá doendo. Me abraça, por favor?Os pés de Beatriz grudaram no chão.Ela olhou de lado.O rosto familiar da mulher partiu o coração de Beatriz.Era a sua... irmã?Beatriz fechou os punhos e olhou para Arthur, que já tinha entrado no pronto-socorro.Ela conhecia Arthur bem demais. Ele era contido, educado. Mesmo em particular, quase nunca era íntimo.Ainda mais em um pronto-socorro cheio de gente, e a pessoa ao lado era a cunhada dele...A sua própria irmã.Mas, no segundo seguinte, Arthur se inclinou um pouco e pegou Helena no colo com cuidado.Beatriz perdeu o fôlego e a mente ficou em branco. A imagem à sua frente virou um borrão claro.Ela não teve coragem de ver mais. Virou as costas de repente, segurando o laudo médico, e fugiu tropeçando.Pois é. Helena o chamou com tanta intimidade, o que mais ela ia duvidar?Como ela esqueceu que, logo depois que Arthur viajou, Helena também foi para Londres dizendo que ia estudar?Talvez, durante os três anos em que ela ficou sozinha esperando por ele, os dois já vivessem um romance no exterior.— Ouvi dizer que a esposa do Subsecretário Valente está grávida, vai logo! É notícia em primeira mão!Alguns repórteres com câmeras passaram correndo por ela, na direção do pronto-socorro.Beatriz parou na escada, em choque.Grávida?Helena estava grávida de Arthur?Ela colocou a mão na própria barriga, apertou a roupa fina e o corpo inteiro começou a tremer sem parar.Então... era isso.Não é à toa que não conseguiu segurar aquele filho que esperava.Não é à toa que Arthur sempre manteve distância. A educação e gentileza não tinham nada a ver com amor.Ele sempre amou Helena. Casar talvez tenha sido só uma solução temporária.Três anos jogados fora. Ela precisava acordar.Beatriz respirou fundo, segurando o nó na garganta.Em três anos de casamento, a educação dele vinha do próprio caráter, não de amor por ela.Se não amava, para que dar promessas falsas?Ela deu um sorriso de deboche.Às vezes, as palavras de um homem não valem nada.Ela ia embora, mas parou de novo.Não queria acreditar que perdeu três anos.E se não fosse?Ela respirou fundo, apertou as mãos e se virou.Viu Arthur no fim do corredor, falando baixo com o médico.Após três anos, ele parecia ainda mais firme. Tinha um ar frio e nobre.O médico terminou de falar e ele só acenou, soltando um "hum" sem expressão.No segundo seguinte, percebeu o olhar dela e virou a cabeça.Olhou para ela de forma calma, como se visse uma estranha.Os repórteres já tinham sido expulsos pelo assistente de Arthur, mas alguns ainda se escondiam, tentando conseguir uma exclusiva.Como o mais jovem subsecretário do Itamaraty, ele era o centro das atenções. Cada passo atraía olhares.Beatriz respirou fundo, ia até lá, mas uma mão a parou.Era o assistente de Arthur, Lucas. Com um sorriso profissional, ele disse: — Srta. Nogueira, tem muita gente aqui. Não se aproxime, para evitar boatos desnecessários.Boatos?Ela era a esposa dele, e agora não tinha o direito de chegar perto?Beatriz olhou para Arthur por cima do ombro de Lucas e fechou os punhos sem perceber.Era para evitar suspeitas?Para proteger Helena? Para não deixar Helena ficar com a fama de amante na frente da esposa?A resposta óbvia a deixou mais pálida e com as pontas dos dedos frias.Beatriz ficou parada. Não ia fazer a vontade dele.Ela olhou firme para Arthur: — Por que não atendeu a minha ligação? Quando você voltou?Helena estava no pronto-socorro fazendo exames. Ela perguntou como esposa.O rosto de Arthur continuou igual, mas Beatriz sentiu o clima pesar.Ele disse calmo: — Tenho muito trabalho. Preciso avisar você sobre todos os meus passos?O tom de voz era tranquilo, como se fosse um fato comum, mas machucou os ouvidos de Beatriz.Claro. Ele voltou com Helena e foi ao hospital com ela. Não precisava avisar a esposa.Para ter notícias de Arthur era muito difícil. Ela nem vinha depois de Helena.Beatriz olhou para o rosto frio dele, abriu a boca, mas a garganta travou.O peito estava cheio de sentimentos, mas não tinha como soltar.Era como dar um soco no algodão.Se ela perguntasse mais, ia parecer uma maluca.Arthur não ligou para o que ela sentia. Olhou o relógio no pulso: — Tenho coisas para resolver. Vá para casa.Beatriz soltou um riso baixo de deboche.Coisas para resolver?Só queria voltar para ficar com quem ele amava.Lucas deu um passo e fez um gesto indicando a saída.Quando Arthur se virou, olhou para Beatriz: — Em público, espero que você tenha cuidado com o que fala, tanto sobre quem você é quanto sobre nós dois. Não preciso te ensinar isso.A voz era calma, sem alterações, mas as palavras mostravam autoridade.Ele estava avisando para não fazer fofoca, para não atrapalhar ele e Helena. Queria evitar constrangimento para ela.Ele pensou em tudo, só esqueceu que ela, a esposa, era quem devia ser considerada nisso.Ele não falou com todas as letras, mas pisou no orgulho dela.Beatriz riu internamente.Naquele momento, ela viu a diferença entre amor e falta dele.Respirou fundo e virou as costas.Voltou para a mansão.A casa onde vivia sozinha há três anos.Achou que Arthur não voltaria à noite.Helena estava no hospital, devia ter passado mal com a gravidez. Ele ia ficar lá cuidando dela.Sem amor, ela precisava lutar por si mesma.Queria o divórcio. Queria acabar com esse casamento sem sentido.Preparou o acordo de divórcio, imprimiu e deixou na mesa da sala antes de ir deitar, exausta.A mente estava pesada. As palavras do médico e as imagens do hospital não saíam da cabeça.Encolheu o corpo e colocou as mãos na barriga. Lá já existiu uma vida e os planos dela para o futuro.Perto das três da manhã, Beatriz ouviu passos leves enquanto dormia.Ainda sonolenta, sentiu o colchão afundar.O coração apertou. Ela ia levantar, mas os braços quentes do homem abraçaram a cintura dela, apertando-a.O cheiro familiar de cedro e abeto de Arthur bateu no seu nariz.A cabeça de Beatriz deu um branco. O corpo todo travou.Ela não se mexeu. Fingiu estar dormindo.No primeiro ano de casados, ela sentiu um pouco do calor por trás da frieza dele, achando que fosse amor.Se não tivesse visto o hospital de manhã, a volta dele a deixaria muito feliz, achando que a espera de três anos valeu a pena.Mas agora, com o corpo quente dele, Beatriz só sentia nojo.Ela empurrou Arthur, saiu da cama descalça e ligou o abajur.A luz amarela clareou o quarto e o rosto inexpressivo do homem.— Te acordei? — A voz dele era calma, sem alteração.Beatriz manteve o rosto sério e não falou.Ele olhou para o rosto pálido dela. Não viu alegria por revê-lo e ficou ainda mais apático.Capítulo 2Três anos separados em países diferentes. Na noite em que o marido voltou, Beatriz pediu o divórcio.Ela viveu três anos como viúva, mas sua irmã... engravidou de Arthur.No primeiro ano de casados, Arthur foi transferido para trabalhar no Itamaraty em Londres.Na noite antes de partir, o homem disse: — Espero que entenda o meu trabalho. Quando eu voltar, nós teremos um filho.Ela acreditou. Usou essas palavras como um farol para suportar três anos de solidão, esperando dia e noite pelo seu retorno.Mas...-— Srta. Nogueira, seu câncer de endométrio tem sinais de piora. Recomendo fazer a cirurgia de remoção do útero o mais rápido possível.— Nestes últimos dois anos você veio às consultas sozinha. Quer avisar ao seu marido sobre isso?A luz do consultório bateu no rosto de Beatriz, deixando-a pálida.O laudo médico em sua mão parecia pesar uma tonelada, deixando-a paralisada.Ela nunca imaginou que o diagnóstico de dois anos atrás pioraria tão rápido.Na época, o médico disse que se descobrisse e tratasse cedo, ainda haveria esperança de engravidar.Ela teve medo de distrair Arthur em outro país e não contou.Mas agora, parecia que... não poderia mais ser mãe.Beatriz fungou, pegou o celular tremendo e ligou para Arthur.O telefone chamou.Beatriz ficou parada, com a mente tonta.Ela apertou o celular.De repente, lembrou do fuso horário...Agora em Londres, era madrugada.Beatriz precisou adiar o pedido de ajuda.Desceu as escadas com passos pesados.A discussão vindo do pronto-socorro a fez parar de repente.No meio da multidão, ela viu aquele homem alto de casaco escuro e perfil bem definido.Beatriz travou.Esse não era o seu marido que deveria estar em Londres?O coração de Beatriz apertou, e, quase por instinto, ela ligou para ele de novo.Cambaleou até a porta do pronto-socorro e viu claramente o homem tirar o celular do bolso do casaco, olhar para a tela e apertar o botão de rejeitar sem hesitar.Beatriz paralisou, o sangue parecia ter parado de correr.Eles tinham se falado há três dias, e ele não mencionou em momento algum que voltaria!Ela ia dar um passo, quando ouviu uma voz feminina suave e chorosa no pronto-socorro: — Arthur, tá doendo. Me abraça, por favor?Os pés de Beatriz grudaram no chão.Ela olhou de lado.O rosto familiar da mulher partiu o coração de Beatriz.Era a sua... irmã?Beatriz fechou os punhos e olhou para Arthur, que já tinha entrado no pronto-socorro.Ela conhecia Arthur bem demais. Ele era contido, educado. Mesmo em particular, quase nunca era íntimo.Ainda mais em um pronto-socorro cheio de gente, e a pessoa ao lado era a cunhada dele...A sua própria irmã.Mas, no segundo seguinte, Arthur se inclinou um pouco e pegou Helena no colo com cuidado.Beatriz perdeu o fôlego e a mente ficou em branco. A imagem à sua frente virou um borrão claro.Ela não teve coragem de ver mais. Virou as costas de repente, segurando o laudo médico, e fugiu tropeçando.Pois é. Helena o chamou com tanta intimidade, o que mais ela ia duvidar?Como ela esqueceu que, logo depois que Arthur viajou, Helena também foi para Londres dizendo que ia estudar?Talvez, durante os três anos em que ela ficou sozinha esperando por ele, os dois já vivessem um romance no exterior.— Ouvi dizer que a esposa do Subsecretário Valente está grávida, vai logo! É notícia em primeira mão!Alguns repórteres com câmeras passaram correndo por ela, na direção do pronto-socorro.Beatriz parou na escada, em choque.Grávida?Helena estava grávida de Arthur?Ela colocou a mão na própria barriga, apertou a roupa fina e o corpo inteiro começou a tremer sem parar.Então... era isso.Não é à toa que não conseguiu segurar aquele filho que esperava.Não é à toa que Arthur sempre manteve distância. A educação e gentileza não tinham nada a ver com amor.Ele sempre amou Helena. Casar talvez tenha sido só uma solução temporária.Três anos jogados fora. Ela precisava acordar.Beatriz respirou fundo, segurando o nó na garganta.Em três anos de casamento, a educação dele vinha do próprio caráter, não de amor por ela.Se não amava, para que dar promessas falsas?Ela deu um sorriso de deboche.Às vezes, as palavras de um homem não valem nada.Ela ia embora, mas parou de novo.Não queria acreditar que perdeu três anos.E se não fosse?Ela respirou fundo, apertou as mãos e se virou.Viu Arthur no fim do corredor, falando baixo com o médico.Após três anos, ele parecia ainda mais firme. Tinha um ar frio e nobre.O médico terminou de falar e ele só acenou, soltando um "hum" sem expressão.No segundo seguinte, percebeu o olhar dela e virou a cabeça.Olhou para ela de forma calma, como se visse uma estranha.Os repórteres já tinham sido expulsos pelo assistente de Arthur, mas alguns ainda se escondiam, tentando conseguir uma exclusiva.Como o mais jovem subsecretário do Itamaraty, ele era o centro das atenções. Cada passo atraía olhares.Beatriz respirou fundo, ia até lá, mas uma mão a parou.Era o assistente de Arthur, Lucas. Com um sorriso profissional, ele disse: — Srta. Nogueira, tem muita gente aqui. Não se aproxime, para evitar boatos desnecessários.Boatos?Ela era a esposa dele, e agora não tinha o direito de chegar perto?Beatriz olhou para Arthur por cima do ombro de Lucas e fechou os punhos sem perceber.Era para evitar suspeitas?Para proteger Helena? Para não deixar Helena ficar com a fama de amante na frente da esposa?A resposta óbvia a deixou mais pálida e com as pontas dos dedos frias.Beatriz ficou parada. Não ia fazer a vontade dele.Ela olhou firme para Arthur: — Por que não atendeu a minha ligação? Quando você voltou?Helena estava no pronto-socorro fazendo exames. Ela perguntou como esposa.O rosto de Arthur continuou igual, mas Beatriz sentiu o clima pesar.Ele disse calmo: — Tenho muito trabalho. Preciso avisar você sobre todos os meus passos?O tom de voz era tranquilo, como se fosse um fato comum, mas machucou os ouvidos de Beatriz.Claro. Ele voltou com Helena e foi ao hospital com ela. Não precisava avisar a esposa.Para ter notícias de Arthur era muito difícil. Ela nem vinha depois de Helena.Beatriz olhou para o rosto frio dele, abriu a boca, mas a garganta travou.O peito estava cheio de sentimentos, mas não tinha como soltar.Era como dar um soco no algodão.Se ela perguntasse mais, ia parecer uma maluca.Arthur não ligou para o que ela sentia. Olhou o relógio no pulso: — Tenho coisas para resolver. Vá para casa.Beatriz soltou um riso baixo de deboche.Coisas para resolver?Só queria voltar para ficar com quem ele amava.Lucas deu um passo e fez um gesto indicando a saída.Quando Arthur se virou, olhou para Beatriz: — Em público, espero que você tenha cuidado com o que fala, tanto sobre quem você é quanto sobre nós dois. Não preciso te ensinar isso.A voz era calma, sem alterações, mas as palavras mostravam autoridade.Ele estava avisando para não fazer fofoca, para não atrapalhar ele e Helena. Queria evitar constrangimento para ela.Ele pensou em tudo, só esqueceu que ela, a esposa, era quem devia ser considerada nisso.Ele não falou com todas as letras, mas pisou no orgulho dela.Beatriz riu internamente.Naquele momento, ela viu a diferença entre amor e falta dele.Respirou fundo e virou as costas.Voltou para a mansão.A casa onde vivia sozinha há três anos.Achou que Arthur não voltaria à noite.Helena estava no hospital, devia ter passado mal com a gravidez. Ele ia ficar lá cuidando dela.Sem amor, ela precisava lutar por si mesma.Queria o divórcio. Queria acabar com esse casamento sem sentido.Preparou o acordo de divórcio, imprimiu e deixou na mesa da sala antes de ir deitar, exausta.A mente estava pesada. As palavras do médico e as imagens do hospital não saíam da cabeça.Encolheu o corpo e colocou as mãos na barriga. Lá já existiu uma vida e os planos dela para o futuro.Perto das três da manhã, Beatriz ouviu passos leves enquanto dormia.Ainda sonolenta, sentiu o colchão afundar.O coração apertou. Ela ia levantar, mas os braços quentes do homem abraçaram a cintura dela, apertando-a.O cheiro familiar de cedro e abeto de Arthur bateu no seu nariz.A cabeça de Beatriz deu um branco. O corpo todo travou.Ela não se mexeu. Fingiu estar dormindo.No primeiro ano de casados, ela sentiu um pouco do calor por trás da frieza dele, achando que fosse amor.Se não tivesse visto o hospital de manhã, a volta dele a deixaria muito feliz, achando que a espera de três anos valeu a pena.Mas agora, com o corpo quente dele, Beatriz só sentia nojo.Ela empurrou Arthur, saiu da cama descalça e ligou o abajur.A luz amarela clareou o quarto e o rosto inexpressivo do homem.— Te acordei? — A voz dele era calma, sem alteração.Beatriz manteve o rosto sério e não falou.Ele olhou para o rosto pálido dela. Não viu alegria por revê-lo e ficou ainda mais apático.Capítulo 3Três anos separados em países diferentes. Na noite em que o marido voltou, Beatriz pediu o divórcio.Ela viveu três anos como viúva, mas sua irmã... engravidou de Arthur.No primeiro ano de casados, Arthur foi transferido para trabalhar no Itamaraty em Londres.Na noite antes de partir, o homem disse: — Espero que entenda o meu trabalho. Quando eu voltar, nós teremos um filho.Ela acreditou. Usou essas palavras como um farol para suportar três anos de solidão, esperando dia e noite pelo seu retorno.Mas...-— Srta. Nogueira, seu câncer de endométrio tem sinais de piora. Recomendo fazer a cirurgia de remoção do útero o mais rápido possível.— Nestes últimos dois anos você veio às consultas sozinha. Quer avisar ao seu marido sobre isso?A luz do consultório bateu no rosto de Beatriz, deixando-a pálida.O laudo médico em sua mão parecia pesar uma tonelada, deixando-a paralisada.Ela nunca imaginou que o diagnóstico de dois anos atrás pioraria tão rápido.Na época, o médico disse que se descobrisse e tratasse cedo, ainda haveria esperança de engravidar.Ela teve medo de distrair Arthur em outro país e não contou.Mas agora, parecia que... não poderia mais ser mãe.Beatriz fungou, pegou o celular tremendo e ligou para Arthur.O telefone chamou.Beatriz ficou parada, com a mente tonta.Ela apertou o celular.De repente, lembrou do fuso horário...Agora em Londres, era madrugada.Beatriz precisou adiar o pedido de ajuda.Desceu as escadas com passos pesados.A discussão vindo do pronto-socorro a fez parar de repente.No meio da multidão, ela viu aquele homem alto de casaco escuro e perfil bem definido.Beatriz travou.Esse não era o seu marido que deveria estar em Londres?O coração de Beatriz apertou, e, quase por instinto, ela ligou para ele de novo.Cambaleou até a porta do pronto-socorro e viu claramente o homem tirar o celular do bolso do casaco, olhar para a tela e apertar o botão de rejeitar sem hesitar.Beatriz paralisou, o sangue parecia ter parado de correr.Eles tinham se falado há três dias, e ele não mencionou em momento algum que voltaria!Ela ia dar um passo, quando ouviu uma voz feminina suave e chorosa no pronto-socorro: — Arthur, tá doendo. Me abraça, por favor?Os pés de Beatriz grudaram no chão.Ela olhou de lado.O rosto familiar da mulher partiu o coração de Beatriz.Era a sua... irmã?Beatriz fechou os punhos e olhou para Arthur, que já tinha entrado no pronto-socorro.Ela conhecia Arthur bem demais. Ele era contido, educado. Mesmo em particular, quase nunca era íntimo.Ainda mais em um pronto-socorro cheio de gente, e a pessoa ao lado era a cunhada dele...A sua própria irmã.Mas, no segundo seguinte, Arthur se inclinou um pouco e pegou Helena no colo com cuidado.Beatriz perdeu o fôlego e a mente ficou em branco. A imagem à sua frente virou um borrão claro.Ela não teve coragem de ver mais. Virou as costas de repente, segurando o laudo médico, e fugiu tropeçando.Pois é. Helena o chamou com tanta intimidade, o que mais ela ia duvidar?Como ela esqueceu que, logo depois que Arthur viajou, Helena também foi para Londres dizendo que ia estudar?Talvez, durante os três anos em que ela ficou sozinha esperando por ele, os dois já vivessem um romance no exterior.— Ouvi dizer que a esposa do Subsecretário Valente está grávida, vai logo! É notícia em primeira mão!Alguns repórteres com câmeras passaram correndo por ela, na direção do pronto-socorro.Beatriz parou na escada, em choque.Grávida?Helena estava grávida de Arthur?Ela colocou a mão na própria barriga, apertou a roupa fina e o corpo inteiro começou a tremer sem parar.Então... era isso.Não é à toa que não conseguiu segurar aquele filho que esperava.Não é à toa que Arthur sempre manteve distância. A educação e gentileza não tinham nada a ver com amor.Ele sempre amou Helena. Casar talvez tenha sido só uma solução temporária.Três anos jogados fora. Ela precisava acordar.Beatriz respirou fundo, segurando o nó na garganta.Em três anos de casamento, a educação dele vinha do próprio caráter, não de amor por ela.Se não amava, para que dar promessas falsas?Ela deu um sorriso de deboche.Às vezes, as palavras de um homem não valem nada.Ela ia embora, mas parou de novo.Não queria acreditar que perdeu três anos.E se não fosse?Ela respirou fundo, apertou as mãos e se virou.Viu Arthur no fim do corredor, falando baixo com o médico.Após três anos, ele parecia ainda mais firme. Tinha um ar frio e nobre.O médico terminou de falar e ele só acenou, soltando um "hum" sem expressão.No segundo seguinte, percebeu o olhar dela e virou a cabeça.Olhou para ela de forma calma, como se visse uma estranha.Os repórteres já tinham sido expulsos pelo assistente de Arthur, mas alguns ainda se escondiam, tentando conseguir uma exclusiva.Como o mais jovem subsecretário do Itamaraty, ele era o centro das atenções. Cada passo atraía olhares.Beatriz respirou fundo, ia até lá, mas uma mão a parou.Era o assistente de Arthur, Lucas. Com um sorriso profissional, ele disse: — Srta. Nogueira, tem muita gente aqui. Não se aproxime, para evitar boatos desnecessários.Boatos?Ela era a esposa dele, e agora não tinha o direito de chegar perto?Beatriz olhou para Arthur por cima do ombro de Lucas e fechou os punhos sem perceber.Era para evitar suspeitas?Para proteger Helena? Para não deixar Helena ficar com a fama de amante na frente da esposa?A resposta óbvia a deixou mais pálida e com as pontas dos dedos frias.Beatriz ficou parada. Não ia fazer a vontade dele.Ela olhou firme para Arthur: — Por que não atendeu a minha ligação? Quando você voltou?Helena estava no pronto-socorro fazendo exames. Ela perguntou como esposa.O rosto de Arthur continuou igual, mas Beatriz sentiu o clima pesar.Ele disse calmo: — Tenho muito trabalho. Preciso avisar você sobre todos os meus passos?O tom de voz era tranquilo, como se fosse um fato comum, mas machucou os ouvidos de Beatriz.Claro. Ele voltou com Helena e foi ao hospital com ela. Não precisava avisar a esposa.Para ter notícias de Arthur era muito difícil. Ela nem vinha depois de Helena.Beatriz olhou para o rosto frio dele, abriu a boca, mas a garganta travou.O peito estava cheio de sentimentos, mas não tinha como soltar.Era como dar um soco no algodão.Se ela perguntasse mais, ia parecer uma maluca.Arthur não ligou para o que ela sentia. Olhou o relógio no pulso: — Tenho coisas para resolver. Vá para casa.Beatriz soltou um riso baixo de deboche.Coisas para resolver?Só queria voltar para ficar com quem ele amava.Lucas deu um passo e fez um gesto indicando a saída.Quando Arthur se virou, olhou para Beatriz: — Em público, espero que você tenha cuidado com o que fala, tanto sobre quem você é quanto sobre nós dois. Não preciso te ensinar isso.A voz era calma, sem alterações, mas as palavras mostravam autoridade.Ele estava avisando para não fazer fofoca, para não atrapalhar ele e Helena. Queria evitar constrangimento para ela.Ele pensou em tudo, só esqueceu que ela, a esposa, era quem devia ser considerada nisso.Ele não falou com todas as letras, mas pisou no orgulho dela.Beatriz riu internamente.Naquele momento, ela viu a diferença entre amor e falta dele.Respirou fundo e virou as costas.Voltou para a mansão.A casa onde vivia sozinha há três anos.Achou que Arthur não voltaria à noite.Helena estava no hospital, devia ter passado mal com a gravidez. Ele ia ficar lá cuidando dela.Sem amor, ela precisava lutar por si mesma.Queria o divórcio. Queria acabar com esse casamento sem sentido.Preparou o acordo de divórcio, imprimiu e deixou na mesa da sala antes de ir deitar, exausta.A mente estava pesada. As palavras do médico e as imagens do hospital não saíam da cabeça.Encolheu o corpo e colocou as mãos na barriga. Lá já existiu uma vida e os planos dela para o futuro.Perto das três da manhã, Beatriz ouviu passos leves enquanto dormia.Ainda sonolenta, sentiu o colchão afundar.O coração apertou. Ela ia levantar, mas os braços quentes do homem abraçaram a cintura dela, apertando-a.O cheiro familiar de cedro e abeto de Arthur bateu no seu nariz.A cabeça de Beatriz deu um branco. O corpo todo travou.Ela não se mexeu. Fingiu estar dormindo.No primeiro ano de casados, ela sentiu um pouco do calor por trás da frieza dele, achando que fosse amor.Se não tivesse visto o hospital de manhã, a volta dele a deixaria muito feliz, achando que a espera de três anos valeu a pena.Mas agora, com o corpo quente dele, Beatriz só sentia nojo.Ela empurrou Arthur, saiu da cama descalça e ligou o abajur.A luz amarela clareou o quarto e o rosto inexpressivo do homem.— Te acordei? — A voz dele era calma, sem alteração.Beatriz manteve o rosto sério e não falou.Ele olhou para o rosto pálido dela. Não viu alegria por revê-lo e ficou ainda mais apático.

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